quarta-feira, 31 de maio de 2017

1977-05-31 - LISTA A da A.E.F.M.L. - Movimento Estudantil

A.E.F.M.L./77

CONTRA O FASCISMO E O SOCIAL-FASCISMO:
APLICAR UM PROGRAMA DE LUTA PARA A VITÓRIA!
CONTRA O CONTROLE SOCIAL-FASCISTA NA A.E.!
CONTRA A A.E. DEPARTAMENTO DO MEIC!

LISTA A

CONTRA A SELECÇÃO E O DESEMPREGO!
POR UMA A.E DEMOCRÁTICA E DE MASSAS!
PELA REESTRUTURAÇÃO DEMOCRÁTICA DO CURSO DE MEDICINA!

VOTAÇÕES A 31-5 E 1-6

DIRECÇÃO DA ASSOCIAÇÃO
José Pires 3º Ano
Gabriela Almeida 5º Ano
João Cunha 4º Ano
Carlos Salgueiro 5º Ano
Carlos Torrão 2º Ano S. Farmácia
Luís Pereira 3º Ano
Vítor Santos 2º Ano S. Editorial
Maria Rosário 1º Ano S. Editorial
Joaquim Cravo Ano
Jose Brites 2º Ano
Fernanda Quirino 2º     Ano

MESA DA REUNIÃO GERAL DE ALUNOS
Mario Campos 5º Ano
Leonor Carvalho 5º Ano
António Neves 3º Ano

CONCELHO FISCAL
Filipe Roque 6º Ano
António Lourenço 6º Ano




I
A FUNÇAO SOCIAL DA FACULDADE DE MEDICINA DE LISBOA
A forma encontrada pela classe que domina o aparelho de Estado, representativo do grande capital monopolista privado e de estado, é a do resolver a profunda crise que abala o seu sistema capitalista, destruindo uma razoável parte das forças produtivas, tornando assim mais barata a força de trabalho vendida pelas massas trabalhadores (que são a componente principal das forças produtivas) e por outro lado, baixando o valer real cio seu salário. Isto torna-se claro com a subida do custo de vida nos últimos anos, principalmente nos que se seguiram ao 25 de Abril, e também com o desemprego generalizado e crescente.
A destruição das forcas produtivas atinge outros sectores não produtivos) e por outro lado, baixando o valor real do seu salário. Isto torna-se claro com a subida do custo de vida nos últimos anos, principalmente nos que se seguiram ao 25 de Abril, e também com o desemprego generalizado e crescente.
A destruição das forças produtivas atinge outros sectores não produtivos, mas imprescindíveis, como o sector da saúde.
Para não irmos mais longe basta verificar na secretaria do HSL a longa fila de 2.000 inscritos e isto com as inscrições canceladas há larguíssimos meses.
O desemprego paira sobre os estudantes de medicina, simultaneamente com as enormes carências assistenciais do nosso povo, os trabalhadores da saúde, como os médicos, são lançados no desemprego.
Esta é uma contradição gritante deste sistema. Os anseios mais primários das massas populares não são atendidos.
A última solução, a pior, aquela que leva ao aviltamento da função social, cuidado dos trabalhadores da saúde, é o lançamento da medicina privada, concorrencial, vivendo da doença do elemento do povo que para seu infortúnio adoece.
No grupo de assistência medica temos cerca de 10.000 médicos para 9 milhões de habitantes; grande concentração de médicos nos centros urbanos, como em Lisboa, onde há 1 médico para 1000 habitantes. A título de exemplo, nos 12 concelhos do Distrito de Évora, há 40 médicos dos quais apenas 15 tem idade inferior a sessenta anos, ou seja, para cerca de 200.000 habitantes há apenas 15 médicos em idade capaz de actuar em pleno o que equivale a 1 médico para 14.000 habitantes. Para o mesmo distrito existem 49 profissionais de enfermagem, ou seja, 1/3200, e o pessoal técnico dos serviços complementares de diagnóstico (laboratórios, Rx, etc.) é praticamente inexistente. Se mais longe fossemos, mais poderíamos encontrar.
A acompanhar esta situação temos elevados níveis da mortalidade, epidemias, níveis sanitários baixíssimos, ausência de qualquer prevenção da doença, ausência do esclarecimento: do povo sobre os problemas de saúde (educação sanitária), prática exclusiva da medicina curativa e esta nas deficientes condições que conhecemos.
Este tipo de medicina não pode servir o povo e a inexistência de uma rede de serviços médicos e sanitários que tenha em conta a diferente situação existente nos centros urbanos e rurais, os problemas e necessidades do povo levam a uma crescente degradação das condições de ensino nos hospitais escolares.
É necessário opormos uma alternativa concreta, para a situação, ainda que, provisoriamente, a solução da crise advirá da luta que a classe operária e o povo travarem pela instauração de uma democracia popular.
O grupo de colegas proponente desta lista, ao abordar a questão do conteúdo do ensino que temos e do ensino que queremos, o problema da reestruturação de medicina, chegou à conclusão, como aqui é tentado mostrar, que os problemas do nosso povo, bem como os particulares que nos afligem como estudantes de medicina, não estão nem podem de maneira nenhuma estar desligados.
Por isso abordaremos de seguida os vários aspectos interpretáveis que se nos oferecem
A. S.N.S. - Serviço Nacional de Saúde
B. Conteúdo do Ensino
C. Reestruturação do curso de medicina

A. SERVIÇO NACIONAL DE SAUDE
Todos os partidos da burguesia, do P"C”P ao C"DS” agitam esta bandeira, ou seja, agitam uma "cenoura” com que pretendem iludir o povo e através dos seus planos alcançarem mais este ou aquele tacho no aparelho de estado, para controlarem este ou aquele sector público.
Como demonstrámos, a situação neste campo é de tal forma calamitosa que o pouco que se faça parece muito e então é usado logo da forma mais demagógica como auto-promoção. É o caso dos social-fascistas ao reivindicarem-se de "muito progressistas" por o "Serviço médico à periferia" (3º ano de policlínica) ser uma medida deles e não uma medida reclamada pelas alarmantes necessidades do nosso povo em matéria de (falta de) saúde, e mais, tentam fazer passar tal medida como um primeiro passo do SNS. A burguesia usa o sistema dos paliativos para nos calar.
Propomo-nos, com os colegas da escola, estudar a aplicação de medidas concretas no que diz respeito a esta matéria.
Desde 74 que o S.N.S. se resume ao Serviço médico à periferia, o que vem alertar as massas populares para as enormes necessidades que tem; a alguns investimentos em hospitais centrais, distritais (cujas obras nem sequer ainda estão completadas) pelo actual governo, dito socialista e uma medida no sentido de centralizar os serviços médico-sociais das caixas de previdência.
Sem prejuízo de um estudo mais aprofundado, apresentamos algumas propostas no sentido de lançar a discussão:
1 - A providência controlada pelos trabalhadores - ex: a luta dos trabalhadores dos TLP pelo controle da sua previdência.
2 - Controle popular sobre a saúde - a nível de Comissões de Moradores e centros de saúde.
3 - Caderno reivindicativo do médico assalariado - com pontos centrais como o sistema de emprego único, horário semanal de trabalho, remuneração adequada.
4 - Lutar por um sistema médico-medicamentoso gratuito.
5 - Combater a especulação medicamentosa, tendo em conta que o nosso país é 100% dependente dos imperialismos americano e europeu e lutar pela criação de um laboratório farmacêutico nacional

B. CONTEÚDO DE ENSINO
A burguesia no seu conjunto tem um plano no sentido do reestruturar toda a política de ensino segundo a sua óptica. Como tal tomou e tem tomado toda uma série de medidas que tentamos expor de uma forma sintética:
1 - Limitação do acesso às universidades (números clausus, exames de aptidão)
2 - Intensificação da selecção ao longo dos cursos.
No curso de Medicina são exemplos o 2º ano, onde a luta pela nota e a concorrência lançada entre os estudantes está elevada ao extremo; e o 5º e 6º anos pela intensificação dos ritmos de trabalho.
3 - Selecção á saída dos cursos (estágio policlínico) tentando impor exames de estágio e outras formas.
4 - Destruir completamente a capacidade de controle das massas sobre os órgãos de gestão das escolas:
Ex. O Decreto de Gestão do "companheiro" Vasco
         "        "     do ministro Cardia
5 - Encerramento de algumas escolas
Ex.: ISCSP, FCTUC, Universidade de Coimbra, etc.
6 - Estrangulamento económico de outras
Ex.: Hospitais Civis receberam 250 contos no último ano.
7 - Criação de Comissões de "Reestruturação"
Ex.: As Comissões Científicas inter-universitárias, sem o "sapiente" parecer das quais o MEIC não dá um passo.
8 - Importante relevo à Universidade Nova, fornecendo-lhe todos os meios económicos, técnicos e de docentes. A burguesia deposita nesta universidade "cortas" esperanças pára a formação de quadros médios especializados, adequados ao seu sistema de exploração.
9 - Distribuição do controle político das escolas por todos os sectores da burguesia, donde se depreende a demagógica luta do actual MEIC contra as minorias golpistas quando através do decreto do Gestão garante o continuar do controle dos social-fascistas cobre muitas escolas do ensino superior.
10 - Reforço do controlo ideológico pelo ataque ao marxismo e pela veiculação de teses reaccionárias revisionistas.
Ex.: Faculdade de Letras, ISE, etc., onde pululam toda a corja de teóricos vencidos ao social-imperialismo.
A aplicação deste plano está em marcha, como os colegas já se aperceberam, e do qual a última promulgação da portaria sobre a avaliação de, conhecimentos de 0 a 20 é mais um passo, atacando os grupos de trabalho e a avaliação contínua. É de salientar que o carácter selectivo desta porcaria em nada se distingue do anterior decreto, de autoria, dos social-fascistas, de Apto escalonado/Não Apto, sendo este apresentado sob uma capa “progressista". Este camuflou o sistema selectivo de 0 a 20, acabando por trazer de novo a sua aplicação.
Este plano tem como consequências a curto, médio e longo prazo:
a) O desemprego em massa dos jovens estudantes
b) A destruição das forças do saber e da ciência
c) Um maior enfeudamento do ensino ao imperialismo e ao social-imperialismo
d) O desenterrar de certas medidas como as precedências, que novamente é talhada na nossa escola e sob uma forma bastante mais selectiva (por exemplo, a procedência absoluta entre o ciclo básico e o ciclo clínico).
Das lutas travadas pelas massas estudantis, algumas lições se podem tirar:
1º Os social-fascistas da EU”C” à U"DP", entram nas lutas para as desviar dos seus objectivos e as trair.
Ex.: As últimas lutas contra o decreto de Gestão do MEIC onde após uma berraria infernal se encontram actualmente nas Assembleias de Representantes a aplicar extremosamente o referido decreto - o tacho foi assegurado, a música é outra.
2º As estruturas de massas como as AE.s têm o papel de direcção das lutas. Para que as lutas saias vitoriosas é preciso escorraçar os social-fascistas, mas também varrer os conciliadores do tipo da J"S", cuja política na nossa escola foi clara ao perderem a sua "base eleitoral", por não servirem os interesses das massas estudantis; fecharam as portas da Associação e desapareceram da vida associativa.
3º Que o centro de luta das massas estudantis é a selecção.
- Numerus clausus.
- Intensificação dos ritmos de trabalho.
- Testes selectivos (exemplo de Medicina II – 5º ano).
- Exames de estágio.
- Não colocação dos policlínicos.
- Criação de cursos paramédicos como tentativa de seleccionar os mais aptos (maior nota) dos menos aptos.
- Etc., etc.
Apresentamos ao candidatarmo-nos à Direcção da AE, a seguinte plataforma de luta:
Combate à selecção
a. Exigência do ingresso dos candidatos à universidade
b. Recusa da aplicação do numerus clausus ao longo do curso
c. Combater activamente a aplicação das precedências
d. Combate aos ritmos intensos das matérias
e. Luta pela garantia de ensino a todos os estudantes
f. Controle pelos estudantes da distribuição hospitalar
g. Controle pelos estudantes, da colocação dos policlínicos
h. Defesa dos grupos de trabalho
i. Defesa da avaliação contínua

C. DA REESTRUTURAÇÃO DO CURSO DE MEDICINA
Se os colegas tiveram a paciência de nos ler até aqui, dizemos-lhes desde já que este assunto é o mais melindroso que se nos ofereceu.
De tudo o que dissemos e pelo trabalho efectuado, tirámos conclusões e enunciámos princípios pelos quais pautamos e tentaremos sempre pautar a nossa actividade;
- O curso de Medicina é um pesado paquiderme que não sabe o que fazer ao volume de matérias que tem, aplicá-las de um modo científico e de acordo com as realidades e necessidades do nosso povo.
- É falsa a divisão do curso entre ciclo básico e clínico como defende toda a casta de fascistas e social-fascistas (estes mais longe não poderiam ir pois não passam de uma reedição dos primeiros).
- O curso não educa os jovens estudantes e médicos na prevenção e profilaxia da doença.
- Os órgãos de gestão da escola, os "científicos” que por cá pululam, não têm a mínima preocupação que o estudante conheça as realidades do inexistente sistema nacional médico-sanitário e das enormes necessidades do nosso povo.
Propomos os seguintes princípios orientadores para a reestruturação do Curso de Medicina:
1 - Que o ensino seja clínico desde o 1º ano.
2 - Que o curso tenha em todos os anos uma cadeira semestral dedicada à medicina preventiva – Ex.: Medicina Comunitária (4º ano).
3 - Exigência que o governo crie condições para a regulamentação das carreiras médica e docente.
4 - Levantamento das necessidades em cursos paramédicos sendo a inscrição nos cursos, quando estruturados, opção pessoal dos estudantes.
5 - Redução do número de alunos nas turmas práticas.
6 - Aumento de o número de horas práticas por semana.
7 - Promoção de cursos livres com teste de aproveitamento oficial - Ex.: O actual curso de reumatologia.

II
- MOVIMENTO ASSOCIATIVO -
A. ORGANIZAÇÃO FEDERATIVA DOS ESTUDANTES
Como por diversas vozes já foi denunciado, a situação do M.A., a nível nacional, é a da cisão. A exemplo da prática da Intersindical social-fascista, a UE”C” pensava poder liderar o M.A. a golpe e para a prossecução dos desígnios obscuros do instauração do una ditadura social-fascista no nosso país. Para tal leva para a frente uma tal pró-UNEP do má memória.
Seguiu-se-lhe nova facção, lacaia dos primeiros, a U”DP” que tentando liderar o processo numa COMORG (Comissão Organizadora do Congresso (de fundação), afasta correntes associativas democráticas, aprofundando ainda mais a cisão existente no M.A.                                       .
Existem também correntes associativas, JS/JSD, que pretendem fazer da UNEP um departamento governamental, apêndice aplicador da política do MAIC, combatendo as justas aspirações democráticas do movimento estudantil.
Estamos contra a as orientações e concepções da construção da UNEP e apresentamos aos estudantes a plataforma segundo a qual achamos que é susceptível de unir o M.A. e fundar uma verdadeira UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES PORTUGUESES:
1º. Extinção imediata e completa da Comorg.
2º. Alargamento da base de massas e de apoio das AE's, na base da sua intervenção na luta dos estudantes portugueses, por una escola e sociedade novas, democráticas, patrióticas e progressistas.
3º. Realização de eleições na totalidade das AE’s existentes.
4º. Criação de AE’s na maioria das escolas do nosso país.
5º. Controle dos estudantes de todos os passos, documentos, regulamentos e estatutos da UNEP e do seu Congresso Constitutivo, e a ratificação em RGA dos delegados das AE’s a ele mandatados.
6º. Avanço e desenvolvimento das estruturas associativas regionais.
7º. Convocação a realização prévia de um ENDA (Encontro Nacional do Direc­ções Associativas) para ultimar os preparativos do Congresso da UNEP.
8º. Criação de uma Comissão Preparatória desse Congresso, constituída na base de diversos graus de ensino em todas as regiões do país, com representação das diversas orientações associativas.

B. A ASSOCIAÇÃO DE ESTUDANTES
A Direcção da AE tem o papel principal no reforço e dinamização da vida associativa, na condução das lutas estudantis pela unidade dos estudantes democratas, e repúdio das posições golpistas, oportunistas e demagógicas.
Não é para ter um papel de nos enfeudar ao imperialismo ou ao social-imperialismo e seus lacaios internos, como foi prática tanto da EU”C” como da J.”S”.
O seu papel não é o de abandonar as massas estudantis à sua sorte, como fez a actual Direcção após ser repudiada pelas massas estudantis, em virtude da sua acção traidora e conciliadora com os social-fascistas, o que levou ao reforço destes na escola.
1 - Do Funcionamento
- A Direcção deve reunir periodicamente, semanal ou quinzenalmente, de acordo com as situações, para estudar e tomar medidas quanto à vida associativa da escola e da Academia.
- Elaborar relatórios periódicos da sua actividade.
- Eleger internamente um secretariado para coordenar toda a actividade.
- Representar os estudantes da escola nas realizações federativas que convocar ou para que for convocada.
- Coordenar a actividade associativa da escola.
2 - Estatutos da A.E.
Os estatutos em vigor, aprovados em Janeiro de 75, são uns estatutos anti-democráticos, aprovados por pequena margem e pouca participação dos estudantes.
Membros componentes desta lista foram os únicos que nessa altura apresentaram aos estudantes uma 2.ª alternativa de estatutos.
Os actuais estatutos são por nós recusados.
Propomo-nos à elaboração de novos, e marcação de datas e prazos para discussão e votação de todas as alternativas que aparecerem.
3 - Instalações
As actuais instalações da Direcção encontram-se num estado de conservação lastimável. Pensamos que devem ter um ar mais limpo do que aquele que as anteriores direcções lhe deram, o que estava de acordo com as ideias que lhes movem os passos - conseguir o tacho o resto é conversa.
A sala de alunos necessita de limpeza regular, e de que os estores sejam arranjados e levantados para cima.
O corredor da entrada deve ser electrificado e melhor aproveitado o seu espaço. Propomo-nos, no sentido de cortar a ventania que por ali passa, levantando uma barreira à entrada, ou que se possam abrir as portas laterais de entrada da escola.
4 - Comissões de Curso
Consideramos que as comissões de curso, como importantes órgãos de vontade dos estudantes, que organizam a actividade dos diversos cursos, que devem dirigir as lutas estudantis contra a selecção e por um ensino melhor, participando na reestruturação pedagógica dos cursos.
Pensamos que todas elas devem ser eleitas anualmente, responder perante os estudantes do seu curso e serem revogáveis a qualquer momento, no todo ou em parte.
De acordo com os princípios que enunciámos na primeira parte, contra fascistas e social-fascistas, prestamos todo o nosso apoio de organização e material à actividade das Comissões de Curso.
Os social-fascistas servem-se habitualmente do controle que têm exercido sobre as Comissões de Curso para veicularem as suas posições, principalmente tentando cavalgar e desviar a luta dos estudantes para fins que não são os seus. Como foi exemplo a ultima RGA conjunta com os HCL e Campo de Santana, ao apresentarem propostas em nome da RIC e das Comissões de Curso, como sendo propostas da escola.
5. Secções da Associação
Não cabe apenas a uma Direcção da AE manter em funcionamento as secções que dão lucro, como sejam o Bar e a Editorial, pois essa é a perspectiva da burguesia, a perspectiva daqueles que não vêem os diversos interesses específicos das massas estudantis, como foi a actividade das anteriores direcções.
a) Trabalhadores Estudantes
Propomos a formação desta secção, inexistente na nossa escola. Estes nossos colegas têm uma série de problemas. Não existe ainda um estatuto do trabalhador-estudante que tanto a nível de emprego como nas escolas, lhes permita continuar os seus estudos sem enormes sacrifícios da sua parto e numerosas vezes tornando-se mesmo impossível.
Esta secção deveria funcionar com um secretariado eleito pelos trabalhadores-estudantes que para além de tentar resolver os seus problemas, colaboraria na elaboração do tal estatuto, em conjunto com outras secções de outras escolas, a apresentar aos sindicatos e ao governo, como reivindicações dos trabalhadores-estudantes.
b)Desportiva
Damos grande importância a esta secção, pois ela permite dinamizar a vida da escola ao permitir mobilizar largos sectores das massas para a prática desportiva.
São positivas algumas iniciativas já levadas a cabo por alguns colaboradores (Futebol de 5, Banquete, etc.).
É de apoiar e incentivar estas iniciativas.
Pensamos, no entanto, que a prática do desporto deve ser regular e para tal, em conjunto com os colaboradores da secção, pensamos que devem ser contratados professores de desporto e de educação física.
Estamos perto do Estádio Universitário, as instalações existem minimamente. Porque é que o desporto não é praticado? Que faz o MEIC e os Serviços Sociais? Que fizeram as anteriores Direcções?
Isto é a prova concludente de não estarem interessados, nem uns, nem outros, em zelar pelos interesses das massas. Ao fazermo-lo dá-se aso a abrir postos de trabalho e permitir uma reorganização em novos moldes, das massas estudantil.
POR UM DESPORTO DE MASSAS!

b) Sonora
c) Aqui está uma secção que pode sei usada consoante os fins, objectivos e ideologia daqueles que a ocupam.
Diariamente ela é usada para ouvir as baladas populistas de cantores que estavam com o MFA-“progressista” e que agora são um “25 de Abril do Povo”. Nos velhos tempos foi a EU”C” para nos impingir programas sobre a Reforma Agrária Social-fascista (em oposição à Reforma Agrária Camponesa) e proibindo que a voz dos estudantes democratas lá se fizesse ouvir.
O nosso programa é o de combate a esta ideologia podre e corrompida, vendida ao imperialismo e principalmente ao social-imperialismo, pela veiculação da música popular do nosso povo, pela informação das lutas que ele diariamente trava, pela elaboração de programas que digam respeito aos problemas das massas na sua luta pela Democracia, pela Liberdade e pela Independência Nacional.
d) Secção Editorial
Tem sido uma secção em progresso. Foi um passo positivo o alargamento efectuado nas suas instalações. Pensamos que as possibilidades desta secção podem e devem ser continuamente aproveitadas.
Deve ser um alvo constante dos colaboradores desta secção, tendo em vista que deve funcionar com um mínimo de lucro e um máximo de rendimento - o espírito de servir cada voz melhor os estudantes do Medicina.
Pensamos que a Direcção da AE deve incentivar os seguintes aspectos:
1 - Melhoria da qualidade das sebentas - de que é exemplo positivo a de Medicina I.
2 - Saída a tempo e horas das folhas.
3 - Publicação antecipada de todas as sebentas sob a forma de livro (o que já tem sido feito), aproveitando os períodos do férias escolares.
4 - Alargamento do loque de publicações, encaminhando-nos inclusive, para a tradução do livros e revistas estrangeiras.
5 – Correcta aplicação dos lucros, para que se possa embaratecer as publicações.
Isto implica um alargamento do leque de colaboradores da editorial.
Pois se progressivamente esta secção foi perdendo o carácter de feudo de grupelhos políticos, também os seus actuais colaboradores devem pensar que não é feudo de meia dúzia de colaboradores.
Esta secção não deve pactuar com a existência de colaboradores vivendo e alimentando a família à custa dos estudantes de Medicina, como já tem acontecido. Abrir as portas a que continuamente novos colaboradores vão aprendendo o ofício é uma forma que mostra que a secção está interessada em servir os estudantes do Medicina o não, servir-se deles.
d) Bar
Tal como a Editorial esta secção deve orientar-se pelo espírito de mínimo lucro o máximo rendimento e de servir os estudantes cada vez melhor.
A anterior Direcção em nada apoiou esta secção. Reconhecendo a nossa falta de conhecimento sobre esta secção, propomo-nos a estudar os seus problemas em conjunto com os colaboradores.
f) Farmácia
Pensamos que esta secção não tem funcionado por falta de perspectivas.
A sua acção deveria girar em torno dos seguintes pontos:
- Distribuição gratuita de medicamentos aos estudantes, funcionários e vizinhos da escola (bairros), depois de propaganda feita nesses locais.
- Apoio medicamentoso a possíveis brigadas sanitárias para o campo que futuramente os estudantes de Medicina poderão organizar.
- Estudar em conjunto com os colaboradores da secção a melhor forma de alargar o leque de fármacos existentes.
g) Actividade Cultural
As várias formas artísticas e culturais pelas quais as massas mostram os seus anseios, necessidades e aspirações, podem ser usadas tanto pela burguesia fascista e social-fascista, para alienarem com as suas ideias abstractas, metafísicas, acima das classes; por outro lado podem ser usados jornais como uma arma que sirva de mobilização e consciencialização política das massas, da situação de exploração e opressão em que vivem, ao mesmo tempo que são apontados os caminhos a seguir, as ideias, e as formas de luta que as podem unir para atingir o seu fim supremo: a libertação do jugo de opressão e exploração a que estão sujeitas.
Desde o Teatro ao Cinema e à Poesia, passando pela dança folclórica e pelo canto de luta e de trabalho, é possível incentivarmos e criarmos a Cultura Popular na nossa escola.
Achamos importante a realização de jornadas culturais, de acordo com estes princípios, mas nunca como asgrandes festas", pic-nics, evocações do termo do fascismo (talvez por andarem muito saudosos) e outras, formas que só servem a pobreza de espírito e o total alheamento da riqueza cultural do nosso povo, por parte de tais oportunistas que tais programas levam para a frente.
POR UMA CULTURA POPULAR!
h) Jornal da Escola
Iniciativa importante.
Em tempos parasitou por cá uma folheca de nome Enzima, que rapidamente entrou em catabolização.
O jornal da escola deve existir com um corpo redactorial fixo, aceitando todos os eventuais artigos que os colegas decidam escrever. Deve servir para falar dos problemas pedagógicos, científicos e da clínica; para abordar todos os problemas sentidos pelas massas de dentro e de fora dos muros do Hospital; problemas culturais, etc., etc.

Biblioteca
O problema resume-se em poucas palavras:
- Mais livros e actualizados
- Mais cadeiras
- Mais espaço
- Alargamento até à noite de forma a possibilitar acesso a todos os colegas incluindo os trabalhadores-estudantes

III
O PROBLEMA DA GESTÃO DA ESCOLA
O último decreto do MEIC, uma forma mais refinada do anterior demagogicamente intitulado da "gestão democrática", tem como finalidade última o afastamento das massas de exercerem controlo sobre os órgãos da escola.
Facilmente qualquer colega se pode aperceber da demagogia e da vil traição levada a cabo por aqueles que berraram a sete ventos contra o "avanço da direita" nas escolas e que para melhor a combaterem avançaram também com ela e passaram a aplicar integralmente o decreto do MEIC.
A EU”C” chegou ao ponto de prometer que na Assembleia de "Representantes” se trataria dos problemas principais da gestão e pedagógicos da escola.
Qual foi o problema, por mínimo que seja, que foi tratado? Nenhum.
Ao fim de três meses a dita A”R" reuniu três vezes para tratar da eleição do Conselho Directivo, do regulamento interno, do Conselho Disciplinar e para aprovar que as reuniões eram fechadas!
Desde o princípio que elementos que compõem esta lista defenderam as posições que nunca permitiriam a aplicação deste decreto:
1 - Eleições universais para todos os órgãos de gestão - Conselho Directivo e Conselho Pedagógico.
2 - Paridade docente, discente e funcionários nesses órgãos.
CONTRA O FASCISMO E O SOCIAL-FASCISMO APLICAR UM PROGRAMA DE LUTA PARA A VITÓRIA:
- CONTRA O CONTROLE SOCIAL-FASCISTA NA A.E.!
- CONTRA A A.E. DEPARTAMENTO DO MEIC!
- CONTRA A SELECÇÃO E O DESEMPREGO!
- PELA REESTRUTURAÇÃO DEMOCRÁTICA DO CURSO DE MEDICINA!
- POR UMA A.E. DEMOCRÁTICA E DE MASSAS!

VOTAÇÕES A 31-5 E 1-6
VOTA LISTA A
LUTA! UNIDADE! VITÓRIA!

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