sábado, 24 de junho de 2017

1977-06-24 - folha CDS N.° 91 - CDS

folha CDS N.° 91
24.VI.77

O CDS e o mundo
VITÓRIA CENTRISTA EM ESPANHA
1. O CENTRO DEMOCRÁTICO SOCIAL FELICITA OS AMIGOS DO CENTRO DEMOCRÁTICO ESPANHOL. Por ocasião da recente vitória dos centristas e democratas cristãos espanhóis Freitas.do Amaral enviou telegramas de felicitações a Adolfo Suarez e a Alvarez de Miranda (do Partido Popular Democrata Cristão, membro do Centro Democrático). O CDS congratulou-se igualmente com a vitória dos partidos regionais nossos correlegionários em Espanha que, como o Partido Nacionalista Basco e a Democracia Cristã da Catalunha, ambos membros da Equipa Democrata Cristã do Estado Espanhol, conquistaram posições de destaque.

2. NA IRLANDA: OUTRA IMPORTANTE VITÓRIA CENTRISTA. Também na Irlanda centristas venceram, a grande distância dos socialistas, as eleições para o Parlamento local. Freitas do Amaral enviou um telegrama ao leader do partido vencedor.
   3. ATÉ ONDE VAI A IMAGINAÇÃO!!! Os leitores do semanário «independente» «Tempo» arregalaram os olhos de admiração ao depararem no último número com um artigo que procurava fazer crer que o CDS mantinha relações com a «Aliança Popular» espanhola de Fraga Iribarne. O que é falso dado que as relações do CDS são, em Espanha, com a União do Centro Democrático e com a Equipa Democrata Cristã do Estado Espanhol, o que é aliás lógico sendo o CDS um partido centrista e democrata cristão.
4. SÁ MACHADO ESTEVE NA ÁUSTRIA. Onde tomou parte, juntamente com os presidentes dos parlamentos de numerosos países, na Conferência dos Presidentes das Assembleias Parlamentares.
5. GOVERNO CENTRISTA SUECO AJUDA PORTUGAL. Ola Ullsten, ministro da coligação que derrotou os sociais democratas, esteve recentemente em Lisboa onde assinou com Medeiros Ferreira um acordo de cooperação entre a Suécia e Portugal.
6. AMIGO DO CDS ELEITO PARA ALTO CARGO NA EUROPA. Kai Uwe Von Hassel Presidente da União Europeia das Democracias Cristãs (UEDC) foi eleito presidente da União Europeia Ocidental, fundada em 1955 pela Inglaterra, França, Itália e Béné­lux, com vista à integração europeia.

O Partido
1. ENCONTRO NACIONAL DAS MULHERES CENTRISTAS. O MCDS, membro da União Europeia Feminina Democrata Cristã, efectuou em Lisboa nos dias 18 e 19 o seu primeiro Encontro Nacional. Presentes cerca de 100 delegadas de todo o País. Os trabalhos foram orientados pela Comissão Nacional provisória, constituída por Luísa Raposo, deputada Maria José Sampaio, Teresa Cabral, Maria Laura Pinheiro e Leonor Sasseti. Basílio Horta, Emídio Pinheiro e Freitas do Amaral estiveram presentes a parte das sessões tendo este último, no final, dito às delegadas que «não há soluções para Portugal fora da democracia» e que esta «exige para funcionar, esquemas maioritários parlamentares». Entre outros, salientou-se no Encontro o dinâmico núcleo de Beja do MCDS.
2. HOJE, 24, À NOITE, ARRAIAL CDS JUNTO AO HOTEL PALÁCIO DO ESTORIL.
3. FESTA CDS EM GAFETE A 10 DE JULHO.
4. FESTA CDS EM BAIÃO. O Conjunto da JC de Baião, o notável Rancho Folclórico de Baião e a centenária Banda de Música de Antecederam o seu contributo à festa que ali teve lugar no dia 11, já para comemorar o 3.° aniversário do Partido.
5. TRABALHADORES DA, ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA. Quando há pouco elegeram os seus representantes, saiu vencedora a lista apoiada pelo CDS, PS e PSD.
6. DIOGO FREITAS DO AMARAL. Foi recebido pelo Presidente da República e convidado pelo vice-presidente americano a visitar os Estados Unidos.
7. AUTARQUIAS CDS. Um assessor do Secretário Nacional para as Autarquias Locais visitou recentemente os nossos correlegionários presidentes das câmaras municipais do Bombarral, Vila Nova de Ourém e Proença-a-Nova.
Entretanto na sede da comissão concelhia de Lisboa (Campo Grande, 16), existe desde Abril a «Comissão de Apoio para as Autarquias Locais» (do concelho de Lisboa) onde poderão ser obtidos esclarecimentos e informações. Nesta sede concelhia têm prosseguido nas primeiras terças-feiras de cada mês reuniões de delegados das comissões de freguesia do CDS.
8. DISTRIBUA A «FOLHA CDS»! DISTRIBUA A «FOLHA CDS»! DISTRIBUA A «FOLHA CDS»! E compre a revista «Democracia 76», órgão do Partido. Mande também notícias, para a «Folha» e para a revista. Mande a fotografia da sede do CDS na sua terra a fim de ser publicada. E ouça o «CDS Informa» no telefone, para o que basta ligar o 705131 de Lisboa ou 314043 do Porto.
9. O CDS EM MARCHA. Foram eleitas as novas comissões concelhias de Portimão (Algarve), S. Vicente (Madeira), Santo Tirso (Porto) e Crato (Alentejo).
10. ALMOÇO-CONVÍVIO EM BEJA. Centenas de militantes (300) do CDS e da Juventude Centrista reuniram-se em Beja num almoço de confraternização

Assim vão as coisas
1. NOVA CIMEIRA CDS/PSD, NO PORTO. No dia 17 encontraram-se de novo altos dirigentes dos dois partidos. No final, no comunicado conjunto «reafirmam solenemente que tudo farão, pela sua parte, para que os trabalhos parlamentares permitam a apreciação dos textos fundamentais para a recuperação económica e a consolidação democrática. Declinam, por isso, qualquer responsabilidade nos protelamentos que outros, por acção ou passividade, desejam ou consintam provocar». Além disso anunciam que o «Plano para 1977-78, na sua versão actual, não poderá contar com a aprovação do PSD e do CDS». E terminam: «Os dois partidos prosseguirão os seus contactos, desenvolvendo a cooperação a nível parlamentar já indicada e garantindo a intensificação de consultas que a situação exige. Neste quadro, será concretizado o próximo encontro público das duas delegações».

Manifesto Mundial da Democracia Cristã
Cerca de 60 partidos e movimentos políticos defensores da Democracia Social Cristã, representando dezenas de milhões de homens de todo o mundo, aprovaram há pouco em Bruxelas O MANIFESTO MUNDIAL DEMOCRATA CRISTÃO. Entre os «leaders» dos cinco continentes presentes à reunião estiveram Eduardo Frei (do Chile), Amintore Fanfani (de Itália), Helmut Kohl (da Alemanha Federal), Leo Tindemans (primeiro ministro da Bélgica), Jean Lecanuet (da França), Freitas do Amaral (de Portugal), Luís Herrera Campins (da Venezuela) e o presidente, italiano, da União Mundial das Democracias Cristãs. Do documento (16 páginas) editado em francês, espanhol, inglês, alemão, holandês, português e árabe — e que visa indicar as grandes linhas ideológicas que estão na base da construção de uma sociedade livre, justa, personalista e comunitária — damos, uma ideia resumida:
Declararam que as democracias cristãs, como movimentos de libertação e populares estão ao serviço de todos os povos e muito especialmente daqueles que são oprimidos por um domínio económico ou por um regime autoritário e opressivo.
«A nossa missão no mundo de hoje — diz o Manifesto — é construir uma sociedade de homens e povos livres e solidários. Nesta acção nós inspiramo-nos em valores espirituais e étnicos cristãos». «Estamos contudo convencidos — acrescenta — que a obra de edificação da nova sociedade deve realizar-se com outras forças espirituais e políticas». Defendendo a participação de cada pessoa na vida da comunidade, a UMDC «consciente da existência de conflitos sociais» tenta ultrapassá-los criando estruturas de participação que resolvam e harmonizem os litígios. Afirmando que o homem aspira a uma sociedade comunitária, que caracteriza como uma sociedade diferenciada dos sistemas que subordinam o homem à economia ou que criam relações sociais injustas, a DC Mundial considera que «o funcionamento eficaz da democracia exige: a participação de todos, nomeadamente através de partidos e sindicatos; o sufrágio universal, livre e secreto; o pluralismo político; um Parlamento; um Estado de direito, não confessional, e com vocação social; a descentralização dos poderes; a separação e colaboração dos poderes do Estado; a liberdade de informação e ó livre acesso à mesma; a abolição das discriminações políticas e das injustiças sociais». Além disso, «a existência de uma oposição real e independente assegura a possibilidade da dialéctica democrática». Paralelamente a DC declara estar-se a esforçar por criar no seio das Nações Unidas um Conselho para a Defesa dos Direitos do Homem.
Quanto à educação a UMDC considera que o direito à educação e à participação nas estruturas educativas é um dos direitos fundamentais do homem e que à família cabe, em primeiro lugar, o dever e o direito de orientar a educação dos seus filhos.
A respeito da Informação - (imprensa, rádio e televisão) a DC considerou que a sociedade deve garantir a objectividade das informações e que as diversas correntes de opinião devem ter a possibilidade de se exprimirem.
Preconizando a maior participação da juventude no desenvolvimento integral da comunidade, a UMDC baseia a economia comunitária, fundamentalmente no trabalho e, reafirmando a sua posição personalista define o interesse da comunidade como o orientador fundamental — em prejuízo dos interesses das empresas e dos indivíduos — como da política económica e social. Depois de insistir na participação dos trabalhadores na gestão e nos resultados da empresa a UMDC prevê experiências de empresas públicas, privadas, mistas, de participação, em cogestâo e auto-gestão. «Para realizar a justiça social e assegurar a função social da propriedade, a dimensão dos sectores público, privado e misto da economia deve ser flexível», acrescentam ainda os representantes dos democratas cristãos de todo o mundo no seu Manifesto.
Constatando a cada vez maior interdependência entre os povos e nações, defendem a livre circulação de pessoas e ideias prevista nos acordos de Helsínquia e a conveniência de acelerar e alargar a União da Europa.
Depois de condenarem a corrida aos armamentos, de defenderem a solução pacífica dos conflitos e de criticarem o tráfico de armas «nomeadamente aquele que se dirige para as zonas em conflito» a DC declara, pela voz dos seus representantes, que «a justiça social internacional» exige da parte dos países industrializados que estejam dispostos a consentir em sacrifícios ou a renunciar a uma parte da riqueza nacional e, da parte dos países em vias de desenvolvimento, que estejam dispostos a procurar em comum soluções racionais.
Quanto às empresas multinacionais a DC Mundial mostrou-se partidária do seu «controlo adequado por parte das autoridades internacionais», com base num Código Internacional de Conduta.
A respeito da explosão demográfica os democratas sociais cristãos de todo o mundo declararam opor-se a toda a forma de planificação da população imposta e defender garantias de pleno respeito pela vida humana. «A aplicação de programas de desenvolvimento integral — acrescenta a UMDC — sociais, educativos e económicos, é indispensável para trazer uma solução a este problema».
E o Manifesto Mundial da Democracia Cristã termina com:
O NOSSO APELO:
«Lançamos um apelo a todos os homens e a todos os povos, conscientes da sua responsabilidade neste momento decisivo da história da humanidade. Não podemos hesitar entre uma escolha: entre a paz e a violência; entre a liberdade e a opressão; entre a Justiça e a exploração; entre a solidariedade para com os oprimidos e o egoísmo da riqueza e do poder; entre a esperança e o desespero; entre os valores espirituais e o materialismo».

Departamento de Opinião Pública/Propaganda: — Largo do Caldas, 5 — Lisboa—Telef. 865642

Tiragem: 245.000 exemplares

Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo