sábado, 24 de junho de 2017

1977-06-24 - Improp Nº 03 - III Série - Movimento Estudantil - AEFCL

VISITA DE ESTUDO À LISNAVE
À semelhança do ano passado e por iniciativa da Comissão de curso, realizaremos uma visita de tudo à Lisnave (dias 4, 5, 6, 11 e 12 de Julho), no quadro das iniciativas culturais a que se propôs a Comissão de Curso. Pensamos que para além do aspecto técnico-cultural que revestirá esta visita é importante que não percamos de vista o enquadramento desta empresa no plano de produção industrial do nosso país, tendo em conta fundamentalmente as origens desta empresa e consequentemente as percentagens de capital aí investidas, para que possamos avaliar da independência económica ou não deste sector da produção, que é o fabrico de navios de grande tonelagem. Por outro lado é necessário que saibamos detectar os casos flagrantes de protecção no trabalho, isto é as situações precárias de higiene e segurança as quais implicam muitas vezes que os trabalhadores ao fim de largos anos de trabalho ganhem doenças pulmonares que os levam a um fim de vida extremamente difícil. Para além destas doenças, há também as incapacidades parciais de visão (por vezes totais) as mortes que derivam das quedas de grandes alturas, etc.
É neste contexto que se insere o nosso ensino, por um lado uma larga massa obreira e um extracto relativamente reduzido composto pelas profissões liberais às quais não escapamos.
Pensamos que cabe aos estudantes, enquanto elementos bastante sensíveis às contradições existentes no nosso país, um papel transformador no ensino, isto é, virá-lo para as necessidades reais do povo português, abolindo de vez a opinião generalizada de que aqueles são elementos parasitas.
É sobre todos estes aspectos que queremos que as pessoas reflictam, pois só deste modo poderemos dizer que o balanço das visitas de estudo seja positivo.

NOTÍCIAS DA NOITE
Realizou-se no passado dia 24 de Maio uma reunião de Trabalhadores-Estudantes da nossa Faculdade. Tendo-se debatido assuntos de particular importância para a continuidade das aulas nocturnas assim como a situação do ensino superior que se atravessa neste momento.
Foi aprovada, uma moção em que se exige a reabertura da Academia de Coimbra sem saneados e a favor da luta que os estudantes travam nomeadamente a satisfação dos pontos essenciais do caderno reivindicativo.
Foram depois aprovadas duas propostas, sobre a organização e legalização das aulas nocturnas. Os Trabalhadores-Estudantes, vêm de há muito sentindo a necessidade de se organizarem como forma de melhor participarem na vida escolar e associativa, na defesa dos seus interesses e ainda de maneira de levar à prática a legalização das aulas nocturnas, tendo decidido a constituição de uma comissão de T-Es.
Brevemente será posto a circular um abaixo-assinado com aquele propósito.
A luta agora encetada, para que o MEIC reconheça as nossas aulas, vai ser difícil. Nesse sentido foi expressa a necessidade de informar toda a escola dos nossos propósitos e pedir apoio e cooperação aos colegas de dia assim como aos professores e empregados.
Foi também manifestado o desejo de alargar as aulas nocturnas a outros cursos, além da Ma temática e da Engenharia. Assim, alertam-se os colegas que desejem frequentar no próximo ano lectivo, estes novos cursos, (por exemplo: Biologia), para entrarem em contacto com a comissão de T-Estudantes, de modo a que estar possa proceder a um rastreio.
A proposta sobre a legalização foi enviada ao C. Cientifico e será proximamente enviada à A. Representantes e C. Directivo.
Estamos certos que com a ajuda de todos teremos a nossa Faculdade aberta à noite a partir do próximo ano lectivo.

Vamos todos trabalhar para isso.

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