segunda-feira, 17 de julho de 2017

1972-07-17 - Jornal de Greve Nº 09 - AE IST - Movimento Estudantil

A.E.I.S.T.
Suplemento do Binómio

Jornal de Greve nº 9
17-7-72

PROSSEGUIR NA LUTA, ATÉ À VITORIA
A greve aos exames, cumprida de uma maneira praticamente integral ao longo de toda uma semana, tem sido uma grande vitória dos estudantes do IST. Apesar de toda o esforço repressivo desenvolvido pelas autoridades, os furos à greve tiveram um carácter absolutamente minoritário e isolado: num total de cerca de 5095 exames previstos, realizaram-se menos de 50. A percentagem de furos é, pois, inferior a 1%.

Muitos destes furos, pode dizer-se, mesmo, que a sua generalidade, revestiram-se aliás de um carácter claramente político: uma minoria extremamente reduzida de “estudantes”-traidores aceitou deixar-se empurrar, a coberto da protecção de contingentes numerosos de polícias gorilas, pides, e até alguns professores, para uma atitude de violação das decisões colectivas dos estudantes do IST. Essa minoria tornou-se assim, agente activo das política repressiva e anti-democrática do governo para com o MA. Quem é essa minoria? Um estudante funcionário governamental que é chefe de uma secção dos SS em Ciências; alguns estudantes ex-militares, que persistiram em considerar-se desligados da generalidade dos seus colegas e escolheram a obediência às autoridades governamentais, e até às nada neutras autoridades militares; alguns estudantes sobretudo do 1º ano, que se deixaram influenciar (e alguns aliciar) pelas manobras de grupos organizados de fascistas actuando no seu curso.
Em relação à generalidade dos furos verificados, não se pode também deixar de mencionar a existência de alguns erros organizativos na coordenação e funcionamento dos piquetes de greve, e em algumas deficiências de informação e convocação de todos os estudantes do IST para as tarefas diárias de defesa do cumprimento das decisões colectivas.
Em relação ao número de furos verificados nos exames de sábado do 1º ano, claramente muito mais elevado que nos outros cursos, devem ser também apontados os erros no trabalho associativo dos estudantes do lº ano ao longo deste ano, Desses erros, parece-nos terem sido os mais importantes:
- não se ter seguido um processo de eleição para as comissões de turma do lº ano, do que resultaram deficiências na representatividade e na vinculação ao trabalho dessas comissões;
- alguns hiatos, ou pontos-mortos, na luta dos estudantes do lº ano, do que resultou uma exagerada demora na resolução dos problemas criados pela realização de greve aos exames de Março e na tentativa de anulação de alguns prejuízos resultantes;
- ausência total de coordenação entre o trabalho associativo dos diversos cursos do Técnico, o que impediu que o trabalho do lº ano pudesse ter sido conjugado com o de outros cursos, trocadas experiências, que o trabalho associativo se reforçasse como um todo dentro da diversidade.
Estes erros criaram, entre um certo número de estudantes do lº ano, condições que, mais tarde, os tornariam os mais permeáveis ao furo. E foram aproveitadas pelo trabalho demagógico e anti-associativo de certas organizações políticas fascistas, como a Frente Universitária, que tentaram ganhar influência e aderentes no lº ano. (Este furo de sábado é reflexo de uma organização nesse sentido). Foram, finalmente, aproveitados pelo Governo, que, jogando com aquela predisposição, montou mecanismos repressivos especialmente aparatosos, para facilitar os furos, no dia dos exames do lº ano.
Nos "exames" de sábado ficou mais do que nunca nítida a íntima colaboração entre os furas e as autoridades escolares. O adiamento das datas de exame do lº ano para dias em que se realizariam isolados, de maneira a facilitar a acção que os fascistas vinham a desenvolver no lº ano, conjugação de esforços do Director, prof. Campos Ferreira, dos gorilas e de um pide (!!!) dentro da sala de exames, para expulsarem estudantes que decidiram não fazer exames e procuravam evitar a traição dos restantes, não suspensão dos exames apesar da balbúrdia gerada pela intervenção dos gorilas, e pelo protesto de outros estudantes que rasgaram os seus pontos. Para culminar, os pontos eram fáceis... Apesar da resolução do ponto em voz alta por parte de alguns estudantes, os exames também não foram suspensos (e viva a “dignidade" do Ensino!...).
Apesar de alguns erros do trabalho associativo, apesar da violência do gigantesco esforço repressivo do Governo, a greve a exames dos estudantes do Técnico foi, durante a semana passada, uma esmagadora vitória. A luta dos estudantes do Técnico salda-se, assim, como uma das mais massivas e, em diversos aspectos, importantes lutas dos estudantes portugueses nos últimos anos. A luta dos estudantes do Técnico deu assim sucessivos passos em frente, que a colocaram, obrigando o Governo a sucessivas cedências, mais perto do que nunca de obter uma vitória final.
O Governo apostava em que os estudantes do Técnico teriam dificuldades em cumprir massivamente a sua greve a exames. Mas o Governo enganou-se. Logo nos primeiros dias os estudantes demonstraram que cumpririam massivamente a sua greve.
O Governo, derrotado, iniciou então o recuo, começou a anunciar certas cedências. No dia 11, o Director diz, em entrevista, à direcção da Associação que os termos de uma declaração que propunha aos Corpos Gerentes assinarem para obter em troca uma reabertura da Associação eram alterados naquele momento para uma genérica declaração de que os mesmos Corpos Gerentes fariam funcionar a Associação dentro dos limites estatutários. Desapareciam assim toda uma série de limitações e particularizações acerca da apoliticidade do M.A., que figuravam na anterior proposta de texto feita pelas autoridades. Nesse mesmo dia saía uma nota do MEN que, ao dizer que a Associação reabriria desde que os estudantes a fizessem funcionar dentro dos precisos limites dos estatutos passava ao lado a questão do inquérito, não reafirmava, explicitamente a ligação entre, o inquérito e a possibilidade de reabertura da Associação. Pouco tempo depois, um mais exacto aclaramento de quais as cedências das autoridades era realizado por membros do C.E. que tinham vindo propor à direcção da Associação a sua participação numa série de reuniões entre diversos sectores do corpo docente e representantes dos estudantes, tendentes a procurar a formulação de possíveis soluções para a actual situação. Neste momento, era o Governo que, através daqueles membros do CE (e nomeadamente do prof. Sales Luís), vinha propor aos estudantes o estabelecimento de conversações. Os professores participantes naquelas reuniões fizeram-no a título particular. A direcção da Associação, tendo consultado previamente uma reunião de comissões de curso e estudantes interessados fê-lo na qualidade de representante dos estudantes.
Nessas reuniões foi possível vir a apurar que as autoridades poderiam acordar numa reabertura total da Associação, com homologação dos Corpos Gerentes e para funcionar nos mesmos termos em que funcionava antes da abertura da crise, desde que fossem respeitadas no funcionamento da Associação as normas estatutárias, foi possível, mais, apurar que as autoridades, em relação ao problema do inquérito, estariam dispostas a assegurar o processamento dos respectivos resultados por parte das autoridades académicas da escola e a garantir que tais resultados, não viriam a interferir com o normal funcionamento da Associação. Apurou-se ainda que, em termos gerais, as autoridades estariam de acordo com os períodos propostos pelos estudantes para realização de novas aulas e exames após normalização da situação.                
A direcção da Associação expressou a posição de que a garantia das anteriores possibilidades, por parte das autoridades, poderia de facto constituir uma alteração da situação suficientemente significativa para que se justificasse que os estudantes, em nova RGA, sobre ela se pronunciassem. Desde logo avançou também que a realização desta eventual RGA no Técnico exigiria, como condições de livre convocação e funcionamento, a retirada da polícia e dos gorilas do Instituto. Estes últimos foram pontos que até agora não receberam uma resposta satisfatória por parte das autoridades e que constituem o actual entrave a uma discussão massiva acerca da possibilidade de normalização.
É verdade no entanto que será por parte dos estudantes a formulação clara da necessidade daqueles pontos e a firme defesa da sua efectivação, que, como noutros momentos anteriores da luta, permitirão que se conquiste a sua realização. Continuará a ser a posição clara e firme dos estudantes o principal motor da resolução da actual situação.
A direcção da AEIST

INFORMAÇÕES de Económicas
"Ao mesmo tempo que no IST o CE (entenda-se governo) utiliza a agudização da crise para usar as suas armas e atingir os seus objectivos, o CE do ISCEE (mais uma vez entenda-se governo) usa as mesmas armas e procura atingir o mesmo fim mas em contexto diferente - a "calma" aparente da luta neste momento.
É assim que surge o documento mais desmacarador quanto aos objectivos e métodos do CE de Económicas - a circular de 10/7. A leitura deste documento revela que o CE vai atacar em duas frentes. Assim temos:
- o CE ataca os estudantes procurando desviá-los do objectivo da sua luta: a reabertura da AE:
1) diz-lhes que só têm a AE se o ISCEE estiver aberto
2) a única maneira do ISCEF continuar aberto é os estudantes começarem a preocupar-se com os problemas pedagógicos, logo haver aulas
3) que os estudantes não tenham relutância em abandonar a luta pela AE pois ele, CE tomará conta desse assunto mas, claro está, só fará os possíveis...
- o CE ataca os estudantes procurando que estes abandonem a forma de luta que adoptaram -    a greve:
1) diz que é necessário estabelecer o contacto regular entre os docentes e os alunos
2) parceliza os estudantes pelas salas de aulas em "discussões" com os professores
3) nestas "discussões" semeia ou pretende semear maior confusão na mente dos estudantes
4) a confusão criada leva à quebra de unidade e coesão dos estudantes na luta - "dividir para reinar" eis a sigla do CE.
Assim o CE partindo de uma base errada - o encerramento definitivo do ISCEF por culpa da luta dos estudantes, esquecendo que este poderá fechar não pela sua luta mas porque o Governo tentará por todos os meios fugir à derrota que os estudantes lhe poderão impor - procura que estes se desviem do seu objectivo de luta, que abandonem a sua forma de luta - a greve. Tenta tudo isto porque sabe que, caso seja bem sucedido, muito tempo levará para os estudantes se recomporem de tal golpe e.entretanto o CE reina dentro do ISCEF.
Mas estes objectivos decifráveis da leitura da circular do CE, estão escondidos, estão misturados com a demagogia mentirosa e mascaradora.
O CE é demagógico ao afirmar que continuam a ser intenções suas a luta pela satisfação das condições mínimas. O CE é demagógico ao tentar aparecer como normalizador duma situação pela qual é responsável. Demagogia, pois as suas intenções e, caso fossem essas, ele teria deixado de ser CE há já muito tempo - são em tudo contrárias às nossas.
O CE mente - o CE nunca atendeu à proposta dos estudantes aprovada em EGA de 12/6, caso o tivesse feito teria ido contra o MEN e já não era CE de nada. O CE volta a mentir quando afirma que os contactos havidos anteriormente entre as comissões pedagógicas e os estudantes foram uma iniciativa inadequada na resolução dos problemas. E mentira porque esta tentativa foi em tudo semelhante a que é feita actualmente, mas foi prematura, foi mal preparada pelos professores - foi desmascarada pelos estudantes, tendo estes recusado tal género de contactos.
O CE mascara a sua conivência de posições com o MEN mas fá-lo mal. Na pg. 2 da circular de 10/7, afirma no ponto 3 qual a decisão do MEN, e no ponto 5 afirma que o despacho do MEN foi baseado no seu relatório, e que, portanto, o MEN nada impôs por iniciativa própria, ficando mais uma vez demonstrado que as posições do MEN e do CE são as mesmas - tentar travar, por todos os meios, a luta dos estudantes do ISCEF pela conquista da sua AE.
(Transcrito do comunicado da Direcção da AEISCEF nº 9, de 17/7/72.)

A luta dos estudantes e o “apoio” dos professores
- com. De curso do 2º ano -
No Jornal de Greve nº 6 foi publicado um artigo intitulado "Os estudantes do Técnico estão em greve a exames", da responsabilidade das comissões de curso do 2º ano. Durante a impressão do Jornal de Greve foram introduzidas alterações ao conteúdo do texto.
Assim, na seguinte passagem;
"Uma vez tomadas as decisões, apregoam aos quatro ventos; "a democracia consiste em cada um fazer o que quer, conforme a sua opinião". Ou seja; a justificação “à priori das suas atitudes negando agora explicitamente a validade das reuniões e das tomadas de posição colectivas - "cada um sabe de si" - com base em argumentas "democráticos" e nas "liberdades individuais"…
De tal "democracia" e de tais "liberdades" são as autoridades e os professores grandes apreciadores e recebendo de braços abertos estes indivíduos, dedicando-lhes uma atenção muito especial. Procuram-nos nos locais mais recônditos para os seus exames; nos gabinetes, nas caves, nas oficinas, por vezes mesmo nos cafés, e casa. Não admira: quer uns outros, estão empenhados numa mesma "luta" contra as movimentações dos estudantes face à aplicação da reforma e contra o encerramento da Associação foi decidido pela comissão de informação, responsável perante a RGA pela elaboração do Jornal de Greve introduzir a nota (3): "Não estamos a incluir, de um modo geral, os assistentes".
Posteriormente foi o J. de Greve entregue para passagem a um membro da comia, de informação que fez parte da Direcção; resolveu então a Direcção alterar ainda essa nota para: "(3) Não estamos a incluir os sectores do corpo docente que têm apoiado a nossa luta" (sublinhado nosso – com. do 2º ano), ultrapassando assim a própria com. de informações.
Para além de considerarmos que o processo de alteração seguido e errado e infringe a democraticidade por que se rege o trabalho das estruturas associativas (o artigo da nossa responsabilidade, deveria ter saído com a assinatura "Com. Do  ano" e não haveria mais confusões), o que nos leva a abordar tal questão nas páginas deste J. de Greve é que a alteração introduzida ao texto corresponde a concepções extremamente incorrectas e perigosas para o prosseguimento consequente das lutas dos estudantes.
Que significa, então, esta referência aos "sectores do corpo docente que têm apoiado a nossa luta"?
Em primeiro lugar, e dado que se trata de um artigo referente aos "furas", ao significado das suas posições e aos diversos sectores através dos quais essas posições são defendidas, para vermos se os professores se enquadram ou não nestes sectores, torna-se indispensável proceder à análise da natureza das lutas dos estudantes, em contraposição às quais as posições dos "furas" se definem.
Ao longo deste ano desenvolveram os estudantes um trabalho fundamentalmente centrado no combate às manifestações da aplicação duma reforma da ensino que se choca com os nossos interesses e não está ao serviço do Povo português, antes serve a minoria exploradora desse mesmo Povo, que possui as fábricas, os bancos e as terras, e que se serve do ensino para a formação de quadros dóceis e eficientes para aumentarem os seus lucros. Com o crescimento das suas lutas, foram também os estudantes utilizando as suas estruturas associativas para desenvolver um trabalho informativo e cultural que lhes possibilitasse um aprofundamento da compreensão da vida nacional e internacional e do significado que face a ela tinham as posições que vinham a definir.
No decorrer dessas lutas sempre os estudantes depararam com a frontal intransigência de todos os professores, que actuando de concerto com o director, tenta­ram por todos os meios preservar as "conquistas inovadoras” trazidas pela reforma; o aumento dos ritmos de trabalho, um apertar do controle (frequência) sobre um es­tudo passivo e acrítico, enfim, um agravar das características reaccionárias do ensino.
No dia 16 de Maio, impotentes para deterem internamente o desenvolvimento das lutas dos estudantes, as autoridades recorreram a formas superiores de repressão: dá-se a invasão policial do Instituto, o encerramento da Associação, etc.
Não se deixaram contudo os estudantes paralisar e desorganizar com esta medida repressiva, antes adoptaram a firme posição de não prescindirem dos objectivos que tinham definido para o seu Movimento, a luta por um ensino ao serviço da população trabalhadora. Com este sentido tem vindo a lutar pela reabertura total da Associação e contra os procedimentos disciplinares referentes ao desenvolvimento do seu trabalho associativa (inquérito), encontrando-se neste momento em GREVE A EXAMES.
É contra os objectivos dos estudantes que os furas actuam, apoiando todas as medidas repressivas das autoridades, que têm exactamente o mesmo sentido. E também contra estes objectivos dos estudantes que se tem manifestado a intransigência dos professores, como se revelou inúmeras vezes este ano: desde os pofs. Sales Luís, Brotas e Gameiro Pais (no Caso particular do 2º ano), até aos processos de todos os outros cursos, em particular Análise I e Álgebra, onde o corpo docente destas cadeiras se manifestou quase unanimemente contra o boicote, acolhendo os "furas" que fizeram exame nas férias sob protecção da polícia, e tendo inclusivamente um assistente investido contra um piquete(!).
Que significa então a referência feita pelos "censores" do nosso artigo aos "sectores, do corpo docente que têm apoiado a nossa luta" (sub. nosso)?
Na melhor das hipóteses, a total incompreensão da natureza desse "apoio" – “apoio" que ainda, por cima só diz respeito à reabertura da Associação e não à "nossa luta" como diz a nota, dado que a nossa luta tem um âmbito bastante mais geral, prossegue objectivos também muito mais gerais, como já foi referido. Referiremos, a este propósito, um extracto do artigo "A Associação ao serviço de uma universidade corporativa ou ao serviço de um verdadeiro sindicalismo estudantil", saído no J. de Greve nº. 6
"Se em determinados assuntos as opiniões dos professores diferem, há algo, e é para nós o fundamental, era que eles são unânimes:
l) Deve funcionar a Associação, organismo democrático dos estudantes (já veremos em 2) como eles entendem isso. A este reconhecimento, expresso neste momento por tantos professores, não é obviamente nada estranha a resposta que os estudantes souberam dar ao fecho da sua Associação; a perturbação às suas aulas que a atitude repressiva das autoridades de fechar a Associação acarretou, desagrada-lhes evidentemente Eles são pois "pela" Associação, tanto mais que (veremos em 2) Julgam poder manter as actividades associativas nos moldes que acham convenientes.   
2) Atacam furiosamente todo o trabalho que a Associação tem desenvolvido na defesa dos interesses dos estudantes. Quando, como mais salientemente se verificou no lº e 2º anos, largas massas de estudantes organizados sindicalmente põem em causa as características do ensino, eis que os professores atiram "bocas" sobre a imprensa, associativa, os dirigentes associativos, o seu programa de trabalho, o funcionamento das suas reuniões democráticas. É tendo em conta estes dois pólos que as atitudes dos professores ganham significado, que a sua "defesa" da Associação assume o verdadeiro sentido."
E é precisamente não tendo em conta estes dois pólos da atitude dos professores que se mistificam as questões, que se altera profundamente o sentido do nosso texto.
Prescindir, a pretexto do actual "apoio" de certos "sectores do corpo docente" da denúncia do carácter em última análise oposto aos objectivos dos estudantes das atitudes destes senhores, é trilhar um caminho muito perigoso. É colocarmo-nos a reboque desse "apoio", defender uma linha de unidade incondicional com os professores, que abdica da crítica aos aspectos da sua actuação contrários às nossas posições (quando são aliás estes, aspectos o fundamental da actuação dos professores).
Mistificar o que é esse "apoio" significa abrir as portas do Movimento à influência desses senhores, deixá-los pisar impunemente campos em que eles se nos opõem.
Porque não passará, certamente pela cabeça de ninguém que os responsáveis pela aplicação da política de ensino do governo possam apoiar os estudantes quando estes pretendem integrar o seu Movimento na corrente progressista pela transformação da sociedade portuguesa numa sociedade dirigida pelos trabalhadores, onde não haja exploração.
Criar ilusões quanto ao "apoio" dos professores à nossa luta é ainda atrelar o Movimento às ideias que eles defendem, interessados na melhoria deste ensino, desta Universidade (ao serviço desta sociedade), é fazê-lo enveredar pelo reformismo, desviá-lo 180 graus dos objectivos progressistas por que tem vindo a lutar.
NOTA Foi sugerido à reunião das com. de curso do 2º ano (alargada aos piquetes de greve) que marcasse uma R. de Curso para decidir da saída ou não deste artigo. Esta proposta foi recusada, porque, além de esta reunião da comissão já ser alargada (aos piquetes), o artigo dizia respeito a outro também da autoria das com. de curso.
Frisou-se que isto não significava que o artigo (bem como o anterior) não fosse discutido em próxima R. de Curso; a sua publicação não devia ser contudo atrasada até lá, possibilitando ela um esclarecimento a todos os estudantes que leram o artigo deturpado no J. de Greve 6.
As com. de curso do 2º ano divulgam por meio deste J. de Greve, a data da próxima R. de Curso, já convocada para 2ª feira às 14;30, em Medicina, com um ponto na O.T. de organização de piquetes para os próximos exames do 2º ano, ao qual é agora acrescentado um segundo ponto de discussão destes artigos.

AS COMISSÕES DO 2º ANO

NOTA DA DIRECÇÃO DA AEIST
A direcção reconhece ter cometido um erro no caso referido pelos colegas das comissões de curso do 2º ano. Era nossa intenção que o texto referido não metesse no mesmo saco todos os professores, não por nenhuma razão em especial, mas pelo simples facto de que isto não corresponde à verdade e qualquer análise baseada em dados errados está necessariamente falseada.
Tínhamos sugerido uma nota suplementar a esse texto. Efectivamente, ela foi feita nos seguintes termos: "não estamos a incluir, de um modo geral, os assistentes". A direcção, entendendo que isso não afectaria a realidade que assim se pretenderia ficar mais fielmente expressa no texto, tomou a liberdade de substituir aquela nota por "não estamos a incluir os sectores do corpo docente que apoiam a nossa luta", Não estiveram os colegas das C.C. do 2º ano de acordo com tal alteração sem serem consultados, e a propósito disso escreveram o texto anterior que ocupa no jornal de greve nos dias de luta que atravessamos 5 páginas!
Entende a direcção que o conteúdo do texto dos colegas de C.C. do 2º ano é demasiado esquemático e falso nas suas premissas. É um texto polémico focando assuntos que devem ser necessariamente motivo de debate entre os estudantes. Participaremos nesse debate em comunicados no futuro mas não agora obviamente.
Acha a direcção que tal facto está intimamente ligado a um outro que passa a expor: foram eleitos numa das últimas RGAs alguns estudantes para constituírem uma comissão de informação. O que se tem verificado é que esses elementos, exceptuando um que agora faz parte da actual direcção, não tem de modo algum contribuído para o esforço de informação vital, que nomeadamente travámos a partir da aprovação da greve a exames. Só por duas vezes o fizeram. Como? Dactilografando dois textos das C.C. do 2º ano e deixando à direcção os stencils para que esta os passasse a duplicador!...
Que significou então a inclusão de tais pessoas numa comissão de informação que deveria estar virada para a luta? Um golpe cujo objectivo é “colocar" (pelos vistos a título honorífico) indivíduos com perspectivas diferentes da direcção actual que lhe duplicam o trabalho associativo e que só aparecem quando há um texto a imprimir que seja ao seu gosto e não diariamente para contribuir para o esforço da luta de todos os estudantes.
A direcção entende que todos os estudantes mais destacados devem participar em comissões de vários tipos que fortaleçam a nossa organização associativa, independentemente de estarem ou não de acordo com o programa que apresentou nas eleições. Isso tem sido passado à prática mas há indivíduos que decididamente não estão dispostos a colaborar nesse esforço.
Sendo assim, a direcção proporá na próxima RGA a modificação da constituição da actual comissão de informação.

Coimbra apoia A NOSSA LUTA
A Reunião Inter-Juntas do dia 14 aprovou a realização de uma campanha de informação sobre a luta dos estudantes, do Técnico e Económicas e de uma campanha de recolha de fundos como forma de apoio material à nossa luta.


O "Comunicado à População” aprovado no Plenário de Lisboa foi distribuído na Feira Popular.

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