terça-feira, 20 de junho de 2017

1977-06-20 - AS MANIFESTAÇÕES DA INTER DE 22 DE JUNHO SÃO UMA BURLA - UCRP(ml)

AS MANIFESTAÇÕES DA INTER DE 22 DE JUNHO SÃO UMA BURLA

LUTAR CONTRA A CARESTIA DE VIDA, SIM! PELO «PACTO-SOCIAL» FASCISTA, NÃO!

A Inter-Sindical está a organizar por todo o país grandes manifestações para o dia 22.
O motivo apresentado é a luta contra a carestia de vida, o decreto dos 15%, leis imperativas, o congelamento da contratação colectiva, o desemprego e despedimentos, a reforma agrária, as nacionalizações e as empresas intervencionadas.
Motivo de facto: negociação do «pacto-social» fascista.

Considerando que o «diálogo» com o governo «tem sido positivo» mas que o «governo nada de concreto fez», o Conselho Nacional da Inter reunido em 14 do corrente decidiu prosseguir com a Jornada do dia 22 já programada.
Tal Jornada é uma manobra política destinada a pressionar o governo e a enganar o povo, usando-o como moeda de troca nas negociações em curso.

Uma solução anti-operária e anti-nacional
Com a negociação do «pacto-social» fascista, a Intersindical pretende impor a política do Partido de Cunhal para a «solução da crise capitalista», definida na última conferência deste partido.
A plataforma de Cunhal parte do princípio que o sector estatizado da economia é o motor. E numa oportuna adaptação às posições do P.«S.» dispõe-se a aceitar por agora a não alteração dos limites actuais das «formações económicas existentes». Seguem-se medidas concretas para a superação da crise. Entre outras, a «batalha da produção» ordenada pelos caciques dos sindicatos dominados por Cunhal. Trabalhos forçados para um aumento da produção industrial e agrícola de 24 milhões de contos.
Ficam à disposição os mercados «diversificados» do Leste para a exportação (dão o exemplo do calçado para a URSS — estamos recordados da venda a 60$00 o par, no tempo do «companheiro Vasco»); para a realização de contratos de compra e venda (dão o exemplo da compra de peixe congelado à URSS e a venda depois das conservas) e para os créditos.

Uma solução anti-operária e anti-nacional
As reivindicações em negociação, desde as alterações da Lei Barreto para preservarem o domínio social-fascista no Alentejo e Ribatejo, à renegociação do «decreto da entrega» em relação aos sectores e empresas estatizados, passando pela manutenção do «controlo sobre os operários» nas empresas pelos homens de mão de Cunhal e pelo fim dos chamados «saneamentos à esquerda», dizem respeito à consolidação da gamela social-fascista.
Todos os projectos contra a carestia de vida e as garantias para o C.C.T. com que a Inter acena aos trabalhadores para a Jornada do dia 22, irão para o fundo da gaveta a troco de concessões do governo à política de Cunhal.
E se tal acontecer será a continuação da exploração dos trabalhadores, a «batalha da produção», a repressão das lutas dos trabalhadores como já tivemos uma amostra no Gonçalvismo.

Não às manifestações da Inter no dia 22
É preciso dizer não às manifestações da Inter no dia 22.
A alternativa popular à política da burguesia que quer a troco dumas migalhas atrelar o povo à carroça da resolução da crise capitalista em proveito dos ricos e à custa dos pobres, é a luta pelas reivindicações de classe das massas e pela Revolução.
A alternativa popular:
— É a luta contra a carestia de vida, por aumentos salariais condignos, pela revogação do novo decreto 49 A/77 que cozinham no âmbito do «pacto social».
— É a luta por um C.C.T. condigno, recusando as portarias, a justo título consideradas pelos trabalhadores de «porcarias».
— É a luta contra o desemprego e os despejos, pelo Trabalho e Habitação.
— É a luta pela defesa dos horários conquistados pela revogação da nova lei dos horários do comércio, correio e outros sectores.
— É a luta contra a entrega das intervenciona­das e outras empresas aos antigos patrões fascistas, pela garantia dos postos de trabalho e correndo com os tachistas social-fascistas.
— É a luta por uma reforma agrária ao serviço dos assalariados rurais e dos camponeses contra o domínio social-fascista e a entrega aos velhos latifundistas fascistas.
— É a luta pela unidade e liberdade sindicais, pela democratização dos sindicatos correndo com os social-fascistas, e pela sua transformação em órgãos de classe dos trabalhadores para a conquista das suas reivindicações.
— É a luta por uma Central Sindical única, Democrática, Independente e de Classe, pela unidade das correntes sindicais que se opõem ao social fascismo em torno de um programa de luta ao serviço dos trabalhadores.
— É a luta pela manutenção e consolidação das liberdades democráticas em todo o território nacional, do Norte, ao Alentejo e às Ilhas, pela resistência popular contra a repressão fascizante das polícias do governo, pela denúncia e repressão das actividades social-fascistas e separatistas.
— É a luta pela defesa da unidade e independência nacionais, pela denúncia dos compromissos com as potências imperialistas que subjugam a nação, pela resistência popular contra as ambições hegemonistas das duas superpotências, e em particular da URSS, em relação ao nosso país e às suas riquezas naturais, pelo combate à conciliação e capitulação burguesas em relação à política soviética de «paz» e «desanuviamento».
— É a luta em defesa da Paz mundial e a preparação do povo em previsão da guerra imperialista de carnificina que rebentará mais tarde ou mais cedo.

POR DETRÁS DAS ACÇÕES DA INTER CUNHALISTA ESTÁ O «PACTO-SOCIAL» FASCISTA!
O «PACTO-SOCIAL» NÃO SERVE O POVO, SERVE CUNHAL!
LUTAR CONTRA A CARESTIA DE VIDA, SIM!
PELO «PACTO-SOCIAL» FASCISTA, NÃO!

Lisboa, 20 de Junho de 1977
Secretariado do CC da União Comunista Para a Reconstituição do Partido (Marxista-Leninista)

LÊ DIVULGA E APOIA o Comunista ÓRGÃO CENTRAL DA UCRP (M-L)


Composto e impresso na Emp. J. C. — 17 000 ex. — 6-77

Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo