sábado, 1 de julho de 2017

1977-07-01 - FOLHA DA DORC DA OCMLP nº 1

DIRECÇÃO DA ORGANIZAÇÃO REGIONAL DO CENTRO DA ORGANIZAÇÃO COMUNISTA MARXISTA LENINISTA PORTUGUESA.

      FOLHA DA DORC DA OCMLP nº 1 - 1ª Quinz/6/77

O QUE É A OCMLP
A OCMLP, Organização Comunista Marxista Leninista Portuguesa, nasceu e temperou-se na luta contra o fascismo salazarista e caetanista, contra a exploração capitalista e a guerra colonial assassina. No tempo do fascismo, o seu jornal O GRITO DO POVO pôs a nu a ditadura fascista e a exploração desenfreada e a natureza assassina da guerra colonial que se mantinha e mobilizou e guiou largas camadas do povo na sua luta.

Após o 25 de Abril e para as primeiras eleições a OCMLP lançou a FEC, Frente Eleitoral de Comunistas Marxistas-Leninistas, pela qual divulgou amplamente os ideais do socialismo e do comunismo, bom como deu resposta aos principais anseios imediatos do povo, tais como a luta pela habitação, etc. A OCMLP nascida e temperada na luta, contra o fascismo, apôs o 25 do Abril não vergou também face àqueles que pretendiam instaurar nova ditadura terrorista, desta feita os social-fascistas cunhalistas; durante estes três anos a OCMLP temperou-os pois também na luta contra o social-fascismo como são exemplos Mais salientes a luta travada contra o governo do social-fascista Vasco Gonçalves assim como a luta contra o golpe pró-soviético do 25 de Novembro.
Meses volvidos porém, fruto da conciliação com o inimigo no nosso seio, com o perigo neo-revisionista que se organizava nas organizações que vieram a formar o PCP(r), estes conseguiram desferir um rude golpe na nossa Organização desorganizando temporariamente as suas fileiras. Agora porém a OCMLP está de novo de pé! Está de novo de pé para denunciar o mobilizar o povo na luta contra os seus piores inimigos, os social-fascistas cunhalistas, e lutar pela aplicação de um programa económico de salvação nacional, única forma de assegurar as aspirações do povo à Independência Nacional, à Liberdade e Progresso Social, bem como atingir a aspiração suprema do Socialismo e do Comunismo.

SITUAÇÃO NA UNIVERSIDADE
Foram já dados a conhecer os resultados do referendo que o ministro Sottomaior Cardia tomou a decisão de realizar para que os estudantes do Coimbra se pronunciassem democrática e livremente sobre se estavam de acordo com a movimentação social-fascista que se vinha a desenvolver há quase um mês ou se pretendiam a universidade aberta repudiando as tentativas das forças afectas ao partido do Cunhal e seus satélites da UDP, MES, LCI, submarinos da JS e ditos "independentes de esquerda", do paralisar a vida escolar.
Embora não fossem estes os termos utilizados nos papéis do referendo do MEIC, era de facto esta a opção que os estudantes tinham a fazer ao votar sim ou não.
O referendo foi uma justa forma de auscultar a vontade dos estudantes, sem que estes estivessem ao sabor das decisões tomadas em Assembleias Magnas com uma pequena percentagem dos estudantes de Coimbra e dominadas pelo terrorismo social-fascista.
Foram 57% do total dos estudantes de Coimbra que se pronunciaram a favor da abertura da Universidade, o que prova que a maioria dos estudantes está contra a "greve geral" social-fascista. Mas isto por si só não é garantia de normalização da vida académica, pois embora a última Assembleia Magna não tenha tido quórum e a fantochada promovida pela DG da AAC tenha sido um fiasco completo, está já anunciada a realização de uma Assembleia Magna para o primeiro dia em que a Universidade reabrir, onde os, social-fascista procuram aprovar a continuação da greve geral.
Para que a vontade democrática agora expressa pela maioria dos estudantes seja cumprida, é necessário que os estudantes democráticos se mobilizem, participem activamente nas Assembleias Magnas e noutras reuniões de massas, mesmo que a "greve geral" seja aprovada numa Assembleia Geral minoritária, percam os complexos e façam cumprir os resultados do referendo.

A URSS - PILAR DA REACÇÃO MUNDIAL
A URSS, potência social-imperialista em expansão e ávida de hegemonia mundial, herdou e alargou todos os traços de velhacaria, todos os crimes de maior explorador e opressor internacional que sempre caracterizaram o seu rival em decadência, o imperialismo americano.
Na sua política expansionista e de preparação de uma nova guerra mundial, os novos czares de Moscovo não hesitam em irmanar-se com a mais negra reacção de todo o globo. Não hesitará em servir-se dos mais ferozes inimigos de cada povo, em qualquer parte do mundo. Fascistas ou assassinos a soldo servem hoje o Kremlin a troco de uns rublos, como ontem se entregaram aos dólares ou aos marcos do 3º Reich. A URSS, que já mostrara a sua face ao apoiar até à última hora os fantoches fascistas contra o povo do Cambodja, tornasse cada vez mais o principal pilar da reacção mundial.
Em África, compram os mercenários que ontem se batiam a soldo do colonialismo e do imperialismo ocidental, e armam-nos para invadir o Zaire. No Próximo Oriente, fazem propostas para a "solução do conflito israelo-árabe" que a imprensa árabe classifica do mais pró-israelitas que as propostas de Israel - isto com o objectivo de obterem passagem para os seus vasos de guerra através de território árabe. Na América Latina, solidarizar-se com as ditaduras militares criadas pela nova administração americana, oferecem-se para vender-lhes armas em substituição das fornecidas pelos EUA. Na índia, classificam do "avanço da reacção" a restauração das liberdades democráticas e a queda do regime opressor de Indira Gandhi. Na ONU opõem-se com unhas e dentes à vontade mundial de rever a Carta para acabar com o direito do veto das grandes potências. Os exemplos nunca acabariam. Por todo o lado, os novos czares que reinam sobre campos de concentração e "hospitais psiquiátricos" no glorioso país outrora socialista, fazem causa comum contra o progresso, contra a libertação dos povos e a sua independência nacional.
Brejnev é um digno sucessor de Hitler. A sua sorte não será melhor.
(extraído de O GRITO DO POVO)

Escritórios de Coimbra
RIDÍCULA FANTOCHADA
Ridícula fantochada foi a Assembleia Geral do Sindicato dos Trabalhadores de Escritório do Distrito de Coimbra, realizada no dia 26/5, para alteração dos estatutos.
Pretendendo ser uma A.G. de um sindicato distrital, com alguns milhares de associados, foi convocada para um dia de semana à noite, nunca tendo alcançado a presença de 100 associados. Os social-fascistas, em maioria, pressionaram a mesa para submeter todas as propostas a admissão à discussão, o que lhes permitiu recusar qualquer proposta que não lhes interessasse, sem qualquer discussão e sem apresentarem qualquer alternativa, tendo a direcção do sindicato e a mesa da A.G. colaborado em todas estas manobras que visavam impedir que se manifestassem as posições democráticas, chegando elementos da direcção a ir contra as próprias propostas da direcção, depois de atacadas pelos social-fascistas.
Foram assim recusadas todas as propostas que visavam dar uma maior democraticidade aos estatutos, como as de descentralização do poder de decisão em questões fundamentais, e a utilização da votação secreta quando a mesa da A.G. o entendesse ou fosse requerida por um número mínimo de sócios. A provar o carácter de submissão da direcção aos desígnios social-fascistas, vem o facto destes não terem permitido que fosse admitida à discussão uma proposta de um sindicalista democrata visando reduzir o mandato da direcção do 3 para 2 anos.
Nesta A.G. notou-se uma maior resistência ao social-fascismo, mas é preciso que os camaradas empenhados nessa luta mobilizem as massas de trabalhadores do escritório do distrito que se opõem ao social-fascismo, única força capaz de esmagar esse inimigo.

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