quinta-feira, 15 de junho de 2017

1972-06-15 - Semana Portuguesa Nº 34

EDITORIAL
CHANTAGEM

Todos sabem que o Povo português não é comunista. Todos sabem que o Povo português só aceitaria o comunismo se lhe fosse imposto como está aceitando a ditadura fascista.
Sabia-o Salazar, sabe-o Marcelo Caetano, sabem-no os Excelentíssimos Senhores Professores Doutores, os Excelentíssimos Senhores José Carlos da Afonseca e Silva Mascaranhas de Morais Cabral Pereira Goutard Conceição Carminé Nogueira Franco Ferreira e etc.
Sabe-o o senhor Álvaro Cunhal e seus seguidores.

Sabem-no os republicanos os socialistas, os democratas cristãos, e sabe-o melhor que ninguém a IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA, como o sabem todas as outras igrejas e seitas.
Sabem-no os Estados Unidos da América, sabem-no os senhores de TODAS AS RUSSIAS, de TODAS AS CHINAS, sabem-no os senhores de todos os Orientes, de todos os Oci­dentes, de todos os Sol Nascente e todos os Sol Poente.
Todos o sabem mas todos CHANTAGEIAM com o comunismo.
Todos, no fundo pelo mesmo motivo, mantém uma ditadura de QUARENTA E CINCO ANOS, sacrificando princípios que deviam ser sagrados se eles também não chantageassem quando se afirmam cristãos.
O  POVO PORTUGUÊS, o POVO IBÉRICO, vitima há séculos dos mesmos chantagistas, continua num barco à deriva sem timoneiro.
Se este Mundo fosse coerente. Se neste Mundo ainda houvesse alguma coisa em que se pudesse acreditar. Se neste Mundo houvesse alguém para quem se pudesse apelar. Se a desenfreada ambição não tivesse ofuscado a razão do homem, apelaríamos para todos que nos déssemos as mãos e unidos destruíssemos tudo que negue a afirmação de que o homem é civilizado.
Não temos para quem apelar!
Temos apelado para os homens, eles não nos ouvem.
Temos apelado para todo o celestial, não temos sido ouvidos.
Temos apelado para Deus, nada também.

Apesar de tudo, não somos um homem desiludido. Não somos um homem vencido. Enquanto houver um homem lutando, haverá esperança e ainda há Homens lutando. Continuaremos lutando até mais não podermos.

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