segunda-feira, 3 de julho de 2017

1977-07-03 - Abaixo a reacção! - PCP

Abaixo a reacção!

Trabalhadores! Povo Alentejano! Uma onda repressiva se abate há meses sobre os trabalhadores da Reforma Agrária, atingindo mulheres, velhotes e crianças. Nestes primeiros 6 meses de 1977 foram já espancados e presos mais de 200 trabalhadores de Sta. Susana, Montemor, Mora, Montargil, Seda, Campo Maior, e outras. Muitas dezenas de trabalhadores tiveram de ser tratados no hospital. Alguns deles vão ficar com marcas no corpo para toda a sua vida. A jovem Georgina Bicho, de Pavia, contínua de cama com as pernas paralisadas em consequência de espancamentos da GNR!

No dia 30 de Junho nova onda de repressão violenta caiu sobre Campo Maior. A mando do Governo PS, do Barreto & Portas, do Governador Civil de Portalegre, Júlio Calha, centenas GNR e PSP de choque com cães polícias, "G3" bastões, etc., ocuparam as instalações da Cooperativa Agro Campo Maior e a sede da UCP “Unidade de Trabalhadores". Na primeira funcionava a sede da Cooperativa de comercialização, com cerca de 400 pequenos e médios agricultores sócios; e na 2.a funcionava a sede da UCP "Unidade de Trabalhadores", os escritórios, a oficina, etc. Os trabalhadores e pequenos agricultores investiram nas duas instalações mais de 2000 contos. Foram tiradas ilegalmente para entregar aos agrários da CAP!
No dia 1 de Julho, numa verdadeira "caça às bruxas" foram presos 10 trabalhadores e 8 dos quais levados para os calabouços da PSP de Elvas. São eles: João Carita, António Serrano, António Farinha, Marciano Favita, João Gai­ta e Francisco Ruas (pequenos agricultores), Fernando Azinhais, Eduardo Basso (funcionário do PCP e membro da C.D. dá Portalegre), Camilde Gaminha e Sardinha (estes dois não seguiram para Elvas).
No dia 2 de Julho, os 8 presos, defendidos pelos advogados Luso Soares e Ivo Nobre, foram ouvidos no Tribunal. O juiz considerou as prisões ilegais e os 8 trabalhadores saíram imediatamente em liberdade.
Destacou-se nesta repressão o major Morão, da PSP de Portalegre. Actuando como nos tempos de Salazar, numa linguagem pidesca, ele provocou os trabalhadores, os presos e chamou "filhos da puta" a militares do 25 de Abril. "A tropa já não tem nada com isto. Agora quem manda é o Governo e a polícia" - dizia ele Apareceu no Tribunal de Elvas, como um grande senhor e com uma forte força militar, tentando intimidar o juiz e os advogados. A sua provocação não sortiu efeito.
Tentando desviar a atenção da ilegalidade do MAP é do Governo, três mulheres agrárias, Maria Fernandes Cunha "Espanhola" e uma outra, montaram uma provocação: passaram de carro junto dos trabalhadores e provocaram-nos com gestos e palavrões.
Foram perseguidas até a casa pelos trabalhadores. Logo que entraram, alguém de dentro fez fogo com uma caçadeira sobre as pessoas, atingindo uma velhota e sua neta de 3 anos. Esta provocação deu lugar a que a PSP dispersasse os tra­balhadores à bastonada.

Quem são os responsáveis da repressão?
Os responsáveis são os Srs. do MAP - Barreto & Portas -, os governadores civis, o Governo PS que está a espezinhar brutalmente as liberdades democráticas, os direitos dos trabalhadores consagrados na Constituição, a afastar-se cada dia mais da Revolução do 25 de Abril e dos interesses do povo português.
Barreto & Portas são, hoje, dois mentirosos, dois ditadores repressivos ao serviço dos agrários, dois inimigos dos trabalhadores, da R.A. e da Revolução Portuguesa. Eles abusam do poder. Fazendo lembrar tempos duros do fascismo, o Governo PS recorre cada vez mais à repressão para impor a violência, a ilegalidade e a vontade dos exploradores. Aquilo que se está hoje a passar nos campos do Alentejo e Ribatejo — destruição da R.A. espancamentos, prisões, mentiras, ilegalidades não pode continuar! Esta onda de violência nada tem a ver com a democracia. O divórcio do Governo PS com o povo é cada dia mais claro.

Defendamos a Reforma Agrária
Na jornada de 22 de Junho 600 mil trabalhadores de Norte a Sul do país (dos quais 120000 no Alentejo) gritaram pelas ruas: "A luta continua Barreto & Portas para a rua!" "Avante com a Reforma Agrária!." Foi um sério aviso ao Governo.
Os trabalhadores não querem a política de recuperação capitalista, agrária e imperialista, não querem a política repressiva e antinacional do Governo PS!
O Sr. Barreto rasgou a Lei da R.A. e quer impor pela violência a sua "Segunda Reforma Agrária Que ninguém tenha ilusões! A aprovação da lei Barreto significaria a destruição da R.A., e com ela viria o desemprego, a miséria, a falência do pequeno e médio comércio rural, a repressão, as terras incultas, as coutadas, a falta de produtos alimentares e a destruição da democracia. Os trabalhadores interrogam-se: "Será possível que os deputados socialistas se vão juntar ao PPD, CDS e, juntos, vão assinar a morte da Reforma Agrária?! A história não perdoará àqueles que se passam para o outro lado da trincheira da Revolução.
Trabalhadores! Democratas! É necessário defender a Reforma Agrária. É necessário fazer chegar aos órgãos de soberania a nossa voz no sentido de que a lei Barreto seja prontamente rejeitada.
Abaixo a lei Barreto! Não mexam na Reforma Agrária! A terra a quem a trabalha!

3 de Julho de 1977
A DIRECÇÃO DA ORGANIZAÇÃO REGIONAL DO ALENTEJO do Partido Comunista Português

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