sábado, 8 de julho de 2017

1977-07-00 - ACERCA DAS DESINTERVENÇÕES RECENTES - PCTP/MRPP

ACERCA DAS DESINTERVENÇÕES RECENTES

Secundando a política antioperária das desintervenções, decretada pelo governo dito socialista com o apoio dos partidos conciliadores e traidores, seus agentes no seio das massas trabalhadoras, oportunistas de todos os matizes, falsos socialistas e falsos comunistas, aparecem agora a demitir-se das comissões de trabalhadores.
Assim aconteceu na SIAF, uma empresa da indústria de madeiras, onde os social-fascistas se demitiram da comissão de trabalhadores - uma empresa, diga-se, em que a maioria do capital foi e continua a ser em maioria capital imperialista sueco; uma empresa de onde tais imperialistas nunca saíram e que agora, a par da recuperação da posse privada da empresa, reclamam ainda indemnizações de grande monta.

Assim esteve em vias de acontecer na empresa do sector gráfico "Gris Impressores”, onde também os membros da comissão de trabalhadores, sob a direcção do partido do governo, ameaçaram demitir-se.
Importa referir tais factos, pois que de forma cada vez mais clara eles vêm demonstrar que os conciliadores e oportunistas, ao demitirem-se não só pretendem sacudir a água do capote face às responsabilidades que os trabalhadores não deixam evidentemente de assacar-lhes, como principalmente procuram com tal manobra abrir o caminho ao regresso dos patrões, desorganizar e desarmar os operários cuja disposição é a de lutarem e vencerem.
Tais factos mais não vêm do que comprovar a justeza, em todos os seus aspectos, da “Resolução sobre o trabalho ao Partido nas empresas intervencio­nadas”.
O que nos mostra a situação na Comportel e na Messa, por exemplo, senão que é justa a política dos Comunistas?
Referindo-se à politica das desintervenções, a Resolução escreve a cada passo que "a execução daquela sinistra politica do grande capital estatal e privado acarretará despedimentos maciços, calculados em mais de 30 mil novos desempregados forçados”, isto é, cerca de um terço dos trabalhadores das empresas sob intervenção do Estado ou já desintervencionadas.
Na Comportel, acedendo às manobras de pressão e chantagem do grande capital neste caso a banca nacionalizada, é aprovada uma lista de despedimentos de 190 trabalhadores (cerca de um terço) como ”preço pelo não encerramento da fábrica”. Na Messa, a situação é de iminência do fecho da empresa e o consequente despedimento dos seus 1700 trabalhadores.
A situação nestas empresas é nomeadamente a situação na empresa Construções Técnicas, onde o patrão, uma vez regressado, tratou de impor um regulamento interno por forma a impedir o funcionamento da comissão de trabalhadores e a intensificar a exploração dos operários - tais situações devem merecer a atenção aqueles trabalhadores por ventura iludidos ainda a respeito da real natureza da política das desintervenções e de todo o arsenal de medidas anti-operárias que a acompanham.
E o facto é que essas ilusões existem. A prova-lo, está a Cambornac onde os trabalhadores são levados a confiar que o regresso do patrão não implicará em despedimentos e que o mesmo procederá ao pagamento dos salários em atraso “Mover um combate sem tréguas contra toda a espécie de ilusões constitucionalistas, legalistas e parlamentaristas, pois que elas são uma forma de desarmar os trabalhadores, de desorganiza-los, de dividi-los, e de sabotar as suas lutas" - eis o que justamente aponta a Resolução.
E eis o que justamente a vida vem comprovando e deixando claro, como claros são os exemplos que atrás deixámos escritos.
É pois, neste contexto que urge compreender importância da constituição de comissões de luta, como aponta a Resolução, tendo por objectivo, entre outros, os seguintes;
- Organizar os trabalhadores de cada empresa para a luta contra as desintervenções iminentes;
- Organizar os trabalhadores das empresas que já foram objecto de desintervenção para a luta contra a aplicação das medidas governamentais;
-  Mobilizar os trabalhadores para exigir a nacionalização das empresas intervencionadas, opor-se ao regresso dos patrões e impor a aplicação do controlo Operário.
Eis o que demonstram também, a situação das empresas referidas, nomeadamente o caso da Messa, a qual produz máquinas de escrever, enquanto imperialismo estrangeiro invade os nossos mercados com idênticos produtos, em condições não concorrencionais para, a um curto prazo, acabar com a produção  nacional e dominar o mercado por inteiro em todos os aspectos.
E, tal como justamente aponta a Resolução, enquanto com a política das desintervenções o grande capital privado procura recuperar a posse privada das suas empresas, como forma de impedir novas nacionalizações e preparar, numa segunda etapa, a desnacionalização das empresas já nacionalizadas" enquanto os grandes monopólios estrangeiros procuram ver restabelecidas "todas as condições de garantia politica dos seus investimentos passados e futuros e de garantia da continuação e intensificação, da sobreexploração do nosso povo, da rapina das nossas riquezas nacionais e da aquisição de superlucros" – eis como a vida mostra que os mais fiéis executores dessa política são os revisionistas e demais oportunistas, procurando desarmar a classe, impedi-la de lutar vitoriosamente, miná-la de ilusões e levá-o a pagar a crise do sistema capitalista.
Daí também que a Resolução justamente postule como "tarefa central dos marxistas-leninistas no seio dos trabalhadores das empresas intervenciona­das a luta sem tréguas contra o revisionismo e contra todas as manifestações de oportunismo".
E este é sem dúvida o pano de fundo em que se integra a luta contra as comissões de trabalhadores oportunistas, a luta pela constituição de secretariado capaz de conduzir correctamente a luta do sector a nível nacional, na certeza de que só o triunfo da Revolução Democrática e Popular representa uma solução real, para a crise e a bancarrota económica existente.

(Extracto do Luta Popular Nº. 551)
- Não ao regresso dos patrões
- Viva a Classe Operária
- Viva o Partido


Comissão do Partido do Concelho de Loures para as empresas intervencionadas

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