quinta-feira, 13 de julho de 2017

1972-07-13- Jornal de Greve Nº 08 - AE IST - Movimento Estudantil

AEIST suplemento do Binómio
Jornal de Greve nº 8
13-7-77

Contra as manobras de intimidação
Desde que o Técnico foi pela primeira voz encerrado, no passado dia 6, decidiram os estudantes, a sua permanência nos portões da escola para evitar assim possíveis boicotes às suas decisões anteriores de greve a aulas e exames. Estes piquetes, constituídos por um largo número de estudantes, cumpriram cabalmente a sua missão, e foram mais uma prova da nossa determinação em levar consequentemente avante a luta.
Agravaram-se então as provocações, tendentes a semear o receio e a divisão entre os estudantes. Entre elas:
- divulgação de uma tarjeta falsa com pretensas decisões da primeira reunião de piquetes.

- circulação de automóveis, junto aos piquetes nos portões de dentro dos quais eram lançadas injúrias aos estudantes.
Mais uma vez não se deixaram, porém, intimidar os estudantes.
E, ao mesmo tempo que isto era feito, a direcção da escola tomou posição tendentes a minar a nossa unidades adiamento dos exames de Análise I e III, Álgebra Linear e Física I. Pretendia-se assim isolar certos exames do lº e 2º anos em datas nas quais não coexistissem com exames de outros anos, tentando com isto talvez facilitar a tarefa de boicote às nossas decisões por parte de traidores cuja actividade de organização neste sentido se conheço detalhadamente.
Com o conheço dos "exames" afixados e a greve que a eles decidimos, novas intimidações surgiram.
Assim a escola passou a estar cercada por numeroso cordão policial e dezenas de viaturas de polícia. O objectivo disto era nítido mas os estudantes não deixaram que ele se cumprisse e assim, mesmo com todo este aparato, a greve tem sido uma vitória, que a existência de um só furo, precisamente de um fascista, só veio confirmar.
O uso de "gorilas" no interior do Técnico, em atitudes arrogantes e agressivas foi outra intimidação e os resultados foram os mesmos.
Nos dois primeiros dias de greve a exames, os estudantes mantiveram-se estacionados em frente à escola distribuindo a sua informação e mantendo-se informados sobre a situação no interior do Técnico. Mas face à ineficácia das intimidações anteriores, outras iriam surgir. Assim os estudantes foram proibidos de estacionar em frente à escola, injuriados pelos graduados da PSP, ameaçados de prisão, chegando mesmo a registar-se algumas prisões.
E enquanto a polícia tomava esta atitude, que faziam as autoridades escolares? Face ao êxito da greve, "inventaram" maneiras de quebrar a determinação da nossa luta através de meios legalmente muito duvidosos como por exemplo, esta nota da Secretaria:
"Os senhores alunos são avisados de que o documento de identificação deixado à entrada do Instituto será devolvido no final do exame ao qual o aluno se apresenta e na sala respectiva.
A entrega do documento de identificação considera-se, para todos os efeitos como apresentação a exame, pelo que os alunos que não efectuem as suas provas serão considerados como desistentes e reprovados na chamada a que têm direito. Por outro lado o documento de identificação destes alunos não será restituído no Instituto, até que superiormente se esclareçam as razões da sua falta de comparência ao exame. Lisboa, l de Julho".
Muito tem sido feito e muito decerto se fará ainda no campo da intimidação. Mas a situação é irreversível. Os estudantes não transigem quanto aos objectivos da sua luta, os estudantes não se deixam intimidar.
A unidade cimentada no dia a dia sairá ainda mais reforçada na luta contra a intimidação e a provocação.

Informação da direcção
Tal como já foi informado na Reunião das Comissões de Curso de ontem, a Direcção da AEIST foi convidada a participar numa reunião com professores catedráticos (Profs. Sales Luís e António Silveira), professores auxiliares e assistentes, e em que seriam analisadas posições quanto à situação no Técnico e de suas possíveis soluções.
Como direcção da AEIST, defenderia as posições definidas pelos estudantes em RGAs. Qualquer opinião diferente que pudesse avançar, deveria ser entendida como posição pessoal, não se vinculando como direcção a assumi-la sem passar por decisão de RGA.
Foram já abordadas as questões que se relacionam com a possibilidade de reabertura imediata da Associação, sobre o inquérito, sobre a possibilidade de realizar uma RGA no Técnico.

Far-se-á hoje nova reunião em que se procurará esclarecer as posições dos docentes face ao inquérito.

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