domingo, 30 de julho de 2017

1972-07-00 - Vietnam Nº 01 - CEALPV - Movimento Estudantil

VIETNAM Nº 1

PORTO 
JULHO - 72

COMISSÃO ESTUDANTIL DE APOIO A LUTA DO POVO VIETNAMITA

A JUVENTUDE ACUSA O IMPERIALISMO
A luta dos povos da Ásia pela sua independência foi e é a resposta à dominação colonialista e imperialista de países tais como a França, a Inglaterra, o Japão e os Estados Unidos. Quer se trate da Índia, da China ou do Vietnam o anseio de liberdade dos povos, que assume muitas vezes formas violentas, nasceu da opressão de que eram é são vitimas.

Por meados do século passado a França e a Inglaterra eram países "rivais" na partilha da Ásia e da África. Foi por essa altura que navios de guerra franceses chegaram à Indochina. A "conquista" começou então sob o pretexto de protecção dos missionários católicos; mas O aparelho colonial que foi imposto pela força serviu para a exploração das riquezas naturais tais como, a borracha e os óleos de copra e de coco de que a Indochina é o principal produtor mundial. A resistência do povo à opressão francesa era facilmente reprimida até princípios deste século quer por as organizações que enquadravam a luta serem extremamente débeis, quer por o colonialismo ter ate então um largo campo de manobra. Mas por volta de 1930 já se organizavam greves (delta do Mekong) – e sovietes (caso de Mr Tinh), e havia milhares de prisioneiros políticos.
Durante a segunda guerra mundial dois países imperialistas os Estados Unidos e o Japão, sonhavam substituir-se aos franceses no domínio da Indochina. Tanto os E.U.A. como a França sabiam que esta tinha os seus dias contados naquela parte da Ásia, e cano ainda não se sabia qual o resultado da guerra cada um procurava preparar-se para todas as eventualidades; assim, quanto à Indochina, a França procurava partilha-la com a Alemanha, e os E.U.A. com o Japão. Embora o Japão tivesse ocupado a Indochina, com o fim da guerra, mesmo continuando a dominação Francesa, o caminho estava mais aberto ao imperialismo americano.
A resposta dos vietnamitas não se fez esperar. A luta, conduzida vitoriosamente pelo Viet Minh contra a dominação japonesa, levou à formação em 7 de Setembro de 1945 da República Democrática do Vietnam: com governo em Hanoi.
Com importante auxílio americano os-franceses desembarcaram até 1954, 40.000 soldados que conduziram contra os-vietnamitas uma guerra de rapina, de protecção dos interesses económicos dos dois países imperialistas, e que só terminou com a rendição dos franceses em Dien Bien Phu (8 de Maio de 1954).
Entretanto os E.U.A. preparavam o terreno para "entrarem" no Vietnam. Não assinaram (conjuntamente com o Vietnam do Sul, cujo regime fantoche tinha sido lá posto por eles aquando da intervenção francesa) os acordos de Genebra (20 de Maio de 54) de cessar fogo na Indochina e de reunificação do Vietnam. Em 7 de Julho de 1954, nomearam Ngo Dinh Diem primeiro Ministro de Saigão. Em 6 de Setembro de 1954 foi assinado. O Tratado para a Defesa do Sudoeste Asiático (SEATO) entre; os seguintes países imperialistas e seus lacaios: a Austrália, os Estados Unidos, a França, a Inglaterra, a Nova Zelândia, o Paquistão, as Filipinas e a Tailândia, ao qual veio a aderir mais tarde o Vietnam do Sul, cujo fim fundamental (sob o pretexto de combater a "subversão vinda do exterior") era preparar a agressão americana na Indochina.
O regime de Diem foi dos mais brutais de que há conhecimento. Desde a existência de centenas de milhar de prisioneiros políticos, à existência de campos de concentração (as chamadas "aldeias estratégicas"), das torturas infligidas (que mutilavam e destruíam psiquicamente), aos massacres generalizados sobre populações camponesas, sobretudo. (Por exemplo no distrito de Tam-Ky (180.000 habitantes) — presentemente região libertada — 13 000 haviam "desaparecido" e outros 7 000 estavam detidos em diferentes prisões. Um nono da população assassinada ou encarcerada, por tempo indeterminado!...), tudo à boa maneira nazi e orquestrado pelos americanos.
Mais uma vez ao povo vietnamita não foi deixado senão o caminho da violência para a conquista da liberdade.
No dia 15 de Fevereiro de 1961 foi tornada pública a criação das Forças Armadas Populares de Libertação do Vietnam do Sul e do seu Estado Maior. Formado pela união de destacamentos armados surgidos na luta contra a camarilha de Diem, este exército, durante mais de onze anos de existência apresenta uma história digna dos heróis lendários de Dien Bien Phu.
Com a ofensiva desencadeada a partir de 1 de Abril, os patriotas vietnamitas de mostraram mais uma vez que a sua luta é invencível e que aos americanos, tal como outrora aos franceses, não lhes resta mais que sentarem-se à mesa das negociações para tratarem da sua saída incondicional do Vietnam.

A RECENTE OFENSIVA DA FNL
As Forças Armadas Populares de Libertação do Vietnam do Sul desencadearam a partir do dia 1 de Abril uma poderosa ofensiva.
A chamada política de "vietnamização" de Nixon foi então completamente desmascarada. Os soldados do regime fantoche de Saigão foram expulsos da província de Quang Try e acossados em diversas cidades como An Loc, Kué, Kontum e mesmo em Saigão, o que demonstra inequivocamente que só com o auxílio directo dos soldados americanos (força aérea e também terrestre, conselheiros militares, material bélico, etc..) foi possível evitar a derrota total. Por exemplo no dia 31 de Maio abrangia, dois milhões de pessoas a região sul-vietnamita ocupada pela F.N.L., segundo consta, nos jornais portugueses.
Por outro lado os americanos intensificaram o esforço de guerra por intermédio de bombardeamentos massivos contra alvos civis localizados muitos deles no Vietnam do Norte alegando que o Sul tinha sido invadido, pelas tropas do Norte. Assim, nos meses de Abril e Maio findos, algumas das 37 000 bombas americanas despejadas no Vietnam do Norte destruíram trinta escolas, vinte estabelecimentos médicos, doze igrejas e pagodes, trinta e duas porções de dique, vinte e nove albufeiras e barragens e um milhar de habitações. Durante o mesmo, período a Aviação Americana vangloriava-se de ter lançado sobre fábricas, escolas e hospitais contentores de bombas de vários tipos.
A chamada "vietnamização" defendida por Nixon era, segundo afirmou, uma progressiva retirada das tropas americanas e uma maior responsabilização dos soldados de Saigão. A ofensiva dos patriotas demonstrou que Nixon apenas pretendia deitar poeira nos olhos do mundo. Porque, se por um lado o número de americanos no Vietnam diminuiu, não é menos verdade que os comandos de Saigão são incapazes de conduzir a guerra, e esta vai tomando formas cada vez mais criminosas, como por exemplo,o recurso cada vez mais sistemático à destruição, massiva de populações, de culturas, de animais, de edifícios, etc..
A luta do povo do Vietnam é, no entanto, vitoriosa, e sê-lo-á sempre, porque se trata de todo um povo que se ergue pela sua libertação.

UM HOSPITAL PARA HANÓI
A. Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD) decidiu lançar uma campanha internacional de recolha de fundos para a construção de um hospital pediátrico (o hospital - Nguyen Van Troy) na República Democrática do Vietnam.
Em "virtude da dificuldade de obtenção de documentos da FMJD, em particular dos que se referem à construção em Hanói do hospital para crianças, não nos foi possível incluir neste comunicado uma informação mais pormenorizada tanto das resoluções da FMJD como das características do hospital Nguyen Van Troy. Todavia, logo que possível, daremos, essas informações.
Como as crianças vietnamitas são as principais vítimas da guerra, é necessária a existência de centros pediátricos, onde haja recursos que as protejam devidamente nos seus primeiros anos de vida. A juventude portuguesa, em particular os estudantes, podem para já, solidarizar-se activamente com o povo Vietnamita, contribuindo, também, para que as crianças vietnamitas tenham mais um hospital.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo