domingo, 30 de julho de 2017

1977-07-00 - Jovem Comunista Nº 03 - JCR

A NOSSA POSIÇÃO
POR UM GOVERNO OPERÁRIO

A manutenção de Rui Gomes na prisão é a expressão clara do carácter reaccionária do actual regime.
Sob a máscara da legalidade "democrática e constitucional" são atacados cada um dos direitos mais elementares e cada uma das conquistas da classe operária e da juventude.
Um jovem anti-fascista é mantido no cárcere por mais de 20 meses sem julgamento, enquanto os pides são libertados.
O "socialismo em liberdade" apregoado por Mário Soares mostra-se naquilo que é: nem socialismo nem liberdade, mas sim o capitalismo em crise, gerido por traidores contra a classe operária, e apoiado no exército burguês.

CRISE
O Governo de Mário Soares é um governo de crise - um governo que se diz socialista, mas que só faz o que lhe é mandado pelas instituições internacionais do capitalismo - o Mercado Comum e o Fundo Monetário Internacional.
Por detrás da prisão de Rui Gomes encontra-se a crise económica e política da burguesia, crise essa internacional mas que toma em Portugal uma expressão extremamente aguda.
As medidas anti-operárias decretadas pelo governo têm sido justificadas pelo próprio governo com o argumento de que é necessário fazer sacrifícios agora para que os trabalhadores vivam melhor depois. De facto, o que se passa é que a crise se agudiza cada vez mais.
A dívida da balança de Pagamentos, passou de 50 milhões de contos em 1975 para 13 milhões de contos em 1976. A divida externa do Banco de Portugal, que era de 2,5 milhões de contos em Setembro de 1975 aproximava-se dos 60 milhões em Abril passado.
Esta crise não é um mero resultado do 25 de Abril e das lutas e greves dos trabalhadores como o pretendem os reaccionários. Esta crise é uma crise criada pelo próprio capitalismo internacionalmente São as próprias relações de produção capitalistas que impedem a economia de se desenvolver. Somente a destruição da propriedade privada capitalista dos meios de produção, a expropriação da burguesia e a abolição das fronteiras e do Estado-nação pode abrir caminho à libertação da economia e das forças produtivas, através da organização da economia em moldes socialistas e planificados.
Esta é a única saída da crise para a classe operária. Não existe qualquer saída trabalhando mais e melhor, como o pretendeu a recente Conferencia Económica do PCP. Como não existe nenhuma saída da crise com a política anti-operária do governo.
Ambas essas políticas se resumem em dar tempo à burguesia para se preparar para a sua saída da crise, através da contra-revolução, da destruição brutal e sangrenta dos direitos democráticos, cio nível de vida e das próprias vidas de milhões de operários e de jovens.
Fascismo e guerra mundial é o que prepara a burguesia em Portugal e internacionalmente. A prisão de Rui Gomes, como todos os ataques ao movimento operário fazem parte desse plano.
Em Portugal sob controlo das agências imperialistas as quais trabalham coordenadamente e com divisão de trabalho. O Fundo Monetário Internacional e a CIA trabalham coordenadamente, a 1a no campo económico e a segunda no político, juntamente com a NATO no militar.
Todas estas agências actuam em Portugal, através do governo, do exército e da Embaixada americana.
Não é um acidente o facto de o governo levar a cabo as medidas económicas ordenadas pelo FMI (desvalorização do escudo, controlo de salários em 15%, indemnizações aos capitalistas) ao mesmo tempo que é organizada a Brigada NATO e que na "suite" Nº 118 do Hotel Tivoli conspira a recém formada "Convergência reaccionária entre o PPD e o CDS, baptizada de "Democrática" para enganar o povo. Tudo isto é trabalho concertado entre a burguesia portuguesa e o imperialismo.
Após apostar nos sociais-democratas de Mário Soares desde o Verão de 75 como ponta de lança contra o movimento operário, a burguesia prepara uma alternativa a direita do actual governo. A razão é o facto de Soares, apesar de todo o seu servilismo para com o imperialismo, se ter mostrado incapaz de levar a cabo toda a extensão de medidas anti-operárias de que o capital necessita urgentemente com o agudizar da crise.
A força inquebrada do movimento operário não só impediu o governo de levar a cabo toda a extensão dos seus planos como forçou o Partido Socialista para uma enorme crise.
O Governo capitalista de Soares só se mantém devido à constante recusa do PCP e da Intersindical em forçar a sua queda, sob o argumento que isso levaria á formação de um governo de direita. De facto, é o próprio governo Soares que está a abrir caminho à direita que se organiza à sua sombra.
O reforço da posição de Eanes e a sua crescente intromissão na vida política é a preparação para a sua intervenção bonapartisia, apoiada no exército e na Constituição que o PCP tanto defende.
Para derrotar os preparativos reaccionários da burguesia é necessário unir a classe operária e a juventude em redor de um Programa de Acção de defesa dos seus direitos básicos e das suas conquistas, mobilizando a força unida da classe operária e da juventude para barrar o caminho à direita e substituir o actual governo por um governo operário e camponês.
Esta é a luta para a qual a Juventude Comunista Revolucionária chama todos os jovens operários, estudantes, camponeses, trabalhadores agrícolas, empregados e desempregados.
A juventude está na vanguarda de cada luta por aumento de salários, contra o decreto dos 15%, contra aumento do custo de vida pela defesa e ampliação da Reforma Agrária, contra a entrega das empresas ao patronato, contra as indemnizações aos capitalistas contra o desemprego e pela defesa do direito ao ensino.

A JCR apela a todos os jovens a que se juntem às suas fileiras, às fileiras do Comité Internacional da Juventude da Quarta Internacional para lutar pele socialismo e por um futuro.

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