sexta-feira, 2 de junho de 2017

1977-06-02 - A LUTA CONTINUA! - Movimento Estudantil

A LUTA CONTINUA!

A passada semana foi para os estudantes de Ciências, de toda a Academia e para os estudantes do Ensino Secundário uma semana de luta contra a Reforma do Ensino do ministro Cardia e que culminou numa grande manifestação em direcção a S. Bento.
A combatividade, a disposição para a luta e para a vitória que vêm demonstrando os estudantes de Norte a Sul do país, não pode negá-la o próprio IMPROP, essa propriedade exclusiva da DAE para a qual não podem escrever os estudantes, a menos que submetam os seus textos a uma censura "crítica"!
Os grandes títulos "Grande Manifestação Estudantil", "Greve cumprida na Academia", etc. apenas pretendem encobrir as decisões que tomaram no último ENDA. O "breve comentário" da última página esconde o verdadeiro carácter dessas decisões do ENDA onde não foi tomada uma única medida prática para o avançar da luta.
Mas quais as decisões do ENDA?
Nesse Encontro Nacional de Direcções Vendidas decidiu-se:
- Entabular conversações com o director geral do ensino superior e se possível com Mário Soares!
- Jornadas de luta e realizações culturais!
- Marcar plenários e ENDAs se for necessário!
- Fazer correr abaixo-assinados!
A alternativa que apresentam é aliás manifesta quando estão unânimes em afirmar que na actual situação a "luta é impossível" e que "não se podem realizar Plenários porque a direita avança nas escolas e as suas decisões são revogadas em RGAs pelo que se trata de decidir nas RIAs e ENDAS". Cardia quer acabar com as RGAs em nome de "golpismo dos minoritários"; a direcção da nossa Associação quer acabar com as RGAs em nome do "avanço da direita"!
Prosseguir a luta para estes senhores é pois, dialogar com quem nos aponta as baionetas; prosseguir na luta, após uma greve geral de Academia, e realizar comícios e abaixo-assinados!
Os estudantes de Ciências não votaram na greve para fazerem um fim-de-semana prolongado. Votaram como forma de luta para a satisfação das suas reivindicações. A luta não terminou com três dias de greve e não é com comícios e abaixo-assinados que se podem revogar os decretos e todas as medidas reaccionárias da reforma de Cardia, como procura fazer crer o IMPROP no seu palavreado falacioso, essa demagogia que encobre a traição que prepararam desde o início.
Os trabalhadores-estudantes de Ciências como doutras faculdades lutam pela oficialização dos cursos nocturnos. Será que eles já estão oficializados? Será que esse sector dos estudantes já não tem razões para lutar?
O C. Científico, o tal que até é "progressista" porque até vota "contra" a reintegração dos saneados da Escola, vai cozinhando nas nossas costas o plano de reestruturação para o próximo ano lectivo, preparando-se para instaurar as precedências e abolir grande parte das cadeiras opcionais nomeadamente no curso de Biologia em que a reestruturação que aí foi levada a cabo por um conjunto de professores e alunos levou a criação dum certo número de cadeiras novas. Será que os estudantes de Ciências não têm que lutar por uma reestruturação subordinada às RGAs e AGEs, por um Ensino Novo e Científico?
O 1º Ano de Biologia não funciona na sua totalidade e os estudantes que, graças à política do MEIC se viram impedidos de entrar em Medicina e após o famigerado serviço cívico, estão novamente outro ano praticamente paralisados. Será que não temos que lutar contra esta situação?
Grande parte dos professores da nossa Escola encontra-se a trabalhar de graça, e os estagiários deixaram de ter o seu estágio pago.
É contra toda esta situação, ela sim de degradação e destruição da Ciência e do saber, que os estudantes e todo o Povo lutam.
No Ensino Secundário contra os exames nacionais, contra os exames de aptidão, contra os decretos das faltas e dos “campos de concentração";
No Ensino Superior contra o decreto de gestão, a portaria sobre a avaliação de conhecimentos, pela homologação dos cursos, contra a reintegração dos saneados, contra a reestruturação anti-democrática, contra a repressão.
A FCTUC continua fechada e nem uma só destas reivindicações foi atendida.
A luta tem que prosseguir. Ela é dura e prolongada. Aqueles que dizem o contrário e pregam as vitórias fáceis procurando criar a desmobilização, estão contra esta luta e devem ser desmascarados como seus sabotadores. As AEs PCP/GDUPs têm que ser apontadas como tal. Aliás estas suas manobras não são de hoje e, se os colegas fizerem um balanço das lutas travadas, nomeadamente da luta contra o decreto de gestão, poder-se-ão aperceber como a traição de hoje não é senão o continuar da traição de ontem. Desde o início que a UEC esteve contra esta luta. Nos plenários, como todos nós podemos ver, ela votou contra a greve em conjunto com a "besta fascista”. No segundo plenário a UEC passou a votar em conjunto com os GDUPs a greve de dois dias! Terá sido, por acaso? De modo algum! Esta greve de dois dias com que pretenderam enganar os estudantes, preparou a descarada traição que constitui as decisões do último ENDA.
É urgente que tomemos uma posição face às decisões deste ENDA.
Não alimentar quaisquer ilusões nos diálogos com o MEIC e prosseguir na luta até à vitória e a única alternativa as medidas reaccionárias da Reforma do ministro Cardia.
CONTRA A REFORMA DO MINISTRO CARDIA!
CONTRA A TRAIÇÃO DA LUTA CONTINUA!

2/Junho/77                      
Um grupo de estudantes e elementos dos C. Cursos de Biol. E Eng.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo