quinta-feira, 22 de junho de 2017

1977-06-00 - A Sementeira Nº 02

A mais de cem anos de distância da criação da Internacional, os trabalhadores de todo o mundo ainda não viram chegar a hora da sua emancipação.
Por toda a parte, os trabalhadores continuam amarrados ao jugo do Capital e à tutela do Estado. Por toda a parte, a liberdade continua a ser una palavra espezinhada pelos governantes, militares, polícias e políticos de todas as cores e de todos os feitios.
O patrão que nos explora, o governante que dita os imposto, o polícia que nos reprime, o político que nos pede calma, prometendo mundos e fundos através do voto, todos eles tem um interesse comum, que é o de perpetuarem o actual estado de coisas, denodo a manterem a sua situação de privilegiados.

Na mó de baixo, explorador e oprimidos, os trabalhadores têm, também eles, um interesse comum o de transformarem a actual sociedade. Porém, apesar das heróicas tentativas já feitas nesse sentido (Comuna de Paris, Revolução Russa, Revolução Espanhola, Polónia, 1970, etc., etc.), ainda não o conseguiram realizar. Espartilhados e divididos por tanto partido, por tanto sindicato reformista, os trabalhadores ainda não conseguiram criar um movimento autónomo e revolucionário, em total ruptura com o sistema social vigente em todo o mundos o capitalismo, privado ou de estado.
Porém, em Espanha, onde a tradição de um movimento operário autónomo é muito grande, renasce agora, pujante, a Confederação Nacional do Trabalho, organização anarco-sindicalista, a grande obreira da Revolução Espanhola de 1936.
Não pretendemos comentar a acção, nem as grandes linhas de pensamento da CNT,- os textos que a seguir ides ler fá-lo-ão melhor que nós — porém, talvez, fosse de comparar o tipo de sindicalismo que a CNT defende e aquele que a Intersindical e quase todas as centrais sindicais do mundo defendem. Talvez fosse bom comparar qual o tipo de sociedade que a CNT pretende e aquele que os partidos políticos nos prometem. Talvez fosse bom que os trabalhadores reflectissem e se dispusessem a lutar eles próprios pela sua emancipação, criando os seus próprios sindicatos apartidários e apolíticos, visando não só a luta no marco da actual sociedade, por melhores condições de vida e de trabalho, mas, também, essencialmente, visando a Revolução Social, expropriadora e igualitária, primeiro passo para a implantação do comunismo libertário.
Não tenhamos ilusões. Ninguém nos libertará. Se nos queremos libertar temos que ser nós próprios a fazê-lo. Nem partidos, nem sindicatos reformistas, nem eleições, nem, tampouco, o desespero infantil de um espontaneísmo exagerado, o poderão fazer.
Só nós, trabalhadores, unidos e organizados, poderemos conquistar a liberdade que há séculos nos recusam. Ninguém o fará por nós.
Ao trabalho, pois!

A EMANCIPAÇÃO DOS TRABALHADORES SERÁ OBRA DOS PRÓPRIOS TRABALHADORES!

31/5/77

Colectivo Anarquista “A SEMENTEIRA”

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