sábado, 8 de julho de 2017

1977-07-00 - Viva o MES! Nº 6B - MES

O MES e a política de alianças
NOTA PRÉVIA

Ao decidimos apresentar ao Partido segundo documento como tese para as discussões da II Conferência Nacional de Quadros atendemos às seguintes ordens de razões:
l)  Não tem o MES uma tradição própria de debato e luta ideológica no seu seio. Toda a curta história da nossa organização está recheada de conflitos internos "obscuros", afastamentos de elementos do Partido "inexplicáveis", cisões apresentadas como fruto de maquinações maquiavélicas de um punhado de carreiristas pequeno-burgueses, etc. É claro que a natureza do processo revolucionário aberto com o 25 de Abril adiou ou tomou inoportuna muitas vezes um séria reflexão no Partido sobre divergências e contradições existentes.

Mas, como se assinalou no Relatório da Comissão política ao II Congresso, muito disto tem a ver com a própria origem do grupo dirigente do MES, formado à revelia das questões fundamentais do movimento comunista internacional, com uma formação praticista sob muitos pontos de vista, o que originou um estilo de trabalho e métodos de direcção avessos ao aprofundamento teórico, ao estudo e ao debate sério na vida interna do Partido,
As alterações políticas que abriram o espaço ao estabelecimento e persistência duma democracia burguesa em Portugal, ainda que crescentemente limitada, tiveram como consequência, deste ponto de vista, impor uma alteração radical na vida interna do Partido que não soubemos compreender senão com muito atraso e dificuldade. Nesta nova fase da luta política em Portugal, a acção política dos revolucionários enfrenta una ofensiva política e ideológica da burguesia muito forte, com elevado eco no próprio seio das massas (o que se manifesta na desmobilização e nas mais duras condições para a nossa acção junto das massas). Por outro lado, a existência de instituições democrático-burguesas torna muito mais delicada a acção de propaganda e agitação revolucionárias e obriga a uma intervenção específica no seu seio. A influência do reformismo no movimento operário e popular reforça-se porque em fase do aparelho é "tudo" e a ideologia a pouco monta...
Face a todos estes factores, cada passo dos revolucionários tem de ser bem meditado, mas a falta de demarcação política paga-se caro e a falta de iniciativa e audácia é mortal. Daí que a luta ideológica no seio da organização seja necessária e inadiável.
2) Existe no MES uma forma particular de oportunismo político que consiste em reagir fortemente à luta ideológica e ao confronto de posições divergentes procurando fórmulas de compromisso eclécticas, apresentadas sob a roupagem pomposa de “síntese".
Ora, o ecletismo é um dos maiores inimigos do pensamento e da acção revolucionárias consequentes.
No plano da teoria revolucionaria, o ecletismo é a máscara do pensamento liberal burguês que ainda marca em muitos aspectos os sectores revolucionários que nasceram na luta anti-fascista, na oposição democrática e dele ainda não se libertaram.
E no plano da organização, o ecletismo é uma forma específica de liberalismo, conciliando com o erro e o estilo de trabalho não-comunista que confunde o Partido com a organização das massas, a direcção partidária com o seguidismo em relação aos impulsos do movimento espontâneo das massas.
3) A tomada de posição por nós assumida na reunião de 7 e 8 de Maio do nosso Comité Central gerou alguns mal-entendidos e suscitou dúvidas entre alguns camaradas.
Uma mais completa explicação dos nossos pontos de vista impunha-se, pois, para que da confusão e do mal-entendido não beneficiassem posições porventura bem intencionadas mas que, mesmo sem o quererem, vêm resvalando para o oportunismo.

A clarificação das nossas posições visa contribuir para o aprofundamento da discussão política e ideológica no seio do nosso partido, com um fim preciso: apresentar uma posição clara que não deixe margem a duvidas e ao mesmo tempo generalizar o debate ideológico e político como um meio seguro no caminho da crítica para a unidade do Partido.

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