quarta-feira, 31 de maio de 2017

1977-05-31 - ÚNICA SOLUÇÃO PARA OS TRABALHADORES DA J. PIMENTA - PCTP/MRPP

ÚNICA SOLUÇÃO PARA OS TRABALHADORES DA J. PIMENTA

O facto do Governo, através da Comissão Administrativa, se ter comprometido a proceder ao pagamento dos salários em atraso, representa, por um lado, que nós os obrigámos a ceder e a terem de desembolsar o dinheiro para nos pagar os vencimentos; mas por outro lado o Governo dos patrões pretende acumular forças, para em Julho lançar um ataque, mais pérfido que os anteriores, contra os trabalhadores. Esse ataque vai concentrar-se na "reestruturação" (ou seja no fecho da empresa por vários meses, seguido de despedimentos) em Julho.
É a política da desintervenção e regresso do ex-patrão e dos despedimentos que o Governo prepara para a empresa. É o caminho do encerramento, não por um mês, mas por vários como acontece com o "O Século") aquilo que o Governo prepara para a J. Pimenta. O Ministério da Habitação e Urbanismo divulgou já aquilo que pretende fazer e que é isto: 1ª fase - falência total da empresa 2ª fase – três sectores individualizados (mobiliário, turismo, e metalomecânica) 3ª fase – recuperação dos sectores viáveis.
Assim, o Governo dos patrões prepara para as duas primeiras acabar com a empresa e dar origem a 3 pequenas empresas o que terá o efeito de separar os trabalhadores por empresas diferentes. Depois, na, 3ª fase prepara-se para lançar grande parte dos trabalhadores no desemprego com a argumentação de que existem sectores que não são viáveis. E tudo isto está preparado, com o conluio da actual Comissão de trabalhadores (que está de férias para não lutar) e dos delegados sindicais, para se fazer no momento em que os trabalhadores estejam em casa.
Camaradas! Deixarmos encerrar a empresa é darmos a chave do cofre aos assaltantes!
Nós temos, que avançar com uma reivindicação que nos una na defesa" dos nossos interesses e na luta contra o encerramento da J. Pimenta. A NACIONALIZAÇÃO DA EMPRESA É A RESPOSTA! Só a NACIONALIZAÇÃO da empresa poderá obrigar o Governo a não despedir nem um só trabalhador. Lutar contra encerramento da empresa em Julho é, lutar pela NACIONALIZAÇÃO!
A luta pela NACIONALIZAÇÃO DA EMPRESA é uma luta que poderá unir todo e qualquer trabalhador honesto, mas pode ser dirigida por uma Comissão de Trabalhadores composta por operários dispostos a não virar a cara à luta, nem ceder ao Governo e nem deixar-se iludir pelos falsos amigos - os das "amplas liberdades" - que o que querem é continuar a ser os novos Pimentas.
A luta pela NACIONALIZAÇÃO da empresa é uma luta contra o ex-patrão, contra o encerramento da empresa e também contra aquele que procuram aproveitar-se da nossa luta para substituir a actual Comissão Administrativa - afecta ao Governo - por uma C. Administrativa ligada ao P"C”P.
A NACIONALIZAÇÃO da empresa é uma dura luta (será que estamos dispostos a lutar contra a fome e a miséria?) que exige uma C. Trabalhadores eleita democraticamente em todos os locais de trabalho, de Porto Salvo a Talaíde e das Talheiras a Queluz, uma C.T. que aplique CONTROLO OPERÁRIO.
Comissões Trabalhadores que nos levem para becos sem saída não nos interessam. Não queremos ser manipulados como o fomos no 25 de Novembro. Não queremos ser levados para S. Bento ao sabor das manobras do P"C"P.
Queremos lutar contra o regresso do ex-patrão. Queremos lutar contra o encerramento da empresa em Julho porque isso levará aos despedimentos e à miséria. SÓ A NACIONALIZAÇÃO DA EMPRESA PODERÁ RESOLVER ESTES E OUTROS PROBLEMAS COMO O DA FALTA DE MATÉRIA-PRIMA.                                                                      ~
Repudiar a pactuação dos esbirros da PSP de Queluz e também desmascarar, a actuação do P"C"P que depois do 25 de Abril andou a fazer festas para a PSP e a GNR e a dizer que depois do 25 de Abril estas organizações repressivas tinham passado a ser democráticas e estavam ao serviço do Povo.
Repudiar a actuação da PSP em Queluz é repudiar aos aumentos dados pelo Governo a essa organização, e o facto de c Governo ter agora recrutado mais de 1.400 homens para essa organização e que nos vão custar só neste ano a quantia de 196.284.000$00 enquanto que a nós está o Governo 3 meses sem nos pagar.
Só uma C.T. Verdadeiramente representativa dos trabalhadores poderá dirigir-nos na luta pela NACIONALIZAÇÃO da empresa e pelo CONTROLO OPERÁRIO.
O CONTROLO OPERÁRIO deve ser exercido na J. Pimenta, principalmente nas seguintes questões:
- Encomendas e contratos
- Matérias-prima e equipamentos
- Direcção-Financeira: que deve incidir directamente sobre, toda a escrita da firma, desde a correspondência com os bancos e departamentos do Estado até aos livros de contabilidade, de modo a que toda a situação financeira da empresa seja conhecida e controlada por nós, deixando de ser conhecida apenas de alguns directores como os do Contencioso, Arquitectura, Serviços Financeiros etc., que só à alguns dias é que vieram queixar-se que os gestores eram maus. O que estes directores, querem e salvar a sua pele! Eles são controlados pelo P"C"P e servem os (interesses do P"C"P, e vieram agora queixar-se dos companheiros de tacho para tentarem ser poupados pelos trabalhadores quando chegar a altura das contas!
Nos operários explorados pelo Pimenta e agora peles novos pimentas não podemos, nem vamos, confiar no Governo dos patrões e nas suas promessas. Nos temos dois braços para trabalhar e uma cabeça para pensar nos nossos interesses de classe explorada.
A actual situação na empresa exige que todos nós mantenha mos uma unidade de aço em volta da luta pela NACIONALIZAÇÃO DA EMPRESA, para podermos responder aos ataques que o Governo nos vai mover bem como aos ataques daqueles que teem a boca cheia de Socialismo e Comunismo e Amplas Liberdades mas o que pretendem é instaurar no nosso País em regime idêntico ou pior que o da Ditadura Salazarista-Caetanista.

EM FRENTE PELA NACIONALIZAÇÃO DA EMPRESA!
EM FRENTE PELA APLICAÇÃO DO CONTROLO OPERÁRIO!
EM FRENTE PELA ELEIÇÃO EM TODA A EMPRESA DUMA C.T.!

Porto Salvo, 3l de Maio de 1977
A célula do PCTP/MRPP da J. Pimenta

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