domingo, 4 de junho de 2017

1977-06-04 - UM DIA DOS EXPLORADORES E DOS OPRESSORES - PCTP/MRPP

UM DIA DOS EXPLORADORES E DOS OPRESSORES

O Dia 10 de Junho continua a ser o dia dos exploradores e dos opressores, como o foi de todos os colonialistas e roceiros ao tempo da guerra colonial-fascista.

'DIA DAS COMUNIDADES’ OU ‘DOS IMPERIALISTAS’.
No seguimento da disputa acesa no interior do Aparelho de Estado da burguesia acerca de qual deva ser a data a celebrar como "Dia de Portugal", o "Dia da Raça" que a camarilha fascista comemorava a 10 de Junho e que a clique social-fascista impôs nos últimos anos a 25 de Abril, o Conselho da Revolução decidiu-se pela comemoração das duas.
Cada sector dos exploradores o seu "Dia de Portugal"!

Assim, fruto da unidade da burguesia no que toca à exploração do Povo e sua alienação, tudo fizeram para levarem o Povo a acorrer a mais uma festa burguesa. Desta feita, trata-se da "Comissão Organizadora do Dia de Camões e das Comunidades" chefiada pelo seu Presidente, o Conselheiro da Revolução, Major Vítor Alves que foi inúmeras vezes instrumento dócil da política dos social-fascistas do P"C"P de Barreirinhas Cunhal.
Essa Comissão que anunciou o seu programa não tem uma palavra a dizer sobre a expulsão recente de 42 operários portugueses da Venezuela por participarem nas lutas de classes ombro a ombro com os operários desse País, assim como sobre a que se prepara de milhares de metalúrgicos portugueses de França.
Essa Comissão, e todas as Comissões incluindo o próprio Governo não têm uma palavra a dizer sobre as condições de vida e de trabalho dos nossos emigrantes. Não têm uma palavra a dizer acerca de como por exemplo em Paris as polícias reprimem os emigrantes, e de como resolver a principal das suas reivindicações, o regresso de todos os emigrantes.

NA CIDADE DA GUARDA;
Sabemos já que as comemorações fora da emigração se realizam no nosso País, exclusivamente na Guarda. Isto porque a nossa cidade se situa nu ma zona de forte emigração e não como diz a tal Comissão Organizadora que o objectivo é "descentralizar as comemorações", isto é, uma forma de escamotear a vitória que constitui para o sector da grande burguesia ligado ao imperialismo ianque a imposição da deslocação do Presidente da República a uma cidade considerada por fascistas e social-fascistas (veja-se as provocatórias reportagens levadas a cabo pelo "Diário" da manhã, pasquim do P"C"P com o título "ir à Guarda e ver a reacção") uma espécie de coutada doa primeiros.
Também aqui para a cidade há uma Comissão que tem andado muito atarefada composta pelos principais caciques locais da burguesia que para espanto de alguns vai do P"C"P ao C"D"S. Muito preocupada anda essa Comissão que não olha a despesas até para limpar a cidade. O Sr. Presidente da Câmara já apelou a compreensão dos partidos políticos para não sujarem as paredes e na sua limpeza gasta rios de dinheiro. Contudo as reivindicações das aldeias trazidas aqui a cidade pelo Povo no dia de mais uma festa burguesa está ainda como espinha atravessada na garganta e nem um tostão foi gasto na satisfação desses justos anseios.
É preciso que o Povo do Distrito, particularmente os operários e camponeses saibam o que pretende a burguesia através do disfarce da limpeza da cidade. Eles visam atacar o Povo, atacando as frases revolucionárias do PCTP/MRPP "da luta contra a fome e a miséria e o desemprego”, "contra os despedimentos”...
São essas justas palavras de ordem que chamam o Povo para a luta que eles querem apagar. Que o Povo se não deixe iludir por essas palavras de "limpeza da cidade" porque na realidade as intenções da burguesia é dar a entender que aqui na Guarda não há luta de classes.

10 DE JUNHO - QUE FESTA?
Os acordos feitos pelos sucessivos Governos do Capital, incluindo as últimas idas ao estrangeiro dos ministros ditos socialistas, já os emigrantes conhecem bem! Só a luta permitirá aos trabalhadores emigrantes alcançarem e imporem as suas reivindicações.
A tal Comissão tem como objectivo, dizem eles, "dar a conhecer o País aos emigrantes"! Como foi exactamente do "País" que os operários e camponeses foram forçados - para poderem subsistir - a emigrar, pode parecer estranha tal intenção, mas quando se passa uma vista de olhos pelo programa das realizações já divulgadas, compreende-se logo o objectivo que na realidade a burguesia tem: dar a conhecer do nosso País a imagem que dele procuram reproduzir e inculcar no emigrante os lacaios do imperialismo e do social-imperialismo que, em troca, dela esperam as remessas necessárias ao equilíbrio da sua balança de pagamentos.
A política praticada pelo Governo vende-pátrias, digna de negreiros, é de nas costas dos emigrantes celebrar todo o tipo de contratos com os governos capitalistas desses países.
Quer isto dizer que a emigração é fruto da exploração do sistema capitalista, que os revisionistas do P"C"P estão interessados em manter, e como tal o regresso dos emigrantes depende, no essencial, da política que cá for aplicada.
O regresso dos emigrantes só é possível com a aplicação de uma solução operária para a crise, através da luta do Povo pelo avanço da Revolução, pela instauração de um Governo Popular, intransigente e defensor da nossa independência nacional.

LUTAR É O QUE NOS RESTA
Contra isto se devem erguer os metalúrgicos que lutam pelo seu Contrato Colectivo de Trabalho Vertical e que se vêm atraiçoados pela Comissão Negociadora face ao Governo e ao Patronato. Contra isto se erguem os operários têxteis que trabalham, em duras condições e que lutam pelo seu Contrato Colectivo de Trabalho. Contra isto se devem erguer os operários da construção civil em luta por salários dignos e melhores condições de trabalho. Também os camponeses se juntam à luta dos operários, os camponeses pobres lutam também pois não vêem compensados o suor e o sangue do seu trabalho e vêem engordar os parasitas, os monopolistas, os Intermediários protegidos pelo Grande Capital e pelo Governo dito socialista.

QUE DATA COMEMORAR?
O povo trabalhador deve compreender que não há lugar para hesitações que a via na luta é o único caminho a seguir contra o Capital, contra o fascismo e o social-fascismo, contra o Governo dito socialista e todas as suas medidas que em nada resolveram os problemas do Povo antes os agravaram.
A festa nacional da classe operária e do povo só poderá ser a par das datas que já comemora, a da sua emancipação em que, tomando o poder político, se porá de pé e escorraçará da nossa pátria os imperialistas e social-imperialistas e toda a corja dos seus lacaios no nosso país.
Qualquer uma das duas datas não pode ser comemorada nem pela classe operária, nem pelo nosso Povo incluindo os nossos emigrantes. Não há que escolher entre a "festa nacional" dos lacaios do imperialismo e a "festa nacional" doa lacaios do social-fascismo.
Do "Dia da Raça" e dos "heróis" da guerra colonial imperialista, ao "Dia das Comunidades", uma simples alteração na forma de assinalar uma data cujo conteúdo ideológico reaccionário todos os exploradores têm interesses em manter "vivo".

COMITÉ DISTRITAL DO PCTP/MRPP NA GUARDA  
4 de Junho de 1977                            


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