sexta-feira, 30 de junho de 2017

1977-06-30 - Unidade Popular Nº 124 - PCP(ml)

Uma «vitória diplomática» dos novos czares

No final da visita de três dias que Brejnev efectuou a França, foi publicado um comunicado comum sobre a chamada política de «desanuviamento». As já estafadas considerações sobre «redução» das armas nucleares, a necessidade de desenvolver a «cooperação» e consolidar a «paz» entre os vários países europeus, tais foram as linhas mestras do «comunicado final» que ambos os presidentes assinaram antes da partida de Brejnev para Moscovo.
Um «êxito», afirmou o Presidente francês referindo-se à visita do novo Hitler a França! O «êxito» terá sido, quando muito, de Brejnev e do social-imperialismo pois o documento final apenas veio vincular o Presidente Giscard a posições comandadas do Kremlin.
Efectivamente, nos últimos dois anos os sociais-imperialistas russos, sob a capa da política de «paz» e «cooperação», aumentaram de forma sem precedentes os seus arsenais militares convencionais e estratégicos e multiplicaram as manobras militares.
As suas ambições expansionistas não conhecem limites e as suas promessas de «paz» fazem pensar em Munique no ano de 1938 e na política capitulacionista dos dirigentes sociais-democratas de então, face ao nazismo.
A visita de Brejnev a França visou igualmente a preparação da fase em curso da Conferência de Belgrado, de forma a perpetuar e reforçar o projecto mistificador de Helsínquia. E Giscard D’Estaing ao receber o chefe-de-fila revisionista russo cedeu à chantagem do social-imperialismo que procura «estreitar» laços com a Europa Ocidental na medida em que o Presidente americano toma posições de «distanciação» face ao continente europeu.
A recepção de Brejnev em França constitui, por outro lado, um acto claramente contraditório com a iniciativa recentemente tomada em relação à agressão social-imperialista no Zaire.
O Presidente francês tomou nessa ocasião uma atitude de firmeza ao conceder auxílio material às autoridades de Kinshasa, contribuindo assim para cimentar a unidade entre os povos africanos e dando o exemplo de como devem processar-se as relações entre países do Segundo e Terceiro mundos face ao hegemonismo.
É um facto que as burguesias dos países ocidentais, sobretudo dos países mais desenvolvidos como é o caso da França, têm interesses próprios a defender e lucros imediatos a retirar das transacções comerciais e dos investimentos que fazem nos países dominados pelo social-imperialismo e mesmo na URSS. Isso leva muitas vezes os seus chefes políticos a fazerem concessões aos inimigos da independência nacional. Mas importa sobretudo realçar, como aspecto principal, a tendência para a conciliação que é própria de qualquer sector da burguesia liberal.
É esta tendência capitulacionista que os verdadeiros comunistas devem combater sistematicamente para evitarem, tanto quanto possível, os desastres que se verificaram há quatro dezenas de anos, quando a social-democracia abriu o jogo ao nazismo hitleriano.

A recepção de Brejnev em Paris e a assinatura de um comunicado nos termos acima transcritos mostram exactamente a faceta conciliadora da burguesia liberal, a forma como cede frente às pressões e à chantagem mais marcada das superpotências. E quando a superpotência em questão é o social-imperialismo russo, principal inimigo dos países e povos do mundo no momento actual, a conciliação adquire uma gravidade extrema.

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