quarta-feira, 14 de junho de 2017

1972-06-00 - O Grito do Povo Nº 05 - OCMLP

EDITORIAL
A BURGUESIA INTENSIFICA A EXPLORAÇÃO CAPITALISTA.

Para continuar a guerra colonial assassina sobre os povos de África, para manter e aumentar os seus lucros, a burguesia prossegue na venda do país ao estrangeiro e na intensificação da exploração sobre os trabalhadores. Enquanto os povos de África infringem derrotas consecutivas aos colonialistas, enquanto por toda a parte os trabalhadores sabotam e lutam contra o roubo capitalista da força de trabalho, todas as semanas, há mais fábricas vendidas aos capitalistas estrangeiros, todas as semanas os imperialistas estrangeiros com água na boca pelos salários de fome que cá se pagam, montam novos complexos industriais, arrebatando lucros enormes e aumentando cada vez mais a sua capacidade para dominar o país. Enquanto a burguesia entrega a economia do país ao imperialismo estrangeiro, dá-lhe também bases militares para consolidar essas posições e usar o país como tropa de choque ao serviço dos grandes magnates do capitalismo internacional.

A intensificação da exploração capitalista sobre os trabalhadores é hoje sentida claramente pela classe operária, e reveste-se da aparência de uma ofensiva da burguesia sobre o proletariado. É o aumento incessante da carestia da vida, é a tentativa para manter e diminuir os salários, é a tentativa para aumentar a duração e o ritmo de trabalho, são os despedimentos, são as mil e uma vigarices que baseados nas suas leis e nos seus contratos os capitalistas lançam sobre o operariado. Para conseguirem pôr em política os seus desígnios de exploração, apoiam-se na polícia e na guarda contra a revolta dos trabalhadores, tentam manietar o proletariado propondo-lhes sistematicamente a ida para o sindicato como forma de resolver os problemas, agitam sem cessar o terror dos despedimentos.
O preço dos produtos que precisamos para viver continuam a subir. A burguesia, com o seu representante Caetano à cabeça, não consegue já sufocar a onda geral de revolta contra a carestia da vida e tenta enganar o povo com os sorrisos e tretas que lhe são habituais. "Que é um fenómeno universal" "Que é por causa dos salários", "Que o governo fará tudo para resolver a questão", são aldrabices que os ouvidos do povo já se habituaram a não prestar atenção.
Com base nos contratos colectivos consignados pela burguesia, os capitalistas pretendem a todo o custo impedir a subida de salários e tentam mesmo baixá-los como se tem verificado com os Metalúrgicos. Dizem que dão aumentos, reclassificam o pessoal, muitos operários acabam por sofrer reduções de 20% ou aumentos minúsculos. Arranjam sempre uma cláusula qualquer seja nos contratos, seja na regulamentação jurídica, para vigarizarem o operariado.
Os contratos colectivos assinados de conluio com os sindicatos, têm-se mostrado como uma óptima arma de exploração da burguesia sobre o proletariado.
Com base nas suas leis, que aprovam na sua Assembleia nacional pretendem destruir a velha conquista dos trabalhadores das 8 horas, impondo a obrigatoriedade de horas extraordinárias, chegando o um período diário de duração do trabalho superior a 10 horas.
"Ou aumentas o ritmo de trabalho, ou és despedido", é uma frase que a classe operária ouve repetidamente durante o dia de trabalho, pela boca dos encarregados na esmagadora maioria miseráveis servidores do patronato, ao mesmo tempo que os despedimentos se efectuam as centenas.
A táctica é simples: trata-se de aumentar a nossa "produtividade", ou seja, de nos fazer trabalhar ainda mais. Despedindo uns tentando aterrorizar os outros, a burguesia vê uma possibilidade de aumentar os seus fabulosos lucros para manter a barriga bem cheia e para continuar a guerra colonial assassina.

AS ARMAS ACTUAIS DA BURGUESIA CONTRA O PROLETARIADO. LIQUIDEMO-LAS
Contra este estado de coisas o proletariado combate valorosamente. Pela sabotagem sistemática do ritmo de produção (cera), pela sabotagem das máquinas (curtos-circuitos quebra da peças, etc.), pela greve, a classe operária responde à exploração capitalista.
A burguesia sabe, que a intensificação da exploração tem como resultado a intensificação da luta operária. Para lutar contra a resistência operaria e realizar os seus mórbidos intentos, usa as seguintes armas que o proletariado deve neutralizar é liquidar:
OS DESPEDIMENTOS – durante ou depois das lutas operárias a burguesia tenta despedir os operários mais avançados ou mesmo grandes massas operárias. Espera o momento em que não estejamos preparados e ataca. Os gritos de revolta, os esboços de protesto, tudo o que possa levar o operariado a luta, são também reprimidos sem demora com os despedimentos. Esta é pois, hoje, uma das principais armas da burguesia para tentar sufocar a nossa luta.
Aos despedimentos temos de opor uma luta tenaz. Todos os trabalhadores devem tomar consciência da importância de que se reveste esta luta para a táctica revolucionária do proletariado. Se não lutarmos firmemente contra os despedimentos, eles continuarão e o terror apoderar-se-á de muitos trabalhadores, teremos muito maiores dificuldades para combater as prepotências dos exploradores.
Que todos os trabalhadores compreendam que lutar contra um despedimento que seja, e tão importante como lutar contra a diminuição ou por aumento de salários. Sempre que haja um ou mais despedimentos, camaradas, unámo-nos e entremos imediatamente em greve. Despedimentos – Greve imediata! Se todos fizermos isto, os burgueses recuarão, a nossa força e a nossa união aumentarão, a nossa firmeza e experiência enriquecer-se-ão.
A DIVISÃO DA CLASSE OPERARIA - dividir para reinar, é a velha história. Pelos prémios, pela organização corporativa por profissões, pelo fomento da concorrência entre os trabalhadores aumentando uns e baixando outros, a burguesia combate a imagem da união operária, que a apavora e a faz tremer de medo. Em momento de luta, redobram os esforços para dividir os operários, usando as mais variadas formas. É preciso que todos compreendamos que esta á uma táctica do nosso sanguinário inimigo de classe; que temos de liquidar a eficácia dessa táctica, unindo-nos sempre como um só, e não alinhando nas manobras de pôr contentes uns e por outros a protestar, ou de pôr uns operários contra os outros.
A REPRESSÃO POLICIAL - quando a luta for desencadeada, e as outras armas já não são eficazes, eis a burguesia a mobilizar as forças repressivas em que se apoiam para manter a sociedade capitalista. Em certos lugares como na Lisnave e na CUF (Barreiro) chegam a pôr a guarda de plantão permanente. A repressão ataca directamente as massas, ou ataca os operários mais activos e os militantes revolucionários. Por um lado, na luta, não devemos permitir que ninguém se isole e devemos actuar sempre unidos. Por outro, quando alguém é atacado pelo inimigo devemos unir-nos e lutarmos ao seu lado. É importante para o avanço do movimento operário, que também face à repressão burguesa, nos saibamos manter combativos, unidos e firmes.
OS SINDICATOS NACIONAIS - Desde que os Sindicatos nacionais fascistas foram criados pela burguesia, a classe operária soube oferecer-lhes o seu mais profundo desprezo e ódio. O proletariado logo compreendeu que os SN fascistas não se destinavam a defendermos trabalhadores, mas pelo contrário, a atacá-los. Durante anos, bem tentaram os revisionistas do P."C".P,, amigos da classe operária nas palavras mas inimigos na realidade, mobilizar os trabalhadores para os antros imundos dos sindicatos fascistas. A classe operária soube responder com o desprezo é a pedrada sobre os SN compreendendo como estes estavam claramente ao lado da burguesia. Bem tentaram os traidores revisionistas orientados pelo Dr. Álvaro Cunhal, modificar a consciência revolucionária do proletariado sem nunca nada conseguirem.
A partir de determinado momento, a burguesia constatando a ineficácia total dos SN como instrumento de harmonia entre o Capital e o Trabalho em virtude do abandono e desprezo a que os votaram os operários, jogou nova cantada: para tentar chamar os operários, deu possibilidades aos reformistas de saltarem para o poleiro; só aos reformistas evidentemente, pois todos aqueles que quiseram abrir mais a boca e dar ao sindicato um carácter mais avançado viram-se no tribunal e substituídos pelas famigeradas Comissões Administrativas. Com eleições para os Sindicatos Nacionais e o paleio de quererem sindicatos fortes, a burguesia fez a vontade aos revisionistas, preparando de conluio com estes uma magistral armadilha ao proletariado. Com eleições nos SN, reformistas nas direcções, os sindicatos fascistas prestigiar-se-iam face aos olhos, do proletariado e este passaria a lá ocorrer. Com os operários nos SN, e com a colaborarão dos reformistas, a burguesia preparava assim mais um golpe sobre o movimento operário; tratava-se de usar a máquina sindical para cortar as possibilidades de luta revolucionária do proletariado, as suas lutas violentas e eficazes contra a exploração, o seu caminho vitorioso pela emancipação.
A classe operária, e os seus sectores mais avançados não se deixaram iludir. Depois de uns meses em que certos sectores acorreram para ver se no "novo” sindicato nacional fascista alguma coisa tinha mudado, os trabalhadores constataram a armadilha, e votaram de novo o sindicato nacional ao desprezo, ora não pondo lá os pés, ora seguindo a táctica revolucionária exposta em ”O Grito do Povo" e referente aos sindicatos em que direcções reformistas se encontravam no poder. Mas para os revisionistas do P."C".P., o Sindicato fascista vive no coração de cada proletário!! Não contentes por abandonarem os pontos mais elementares da luta revolucionária do proletariado, tentando colocar os trabalhadores como tropa de choque dos doutores da "oposição" burguesa, não contente por sacrificarem ingloriamente dezenas de queridos camaradas numa luta corajosa mas errada de dentro dos sindicatos fascistas para as prisões, e destas para os sindicatos nacionais, os revisionistas dizem que tem havido grandes vitórias na "batalha sindical" (!) e continuam a exortar os trabalhadores a irem para os Sindicatos fascistas que segundo eles seriam "órgãos da classe".
A prática tem-nos demonstrado a principal função dos sindicatos fascistas na, luta das classes em Portugal: desviar e liquidar ­as lutas revolucionárias do proletariado. Os SN criados pela burguesia e não pelo proletariado, são uma arma da burguesia, um instrumento de exploração dos trabalhadores.
Devemos lutar com inteligência e coragem contra esta arma do inimigo de classe. Devemos, prosseguir no desprezo pelos rafeiros dos SN, isolando e liquidando esses miseráveis vermes, lambebotas da ditadura capitalista.
Quanto a certos sindicatos em que estão reformistas na direcção que para tentarem ganhar os trabalhadores se vêem obrigados a certas concessões: “Devemos aproveitar as possibilidades que "certos” sindicatos nos dão para nos unirmos, para comunicarmos entre nós…” Devemos ultrapassar rapidamente as direcções e passarmos à luta seguindo as palavras de ordem clandestinas revolucionárias, sem nos preocuparmos com as ladainhas e papeladas que os chefes "do sindicato possam atirar." ("O G. do P. 2)
A estas 4 armas (entre outras) que a burguesia usa contra o proletariado no momento actual, temos de contrapor uma luta tenaz e uma táctica justa.
Reina grande agitação na classe operária e a esmagadora maioria já compreendeu a necessidade do lutar contra a ditadura dos patrões. "É preciso é uma guerra civil" "É preciso uma Revolução" "Temos é de fazer uma greve”, é o que os trabalhadores pensam e dizem de forma cada vez mais sistemática.
Mas este espírito pronto a combater do proletariado não basta. As greves ultimamente efectuadas são provas da nossa disposição a combater. Mas falta-nos organização; o que há ainda não basta; a luz proletária e as palavras de ordem concretas tem de chegar a todos os sectores do proletariado. Por outro lado é preciso que não fiquemos à espera que venham ter connosco ou organizar-nos a luta. No momento actual é necessário tomarmos a iniciativa, juntarmos os operários mais conscientes, que discutam os problemas e mostrem aos camaradas o que é a verdade revolucionária; que organizem minuciosamente as lutas, de modo a contar-se com tudo e a nada falhar. Esta pode ser uma grande contribuição para o desenvolvimento e crescimento da organização revolucionária do proletariado,

EM FRENTE PROLETÁRIOS! LUTEMOS E ORGANIZEMO-NOS! 

EM FRENTE PELA REVOLUÇÃO POPULAR!

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