segunda-feira, 10 de julho de 2017

1972-07-10 - Jornal de Greve Nº 06 - AE IST - Movimento Estudantil


A.E.I.S.T. – suplemento do Binómio
Jornal da Greve nº 6
10-7-72

PROSSEGUIR NA LUTA COM AUDÁCIA REFORÇANDO A ORGANIZAÇÃO
A existência e consolidação de organizações democráticas em Portugal tem sido conseguida à custa de duras lutas contra uma estrutura de estado opressora ao serviço dos interesses de uma minoria exploradora, e para a qual é um objectivo sempre presente o aniquilamento de tais organizações.
Aproveitando condições gerais de enfraquecimento do MA o governo exerce neste momento uma vaga repressiva que visa encerrar as AAEE. A prática de luta dos estudantes demonstra que só uma resposta unida e decidida face à repressão a pode fazer recuar.

A luta que os estudantes desenvolveram desde 5 de Junho tem mostrado claramente qual o caminho a seguir. Foi a sua posição de greve a aulas que motivou uma mudança de táctica das autoridades: o cerco e intervenção policial de 16 de Maio sucede a demagogia quanto à situação da Associação, a "vontade” de reabrir serviços, a camuflagem das condições de tal abertura.
Os estudantes souberam ver claramente que o funcionamento dos serviços que lhes era acenado era radicalmente diferente da reabertura da Associação.
O compromisso exigido aos corpos gerentes para a entrega dos serviços é o compromisso equivalente à inexistência de trabalho associativo:
A organização sindical dos estudantes permite-lhes exercer uma acção unitária e colectiva tendo por base a defesa dos seus interesses. É através de acções massivas que o movimento tem conseguido vitórias importantes na luta por objectivos concretos. A história do movimento tem constantemente demonstrado como a luta dos estudantes não se restringe unicamente ao âmbito universitário, mas se insere na luta mais geral do povo português. A apoliticidade do MA não significa (até o oposto) que ele não assuma posições quanto aos vários problemas nacionais. Sendo uma organização democrática, ele coloca-se à priori com uma posição clara: a de lutar contra toda a repressão que vise impedir e limitar a sua actividade.
É este tipo de trabalho associativo que a repressão visa silenciar, e não o funcionamento da cantina, dos bares, etc.
A entrega dos serviços aos estudantes, passava neste momento pelo compromisso dos corpos gerentes a:
- não abordar o problema da guerra de África.
- não especular sobre atitudes dos governantes do País.
- não promover actos de indisciplina (greves,etc.).
A abertura incondicional da Associarão, ficaria (até quando?) dependente dos resultados do inquérito em curso.
Ao definirem com clareza a inaceitabilidade de tais condições, os estudantes escolheram a greve a exames como forma de luta mais adequada para alcançarem os seus objectivos. A prová-lo está o facto de, as autoridades tentarem a todo o custo realizar o exame.
Desde um cerco policial ao controle das entradas, à presença de "gorilas" no interior da escola, a tudo recorrerão as autoridades para quebrar a nossa luta.
Conscientes da determinação da grande maioria dos estudantes do Técnico em levarem para a frente, a greve a exames, as autoridades tentam dificultar as nossas formas organizativas quer encerrando o Técnico tentando impedir a organização dos piquetes, quer adiando para a segunda semana de exames os do  e 2º anos dado o elevado número de estudantes destes cursos.
Mas os estudantes velarão para que as suas decisões democraticamente tomadas sejam integralmente cumprida.
Os piquetes de greve, nos quais desempenhem um importante papel a organização dos estudantes por cursos, terão que impedir os traidores de agirem contra o interesse geral e chamar à luta os estudantes hesitantes que até agora se furtaram à acção unitária pela influência dos primeiros.
E se nos últimos dias, apesar das dificuldades que encontrámos, conseguimos erguer uma organização que, abrangendo os estudantes de todos os cursos, nos permite encarar com confiança a nova fase da luta que agora começa, temos que continuar a reforçá-la, fomentando a iniciativa de cada curso e o papel de direcção local das respectivas comissões.
A presença massiva e firme de todos os estudantes do Técnico será a nossa resposta às intimidações das autoridades. Ao desvario da repressão saibamos responder com a nossa acção consciente e organizada.
CONTRA A ACTIVIDADE POLICIAL DO CONSELHO ESCOLAR OPÚNHAMOS A NOSSA UNIDADE!
ASSEGUREMOS A GREVE TOTAL COMPARECENDO EM PESO NOS PIQUETES!

CONTRA AS MANOBRAS DE PROVOCAÇÃO - A VIGILÂNCIA DE TODOS OS ESTUDANTES
As armas que as autoridades utilizam para vencer a luta estudantil não são só as da polícia. Para semear a confusão e divisão no seio dos estudantes têm circulado boatos e mentiras sobre as verdadeiras intenções das autoridades e sobre os objectivos e métodos da luta dos estudantes.
Foi no dia 7 distribuído um comunicado falso com a assinatura "Departamento de informativas" e intitulado "ESTUDANTE DO TÉCNICO ADERE AOS PIQUETES" onde se diz que na reunião de piquetes de greve foi decido armar os piquetes com armas de fogo correntes de bicicleta e tubos de chumbo. Este comunicado é falso e não é da responsabilidade das estruturas associativas. Tem por objectivo criar a ideia de que os piquetes se constituíram não para defender a luta dos que a querem minar, mas para exercer sobre os furas, uma violência gratuita. Tenta-se assim, confundir os estudantes, que, pelas dificuldades surgidas com o encerramento, não estão completamente informados e simultaneamente tentar um pretexto para que a polícia possa vir exercer represálias sobre a massa estudantil e em particular sobre os piquetes.

A posição da reunião de piquetes sobre aquilo, que há a fazer vem claramente expressa no "Jornal da Greve nº 5". Organizaram-se os estudantes em turnos que durante todo o dia garantirão a não existência de quaisquer aulas ou exames. Além disso, os estudantes dos cursos deverão comparecer em peso no dia e hora dos seus exames independentemente de estarem ou não no seu turno de piquete. As armas previstas na reunião são as da unidade dos estudantes em volta dos objectivos por eles definidos e a violência dos piquetes só poderá surgir como resposta à violência dos traidores que furando tentam fazer fracassar a luta estudantil.


TODOS AOS PIQUETES!

BOICOTA OS EXAMES DO TEU CURSO!


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