segunda-feira, 24 de julho de 2017

1977-07-00 - UNIDADE SOCIALISTA Nº 01 - USR

EDITORIAL

"A Revolução Portuguesa vive uma hora decisiva. Una crise profunda - a mais profunda de todas as crises desde o 25 de Abril - abala, praticamente, todos os sectores da sociedade portuguesa. Crise da economia, das relações sociais e das condições de vida das massas populares, crise das instituições políticas e do aparelho militar; mas crise também do movimento operário e popular, crise das organizações e dos partidos operários, crise das forças revolucionárias”.

Estas palavras, com que abria o nosso documento "Portugal: Revolução/Unidade Socialista” publicado em Fevereiro passado - são hoje mais actuais do que nunca. O agravamento cada vez maior de situação económica, o aumento desenfreado do endividamento externo, do custo de vida e do desemprego; a agressividade crescente da burguesia e dos seus partidos na recuperação dos privilégios perdidos (ofensiva contra a Reforma Agrária, o controlo operário, as nacionalizações, etc.); o fracasso completo do Governo PS - filho directo da sua política de cedências à reacção e de traição aos interesses dos trabalhadores; a escalada das forças repressivas da GNR o da PSP; as ameaças cada vez mais abertas contra os trabalhadores e contra o socialismo por parte de destacados expoentes da hierarquia militarista - aí estão para o demonstrar. Porem ao mesmo tempo os trabalhadores vêm mostrando que estão dispostos a defender, por todos os meios, os direitos e as conquistas alcançadas ao longo do processo revolucionário. O reforço da unidade sindical, a extensão do movimento de solidariedade entre os vários sectores em luta, as grandiosas movimentações em torno do 1º de Maio, do 22 de Junho e mais recentemente as lutas contra a aprovação de novas leis anti-operárias e anti-reforma agrária na Assembleia do República, marcam um importante posso em frente na luta contra a reacção e a recuperação capitalistas; mostram de uma forma cada vez mais clara, que as lutas em defesa das nacionalizações, contra as desintervenções e o regresso dos patrões sabotadores, em defesa do controle operário, da autonomia das Comissões de Trabalhadores, contra o projecto Barreto e em defesa da lei do Arrendamento Rural, contra o desemprego e a carestia, contra a repressão e em defesa das liberdades democráticos das massas, já não se encontram confinadas e isoladas sector por sector; antes se unificam, se articulam e coordenam, ganham uma mais ampla expressão de massas, suscitam o apoio activo de novos sectores até há pouco desmobilizados para a luta.
O movimento anti-capitalista de massas ganha um novo alento, incorpora novas forças, alarga as suas frentes de luta, prepara-se para novos e decisivos combates. A unidade crescente nas fábricas, nos campos, nos bairros, nas escolas, nos sindicatos, nos quartéis, de trabalhadores e militantes socialistas, comunistas ou sem partido; a exigência crescente do respeito pela democracia operária nas organizações de massas dos trabalhadores; a consciência política anti-capitalista de sectores cada vez mais amplos que recusam a conciliação, a colaboração e os "pactos sociais com a burguesia" e exigem total autonomia e independência do movimento operário e popular face aos patrões, aos seus partidos e ao seu Estado - tudo isto são factos indesmentíveis que põem em xeque todas as manobras divisionistas, burocráticas e conciliadoras dos reformistas e sectários de todos os quadrantes. A determinação crescente para a mobilização e para a luta das mais amplas camadas de trabalhadores, a sua compreensão de que o respeito da democracia operária é condição da sua unidade e independência de classe, constituem sinais promissores duma arrancada decidida da contra-ofensiva operária e popular contra a escalada da reacção e da recuperação capitalistas; mas constituem também - e desde já - factores poderosos que irão dificultar cada vez mais os manejos burocráticos e sectários de todos quantos, através da divisão e do controle manipulador sobre as organizações de massas, procuram atrelar o campo operário e popular às suas linhas partidárias reformistas de conciliação e colaboração com o patronato, os seus partidos e com o Estado capitalista.
Porém, se fazemos questão em continuar a sublinhar a gravidade crescente da actual crise, é porque temos consciência de que a crise do movimento operário e popular, a crise das forças revolucionárias continua por resolver. E continuará por resolver enquanto não for eficazmente combatido e ultrapassado o peso dos aparelhos burocráticos e reformistas, que dificultam a unidade organizada dos trabalhadores; que violentam, a democracia operária nas organizações de massas, que conciliam com a burguesia e negoceiam com ela acordos e "pactos" nas costas dos trabalhadores. Mas a crise do movimento operário e popular continuará também por resolver, enquanto as forças decididamente revolucionárias não encontrarem o caminho da unidade e duma correcta ligação às reais aspirações e aos níveis de combatividade, organização, experiência e consciência política das massas trabalhadoras; enquanto não souberem assumir e impulsionar correctamente as tendências reais do desenvolvimento da luta anti-capitalista das massas; enquanto não souberem combater as práticas divisionistas, anti-democráticas e conciliadoras dos aparelhos reformistas sem caíram, elas próprias, no sectarismo auto-suficiente, no espontaneísmo irresponsável ou no vanguardismo abstracto; enquanto, numa palavra, as forças revolucionárias não forem capazes de colocar acima dos interesses do seu próprio crescimentos reforço como grupos, os interesses de conjunto, imediatos e históricos, de todo o campo operário e popular.
E esses interesses de conjunto do campo operário e popular são, nas actuais condições, aqui e agora, conseguir realizar a mais ampla UNIDADE OPERÁRIA E SOCIALISTA na luta contra a reacção e a recuperação capitalista, pela defesa doa direitos dos trabalhadores e das conquistas da revolução, pelo avanço rumo ao Socialismo. Os interesses dó campo operário e popular são neste momento criar - através da unidade, democraticidade e independência das lutas e organizações dos trabalhadores - todas as condições para que a arrancada da contra-ofensiva operária e popular seja possível e vitoriosa, para que a escalada da reacção e da recuperação capitalista seja -paralisada, para que as alternativas burguesas para a crise sejam derrotadas, para que as camadas intermédias da população adiram ao combate anti-capitalista dos trabalhadores, para que o campo operário e popular no seu conjunto, unitária, democrática e autonomamente, possa forjar, defender e impor um plano socialista de resolução da crise, em cuja aplicação se empenhe um GOVERNO DE UNIDADE SOCIALISTA.
Cabem, pois, neste processo, especiais responsabilidades a todos os militantes operários e sindicais, a todos quantos se reclamam da Revolução e do Socialismo.
"UNIDADE SOCIALISTA" surge assim como instrumento dum debate necessário e urgente, a travar no seio das forças operárias e socialistas, como instrumento de combate anti-capitalista, revolucionário e internacionalista, como contributo para o processo de unificação política e organizativa dos socialistas-revolucionários, para a construção do partido operário revolucionário implantado.
Neste momento em que - após a aprovação da Lei Barreto anti-Reforma Agrária e dos acordos do PS com o PPD - a reacção capitalista e os seus partidos se preparam para novos e mais profundos ataques aos direitos e às conquistas dos trabalhadores e lançam uma ofensiva generalizada pelo controle de todos os ramos do aparelho de Estado, a unidade para a luta anti-capitalista por parte de todas as forças operárias e socialistas é mais necessária e urgente que nunca.
Que cada militante operário a revolucionário saiba aceitar e responder ao desafio histórico da actual situação de crise - é este o apelo e também o compromisso solene da UNIÃO SOCIALISTA REVOLUCIONARIA!
Pela unidade imediata de todos os socialistas na defesa da Revolução!

Pela unidade de todos os trabalhadores e revolucionários para o triunfo do Socialismo!

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