quinta-feira, 29 de junho de 2017

1977-06-29 - O Comboio Nº Esp. - UCRP(ml)

O Comboio
NÚMERO ESPECIAL 29-6-77
BOLETIM DA UCRP-ML NA CP

A NOSSA POSIÇÃO FACE AOS PROGRAMAS DAS LISTAS
No próximo dia 30 apresentam-se às umas para a eleição dos corpos gerentes do Sindicato dos Ferro viários do Centro, 4 Listas, cada qual com o seu programa e mais ou menos afecta ao seu partido; é sobre esses programas que nos iremos debruçar.
Sobre estas eleições e com vista a expulsar o social-fascismo da direcção do sindicato, os comunistas da U.C.R.P.(m-l) indicaram em devida altura o que segundo eles seria o justo caminho a seguir; o caminho da unidade e da luta contra o social-fascismo, contra as medidas anti-populares da burguesia monopolista no poder e em defesa das reivindicações económicas, políticas e sociais dos Ferroviários, e pelo reforço da frente anti-social-fascista no interior da CGTP-INTER.

A esta proposta que ainda ninguém ousou criticar seriamente, também nenhuma das restantes Listas aderiu.
No entanto esta era a única alternativa de oposição à actual direcção, que apontava para a formação de uma Lista unitária capaz de a expulsar do Sindicato. Daqui concluímos que embora todos falem de unidade, na prática nada de concreto fizeram por ela, abrindo assim o campo à vitória da Lista A, vitória que a concretizar-se fará com que mais uma vez os Ferroviários, tenham na direcção do Sindicato os seus piores inimigos, sendo as restantes Listas as principais responsáveis.

LISTA A (actual direcção)
O seu programa caracteriza-se pela demagogia e hipocrisia mais ignóbil, agitando algumas das justas reivindicações dos Ferroviários, para lhes caçar os votos, reivindicações essas que anteriormente espezinhou.
- Fala na unidade do movimento sindical e de claro cumprir e fazer cumprir as deliberações da Intersindical que mais não é do que a grande correia de transmissão do partido de Cunhal, um dos mais responsáveis pela divisão do povo português.
- Fala em defender a Constituição, mas a 20 de Agosto de 75 convocaram os Ferroviários para uma manifestação aventureira onde se gritou: "Abaixo a Constituinte, já”. Então a Constituinte não prestava e a Constituição já é boa?
A lista A diz defender a Constituição, com o único objectivo de se servir das liberdades democráticas já consignadas, para a substituir por outra Constituição idêntica à dos países de Leste onde os trabalhadores não possuem quaisquer liberdades para lutarem contra a exploração de que são vítimas.
Diz defender a Contratação Colectiva, mas nem uma única palavra contra as portarias que estão sendo aplicadas em lugar dos CCTs, tal como acontece na CP. De resto foi a própria Lista A que na anterior direcção tomou a iniciativa do formular uma portaria que liquidava 23 cláusulas do ACT 75 apelando à "batalha da produção".
- Prometem assegurar no início de 78 a suplicação plena dos regulamentos emergentes do ACT. Mas que confiança podemos depositar nestas palavras se já nos prometeram os mesmos regulamentos para a início de 76 e depois 77?
- Prometem lutar por melhores condições de trabalho, mas já lá estão há mais de 3 anos e mais não fizeram que tomar umas medidas administrativas que ficaram pelo papel. Os camaradas das oficinas e do movimento que o digam.
- Prometem o "controlo operário", que mais não é do que o controlo dos Ferroviários como no tempo do Salazar.
- Para cúmulo da hipocrisia apresenta o seu "cabecilha” Custódio como “um destacado activista contra os sindicatos corporativos antes do 25 de Abril", pois bom, alguns Ferroviários conhecem é a sua actividade, participando em almoços de despedida onde também era convidado o Garcia. Quando foi desmascarado num plenário em Campolide disse "que tinha sido convidado".
Pelo que foi dito e pelo que ficou por dizer, os Ferroviários devem repudiar tal Lista.

LISTA B
A Lista B para surpresa de muitos, reivindica-se a verdadeira oposição à actual direcção, no entanto caracteriza-a como conciliadora com a Administração e os governos.
A actual direcção não é conciliadora com a Administração; ela é uma parte da administração o que é totalmente diferente.
Então quem é que esteve na vanguarda das provocações contra os Ferroviários? Quem tomou a iniciativa na portaria das 23 cláusulas? Quem organizou as sessões de cacetada no povo e nos soldados que se recusavam pagar o aumento das tarifas? Foi a Administração ou a direcção sindical?
Como se vê a Lista B não é oposição nenhuma à actual direcção, e o seu programa no essencial é o mesmo. Ambos defendem a luta contra o "fascismo" esquecendo o social-fascismo ambos defendem o "controlo operário", leia-se controlo dos Ferroviários; ambos dizem defender os direitos consagrados na Constituição "esquecendo" os que lá não estão consagrados, que são os mais importantes ambos defendem a obediência às decisões tomadas na Intersindical, sabendo a Lista B que tal central é totalmente dominada pela burguesia.
Por tudo isto é evidente que a Lista B objectivamente não passa de um apêndice da Lista A, por muito boa vontade que tenham alguns dos seus membros.

LISTA C
A Lista C também se reivindica de única oposição à actual direcção, mas não é isso que nos indica o seu programa, pois este também não apresenta claramente a actual direcção/Lista A como parte integrante da Comissão Adm. acusando-a de divisionista e conciliadora; o mesmo se passa em relação à política da intersindical que classifica de oportunista e anti-democrática, escondendo o seu verdadeiro carácter fascista e defensor do grande capital monopolista de estado, Além disto põe no mesmo saco a Inter e a "Carta Aberta" quando entre elas há a diferença entre o fascismo e a democracia burguesa.
Ao abordarem a negociação do "pacto social" entre a Inter e o governo não especificam quem é o interlocutor privilegiado e quem dele vai retirar mais lucros, que é o social-fascismo.
Mas o mais grave de tudo é o facto de terem cortado com a frente algum tempo antes das eleições, reforçando o sectarismo e nada fazendo pela formação da Lista unitária.
Consideramos positivo que tenham abandonado a reivindicação do "controlo operário" no entanto ainda não vimos a autocrítica pública por terem defendido essa reivindicação demagógica.

LISTA D
É à volta da Lista D que se congrega a maior parte da justa revolta dos Ferroviários contra a actual direcção. Nós temos isso na devida conta. Estamos de acordo com a lista D na questão da alteração aos Estatutos do Sindicato, bem como na realização das eleições de delegados sindicais; da descentralização das Assembleias Gerais, etc.
Se só não lhe damos o nosso apoio é por que o seu programa não nos dá garantias suficientes de defender os interesses económicos e políticos dos Ferroviários. Dar-lhe-íamos o nosso apoio se se propusesse lutar sem tréguas, pelas reivindicações específicas dos Ferroviários; contra as portarias do governo e a legislação anti-operária caso do decreto dos 15% etc. e nisso o programa é omisso.
Dar-lhe-íamos apoio se desmascarasse claramente o que foi a prática fascista de conluio com a Administração, da Lista A, mobilizando os Ferroviários contra ela.
Dar-lhas-íamos o nosso apoio se se propusesse combater sem tréguas no interior da Intersindical a política de vende-pátrias e vende operários do partido de Cunhal, enquanto se fica pela indefinição e pela omissão destas importantes questões.
Em resumo: apoiaríamos a Lista, D se ela se apoiasse nos Ferroviários para combater os seus inimigos de classe e lutasse sem tréguas pelas suas justas reivindicações; como tal não acontece entendemos que ela são merece a sua confiança.

PERANTE ISTO QUE FAZER?
Pelo que atrás foi dito o maior inimigo de classe dos Ferroviários é representado pela Lista A e é contra ela que os Ferroviários devem dirigir a sua luta. Por isso nós apontámos desde o início a união de todos os Ferroviários democratas anti-social-fascistas e anti-fascistas, numa única Lista de oposição. Mas como vimos tal não aconteceu por motivo do sectarismo por um lado e a civilização com a actual direcção por outro, estando assim mais uma vez aberto o campo aos piores inimigos de classe, por isso consideramos que nenhuma das Listas deve merecer o apoio dos Ferroviários pelo que apelamos à anulação do voto e, simultaneamente reafirmamos mais uma vez o nosso apelo à formação duma larga oposição unitária com vista a expulsar a actual direcção ou aos continuadores da sua política.

- CONTRA O SOCIAL-FASCISMO; CONTRA O SECTARISMO!
- FORMEMOS A OPOSIÇÃO ANTI SOCIAL-FASCISTA E ANTI-FASCISTA!

- POR UM SINDICATO ÚNICO, DEMOCRÁTICO, INDEPENDENTE E DE CLASSE!

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