quinta-feira, 27 de julho de 2017

1977-07-00 - O Comboio Nº Esp - UCRP(ml)

NÚMERO ESPECIAL
JULHO 77

BOLETIM DA UCRP-ML NA CP

SOBRE A PARALIZAÇÃO DO DIA 27

CAMARADAS:
A Comissão Negociadora Sindical do ACT convocou uma paralisação de todos os sectores da empresa para o dia 27, durante 10 minutos, entre as 11 horas e as 11, 10, reivindicando o reinício das negociações e o fim do congelamento dos salários decretado pelo Governo.
De facto, os Ferroviários encontram-se numa situação difícil e injusta, pois o Governo publicou uma portaria em que proíbe o aumento da massa salarial da C.P., com base em argumentos demagógicos e divisionistas.

Com a publicação de tal portaria o Governo visa fazer com que sejamos nós a aguentar com o fardo da crise económica capitalista, crise essa, de que a sua classe, a burguesia, é a única responsável.
Os Ferroviários sabem é que, desde que foram aumentados pela última vez (Jan. 76), o aumento do custo de vida já lhes comeu em média mais 2.500$00 por mês, enquanto os dirigentes sindicais apenas reivindicam o aumento de 1.400$00, mostrando assim que concordam com a diminuição do nosso poder de compra.
A somar a tudo isto, o Conselho de Gerência decidiu unilateralmente terminar as negociações do ACT, sem que nenhuma cláusula estivesse acordada. O objectivo do Cons. de Gerência é produzir, em conjunto com o governo e os Sindicatos, uma Portaria Reguladora de Trabalho, que limpe as mãos ao ACT e retire parte das justas conquistas alcançadas, com o pretexto de corrigir certas causúlas que não estão bem.
Isto nunca os Ferroviários o consentirão!
Contra tais objectivos é absolutamente justa uma paralisação. Mas não é em 10 minutos que os Ferroviários vão impor o seu ACT. Defendemos que só uma paralisação de una ou duas horas seria capaz de mostrar a nossa força.
Qual o objectivo da Comissão Sindical Negociadora-Direcções Sindicais, ao convocarem a greve?
A U.C.R.P.(m-1) sempre afirmou que as Dir. Sindicais Ferroviárias não defendem os trabalhadores, servindo-se apenas deles para os objectivos políticos do falso PCP e é neste contexto que vê esta paralisação.
Conforme nos indicam os seus comunicados, os chefes sindicais ferroviários andam de Ministério em Ministério, insistindo como carraças para serem recebidos pelos diversos governantes, e protestam histericamente por terem levado "sopa" do Ministro do Trabalho Maldonado Gonelha.
Alguma vez, foi nos corredores dos Ministérios da burguesia que os trabalhadores conquistaram os seus direitos? Não!
Também nos indicam nos seus comunicados, que reivindicam junto desses Ministérios ”a sua participação na reestruturação da empresa", bem como aí apresentam as suas "soluções concretas" para os problemas da empresa, avançando com o "controlo operário" (leia-se controlo dos Ferroviários) para reduzir ou acabar com o deficit da empresa.
Qual reestruturação vão defender? Quais as "soluções concretas" que têm na manga? Onde foram aprovadas pelos Ferroviários? Isso não nos dizem, pois não lhes convém.
De acordo com a proposta apresentada no Coliseu dos Recreios, de conseguir as reivindicações através, do "diálogo construtivo" com o Governo, os chefes sindicais andam atrás dos ministros com o único objectivo de conseguir deles vim acordo sobre a reestruturação da empresa, partilhando os lucros... e os tachos que daí resultam entre os quadros do P"C"P e do PS, lucros esses conseguidos à custa do suor dos Ferroviários.
A paralisação surge porque o Governo e o Conselho de Gerência se mostram demasiado fechados a estas propostas, e visa precisamente pressioná-los a aceitá-las.
A C.N.S. visa pois com esta "greve" pressionar o Governo a negociar com ela a partilha dos "tachos” na CP, e não a imposição do nosso ACT.
Por isso a paralisação é de 10 minutos, o tempo conveniente para uma manobra de pressão, e nada nos indica que entretanto o governo não ceda às suas exigências e a "greve" venha a ser desconvocada, sem que as nossas justas reivindicações sejam atingidas, tal como aconteceu na Função Pública.
No plano externo esta paralisação insere-se na ofensiva laborai decretada no último plenário da Intersindical, no sentido, mais uma vez, de pressionar o governo a negociar com os chefes da Inter os interesses do social-fascismo, servindo-se para isso das justas reivindicações dos trabalhadores portugueses.
Qual a posição a assumir pelos Ferroviários?
A U.C.R.P.(m-l) entende que o único caminho capaz de levar à conquista dos nossos direitos, é o caminho da luta dura e não o do "diálogo construtivo" com os exploradores.
Entendemos que os Ferroviários devem de facto paralisar o trabalho, mas em defesa das suas reivindicações próprias:
- PELA REPOSIÇÃO DO PODER DE COMPRA!
-  POR AUMENTOS IGUAIS PARA TODOS, E NÃO MAIS AUMENTO PARA GANHA MAIS, A BOA MANEIRA FASCISTA CONFORME REZA A ULTIMA PROPOSTA DA C.N.S.
- PELA DEFESA INTRANSIGENTE DOS JUSTOS DIREITOS ALCANÇADOS.
- PELA NEGOCIAÇÃO DE UM A.C.T. JUSTO.
E NÃO PELAS REIVINDICARES DA C.N.S. QUE MAIS NÃO SÃO DO QUE AS REIVINDICAÇÕES DO SOCIAL-FASCISMO.
DEVEMOS ESTAR VIGILANTES E IMPEDIR QUALQUER TENTATIVA DA C.N.S. DE DESVIAR A NOSSA LUTA PARA A DEFESA DOS SEUS TACHOS.
-   VIVA A LUTA DOS FERROVIÁRIOS PELAS SUAS REIVINDICAÇÕES!
-   NÃO A MANIPULAÇÃO SOCIAL-FASCISTA.
Julho – 77

CAMARADA:
Compra ”O COMUNISTA", órgão central da U.C.R.P.(m-l).
Saiu o nº. 44 onde podes ler:
- Resolução do C.C. da U.C.R.P.(m-l) critica editorial do "Zeri i Populit" Albanês .
- São Bento debateu a Reforma Agrária capitalista.
- Artigos sobre a actualidade política nacional e internacional.

- “Classe contra Classe"- correspondência das empresas e fábricas.

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