quinta-feira, 8 de junho de 2017

1972-06-00 - PELA UNIDADE - Movimento Estudantil

PELA UNIDADE
COMUNICADO CONJUNTO DAS DIRECÇÕES ASSOCIATIVAS DE ENGENHEIRA E MEDICINA

PORTO
PELO FIM DA APTIDÃO JÁ!
Esta consigna tem aglutinado os estudantes liceais do Porto, assim como os doutros liceus do Norte. No Porto a luta terá atingido níveis superiores (Reuniões, concentrações, manifestações, etc.); através dela o Movimento Associativo dos Liceus consolidou posições e impôs recuos às autoridades nomeadamente obrigando-as a reconhecer a Direcção da Associação dos Liceus. Nalguns Liceus (D. Manuel, Alexandre, Garcia) os estudantes conquistaram na prática o Direito de Reunião e de Informação, realizando-se pela primeira vez na história do M.A. dos Liceus, Reuniões Gerais de Alunos com enorme participação estudantil. Assim, destacamos:

D. MANUEL II
Realizaram-se 2 R.G.A. uma das quais em duas sessões com a participação de 500 a 1300 estudantes;
— Eleição em R.G.A. do membro representante do D. Manuel para a direcção da C.P.A. dos liceus;
— Meeting com cerca de 450 estudantes que aprovou um telegrama de protesto a enviar ao MEN, pela recusa deste em acabar com a aptidão este ano;
— Manifestação de protesto pelo mesmo motivo, com a participação de cerca de 1500 estudantes e onde foram levantados alguns cartazes e ainda uma concentração de protesto.

ALEXANDRE HERCULANO
- Sessão informativa com cerca de 200 estudantes
- Reunião Geral de Alunos com cerca de 500 estudantes.

GARCIA DA OPTA
Concentração com cerca de 200 estudantes, alguns dos quais usavam braçadeiras pretas, em sinal de luto, pela recusa do MEN.
A acção divisionista de alguns colaboradores, assim como de 2 membros da direcção tem impedido que o movimento se alargue aos liceus Rainha Santa e Gaia. Contudo e designadamente no D. Manuel, os estudantes tem-nos isolado.
Há ainda que assinalar a saída de 2 comunicados provocatórios, sob a sigla "Por um Ensino ao Serviço do Povo”, que não passando pelas reuniões das Comissões Associativas ou por qualquer outra reunião associativa de estudantes vinham assinados por "um grupo de colaboradores do D. Manuel e "um grupo de estudantes presentes na concentração", e escarnecendo das Reuniões Gerais de alunos e concentrações realizadas se demonstraram como anti-associativos e anti-democráticos.

PELO FIM DAS AULAS, NO DIA 15
Os estudantes de Engenharia lutando pela antecipação do fim das aulas do dia 23 para dia 15 e através de concentrações ao director e reuniões de curso que decretaram greve a partir do dia 15 se o Conselho Escolar não atendesse essa reivindicação, conseguiram que este antecipasse o fim das aulas para o dia 17.
Está também lançado um processo para renovação do despacho que regulou a época de Outubro do ano passado, aguardando-se resposta do MEN.

LISBOA
CONTINUA A LUTA DOS ESTUDANTES DE LISBOA

TÉCNICO                           
O director do Técnico sugeriu que a direcção associativa (70/71) assumisse a gestão das instalações associativas, sem estatuto de Associação, o que na prática equivalia a uma posição de Comissão Administrativa. Por estranho que pareça, a direcção da Associação dispunha-se a aceitar este compromisso; no entanto os estudantes do Técnico numa R.G.A., realizada no dia 5 de Junho, que teve perto de 1000 estudantes repudiaram a posição do director e criticaram a atitude tomada pela direcção associativa decidindo: GREVE ÀS AULAS até que: sejam devolvidas as instalações da Associação aos estudantes e à direcção eleita de 71/72; que se realizem as eleições para os corpos gerentes para 72/73 e garantia da sua homologação; inexistência de processos disciplinares e inquéritos às actividades associativas; libertação dos estudantes presos; retirada da polícia das instalações escolares e associativas. Vários cursos decretaram também Greve ao estudo (não utilizar o laboratório, não tirar dúvidas e não consultar assistentes)
Os assistentes continuam a manter-se solidários com os estudantes.

ISCEF
- Foram já distribuídos só pelo ISCEF cerca de 50000 comunicados "Dos estudantes á população".
— A associação de estudantes do ISCEF continua, ocupada permanentemente por cerca de 15 polícias
 Realizou-se uma R.G.A. na sexta-feira
— Os assistentes mantém uma atitude firme de apoio aos estudantes
— As condições exigidas para a normalização da vida associativa são as seguintes:
1 - entrega de todas as instalações aos estudantes e à direcção eleita
2 - homologação da direcção eleita
3 - tomada de posição do governo em relação à situação legal da associação
4 - fim dos processos judiciais

APOIEMOS À LUTA DOS ESTUDANTES DE LISBOA
CONTRA A REPRESSÃO
PELA REABERTURA DAS ASSOCIAÇÕES ENCERRADAS

PELA LIBERTAÇÃO IMEDIATA DOS ESTUDANTES PRESOS

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