sexta-feira, 23 de junho de 2017

1977-06-23 - Unidade Popular Nº 123 - PCP(ml)

Derrota da democracia em eleições sindicais

A derrota das forças democráticas nas eleições dos sindicatos do Comércio e dos Professores de Lisboa tem um significado político tal que se impõe uma reflexão especial por parte dos respectivos associados e pelos trabalhadores e empregados sindicalizados em geral.
Ambas as direcções cessantes tinham sido eleitas por larga margem de votos em relação as listas sociais-fascistas concorrentes. Já depois de muitos meses de exercício, a direcção do Comércio conseguiu uma vitória esmagadora sobre os sociais-fascistas ao referendar a saída do Sindicato da Intersindical e a entrada na «Carta Aberta». A grande maioria dos associados era e ainda é anti-social-fascista.

Por outro lado, o Sindicato dos Professores, tal como o do Comércio, cuja composição social é de larga maioria social-democrata, PS e PSD, tinha condições mais que suficientes para que uma lista democrática viesse a ser eleita.
Há várias razões para explicar os fracassos das listas PS e PSD nos dois sindicatos referidos.
A primeira foi o mau trabalho de propaganda das duas listas sociais-democratas, que se fiaram na força do voto dos partidos apoiantes para ganhar as eleições. Em numerosos locais de trabalho estas listas fugiram praticamente ao combate, não indo esclarecer o eleitorado. Na propaganda escrita, além de uma cobertura ineficaz, trataram com muita complacência os sociais-fascistas.
Outra razão muito importante é o facto das listas serem apoiadas pelo partido no Governo que, para além de não dar garantias de emprego a milhares de professores e de não ter sido capaz de resolver os graves problemas económicos que afectam o País, com grande incidência sobre os empregados de salários mais débeis, não é também capaz de utilizar os meios de informação de que dispõe para explicar claramente ao povo o carácter fascista dos cunhalistas. Pelo contrário, dá-lhes guarida na televisão e na rádio, o que permite aos sociais-fascistas enganar o povo com a pele de cordeiro que têm vestido ultimamente. O agravamento do custo de vida tem assim facilitado o trabalho aos sociais-fascistas, que procuram chamar a si os descontentes. Percebe-se assim porque interessa a Cunhal manter a economia em crise.
Por outro lado, as direcções com emblema PS que acabam de ser derrotadas durante o seu mandato não fizeram trabalho de massas que lhes permitisse ter o apoio da maioria do eleitorado contra os cunhalistas. Nem o poderiam fazer, minadas como estavam por submarinos cunhalistas, como Pagarete e outros.

A derrota da social-democracia em dois sindicatos como estes levam-nos a alertar os empregados de comércio, os professores e todos os que trabalham nos sectores de serviços para o espírito capitulacionista de que estão afectados, por influência da ideologia social-democrata. Os democratas e patriotas têm que abandonar as pantufas, não considerar os sindicatos independentes da política, como errada e demagogicamente propagandeiam os partidos burgueses, e por isso não orientar o seu apoio sindical segundo o princípio de «quem oferecer mais é o melhor», mas segundo o princípio político de combater tudo o que os maiores fascistas, os sociais-fascistas, defendem. Mas esta luta não pode ser feita à margem dos verdadeiros comunistas que, pela sua consequência na luta contra os sociais-fascistas, são indispensáveis ao lado de todos os outros democratas e patriotas.

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