segunda-feira, 19 de junho de 2017

1972-06-00 - Viva a Revolução Nº 03 - I Série - CREC's

VIVA A REVOLUÇÃO

ÓRGÃO DO COMITÉ REVOLUCIONÁRIO DE ESTUDANTES COMUNISTAS
JUNHO 1972

SERVIR O POVO - ESSA É A LINHA JUSTA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL
Nos últimos anos tem vindo a radicalizar-se luta do povo português contra a exploração, contra a criminosa guerra colonial, contra a carestia de vida e os salários de fome, contra a ditadura fascista da burguesia, lacaia fiel o imperialismo.
É no fogo da luta das camadas exploradas do povo português que se forja a organização partidária que assegurará a liderança efectiva da classe operária, única classe verdadeiramente revolucionária, sobre todas as camadas exploradas do povo português, e as conduzirá à Revolução Popular, ao Socialismo e ao Comunismo.

Só um partido verdadeiramente marxista-leninista, armado do pensamento criador Mao Tsé-Tung assegura a unificação das lutas populares em torno de objectivos verdadeiramente revolucionários, só ele pode conduzir o proletariado e o povo à vitória final sobre a burguesia e à edificação do socialismo.
Enquanto não existir um partido comunista, a palavra de ordem organizativa é a palavra de ordem fundamental todos comunistas.
Os militantes revolucionários devem ler o trabalho comunista a todos os sectores da população que, dirigidos pelo proletariado, são susceptíveis de ser unidos na fase actual da revolução.
Os estudantes, dadas as características extremamente repressivas do ensino de classe da burguesia, a sua futura (próxima) integração nas fileiras do exército assassino da ditadura fascista colonialista, chegam a posições de luta contra o capitalismo e o fascismo, contra o Estado burguês, representando portanto um sector susceptível de lutar ao lado do povo explorado.
No entanto, só a subordinação da luta dos estudantes sob a direcção da classe operaria permite que essa luta não caia em reivindicações oportunistas e pequeno-burguesas.
Criar um movimento estudantil de massa guiado por uma linha proletária, capaz a cada momento, definir e cumprir as tarefas políticas em função da táctica revolucionária do proletariado, essa é uma tarefa fundamental do Comité de Estudantes Comunistas, que deve, em cada momento, as armas que permitam aos estudantes a preensão política da realidade que os cerca e a compreensão do seu papel na transformação dessa mesma realidade.
A criação do Movimento Estudantil de massas passa pela existência dum movimento sindical de massas. É a progressiva compreensão do papel que a universidade burguesa desempenha na sociedade de classes em vivemos, como instrumento de opressão das classes trabalhadoras que permite aos estudantes aliarem-se ao povo em luta contra os exploradores capitalistas, contra o estado fascista, contra o imperialismo.
Essa compressão nasce da luta dos estudantes contra as formas repressivas que assume o carácter de classe do ensino burguês.
Os estudantes revolucionários devem, portanto, dar uma grande atenção ao trabalho sindical. Devem estar presentes em todas as pequenas lutas, inserindo-as na luta geral contra o ensine burguês, fomentando a partir delas a discussão politica na base estudantil de todos os problemas, não só da vida escolar, mas também a sociedade portuguesa e criando nessas lutas formas organizativas de massas. Assim conseguiremos elevar o nível de consciência das grandes massas e exprimi-lo em formas organizativas adequadas.
A experiência do movimento dos estudantes tem mostrado a existência de graves oportunismos sobre a natureza da luta sindical.
Devemos combatê-los sem concessões. Combater todos os oportunismos e realizar a infatigável trabalho de massas são directrizes que garantem a justeza política e uma linha de trabalho sindical.
Dois tipos principais de oportunismo tem vindo a manifestar-se no sindicalismo estudantil do Porto. Radicados ambos em posições anti-proletárias da pequena burguesia, pretendem travar o avanço revolucionário da luta estudantil.
Um, é o oportunismo de direita. Os oportunistas revisionistas têm vindo a entravar por forma sistemática o avanço revolucionário da luta estudantil.
Defendendo como objectivo último do M.E. a "Reforma Democrática do ensino", os revisionistas tentam levar à prática a aspiração suprema da burguesia descontente dentro da sua estratégia de reconversão liberal do estado fascista. Os traidores revisionistas tentam portanto impedir por todas as formas que as massas estudantis aumentem o seu nível de consciência, através do constante enquadramento político de todos os problemas que lhes dizem respeito, e da análise dos problemas da sociedade em que estão inseridos, pois sabem que o aumento da consciência política dos estudantes e conduz inevitavelmente ao seu fim, já que os desmascara como agentes, lacaios da burguesia liberal.
Outro oportunismo, de esquerda na aparência mas de direita na essencial, é daqueles que, baseando-se normalmente nas ideologias trotskistas de traição ao proletariado, mascaram numa fraseologia “radical" o seu alheamento da luta de massas. Negam totalmente a intervenção a nível sindical, considerando que servindo o sindicalismo estudantil os interesses dos estudantes e sendo os estudantes um sector da pequena burguesia qualquer intervenção a nível sindical nunca poderá ultrapassar os limites do reformismo. Eles não sabem (ou fingem não saber) que, apesar do M.E. ser um movimento da pequena burguesia, ela susceptível de aplicação a nível sindical duma linha de massas que sob uma reacção política comunista pode ser extremamente útil no sentido de elevar a ciência política das massas estudantis e dar-lhes uma prática de luta. É a partir desses aspectos que se torna possível cumprir a tarefa política da ligação do M.E. ao movimento de resistência popular.
Lutar contra o oportunismo trotskista no Porto neste momento, implica a firmeza teórica dos quadro a sindicais estudantis, já que os oportunistas trotskistas, estando completamente alheados das massas, se reduzem a lançar, através das análises liquidacionistas do M.E. a confusão no seio dos quadros sindicais menos preparados.
No presente momento, a prática do Movimento Estudantil do Porto veio chamar a atenção para uma tendência, que surgiu durante este ano a prejudicar o avanço do movimento.
Pretendendo-se defensora acérrima do objectivo geral de luta contra o carácter repressivo do ensino burguês de classe, vem pela própria definição dos princípios particulares que regem o movimento sindical, e pela aceitação na prática das estruturas burocráticas dos reformistas pôr-se efectivamente ao lado destes.
Defendem os interesses dos estudantes numa perspectiva sindicalista, pois esquecem-se que o movimento sindical dos estudantes numa perspectiva sindicalista, pois esquecem-se que o movimento sindical dos estudantes deve ter como constante da sua actuação o enquadramento político comunista de forma a poder realmente servir o povo.
O conceito de apoliticidade é a pedra de toque do oportunismo desta tendência. Assim, segundo afirmam, as A.A.E.E. são a priori apolíticas. Parece-nos haver duas incorrecções de princípio nesta afirmação. Por um lado, as Associações não são mais do que uma das formas de organização sindical e surgem necessariamente a partir do desenvolvimento da luta dos estudantes. Portanto só relativamente ao movimento em si, como forma de luta de massas, se pode por o problema da apoliticidade.
Mas o movimente sindical dos estudantes também não pode ser entendido a priori, se se considerar que surge, se desenvolve e se organiza na própria luta dos estudantes. Por outro lado, ao afirmarem que a “apoliticidade” tem efeitos políticos porque o movimento sindical não se priva de tomar posições face a questões políticas", vêm do mesmo modo mascarar o carácter fundamental do movimento sindical dos estudantes, que é o de luta de massas ao serviço do povo. É ambíguo dizer que "o movimento sindical não se priva de tomar uma posição política”. A função do Sindicalismo Estudantil é elevar o nível de consciência (politica) das massas estudantis, da forma a que estes (estudantes) tomem uma posição política ao lado do povo.
Se por um lado, a organização sindical dos estudantes não pode, dadas as características repressivas do sistema, definir-se em termos políticos que ultrapassem os próprios limites que lhes são impostos pela sua natureza sindical e consequentemente legal, por outro lado o movimenta sindical dos estudantes define-se politicamente como luta de massas ao lado do povo, isto é, ao serviço dos interesses revolucionários do proletariado.
Cabe pois aos quadros sindicais elevar, através duma prática correcta, os conteúdos das lutas estudantis, implantado a discussão política nas escolas em torno dos objectivos sindicais já definidos. Só poderão cumprir consequentemente esta tarefa se se colocarem sempre sob a direcção revolucionária da organização clandestina comunista.
Aquilo que distingue, a nível sindical uma linha correcta duma linha oportunista não é a eficácia com que se resolvem as necessidades reivindicativas imediatas dos estudantes, mas a elevação, através da discussão política na base, do nível de consciência dos estudantes.
A outra incorrecção de princípio diz respeito à aceitação implícita das A.A.E.E. como “forma suprema de organização sindical”. Ora, encará-las deste modo é esquecer a ligação dialéctica entre o nível de radicalização do movimento (determinado em última análise pelo grau de consciência política das massas) e as formas organizativas que correspondem a cada fase da luta. As A.A.E.E. são a expressão organizativa que correspondeu na prática às necessidades dos revisionistas, tendentes a desviar a luta dos estudantes do seu sentido justo, da sua participação activa ao lado das massas populares sob a direcção revolucionária do proletariado na revolução popular, isto é, a pô-la a reboque da burguesia. Isso é particularmente visível no funcionamento burocrático destas estruturas o qual é em cada momento sancionado por uma série de "princípios" gerais que regem o movimento associativo" (apoliticidade, representatividade, unicidade, etc.) destinados a evitar que a radicalização política das massas estudantis ultrapasse na prática o profundo reacionarismo dos "dirigentes” (ver o caso recente de Lisboa).
Considerar as A.A.E.E. a forma suprema de organização sindical é esquecer (ou fingir esquecer) que a linha revolucionária no M.E. exige que o nível sindical assegure a todo o momento formas organizativas correspondentes ao nível de consciência das massas e à sua disposição para a luta e que permitam o desenvolvimento dessa luta, é trair na prática os interesses da revolução.

POR UMA LINHA REVOLUCIONARIA AO SERVIÇO DOS INTERESSES DE CLASSE DO PROLETARIADO.
EM FRENTE PELA REVOLUÇÃO POPULAR.

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