sexta-feira, 7 de julho de 2017

1972-07-07 - Jornal de Greve Nº 05 - AE IST - Movimento Estudantil

A.E.I.S.T.
Jornal de greve 
7/7/72 Nº 5

PIQUETES DE GREVE
A greve é uma forma de luta que exige um cumprimento total, para atingir os objectivos que levaram à sua adopção. A greve a exames que decidimos no dia 29 como forma de luta pela entrega incondicional da AEIST (incluindo a revogação do inquérito.), foi uma grande vitória da unidade dos estudantes do Técnico.
Quando alguns estudantes "furam", esses estudantes optam pela resolução egoísta dos seus problemas, criam condições para que todos os estudantes possam vir a prejudicar-se em seu benefício, tornam-se os únicos instrumentos que restam às autoridades para minar a nossa luta.
Por isso o movimente se defende organizando piquetes de greve, isto é, comissões encarregues de garantir a aplicação rigorosa das decisões colectivas. Sempre a reacção faz esforços para ”demonstrar” que a sua acção é "mera violência" e um "atentado contra as liberdades individuais”, mas nós sabemos que, se violência existe nestes casos, ela parte única e exclusivamente dos que, furando, pretendem minar a luta.
Os piquetes que agora vamos formar terão portanto um duplo papel:
1º Convencer os estudantes hesitantes e não informados do que a sua atitude representa contra os estudantes do Técnico, levando-os a unirem-se aos restantes colegas.
2º Impedir fisicamente os traidores de agirem contra o interesse geral.
O encerramento do Técnico, efectuado 5a feira 6 de Julho, visa impedir a organização de piquetes. Impedidos de reunir na própria escola os estudantes souberam no entanto reunir noutro local e encontrar as formas organizativas que permitirão um efectivo boicote a exames.
Para que a decisão de greve a exames possa ser integralmente cumprida, torna-se imperiosa a presença constante na Escola do máximo número de estudantes possível.
Esta presença e integração da maioria de estudantes nos piquetes, é ainda mais importante quando da realização de exames dos respectivos cursos. Será fundamentalmente com base na organização de todos os cursos, que a decisão de greve poderá ser cumprida integralmente, particularmente se se verificar cerco policial, controle de entradas por contínuos e policia, etc. Nestes casos só a presença dentro do Técnico dos estudantes cujos cursos estejam em exame cria condições para a efectivação do boicote.
ENQUANTO O TÉCNICO ESTIVER ENCERRADO INFORMA-TE NAS OUTRAS ESCOLAS E NA CANTINA

TODOS AO TÉCNICO NAS DATAS DE EXAME!
R.G.A. 2a FEIRA as 10h. No IST
OT — 1º Discussão das resoluções do CE e continuação da luta.
2º Problemas dos alunos ex-militares.
3º Problema dos furas.
4º Entrevista com o MEN.
INFORMAÇÕES DA ASSEMBLEIA GERAL DE ASSISTENTES
Os assistentes reunidos em Assembleia de 5/7 decidiram em resposta a uma solicitação da Direcção do IST, que não concordam com a realização de exames sem que as condições expressas na Reunião Geral do Corpo Docente de 29/5 estejam satisfeitas, nomeadamente a entrega total da AEIST aos estudantes.
Decidiram ainda convocar uma Reunião Geral do Corpo Doente sem assento no C.E. e que nessa reunião seja apresentada uma proposta no sentido de os docentes se recusarem a prestar serviço de exames desde que estes venham a ser impostos superiormente pela presença de forças policiais.

MAPA DE BOICOTES



TODOS AOS PIQUETES!
BOICOTA OS EXAMES DO TEU CURSO!

INFORMAÇÃO SOBRE A ENTREVISTA ENTRE A DIRECÇÃO DA AEIST E O DIRECTOR DO IST
(posições assumidas pelo director)
1 - Sobre a reabertura da AEIST.
a) Condições de abertura dos serviços.
- os serviços essenciais poderiam começar desde já a funcionar desde que os corpos gerentes se comprometessem a geri-los de acordo cora os estatutos, sendo conveniente que declarassem por escrito que se comprometiam a:
- não abordar o problema da guerra de África.
- não especular sobre atitudes dos governantes do país.
- não promover actos de indisciplina (greves, etc.).
- a definição dos serviços "essenciais" seria coisa a fazer posteriormente e terminaria pela entrega das chaves da AEIST aos corpos gerentes.
b) Reabertura incondicional da AEIST.
- ou seria efectuada a partir da decisão do MEN desvinculando o inquérito de tal reabertura (como pediu o Conselho Escolar), coisa que o director considera pouco provável ou depois de concluído o inquérito (que segundo pensa será só no princípio do próximo ano lectivo) se se apurasse:
- não responsabilidade de estruturas associativas.
- não responsabilidade dos corpos gerentes agora eleitos (sendo só a partir daí efectuada a sua homologação).
- pensa que o Conselho Escolar não pedirá a anulação de um inquérito que ele próprio pediu.
2 - Sobre o inquérito.
a) Em que consiste
- destina-se a apurar responsabilidades de:
- greve a aulas e a exames de Análise 1 e Álgebra.
- interrupção do doutoramento do engº Simões.
- interrupção de um curso da NATO efectuado na escola.
- actividades associativas, em geral, anteriores a 5 de Maio.
b) Quem decide da sua aplicação e quando:
- o pedido formulado pelo Conselho Escolar de 30/6 de que, uma vez concluído, fosse remetido para as autoridades escolares não era necessário ter sido feito pois esse seria o procedimento normal.
- os resultados do inquérito serão conhecidos em Outubro e pensa que as decisões poderiam ser tomadas pelo Conselho Consultivo, havendo então uma possibilidade de defesa publica dos estudantes incriminados.
c) Possibilidade de não afectar a reabertura, da AEIST.
- tal possibilidade terá que partir da decisão ministerial, não competindo tal decisão ao Conselho Escolar.
3 - Situação dos empregados da AEIST.
Pensa que os SS (Serviços-Sociais) poderão, não efectuar o pagamento de ordenados, referentes ao corrente mês e seguintes pois o facto de os estudantes não aceitarem o funcionamento dos serviços responsabiliza-os por essa atitude.
4 - Sobre a existência do um novo período de aulas seguido de exames.
Afirmou que esta questão, assim como outros problemas pedagógicos, seria facilmente resolvida se os estudantes decidissem levantar a greve. Não se referiu a tal possibilidade se a greve a exames se mantivesse.
5 - Afirmou que tinha ordens superiores para assegurar o funcionamento dos exames, vendo-se na obrigação de acatar tudo o que superiormente fosse decidido para o assegurar. Particularmente tinha recebido instruções para proibir a reunião de piquetes de greve a exames convocada pela última RGA.

COMENTÁRIO DA DIRECÇÃO A ESTAS INFORMAÇÕES
Estas informações, embora aclarem alguns aspectos, não constituem, no essencial, uma alteração à situação anterior. Tal situação, caracterizada pelo despacho do MEN e pela resolução do Conselho Escolar de 30/6 foi já analisada no comunicado nº l da direcção da AEIST.
Parece-nos importante, no entanto, fazer ainda algumas observações adicionais ao que então se disse.
As condições impostas pelas autoridades à reabertura dos serviços são claramente inaceitáveis por uma direcção associativa. A aceitação de tais condições equivaleria à negação do princípio da apoliticidade entendido como um não alheamento dos problemas nacionais, negação da actividade sindical no que respeita a formas de organização e de luta por objectivos concretos e a promessa de homologação que é sugerida, além de se basear nestas condições implicaria una opção oportunista baseada na aceitação táctica de procedimentos disciplinares, incidindo sobre estudantes que agiram de acordo com decisões colectivas, ou mesmo sobre estruturas associativas.
As afirmações sobre os empregados não representam mais que una tentativa de forçar a aceitação das condições governamentais de reabertura dos serviços, visando, além disso, virar os empregados da AEIST contra os estudantes, criando condições para que estes possam mais tarde vir a aceitar, sem grande resistência, a tutela dos SS.
O âmbito do inquérito, agora completamente esclarecido, mostra claramente que ele atinge o movimento associativo no seu todo, na sua organização e formas de luta, sendo una constante ameaça à própria existência da AEIST.
A aceitação por parte da direcção da escola de "ordens superiores" (para já, assegurar a realização dos exames e a proibição da reunião de piquetes de greve) constitui mais uma ameaça aos estudantes no sentido de os fazer recuar das posições democraticamente tomadas na ausência da satisfação das suas reivindicações.

A LUTA NOS MOLDES JÁ DEFINIDOS DEVERÁ CONTINUAR, VISANDO UMA ALTERAÇÃO DETERMINANTE DA SITUAÇÃO QUE PERMITA AOS ESTUDANTES REFORMULAR AS SUAS POSIÇÕES:
PELA REVOGAÇÃO DO INQUÉRITO!

PELA REABERTURA INCONDICIONAL DA ASSOCIAÇÃO!

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