terça-feira, 30 de maio de 2017

1977-05-30 - A Forja Vermelha Nº Esp - UCRP(ml)

PROLETÁRIOS DE TODOS OS PAÍSES, NAÇÕES E POVOS OPRIMIDOS, UNI-VOS

A forja VERMELHA
NÚMERO ESPECIAL
Data: 30/5/77

  CAMARADA FITAS, MAIS UMA VITIMA DO CAPITALISMO
- OS TRABALHADORES DAS O.G.M.A. ESTÃO DE LUTO PELA MORTE DO QUERIDO CAMARADA FITAS. A SUA MORTE REPRESENTA A INCOMPETÊNCIA QUE PAIRA NO POSTO DE SOCORROS, ONDE OS TRABALHADORES DIA A DIA, SENTEM NA CARNE OS EFEITOS DE TÃO "PRESTADA” ASSISTÊNCIA.
     MAS A MORTE DESTE CAMARADA DEVE SER O GRITO DE REVOLTA DE TODOS OS TRABALHADORES CONTRA A BURGUESIA MILITARISTA QUE NADA FAZ PARA RESOLVER ESTE ESTADO DE COISAS, PREOCUPANDO-SE UNICAMENTE COM O LUCRO, COMO DEMONSTRAM AS DIRECTIVAS, RESPEITANTES À PARTE DOENTE EMANADAS PELA DIRECÇÃO MILITARISTA. COMO OUSAM TAIS SENHORES DIZER QUE OS OPERÁRIOS NÃO TEM RAZÕES PARA ADOECER “PORQUE 50% DOS TRABALHADORES TEM IDADES IGUAIS OU INFERIORES A 22 ANOS”, QUANDO NO POSTO DE SOCORROS FALTAM TERMÓMETROS E SÓ OS CONCEDERAM DOENTES QUANDO TEM FEBRE.
CASOS PASSADOS COMO ESTE, QUE IREMOS DENUNCIAR, EM QUE NO PASSADO DIA 20 DE MAIO DE MANHÃ QUANDO CAMARADAS SE PREPARAVAM PARA SEREM ASSISTIDOS, ENTRE ELES ALGUNS QUE JÁ ANDAVAM DE DIA PARA DIA PARA SEREM CONSULTADOS, DEVIDO À, POLÍTICA DOS 15 DOENTES PARA CADA MÉDICO, LEVANDO A "AUSTERIDADE” ATÉ ÀS PARTES DOENTE, O SR.º DR. AUGUSTO SIMÕES, DESPIU A BATA E FOI-SE EMBORA SEM TER CONSULTADO NINGUÉM, SÓ PORQUE LHE FALTAVA O EXPEDIENTE. TOCANDO NA CAMPAINHA TRÊS VEZES, PARA CHAMAR O ENFERMEIRO QUE LHE CORRESPONDIA AUXILIA-LO, E COMO NINGUÉM O ATENDEU, NÃO ESTEVE PARA DEMORAS, FOI-SE EMBORA.
QUE POLÍTICA É ESTA SENHORES MILITARISTAS, SENÃO O DE ALIMENTAR TACHOS COMO ESTES. OU NÃO TERÃO OS MÉDICOS HORÁRIOS A CUMPRIR? ISTO É UMA AFRONTA E UMA VERGONHA PARA QUEM TRABALHA, NÃO SE PODE DEIXAR PASSAR EM BRANCO QUE "SANGUESSUGAS" DA MEDICINA COMO ESTE POSSAM AGIR ASSIM.
A PERCA DO CAMARADA FITAS NÃO PODERÁ FICAR IMPUNE. NÓS PARTILHAMOS DA DOR DE SUA MORTE E ACHAMOS QUE TODOS OS TRABALHADORES DA NOSSA FABRICA TAMBÉM, E ENVIAMOS OS NOSSOS SENTIMENTOS DE DOR À FAMÍLIA ENLUTADA PELA MORTE DO SEU ENTE QUERIDO.
SOLIDARIZAMO-NOS COM A POSIÇÃO TOMADA PELOS CAMARADAS DO H-9 E DO H-10 PERANTE A MORTE DO CAMARADA FITAS AO ENVIAREM UMA MOÇÃO À C.T. SOBRE OS ACONTECIMENTOS.
DESTA MOÇÃO, ACHAMOS POR BEM EXTRAIR ALGUMAS PASSAGENS MAIS RELEVANTES EM PARTICULAR NO QUE TOCA AOS ACONTECIMENTOS QUE LEVARAM À MORTE DESTE NOSSO CAMARADA.
"O CAMARADA FITAS DESLOCOU-SE AS O.G.M.A., PARA SER CONSULTADO POR UM MEDICO TRAZENDO CONSIGO UM ELECTROCARDIOGRAMA E UMA DECLARAÇÃO EM COMO HAVIA ESTADO ESSA MANHÃ NO BANCO DE URGÊNCIA DO HOSPITAL DE SANTARÉM. POREM AO DIRIGIR-SE À SECRETARIA DO POSTO DE SOCORROS, ONDE EXPÔS O SEU PROBLEMA FOI-LHE DITO QUE JÁ NÃO PODIA SER CONSULTADO E PARA TAL SE DEVIA DIRIGIR AO ENFERMEIRO CHEFE, O CAMARADA FITAS PROCUROU O ENFERMEIRO chefe e não o encontrando voltou à secretaria onde lhe disseram para preencher um papel para o médico, contudo ao chegar esse mesmo papel foi-lhe dito que o médico já lá não estava e desse modo não podia ser consultado.
(...) O colega Fitas veio ao H-10 onde relatou o sucedido, tendo ficado de tal modo enervado que volvidos instantes desmaiou.
(…) Logo vários camaradas o tentaram socorrer, telefonando logo para o P. Socorros donde foram informados que deviam chamar a ambulância que se encontrava na garagem. A ambulância foi chamada, indo da garagem ao Posto de Socorros e só depois se deslocando ao H-10 trazendo o enfermeiro Simões que no entanto não prestou quaisquer primeiros socorros.
De salientar que a ambulância não trazia condições para uma pronta assistência e que ao passar pelo posto de Socorros nenhum médico prestou a assistência que o estado grave do camarada Fitas requeria."
Os factos que narram esta moção são bem vivos, não pairando quaisquer dúvidas quanto à política seguida no Posto de Socorros da nossa fábrica.
Face a esta situação, em nossa opinião entendemos que a CT deve desenvolver os esforços necessários para que se leve à prática a existência de um médico permanente no Posto de Socorros, e cursos de formação de primeiros socorros em especial aos delegados de Segurança e a todos os trabalhadores interessados; manter uma ambulância permanente junto do Posto de Socorros, equipada com os meios técnicos e humanos capazes de fazer face a situações como esta. Torna-se claro que a nossa luta actual centra-se na conquista à direcção militarista de uma assistência social condigna. Para o que a C.T. deverá também organizar a solidariedade entre todos os trabalhadores e exigir à direcção que assegure a subsistência da mulher e dos filhos do camarada Fitas e pague as indemnizações devidas, pelo crime cometido.
Deverá ainda a C.T. organizar uma paragem de 15 minutos, à hora do funeral começar e propor a todos os trabalhadores que se enlutem 3 dias a sala do trabalhador passe a ter o nome do camarada assassinado e que a data da sua morte seja um dia de pesar e de luta contra a exploração capitalista na nossa fábrica.

CONTRA A POLÍTICA DOS 15 DOENTES!
CONTRA OS MÉDICOS "SAPATEIROS", MÉDICOS COMPETENTES!
POR UMA ASSISTÊNCIA SOCIAL CONDIGNA!

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