terça-feira, 6 de junho de 2017

1977-06-06 - Telefone Vermelho Nº 18

EDITORIAL
QUE REESTRUTURAÇÃO PARA OS T.L.P:


Mais do 3 anos são decorridos após o 25 de Abril de 1974, e o problema de "reestruturação" dos TLP e aliás de todas as actividades económicas do país, continuam de pé, sem que quaisquer Governos e as outras entidades que fazem parte do sistema capitalista, tenham definido e realizado soluções e pelo contrário têm agravado ainda mais a situação, conduzindo-a ao caos e anarquia na produção e a bancarrota económica.
Mas debrucemo-nos sobre o caso específico dos TLP.

Logo após o"25 de Abril", os órgãos do poder substituíram os 31 Administradores dos CTT/TLP (a esmagadora maioria deles só conhecia os TLP pelo cheque que recebiam ao fim de cada mês) por um Concelho de Gestão, formado por três pessoas (Dr. Lemelino - TLP; Eng. Cunha Serra - CTT; Dr. Almeida - CTT) enquanto que a estrutura superior local da empresa se mantinha com os 6 Directores - Director Geral, Secretário Geral, Director Comercial, Director de Exploração, Director de Planeamento e Instalação e Director da Coordenação.
Até aos fins de 1974, nenhuma destas estruturas ou entidades apresentou um Plano de Reestruturação ou Estruturação (no nosso ponto de vista para a resolução dos problemas dos trabalhadores e do povo tem de se falar em estruturação e não reestruturação do que geral dos órgãos de poder burguês em solucionar a crise que já vinha muito antes do “25 de Abril", mais propriamente desde o início da guerra colonial.
Entretanto, o Conselho de Gestão dos CTT/TLP é substituído por um Concelho de Administração formado pelos seguintes elementos: Eng. Cunha e Serra - dos CTT Dr. Ferras, Cor. Mateus da Silva, Cor. Almeida Viana, Cor. Pinto Correia. (Presidente), Dr. Pereira Dias, estes vindos de fora e em 31 de Janeiro de 1975, 5 Directores dos TLP são suspensos: o Director Geral, Director da Exploração, Secretario Geral, Director da Coordenação e Director do Planeamento e Instalação, que são substituídos pelos Directores interinos: Dr. Cruz Gomes - Secretário Geral, Eng. Toscano - Director da Exploração, Dr. Lomelino - Director de Coordenação ficando o lugar de Secretário-Geral em aberto. Posteriormente o Dr. Ferraz sai e entram Dr. Norberto Pilar, Dr. Carvalho da Fonseca e Dr. Virgílio Mendes.
Durante 2 anos os órgãos de gestão da empresa não conseguem apresentar quaisquer plano de estruturação para os TLP e os problemas agravam-se de dia para dia.
Dos elementos da Administração, nenhum deles tem um conhecimento específico dos problemas dos TLP e o mais curioso e grave e que, no seio da Administração esta estrutura-se por pelouros e cada um desses pelouros (correspondente a um Administrador) em contacto com um Director Interino, acaba por fazer a gestão de cada Direcção da Empresa.
Isto é, o facto de a estrutura dos TLP já ser de si uma estrutura complexa (várias empresas - direcções e mesmo repartições - dentro duma mesma empresa) acaba por se agravar mais, passando quase a haver 5 empresas nos TLP, completamente distintas:
SECRETARIA GERAL - gerida pelo Secretário-Geral interino e o Administrador correspondente.
DIRECÇÃO DE EXPLORAÇÃO - gerida pelo Director Interino e o Administrador correspondente.
DIRECÇÃO DE COORDENAÇÃO - gerida pelo Director Interino e o Administrador correspondente.
DIRECÇÃO DE PLANEAMENTO E INSTALAÇÃO - gerida pelo Director Interino e o Administrador correspondente.
DIRECÇÃO COMERCIAL - gerida pelo Director Interino e o Administrador correspondente.
Como se os problemas e as funções de cada direcção não estivessem interligados.
Nas estruturas médias, dão-se várias reestruturações que no geral corresponderam a criação de mais lugares de chefia e não propriamente na mudança de métodos de trabalho.
E assim, durante quase 3 anos, os TLP lá vão desempenhando o seu lugar na sociedade capitalista, continuando a prestar o mau serviço telefónico que já prestavam antes do "25 de Abril", nalguns casos mesmo agravando-o, ao mesmo tempo que as taxas iam subindo também.

E OS TRABALHADORES NA SUA ESMAGADORA MAIORIA TEM CULPA DISTO?
É evidente que não. Numa sociedade capitalista, a classe dominante reserva aos trabalhadores um lugar de meros executores da sua política de exploração, isto é, trabalhar mais e receber pouco pelo seu trabalho, por que estas coisas da política, da técnica, dos problemas de economia etc... são só para os patrões, ou para a classe dos patrões e para os políticos, os economistas, etc... que servem essa classe.
Aliás após o "25 de Abril" sempre os órgãos do poder têm dito aos trabalhadores que estejam quietos, que estejam calados, que não se mexam etc... que eles resolvem os problemas. A única coisa que têm dito e que os trabalhadores têm e de trabalhar, como se isto não fosse a única coisa que resta aos explorados, isto é, trabalhar para poder sobreviver. No próprio dia 25 de Abril de 1974, os militares fartaram-se de dizer aos trabalhadores e ao povo que não saísse de casa, que não viesse para a rua, pois eles resolviam o problema.
Mal dos trabalhadores e do povo se tivessem ficado em casa, não teriam obtido uma única conquista, como vieram obter devido ao impetuoso movimento operário e popular que desencadearam após aquela data.
Portanto, se a crise se agudiza, se as forças produtivas são completamente esfrangalhados (milhares de desempregados e em contrapartida empresas e fábricas encerradas), se a corrupção, os vícios da sociedade burguesa, o crime, a droga, a prostituição aumentaram, isto é da única inteira responsabilidade da burguesia exploradora e de quem os tem servido, em especial os vários Governos que tem existido.
Os trabalhadores em vez de culpados, como alguém quer fazer crer, são as únicas vítimas da política de incapacidade que os vários órgãos do poder tem demonstrado.

QUAL A SOLUÇÃO CORRECTA DE ESTRUTURAÇÃO PARA OS TLP?
Neste ano de 1977, houve mudança de alguns Administradores, ao mesmo tempo que foi nomeado um Director Adjunto da Administração para os TLP.
Será que o problema da estruturação será resolvido? No nosso ponto de vista, como sempre temos afirmado, o problema da estruturação dos TLP é um problema que se enquadra no problema mais geral da estruturação da industria e economia portuguesas, o nosso caso é um problema especialmente integrado na política a definir para o sector das telecomunicações e que sem se definir uma política é impossível pensar em estruturação dos TLP.
E isto independentemente das várias individualidades que forem nomeadas para aqueles referidos órgãos.
Embora tenha havido uma mudança na forma de gerir os TLP (a recriação do Director Geral) o que pode resolver alguns problemas dos TLP em aberto, dependendo do interesse e da capacidade em resolvê-los, os problemas de fundo certamente não serão resolvidos, dos quais se destaca a própria estruturação dos TLP,
E mesmo os problemas que possam ser resolvidos (pequenas reformas) irão ter dificuldades em o ser, pois é por demais evidente a burocratização, a má organização de trabalho, o espartilhamento de serviços etc... que grassam nos TLP.
Só como exemplo, focamos o caso de uma montagem de uma cabine telefónica exigir que 23 organismos dos TLP intervenham no processo.
Portanto, pese o interesse e vontade de resolver os problemas de determinadas individualidades, o facto é que o problema é mais profundo e exige tomadas de posição a nível mais elevado, isto é, a partir do próprio governo.
Por outro lado, pensamos que só uma ampla participação dos interessados (os trabalhadores) poderão encontrar e impor a solução própria para o problema.

DEFINIR A POLÍTICA A SEGUIR EM TODO O SECTOR DAS TELECOMUNICAÇÕES EM PORTUGAL
A C.T. dos TLP - Lisboa tem no seu programa a realização de um Congresso dos Trabalhadores das Telecomunicações, em que participem delegados representar tem de todos os trabalhadores da industria e exploração das Telecomunicações, nó um Congresso deste tipo em que as várias actividades em jogo possam expor o  seu ponto de vista sobre a produção de material telefónico, sobre a construção e instalação do equipamento telefónico, sobre o planeamento de redes telefónicas, sobre a conservação do equipamento telefónico etc... e consequente mobilização dos trabalhadores, pode definir e aplicar a política correcta a seguir neste sector e então esta pode-se pensar na estruturação dos TLP, que será feita de acordo com os interesses gerais dos trabalhadores e do povo,
É nesse sentido que a C.T. dos TLP vai tentar acelerar tanto quanto possível a realização do I CONGRESSO DOS TRABALHADORES DAS TELECOMUNICAÇÕES.
Para a sua realização mobilizamos o interesse e a participação de todos os trabalhadores dos TLP.

EM FRENTE PELO I CONGRESSO DOS TRABALHADORES DAS TELECOMUNICAÇÕES!
VIVA O CONTROLO OPERÁRIO!


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