sábado, 22 de julho de 2017

1972-07-00 - O Comunista Nº 13

SOBRE TROTSKY E STALINE

Proliferando graças ao desenvolvimento do capitalismo, o trotskismo voltou a aparecer, ressuscitando as velhas discussões e polémicas com a orientação leninista para a revolução. Produto directo da nova burguesia dos serviços, do teoricismo e da tecnocracia, reaparece como tradicional inimigo dos interesses do proletariado, continuando a significar una ponta de lançada ideologia burguesa, dentro do movimento revolucionário.
Perante, este fenómeno, muitos militantes que se afirmam m-l tem posições erradas, consistindo as era mais frequentes em menosprezar e esconder a contradição antagónica que existe com o trotskysmo, ou em defender a todo custo a prática do Partido Bolchevique sob a direcção de Staline. Com a primeira posição, servem objectivamente os interesses da burguesia, deixando desenvolver-se uma linha política hostil aos interesses do proletariado; com a segunda posição deixam aos trotskystas a sua única razão de existência, que é precisamente a de propagandearem e fazerem alarido sobre os erros de Staline.

Sejamos claros; a história do movimento comunista internacional não é límpida e pura, teve, tem e terá contradições. É nosso dever indica-las e discuti-las, não temos de ter medo de erros que outros camaradas ou nós próprios poderemos cometer; a luta das ideias e a prática seleccionarão as posições justas e rejeitarão as falsificações e desvios à linha científica do proletariado. O direito de discutir os erros do movimento comunista internacional pertence aos militantes revolucionários marxistas leninistas, e não aos sabotadores trotskystas. Pela nossa parte não abdicaremos desse direito (e dever).
Para expor com a maior clareza possível a contradição, existente entre o trotskismo e o marxismo leninismo, analizaremos o papel assumido por Trotsky e Estaline na revolução bolchevique, os seus méritos e os seus erros, a prática actual dos trotskystas e dos marxistas-leninistas, e a pratica de construção do socialismo que supera hoje as contradições e desvios dessa época histórica da ditadura, do proletariado.

Quem foi TROTSKY?
Militante que se caracterizou por uma notável instabilidade política, personificou todas as hesitações do movimente revolucionário Russo do princípio do século. Frequentemente em contradição com Lenine, tentando ser acidentalmente o homem da unidade entre mencheviques e bolcheviques, acabou por aderir às fileiras do partido bolchevique em 1917, participa numa insurreição de Outubro e assumindo um papel importante na Guerra Civil contra os reaccionários. Esta participação de Trotsky na Revolução de Outubro, serve de pretexto aos seus discípulos para lhe dar um lugar primordial e decisivo nessa etapa vitoriosa da luta do proletariado; Assim se apaga o papel determinante do partido bolchevique, e se tenta ocultar todas as contradições antagónicas de Trotsky com o leninismo e com a filosofia marxista.

As teses de Trotsky
O ponto fundamental de demarcação entre o trotskismo e o leninismo, consiste na definição das classes que constituirão a aliança militante destinada ao combate e à destruição da dominação burguesa. Para Lenine, a aliança do proletariado com o campesinato era fundamental para a tomada do poder e para o início da construção do socialismo. Para Trotsky, a única classe revolucionária era o proletariado; esta classe não devia pois fazer alianças com outras classes menos progressistas, dado que essa união deturparia necessariamente o objectivo revolucionário da luta, transformando-o num objectivo influenciado política e economicamente pelo capitalismo. Na prática, o que resultaria deste belo sonho de Trotsky? O proletariado apresentar-se-ia isolado perante a burguesia, deixando a esta todas as possibilidades de chamar para o seu campo todas as camadas mais atrasadas da população, tornando-se assim uma presa fácil de aniquilar. Contra esta tendência "esquerdista" e idealista, Lenine defendeu e o Partido Bolchevique definiu o carácter indispensável da aliança revolucionária entre o proletariado e o campesinato, passo decisivo para o isolamento da burguesia e para a construção efectiva de uma unidade das classes mais exploradas no caminho do aparecimento da sociedade socialista, através da ditadura do proletariado.
Outra divergência importante de Trotsky em relação à linha bolchevista consiste na possibilidade ou impossibilidade do triunfo da revolução socialista num só país; para Trotsky é impossível construir o socialismo num só país, só a Revolução Mundial assegurará a libertação das garras do capitalismo. É evidente que a continuação de países capitalistas é uma frente donde brotam contradições antagónicas constantes, forçando os povos que se libertaram a manobras tácticas de defesa e de contra-ataque, que os atrasam do objectivo comunista. Mas a exposição de uma tese tão extremista, e “revolucionária" é senão um factor objectivo de desmoralização das massas trabalhadoras que conquistaram o poder. Na prática, obedecendo às sugestões de Trotsky, a jovem Republica Soviética ter-se-ia entregado ao desanimo e ao desespero, tornando-se presa fácil do capitalismo, ou far-se-ia um cavaleiro andante da Revolução internacional, indiferente às condições subjectivas ou objectivas de cada país. O problema coloca-se de maneira diferente segundo a teoria m-l: o proletariado vitorioso tem de assegurar a construção do socialismo seu país, e ao mesmo tempo tem de definir como sua tarefa essencial desenvolver e apoiar a Revolução noutros países. Nem demissão da sua responsabilidade nacional, nem patrioteirismo estreito, eis a aplicação prática da palavra de ordem “proletários de todo o mundo, Uni-vos!”.
Com a morte de Lenine, o chefe incontestado da Revolução Russa, Trotsky, que se tinha tornado menos audacioso na sua contestação directa à orientação leninista, voltou ao ataque, tornando a fazer surgir à luz do dia as suas velhas ideias da "revolução permanente" e da “impossibilidade do socialismo num só país". Ao mesmo tempo, através da publicação de um determinado número de obras literárias, criava e propagava de si próprio uma visão de "homem providencial". De “dirigente esclarecido e intocável” da Revolução Soviética. Desprezando o papel do colectivo do Partido, Trotsky introduzia mais uma vez nos debates revolucionários a sua ideologia individualista e pequeno-burguesa. Desmascarado e repudiado pelo Partido Bolchevique. Trotsky recusou a disciplina partidária e a obediência à maioria e organizou a sua própria fracção dissidente. Medida incompatível com as regras de um partido revolucionário, onde os princípios de centralismo democrático são a regra e a actividade fraccional constantemente atacada.
Expulso do Partido e mais tarde da Rússia, Trotsky continuou até ao fim da sua vida numa actividade de constante sabotagem da Republica Soviética. Tudo isso a coberto, evidentemente, de duvidosos apoios de revistas e pseudo-revolucionários dos países capitalistas.
A conclusão sobre Trotsky e o seu papel a nota constante da sua actividade é a de um individualismo e subjectivismo extremistas. O seu verbalismo “esquerdista” e pseudo-revolucionário afastou-o constantemente da “análise, concreta da situação concreta", transformando-o objectivamente num sabotador dos interesses do proletariado Russo e internacional, desmoralizando e desmobilizando as massas trabalhadoras dos seus objectivos imediatos de luta. Na sua curta passagem pelas fileiras do Partido Bolchevique foi um militante eficaz, enquanto devidamente enquadrado por Lenine, dirigente político anti sectário, e anti-democrático que sabia esconderas antigas divergências e polémicas em troca da conquista da unidade contra o inimigo comum o que não impediu, evidentemente, que novas divergências surgissem quer sobre política internacional: questão da Paz de Prest-Litowsk, desprezo de Trotsky pelos movimentos de libertação nacional, onde “como não havia proletariado, não se conseguiria fazer a revolução democrática popular"), quer sobre política nacional (questão de militarização dos sindicatos, proposta violentamente rebatida por Lenine como burocrática e anti marxista).

O que é o TROTSKISMO
Primeiro ponto importante: o trotskismo tem várias facetas e aspectos, correspondendo cada um deles a uma das inclinações passadeiras do versátil e volúvel militante que era Trotsky. É assim que podemos assistir à proliferação de uma multidão de grupos todos ditos trotskistas, todos reivindicando e a obediência ao “profeta”, todos seguindo tácticas absolutamente divergentes mas todos unânimes na defesa “revolução permanente” e na impossibilidade da construção do socialismo num só país. Mas o trotskismo apresenta como dissemos múltiplas caras: de vez em quanto aparece tecnicista e militarista; com este ponto o poder só se toma através de metralhadoras de marca X e segundo a execução dum tal golpe que será sensacional e irá por as pessoas de boca aberta. Outras vezes o ultra burocrático e dentro da organização a disciplina é ultra rígida. Aqui, a palavra de ordem é: nada de discussões, nem reflexão nem iniciativa, elegemos os nossos chefes eles estão lé para pensar e mandar. Claro que chamar a esta macacada o centralismo democrático… De vez em quando são federalistas, e aí aparece a defesa do movimento criador das ideias, a liberdade de discussão e de organização. Etc. Do ponto de vista organizativo, utilizam frequentemente a técnica do “entrismo”, isto é, a infiltração dentro de outras organizações para tentarem “minar” o aparelho por dentro. A sua linha táctica geral é a de se colocar um passo mais à esquerda dos Partidos Revisionistas, caminhando na sua sombra e dando-lhe sempre um apoio crítico. Internacionalmente é o ataque às burocracias “que tomaram o poder nos países socialistas”, é o desprezo pelos movimentos de libertação (porque não há proletariado, e portanto a revolução nunca poderá ser socialista), é a análise das possibilidades de triunfo da Revolução a partir das crises económicas do capitalismo de Mandel) e não a partir da imobilização progressista das massas trabalhadoras internacionais.
Na prática que fazem?
Apresentam-se como os “marxistas mais puros” e mais renitentemente defensores dos interesses do proletariado. Nos países onde estão aliam-se sempre aos revisionistas e traem as massas trabalhadoras (Bolívia, Ceilão), internacionalmente despejam todas as calúnias possíveis sobre a China e Albânia e sobre os movimentos de libertação.
Acusam Staline dos maiores crimes da História, denunciam-no como um burocrata traidor do proletariado Russo, e organizem-se em aparelhou burocráticos e militarizados.
Filosoficamente o que são?
Reflexo de uma pequena burguesia descontente, tentam minar o proletariado e o campesinato com as suas dúvidas, as suas contradições, o seu espírito liquidacionista, a sua incapacidade militante.
Denominador comum de todos os trotskystas; um profundo desprezo pelas massas, uma pretensão constantemente dirigista, uma retórica fértil e vazia, um paternalismo untuoso, um desespero e desanimo incontroláveis quando diante das dificuldades reais da luta de classes. Em análise marxista, este espírito tem o nome de subjectivismo e individualismo pequeno burguesa, e significa uma tentativa de infiltração da ideologia capitalista no seio do proletariado.
Na esteira do seu patrono, os trotskystas são inimigos das massas trabalhadoras e sabotadores da revolução mundial. A posição marxista leninista é a de travar contra eles uma luta constante e, impiedosa e sem tréguas.

Quem foi STALINE?
Militante desde as primeiras horas do partido bolchevique, seguiu durante toda a vida uma linha dum revolucionário exemplar, lutando infatigavelmente contra o czarismo. Dividindo a sua vida entre as múltiplas prisões e deportações de que foi alvo, as fugas sistemáticas da cadeia e a acção revolucionária, participou directamente na insurreição de Outubro, na qualidade de membro do Comité Central encarregado das nacionalidades. Eleito secretário-geral após a morte de Lenine, tomou em ombros a pesada tarefa da construção do socialismo no primeiro país que se tinha libertado da dominação feudal-burguesa, e que se caracterizava por ter um dos sistemas sócio-económicos mais atrasados da época. Defendendo intransigentemente a unidade do partido Bolchevique e a pureza dos princípios m-l, criou todas as bases para o desenvolvimento da URSS e exterminou completamente a besta nazi durante a guerra de 45.
Do ponto de vista internacional, auxiliou a luta do proletariado internacional e impulsionou enormemente as lutas de libertação nacional, continuando a linha leninista de valorização desses movimentos, que ”devem ser vistos não sob o ponto de vista da democracia formal, mas sim do ponto de vista dos seus resultados efectivos na balança geral da luta contra o imperialismo isto e, não isoladamente, mas à escala Mundial” (Lenine O.C. XIX, pg. 257, Edição Russa, citado por Staline em "Os princípios do Leninismo").

Quais foram os erros de Staline?
Os especuladores trotskystas e anarquistas da teoria revolucionária do proletariado acusam o dirigente Staline de ser, por si próprio, o culpado de teria a actual degenerescência da URSS. Escamoteiam os dados objectivos do país onde se desenrolou a primeira experiência de construção do socialismo, para tornar mais convincente a sua campanha difamatória.
A seguir à Revolução, a jovem Republica Soviética atravessou uma crise gravíssima, devido ao prolongado esforço de guerra que teve de desenvolver para se conseguir libertar do cerco internacional das burguesias.
Este factor, acrescido das condições de extremo atraso económico da Rússia, pintavam um quadro que enchia os revolucionários de pessimismo quanto às possibilidades de sobrevivência da ditadura do proletariado. Foi este o momento escolhido por Trotsky, Boukharine e outros para se relançar a teoria da impossibilidade de construção do socialismo num só país!
Entusiastas, "esquerdistas" e extremistas quando tudo corre bem, afundam-se no desespero e na demissão quando o movimento proletário sofre derrotas e reveses do inimigo. Contra esse espírito de traição, Lenine lançou a NEP, política económica que conservava e estimulava o comércio e a indústria privada, verdadeiro passo atrás no caminho da construção do socialismo, mas medida indispensável para a própria sobrevivência física das massas trabalhadoras Soviéticas. Coexistia com esta herança capitalista, o sector económico do Estado, condição indispensável para a construção do socialismo. Esta foi a herança recebida pelo Partido Bolchevique, tendo Staline à sua frente. O objectivo a atingir era: eliminar o mais rapidamente possível a economia privada, desenvolver ao máximo a economia de 'Estado' atingir a curto prazo o crescimento económico que garantisse a estabilidade da URSS e criasse as bases infra-estruturais necessários para a construção do socialismo. Entramos então na fase da economia fortemente dirigida e centralizada, do aparecimento do stakhanovismo, da utilização dos estimulantes materiais, etc. A tese posta em prática era a de que o adiamento do progresso e do bem-estar, o enriquecimento progressivo do país, criariam inevitavelmente todas as condições de chegada ao socialismo. Assim se ignorou a relação dialéctica entre a super-estrutura e a infra-estrutura, assim se sobrestimou o papel da economia e se desprezou o papel da ideologia e da política. Este foi o primeiro erro de Staline.
A criação desse aparelho de Estado fortemente centralizado e omnipotente originou o aparecimento de uma nova camada de dirigentes rodeados de privilégio. Verificou-se o reaparecimento da burocracia, incarnada numa nova burguesia, criada pelo aparelho de Estado. A consolidação desse vírus capitalista foi possível devido à ausência de ligação entre o Estado, o Partido Comunista e as massas populares. A eliminação dessa nova categoria de burocrata só e possível se os quadros dirigentes estão em permanente contacto com as massas trabalhadoras, e são constantemente controlados por elas. Esta prática não foi seguida, o que «possibilitou a tomada do poder dos postos-chaves da administração Soviética por Kruchef e companhia, permitindo a vitória da via capitalista.
Este foi o segundo erro de Staline. O aparecimento de contradições antagónicas dentro das equipas dirigentes do Estado Soviético e do Partido Bolchevique, foi solucionado através de processos judiciais revolucionários, onde inevitavelmente, se praticaram excessos e injustiças. Os m-l compreendem que perante o ascenso do nazismo, o cerco da burguesia a URSS, a inevitabilidade da guerra, os processos eram inevitáveis e o único caminho a seguir para depurar o Estado-Maior da Revolução, o Partido Bolchevique, dos elementos oportunistas e contra-revolucionários. Só assim se poderia assegurar o que foi possível anos mais tarde: o extermínio do nazismo. Mas a linha revolucionaria para a solução das contradições entre elementos do mesmo partido, é fomentar e impulsionar a discussão pública e generalizada entre as tendências opostas, e permitir a auto-crítica teórica e pratica através da reeducação junto das massas, dos militantes que defendem as posições erradas. Não seguir esta linha, significa perder uma esplêndida oportunidade de educação das massas e abre o caminho a possíveis e incontroláveis injustiças.
Este foi o terceiro erro de Staline.
A crença na força “irresistível” do crescimento económico como factor-chave para a chegada ao socialismo, enfraqueceu progressivamente a determinação e o poder ideológico do povo Soviético. Staline afirmava que na sociedade Soviética, o capitalismo tinha sido definitivamente vencido, esquecendo assim a lei marxista-leninista da contradição, o combate perpétuo que se verifica entre as duas linhas, a capitalista e a socialista, a burguesa e a projectaria. A luta ideológica é indispensável não só para controle dos quadros dirigentes, mas também para armar politicamente as massas trabalhadoras, para destruir constantemente o velho e assegurar o triunfo do novo, para conservar o proletariado aguerrido, combativo e vigilante em relação aos traidores da ideologia comunista. A ausência dessa luta deixa o proletariado fraco e desvirilizado, torna-o uma presa fácil dos burocratas e dos capitalistas. Foi o que sucedeu na URSS e o que explica a facilidade com que Kruchef tomou o poder e iniciou a restauração do capitalismo.
Este foi o quarto erro do Staline.
Verifica-se que os erros praticados na primeira experiência de construção do socialismo se devem fundamentalmente às condições objectivas existentes na Rússia de então. Os erros de Staline não surgiram por uma adulteração do ideário socialista, por uma traição a ditadura do proletariado. Os erros de Staline surgem numa fase experimental, são a consequencial da passagem da teoria a uma prática, significam o desvendar de novas contradições, novos altos e baixos no caminho necessariamente difícil e composto por “passos atrás e passos em frente”, que conduzirá à sociedade comunista.

O que é o STALINISMO?
Uma primeira nota: este termo tem sido utilizado internacionalmente pelos trotskystas e pelos intelectuais burgueses para indicar a linha ideológica seguida por todos os países que se afirmam socialistas, e pelos partidos comunistas do Ocidente. Queremos deixar bem claro que isso se trata de uma asquerosa mistificação do que foi Staline e da escola política por ele inspirada. A frase usual das revistas burguesas “burocracia stalinista” é uma frase que se destina a atacar o principio-base da organização do proletariado, o centralismo democrático. A pequena burguesia, instável e insegura, não aceita com facilidade a disciplina rígida e férrea das organizações do proletariado não compreende que acima do militante está a organização que os méritos de um camarada não se devem fundamentalmente à sua capacidade própria mas à sua capacidade de inserção num esforço colectivo. É isso mesmo,individualistas pequeno burgueses: numa organização revolucionária, os quadros deixam de ser o sr. X para passarem a ser uma peça precisa  de uma máquina para se transformarem como dizia Lenine, num soldado dum exército em campanha”. O ataque à “burocracia Stalinista” oculta o ataque feroz à concepção Leninista do Partido, é uma manobra  tendente a autorizar e tornar possível a organização de correntes e fracções, tendente a quebrar a unidade do corpo dirigente do proletariado.
O direito de criticar as práticas burocráticas do Partido Bolchevique durante a época de Staline pertence aos revolucionários m-l, aos militantes que tentam fazer vingar os princípios do centralismo democrático, e não aos especuladores e sabotadores que tentam espalhar a confusão identificando a prática stalinista com a actual prática dos social-imperialistas Russos. Para os, marxistas-leninistas, o governo da Rússia e dos seus satélites e os partidos comunistas de obediência a Moscovo, não são stalinistas são revisionistas. Revisionistas porque revêem a teoria m-l da revolução e da construção da sociedade socialista, revisionistas porque traem o internacionalismo proletário e se aliam ao imperialismo US nova tentativa de controlar o mundo e travar o ímpeto da Revolução Mundial.
Staline é também o nome constantemente invocado por outra categoria de revisionistas mais subtil e mais difícil de desmascarar. Referimo-nos aos dogmáticos, os falsos m-l que mancham o nome de Staline utilizando-o para as suas manobras policiais e inquisitoriais, servindo-se dele como de um escudo protector contra a discussão ideológica. Staline dizia que o Partido se fortalecia depurando-se dos elementos oportunistas, e a descoberta desses sabotadores dos interesses do proletariado operava-se obrigatoriamente através da discussão ideológica dentro do Partido, através do exercício da critica e da auto-critica. A depuração é o resultado de uma luta entre ideias, e não uma operação policial, como pretende a cobardia dogmática. A luta política não se destina a esconder divergências, mas sim a fazê-las aparecer à luz do dia. Os militantes não são obrigados a calar-se, mas sim a falar aberta e claramente.
Os stalinistas são hoje os militantes m-l que aceitam o património científico da doutrina do proletariado, e que lutam pelo seu enriquecimento constante, tentando resolver as contradições da aplicação prática do marxismo leninismo e apoiando-se no pensamento criador de Enver Hoxa e Mao Tse Toung, nas experiências, dos povos Albaneses e Chineses, e na luta internacional do proletariado e dos povos oprimidos.

O MAOISMO superação das contradições de STALINE
As lições a tirar da restauração do capitalismo na Rússia, foram plenamente compreendidas pelos camaradas Albaneses e Chineses. O Partido do Trabalho da Albânia e o Partido Comunista Chinês compreenderam a interrelação dialéctica entre a infra-estrutura e a super-estrutura, a necessidade da politização das massas, a necessidade de discutir aberta e publicamente as contradições existentes dentro do Partido. São oferecidas possibilidades de reeducação aos militantes com posições erradas. A burocracia é alvo de um ataque frontal, aberto e decidido. A lei a seguir é que os quadros dirigentes sejam simultaneamente controlados pelo topo e pela base.            
A burocracia tem as suas raízes mais fundas no desenvolvimento irregular das forças produtivas, e mais directamente na concepção de privilégio e regalias aos membros dos partidos e organizações de massas que conduziram o proletariado à vitória.
É precisamente neste ponto que nos aparece o extraordinário contributo da Revolução Cultural Chinesa para o enriquecimento do marxismo leninismo. Utilizando um amplo movimento de massas, foi possível desmascarar os antigos militantes então corrompidos, e definir as seguintes linhas de acção:
 - abolição de privilégios aos dirigentes do partido, exército ou organização de massa, através de:
a) atribuição de salário idêntico ao das massas trabalhadoras, tendendo esse salário para a igualização, retomando assim a tradição da Comuna de Paris;
b) participação dos quadros políticos no trabalho directamente produtivo.
2º - revolução no ensino, tanto no recrutamento dos estudantes, como na elaboração dos programas, tendentes a terminar com as diferenças entre trabalho intelectual e manual, sistema de divisão herdado do modo de produção capitalista, e directamente criador das diferenças de classe:
 - desenvolvimento ao nível nacional das unidades de produção, e não concentração em grandes centros industriais, medida tendente a extinguir progressivamente as diferenças entre a cidade e o campo, outro vicio herdado do modo de produção capitalista.
É assim, com uma luta que conduz a uma reforma, com uma crítica que destrói a antiga unidade e cria uma nova, que se avança no caminho do socialismo e se prepara a futura sociedade comunista; não com a balelas trostystas e anárquicas que nos falam da (burocracia stalinista) “como se Trotsky, com o seu profundo desprezo pelas massas “atrasadas e reaccionárias”, com os seus planos de militarização dos sindicatos não fosse um verdadeiro e consciente burocrata!", do "poder desmesurado do partido", etc., sugerido como panaceia o enfraquecimento do centralismo democrático nos Estados proletários, a autorização de organização de tendências contrárias ao comunismo, a representatividade das massas a partir de conceitos sociológicos e não de classe (ainda outra hipótese do prolixo Trotsky), e outras traições burguesas do mesmo quilate.

Conclusões gerais
1. Trotsky e os trotskystas representam uma contradição antagónica em relação à ideologia do proletariado, não só pelos pontos teóricos defendidos como pela prática histórica e actualmente exercida;
2. No período histórico em que Staline esteve à cabeça do Partido Bolchevique foram cometidos vários erros que revestiram extrema gravidade, permitindo a restauração do capitalismo na Rússia após a sua morte. Alguns desses erros foram consequência directa das condições objectivas da sociedade Russa na altura, outros foram consequência de uma subestimação do papel da ideologia na construção do socialismo;
3. Retirando as lições dessa prática, a Albânia e a China superam através do ataque à burocracia, da educação política das massas e da Revolução Cultural Proletária essa contradição da etapa de construção do socialismo abrindo o caminho que conduzirá a humanidade ao comunismo;
A palavra de ordem continua a ser a de Lenine: combate sem quartel contra os desvios da ideologia proletária. Palavra de ordem seguida e defendida por Sta­line, e cujos erros não bastam para o retirar do lugar de grande dirigente do proletariado mundial.
Contra o trotskismo, ideologia burguesa infiltrada no seio do proletariado!
Pela linha revolucionária de Marx, Engels, Lenine, Staline e Mao-Tse-Tung!

PELA REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA POPULAR!
PELO TRIUNFO DO SOCIALISMO E DO COMUNISMO!

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