quinta-feira, 22 de junho de 2017

1977-06-22 - A Forja Vermelha Nº Esp - UCRP(ml)

PROLETÁRIOS DE TODOS OS PAÍSES, NAÇÕES E POVOS OPRIMIDOS. UNI-VOS

A Forja Vermelha
Número Especial
Preço $50
Data: 22/6/77

NÃO ÀS MANIFESTAÇÕES DA INTER NO DIA 22

Como já sabemos a INTERSINDICAL está a organizar por todo o país grandes manifestações para o dia 22.
Sob o signo da luta contra as medidas anti-operárias do governo, tais como o aumento do custo de vida, o decreto dos 15%, o desemprego e os despedimentos.

Mas camaradas porque é que estes senhores agem agora assim com fachada de defensores dos interesses dos trabalhadores, quando no tempo do gonçalvismo, reprimiram, sabotaram e caluniaram as lutas dos trabalhadores como aconteceu com as lutas da TAP, CTT, LISNAVE, JORNAL do COMÉRCIO e Pescadores de Matosinhos, onde de parceria com os seus amos de Moscovo enviaram para Portugal um carregamento de sardinha, para melhor fazerem o boicote à greve dos pescadores.
Agem hoje desta maneira não porque queiram defender os trabalhadores tal como no tempo da "batalha da produção", mas sim para negociar com o governo, servindo-se dos trabalhadores como reserva, isto é como moeda de troca, pressionando-o para dele obter concessões, para imporem a política do partido de Cunhal para "a solução da crise capitalista" definida na sua última conferência. Política essa já bem conhecida dos trabalhadores do tempo do companheiro Vasco desde a "batalha da produção" até aos negócios de ruína do calçado com o social-imperialismo russo.
As O.G.M.A. tal como outras fábricas também não fugiram à regra. Quem não se lembra da actuação da célula do partido de Cunhal aquando da justa luta travada pela aplicação da tabela salarial, quando fizeram tudo por tudo para a sabotar.
Não foram eles que depois dos trabalhadores terem aprovado em plenário, a continuação da paralisação, indo até à greve, distribuíram no dia seguinte um comunicado com o título "Não à greve, não à manifestação" em nome da "batalha da produção" "da economia" e do "controle operário"?
Comunicado esse vivamente repudiado pela maioria dos trabalhadores, como aconteceu então na moção de protesto apresentada à C.T. e assinada por oito secções além da fogueira feita frente ao hangar 8, queimando o comunicado, assim como as posições então assumidas em plenário exigindo um rigoroso inquérito à célula do dito partido.
Quem não se lembra das calúnias lançadas no tal comunicado aos revolucionários tratando-os como "bufos vestidos de vermelho" e de sabotadores da economia nacional. Claro nunca o provaram.
Não foram eles que no seu pasquim "A Forja" disseram que as O.G.M.A. eram uma colorida fauna constituindo o mais pitoresco jardim zoológico da Europa, caluniando assim todos os trabalhadores.
Não foram eles que disseram que ao manifestarmo-nos contra o CEMFA estávamos a "atirar os trabalhadores contra o MFA", MFA esse que através do mesmo CEMFA despediu a última C.T..
Atacaram a direcção por "inoperante" quanto ao saneamento quando eram eles que na altura, controlavam a comissão de saneamento, e aquando da concentração junto ao comando devido à suspensão da mesma, aproveitando-se do justo descontentamento dos trabalhadores perante tal medida da direcção exigiram o saneamento dos militares que se lhe opunham, e a substituição por "oficiais progressistas".
Sabemos que hoje muitos operários e trabalhadores não pensam ainda como nós. Pensam que o chamado PCP é um partido comunista e não um partido burguês socialista em palavras e fascista na realidade e que os seus homens de mão nos sindicatos e na Inter estão do lado dos operários e não contra eles. Nós respeitamos a sua opinião, não procuramos impor a nossa à força de ameaças, de calúnias, de demagogia e de cacete como fazem os cunhalistas.
Nos temos confiança na classe operária e nos trabalhadores portugueses e sabemos que mais tarde ou mais cedo eles compreenderão o carácter anti-operário e anti-nacional do partido de Cunhal, até porque já vimos alguns rasgar o cartão aquando da saída do tal comunicado, pois também nó precisámos de algum tempo para compreendermos as coisas como elas são.
Os trabalhadores das O.G.M.A. Não devem ir em cantilenas, é preciso dizer não às manifestações da Inter no dia 22.
Devem sim opor à política burguesa à sua política de classe na defesa dos seus direitos, lutando pela abolição do RDM fascista que é um colete de forças para os direitos dos trabalhadores; pelo direito à sindicalização, direito fundamental de todos os trabalhadores; por uma assistência social condigna; por uma reestruturação da empresa de modo a resolver os principais problemas económicos que a afectam, mantendo fundamentalmente os postos de trabalho existentes; pelo apoio à subcomissão de segurança afim de podermos obter da direcção militarista melhores condições de trabalho e higiene e pela aplicação da tabela salarial actualizada de modo a fazer face ao aumento do custo de vida.

LUTAR CONTRA A CARESTIA DE VIDA, SIM!
PELO "PACTO SOCIAL" FASCISTA, NÃO!
ABAIXO O RDM FASCISTA!

EM FRENTE COM A SINDICALIZAÇÃO!

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