sexta-feira, 23 de junho de 2017

1977-06-23 - Luta Popular Nº 0549 - PCTP/MRPP

PONTO DE MIRA
UM RACHADO COMPROVADO

«No passado dia 28 de Maio, Rui Gomes entrou em greve da fome ilimitada. Protesto decidido e vigoroso, a sua exigência, que é a exigência de todos os antifascistas, só pode ser uma; libertação imediata.»
Foi nestes termos precisos e com estes sublinhados solenes que o «Bandeira Negra», órgão centrai do bando neo-revisionista U«DP»/P«C»P(R) se referiu à luta de «libertação ou morte» desencadeada pelo seu correlegionário preso em Caxias por ordem do COPCON e por mandato assinado do sr. Otelo Saraiva de Carvalho — coisa que os discípulos de Francisco Bufo Rodrigues fingem ignorar.
A greve da fome «ilimitada» terminou no sábado passado — e não ontem, como pretendem os comparsas do falso estudante Rui Gomes — sem que tenha sido atingido um único dos objectivos do «decidido» e «vigoroso» protesto. Para não desfazer nem desmerecer dos do seu bando, o sr. Rui Gomes rachou a greve que tomara a iniciativa de encetar.
No desejo, absolutamente vão, de encobrir este rachanço monumental, o sr. Amadeu Lopes Sabino, advogado e igualmente outro rachado como o seu constituinte, afirmou, numa conferência de imprensa dada ontem, que «a decisão de Rui Gomes em «suspender» a greve da fome é motivada pela necessidade de se preparar fisicamente de modo a assumir a sua defesa no processo»...
Nunca, no nosso país, um preso dispôs do apoio de tantos partidos políticos, de tantas personalidades da vida social, de tantas instituições oficiais nacionais e estrangeiras e de tantos órgãos de informação como o pretenso estudante Ruí Gomes.
Com excepção do nosso Partido, todos os partidos políticos portugueses ampararam o sr. Rui Gomes; o CDS lamentou-o; o PPD acarinhou-o; o P«C»P animou-o; o PS bajulou-o; a U«DP» incensou-o; a L«C»I gritou-o; e o PRP canonizou-o.
O Presidente da Republica interessou-se pelo seu caso; o Conselho da Revolução examinou o assunto; a Assembleia da República, por unanimidade, estranhou a prisão; o Governo penitenciou-se por nada poder fazer; a Liga Internacional dos Direitos do Homem foi a Caxias; o Tribunal Russel ameaçou intervir...
Dir-se-ia que era quase impossível que a «greve da fome» do menino Rui Gomes não terminasse na sua soltura. No entanto, ele preferiu — questão de preferência é claro! — ir preparar-se fisicamente, para poder defender-se (a murro?) num julgamento que se espera para breve.

Pois é!...

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