terça-feira, 6 de junho de 2017

1977-06-06 - MANIFESTO LISTA F - Movimento Estudantil

MANIFESTO LISTA F
LISTA SOCIALISTA, PELA DEMOCRACIA E LUTA CONTRA O MEIC!

INTRODUÇÃO
Iniciaram-se esta semana as eleições para os corpos gerentes da AEIST. Para grande espanto da maioria dos estudantes apareceram a concorrer sete listas. E, assim, quando assistimos no Técnico ao avanço da direita, quando alguns meses, após a demissão do CD há eleições para a Ass. de Representantes e ganha o PPD e apesar de nela estar representada uma maioria de esquerda, o Conselho Directivo lá eleito é ganho também pelo PPD, aparecem sete listas das quais quatro dizem estar contra o avanço da direita e contra as medidas anti-estudantis do MEIC.

Para nós, elementos da lista F para os corpos gerentes da AEIST, tirámos algumas lições do que se tem passado no IST. E por isso, propusemos a todas as listas de esquerda que se unificassem e apresentassem uma lista única que defendesse um programa de luta contra o avanço da direita nas escolas, pela defesa das nossas conquistas mais importantes e contra a política autoritária do MEIC que se materializa em atitudes como sejam a tentativa de reintegrar fascistas saneados em faculdades, de defesa dos antigos exames como formula de avaliação, o fechar da faculdade a milhares e milhares de jovens que têm o direito ao estudo.

PORQUE NOS CANDIDATAMOS, ENTÃO?
Face à recusa das outras tendências associativas de esquerda em apresentarmos uma lista única para lutar contra o avanço da direita, achamos pois que deveríamos apresentar a todos os estudantes o nosso programa, a nossa lista e as nossas críticas as outras tendências. Assim na primeira volta não chamamos ao voto na lista B (MES/UDP) por que pensamos que o seu programa não é consequente na luta contra a direita e o MEIC. Assim tendo eles estado na DAE até agora, com a sua política de tornar a Associação num feudo das suas posições e dos seus colaboradores e fechada aos outros estudantes que tenham posições diferentes conseguiram que a direita, dizendo lutar pela democracia na Associação, conseguisse ganhar no dia a dia para as suas posições muitos estudantes. Por outro lado quer a tendência afecta à lista B com a sua posição de excitação e recuo na condução da luta, quer a tendência afecta à lista D na sua posição de declarada oposição a greve geral tiveram, durante a luta pela abertura de Coimbra sem saneados, graves responsabilidades pela derrota. Só assim se explica, que apesar das tendências associativas MES, UDP e UEC que tem a maioria das associações do ensino superior em Lisboa e Porto tivessem vacilado no avançar da greve em Lisboa e no Porto, nem sequer tivessem chegado a convocar um plenário.
Quanto a tendência afecta a lista C (JS), que se declara socialista, desde a luta dos Conselhos Directivos e no quotidiano das escolas mais não tem feito que defender a política anti-estudantil do MEIC e por isso mesmo, do apoio massivo que ganharam enquanto defendiam um programa claro de democracia e direito ao ensino, hoje só lhes restam os apoios, merecidos, que se lhe vê.

QUAIS OS NOSSOS OBJECTIVOS?
Defender intransigentemente as nossas conquistas - os nossos órgãos associativos; a democracia na escola; o trabalho em grupo, a avaliação continua:
-  CONTRA OS CORTES ORÇAMENTAIS; PELA SOBERANIA DAS AGEs E RGAs; PELO CONTROLO ESTUDANTIL DA AVALIAÇÃO; NÃO A ESCALA DE 0 a 20.
Opor-nos-emos à tentativa de reintrodução da selecção e do autoritarismo nas escolas:
-  CONTRA OS NÚMEROS CLAUSUS, EXAMES E TESTES; CONTRA O ANO PROPEDÊUTICO.
Lutaremos pelas legítimas aspirações estudantis que só pela nossa organização e luta poderão ser conquistadas:
-  CONTRA A DESQUALIFICAÇÃO DA ESCOLA E A UNIVERSIDADE PARALELA; PELA GARANTIA ESTATAL DE COLOCAÇÃO PROFISSIONAL.
É na base deste programa que a nossa luta se deve centrar e é nesta base que pode decretar os projectos do Cardia e dos seus mais legítimos defensores nas escolas: JSD e JC que debaixo da sua fraseologia e demagogia democrática não pretendem mais do que ver de rastos o nosso movimento associativo, podendo deste modo ver mais facilmente introduzida nas escolas a política do PPD, CDS e Eanes... perdão, do Cardia. As suas posições reaccionárias ficam expressas nas suas propostas em que a democracia de que falam e de que se dizem campeões só é para cumprir-se quando se trata de aprovar as suas posições, e mesmo essas anti-democráticas e denunciadoras do seu grande projecto (vide proposta da JSD desrespeitando um princípio associativo: o da soberania do Plenário da Academia), e em que se espezinham as mais elementares reivindicações estudantis (como no presente caso da Academia de Coimbra), tentando fazer crer que os saneamentos tinham sido injustos ou mal justificados, e de qualquer modo relegando esta questão, provavelmente como secundária, em favor da necessidade da "estabilidade nas escolas".

AAEE, QUE INSTRUMENTO?
É na base deste programa e desta perspectiva que consideramos que a estruturação dos estudantes em torno dos seus órgãos associativos é absolutamente decisiva se queremos lutar e vencer.
É numa AAEE que garanta o direito de tendência portanto, a livre circulação de ideias e propostas, que nesta base garanta secções vivas e actuantes, ligadas ao quotidiano estudantil, que poderemos edificar um mov. associativo com capacidade de mobilização e luta.

É, finalmente, numa AAEE que tenha na base toda a estrutura de Comissões de Curso e Turma, constituídas por delegados eleitos e revogáveis a todo o momento que lhe garantiremos a solidez e a capacidade de levar a prática a sua iniciativa e a proposta maioritária da escola.

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