domingo, 28 de maio de 2017

1977-05-28 - INTERVENÇÕES DO CAMARADA ARNALDO MATOS SECRETÁRIO-GERAL DO PARTIDO - PCTP/MRPP

I CONFERÊNCIA DA ORGANIZAÇÃO REGIONAL DE LISBOA
LISBOA 28/29 MAIO

INTERVENÇÕES DO CAMARADA ARNALDO MATOS SECRETÁRIO-GERAL DO PARTIDO

ALOCUÇÃO DE ABERTURA
A Conferencia da Organização Regional de Lisboa do nosso Partido é uma das realizações mais importantes de toda a vida do Partido posteriormente à sua Fundação.
A Conferencia da Organização Regional de Lisboa do nosso Partido realiza-se num momento político particularmente complexo e exige dos marxistas-leninistas uma grande perspicácia, uma grande firmeza e sangue-frio. Na minha maneira de ver, a Conferência deve dedicar uma parte importante do seu tempo a examinar as peculiaridades da situação política, porque, sem isso, não pode cumprir a sua função nem executar com firmeza as decisões que vier a tomar. Este era o primeiro ponto que gostaria de levantar a respeito da nossa Conferência.
A Conferência da Organização Regional de Lisboa, como a mais forte organização regional do Partido, tem particulares responsabilidades face ao conjunto de todo o nosso Partido. Ela deverá proceder a um balanço minucioso, escrupuloso, de todo o seu trabalho, colmatando os erros - que são o aspecto secundário - e as vitorias - que são o aspecto principal a fim de que toda a organização avance sob uma única direcção e possa a esse ritmo ajudar a avançar todo o nosso Partido. Este era o segundo ponto que, em minha opinião, a Conferência devia abordar e que devia ser mais concreto.
A Conferência da Organização Regional de Lisboa do nosso Partido destina-se a reforçar toda a organização do Partido no Distrito, pelo que nas questões de organização particularmente, as insuficiências que ainda se notam devem merecer um exame atento de todos os delegados. Este era o terceiro ponto que achava em meu entender que devia ocupar os esforços dos conferencistas.
A Conferencia da Organização Regional de Lisboa não deve ser uma realização do Partido virada para dentro, mas virada para fora, para o movimento das massas e para dar respostas concretas ao movimento e a luta das massas. Neste sentido, a Conferencia e os seus delegados têm sobre os seus ombros uma pesada tarefa: a de aplicar a política do Partido, a de a transformarem em acção das próprias massas e levarem o nosso jovem Partido a exercer uma firme direcção nos movimentos proletário e popular, das organizações das massas e da luta das massas. Em meu entender, este era o quarto ponto que devia nortear os trabalhos da nossa Conferência.
Para podermos cumprir os nossos objectivos, todos os delegados, todos os conferencistas, todas as pessoas que podem usar da palavra na nossa Conferência de hoje, devem ousar falar. Cada pessoa tem uma boca que serve para comer e para falar. Aqui serve para falar. Cada pessoa tem dois ouvidos que servem, para escutar e deve escutar atentamente. As críticas devem ser correctamente formuladas. Pode-se chamar os camaradas pelos seus próprios nomes, porque só assim nos podemos transformar num forte, glorioso e coeso Partido .
Em nome do Comité Central, declaro aberta a I Conferência da Organização Regional de Lisboa do nosso Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses.
VIVA O PARTIDO!

INTERVENÇÃO ACERCA DO RELATÓRIO DA REGIÃO
É com gosto que aproveito esta oportunidade, para saudar todos os conferencistas presentes, os convidados, os aderentes que aqui estão representados, o Comité Regional da Organizarão do nosso Partido no Distrito de Lisboa, o nosso Comité Central e o Secretário do Comité Regional, Camarada João Machado, pelo seu relatório apresentado a esta Conferencia sobre os 5 meses de actividade do Partido no Distrito da Capital.
Sobre o relatório, que é um relatório ancorado nas realidades da luta de classes, tal como ela se desenvolveu nos últimos tempos, que é um relatório que estabelece uma síntese avançada duma grande experiência de Partido, um relatório correcto, marxista-leninista, sobre o relatório não teria outra opinião que não fosse a de o apoiar integralmente e a de apelar para a nossa Conferencia de hoje, que o discuta primeiro, que o discuta à luz da sua própria experiência, da experiência de cada um, que não tema chamar as coisas pelo seu nome, que não tema criticar nem sem criticado, porque assim o relatório desenvolvera os pontos de vista justos nele contidos, transformar-se-á numa arma mais acerada nas nossas mãos e o trabalho do Partido neste importante e vital distrito do país pode desenvolver-se cora ímpeto e aceleradamente.
Na minha opinião a divisa da nossa Conferência devia ser: andar mais, melhor e mais depressa. Não apenas na Conferência, mas fundamentalmente na actividade do Partido pós-Conferencia e não apenas no Distrito de Lisboa, mas em todo o País.
O andar mais, melhor e mais depressa, é uma exigência das condições materiais em que vivemos, da situação política e da nova etapa a que chegou a luta de classes no nosso País.
O nível de intervenções da nossa Conferencia, tem estado a reflectir um grande alargamento das nossas fileiras, sem possibilidade de que em tempo tão curto se tivesse assimilado a política do Partido e se tivesse absorvido as energias dos novos quadros entrados. Essa é a razão porque sobre este ponto da ordem de trabalhos, tem havido tanto desvio, ainda que esses desvios não sejam especialmente perigosos, mas e certo que a Conferência deve estar atenta a esta situação particular e deve esforçar-se para que os pontos de vista que podem puxar o Partido para a frente, sejam os que ao fim e ao cabo dominem e que os pontos de vista que tem dificuldades, da pouca experiência, não acabem por desorientar a linha geral do nosso trabalho, nestes dois dias.
Todos os camaradas devem ousar falar, e o nosso dever é escutá-los. Mesmo, os que têm pouca experiência podem e devem falar e o nosso dever é também escutá-los e aprender com eles. Mas é necessário que todos nos compenetremos da necessidade de incutir nas nossas intervenções um novo ânimo e de reportá-las ao fio condutor desta Conferencia, que são os documentos do Congresso do Partido, a linha geral dele saída desenvolvida e aprofundada pelo nosso I Plenum; a luz particular que trouxe a Conferência sobre o Trabalho Sindical e os documentos propriamente desta Conferência, de que um dos primeiros e o mais importante certamente, está a ser objecto de exame de todos nós.
Seria bom, tal como defendi na abertura da Conferência, que o exame da situação política ocupasse os nossos camaradas, e isso tem acontecido com um ou outro.
Outro dia, conversando com um camarada — que é membro do Comité Central e meu velho amigo nas andanças para a Fundação do Partido, para a Fundação do MRPP — ele se queixava de que apesar de constantemente se estar a chamar a atenção para o evoluir muito rápido da situação política — na opinião desse camarada que se queixava — uma parte importante, talvez a maioria dos nossos quadros, não está suficientemente compenetrada das alterações que se tem registado no panorama político e ainda que os avisos sejam feitos, não os têm levado muito a sério. É portanto, necessário voltar um pouco atrás, para compreender porquê, os marxistas-leninistas, podem vir a ser apanhados desapercebidos.
O 25 de Novembro, e uma data importante, porque marca uma viragem na Revolução Portuguesa. Depois dessa data, os fenómenos não marcham, os fenómenos não se desenvolvem, segundo os ritmos e segundo as mesmas formas a que estávamos habituados desde o 25 de Abril até então. Essa é a razão porque a nossa experiência — que e riquíssima, que é clarividente, e era unanimemente compreendida e aplicada pelo Partido - a nossa experiência de antes 25 de Novembro não e a mesma que todo o Partido revela, nas novas condições criadas depois daquela data. E depois disso os comunistas tiveram que travar, contra os revisionistas e demais oportunistas um grande combate. Os revisionistas diziam que depois do 25 de Novembro era o recuo, que a viragem deveria ser concebida como um arrumar de malas, um não fazer ondas, o estar quieto e calado, enquanto os marxistas-leninistas diziam que tinha havido uma viragem, mas que essa viragem não podia de maneira nenhuma significar um recuo em toda a linha da Revolução.
E não podia porque: primeiro a experiência adquirida pelas massas na luta era grande. Segundo porque o inimigo não tinha conseguido destruir o essencial das organizações dos trabalhadores. Terceiro, porque o inimigo se encontrava dividido e o nosso Pais era palco de uma acesa disputa entre as duas super-potências. Em quarto lugar porque os marxistas-leninistas desempenhavam um papel de grande influencia ideológica sobre os operários e os camponeses, ainda que essa influência ideológica não estivesse em solidada numa firme organização proletária. Nestas condições, não se podia falar dum recuo em toda a linha, nem dum arrumar de malas, nem de estar quieto e calado. Nestas condições, ter-se-ia que adoptar a táctica adequada, para que o proletariado não actuasse de forma dispersa, mas não recuasse e respondesse taco a taco, ainda que numa posição de defensiva, respondesse taco a taco a todas as agressões, a todos os ataques do inimigo de classe.
Depois do 25 de Novembro, passaram-se já muitos meses, e eu estou em crer que a nossa Conferência compreende hoje que o exame que fazíamos daquela data e do seu significado de classe está agora a tornar-se mais claro aos olhos de todos.
Houve um recuo da Revolução? Não houve um recuo da Revolução! Houve uma viragem! Houve uma descida de nível! Houve um afrouxamento relativo da luta de classes, mas o proletariado não foi esmagado naquela data, o proletariado não embarcou na aventura contra-revolucionária do golpe social-fascista, manteve as suas reservas, manteve a sua experiência, e manteve uma capacidade quase intacta de lutar. Os oportunistas e os revisio­nistas, atemorizaram, atemorizaram os operários, levantavam constantemente o espantalho de que qualquer luta desestabilizava e a destabilização era a antecâmara do fascismo. Nós combatemos estes pontos de vista, dizendo que a destabilização era inevitável, que destabilização significava a instabilidade do poder explorador, corrupto, abalado até aos alicerces, que a instabilidade não nos assustava, mas só podia assustar o inimigo de classe, que a instabilidade se verificava na luta de classes pelo poder político e não significava de modo algum um recuo da Revolução.
Seguir o ponto de vista dos oportunistas, dos revisionistas ou seguir o ponto de vista dos marxistas-leninistas na questão do exame da situação política concreta do País, é uma questão de vida ou de morte. E isto levanta o problema, que uma camarada do Comité Regional de Lisboa aqui levantou, um pouco a medo, levanta o problema de que a luta contra o revisionismo, não se trava apenas no plano da teoria, plano em que aliás estamos ainda aquém das necessidades da Revolução, mas que se trava também no plano da prática, plano em que estamos um pouco avançados, mas não suficientemente esclarecidos; que não se trava apenas no plano da ideologia da contraposição da concepção do mundo própria dos operários, à concepção reaccionária e caduca do mundo própria dos burgueses; que se trava também no plano da política, da linha a seguir para ligar a etapa actual à etapa futura, à tomada do poder político; e como dizia essa camarada, — um pouco a medo — trava-se no plano da táctica. Se abandonamos neste campo os operários aos revisionistas, mesmo que nos outros campos tenhamos logrado vitórias, quebraremos pela espinha, porque a espinha de todo o Partido, a espinha que o mantêm de pé, que o mantém ligado às massas, é precisamente a sua atitude táctica revolucionaria.
A cabeça do Partido é o marxismo-leninismo, é essa teoria, mas a espinha, aquilo por onde ele pode facilmente quebrar e na táctica. Na táctica não se podem cometer erros que não se paguem muito caros.
Nas últimas seis semanas, que é quantas leva de vida, o jornal na sua nova forma, temos dado uma grande atenção ao evoluir da situação política e temos semana a semana feito esforços para granjear para a consciência dos nossos camaradas, todos os elementos de facto, que possam fazê-los por si próprios pensar, resolver os problemas, chegar a uma conclusão, perceber a política do Partido.
Quando o nosso Jornal dizia que a crise se aproxima e mostrava que essa aproximação não é uma coisa para daqui a séculos, mas uma coisa iminente, adjectivo que, alias se usava com frequência; foi quando o meu camarada, o nosso camarada do Comité Central, se queixava de que essa aproximação e iminência não era genericamente sentida. No entanto, eu estou crente, que hoje já é melhor sentida.
No último número do Jornal, a redacção chamava a atenção no seu editorial, para as condições e o evoluir da crise e para as saídas que do ponto de vista institucional, do ponto de vista do poder existente, se abriam.
Mostrou que a crise política não fora aberta pela conferência do Tivoli, mas que a conferência do Tivoli era uma nova etapa no acumular de factores da crise. Mostrou que essa manobra política do grande capital, juntou os interesses dos grandes agrários e latifundiários, aos interesses do grande capital monopolista privado, os interesses do imperialismo ianque aos interesses do imperialismo europeu, que essa grande manobra preparava apenas uma série de outras manobras, e que o centro de gravidade, de todas as manobras da classe dominante conjugadas, se centrava agora no exército, nas forças armadas e que a crise ia avançar, por novas manifestações de crise no campo militar. Os que leram os jornais da manhã de hoje, podem ver que não foi um alarme falso, mas uma apreciação absolutamente ajustada das condições. Não só a crise militar se agudizou, se manifestou por novos saltos, como mesmo, as manobras militares que não estavam previstas, se começaram a realizar já, ao sul de Sines.
A situação política não se coloca, na minha maneira de ver, como aqui foi posta por um dos nossos camaradas conferencistas. Diz ele que a classe operária esta submetida a um duplo bombardeamento: maioria presidencial de um lado e maioria de esquerda do outro, e que e preciso encontrar uma saída. Isso é apenas uma forma superficial de ver a realidade. A classe operária está confrontada com a burguesia, e a burguesia não está toda unida, há divergências no seu seio. Essas divergências, são uma coisa boa para a classe operária e que devem ser aproveitadas pelo nosso Partido, de modo a que o inimigo não junte todas as suas forças num ataque frontal a classe operária, para que não estamos — operários — suficientemente preparados. Essa divisão que devemos saber manter, é importante, porque nos permite aprender, organizar, desde que sigamos o princípio de andar mais, melhor e mais depressa. O aproveitamento das contradições no seio da burguesia, e a luta para conquistar para o lado dos operários, sob direcção dos comunistas, não apenas o conjunto da classe dos proletários, mas o seu aliado fundamental, os camponeses e outros sectores da pequena burguesia urbana e rural, a luta que temos seguido para manter essas divergências e conquistar o aliado, é já velha, e desde a existência do nosso Movimento e do nosso Partido. Muitas vezes não tem sido compreendida, muitas vezes não tem sido aceite, muitas vezes tem sido posta em causa e isso resulta do facto de que o nosso Partido não e suficientemente maduro do ponto de vista da política e não é suficientemente avançado do ponto de vista da teoria e da ideologia. Estas hesitações resultam dessas fraquezas de fundo, não resultam de mais nada. Não podemos dizer que das resultam da eficácia da acção do revisionismo e do oportunismo, porque para nós não é a causa principal dos nossos atrasos relativos. A causa principal dos nossos atrasos relativos deve buscar-se no interior das nossas próprias fileiras, no interior da classe operária e não tem que se ir buscar a uma coisa que existe no seio dos operários, mas que é importado ou aliás exportado pelo inimigo de classe para o nosso seio; que é o revisionismo.
Se o nosso Partido fosse, ou vier a ser, rapidamente mais maduro no campo da política, prestar atenção as questões da táctica, discutir todos os aspectos da vida e da luta das classes e se ao mesmo tempo se adestrar no manejo da nossa teoria científica, o nosso Partido obterá êxitos inegáveis, êxitos na minha maneira de ver, rápidos. Um marxista que não é ambicioso quanto à realização do programa da sua classe não presta. Ele deve ser ambicioso, deve desejar andar depressa, deve sentir-se espicaçado pelos acontecimentos. Isso é sempre uma coisa boa.
De momento, temos vários perigos que espreitam a classe operária e varias formas por que pode evoluir a situação. As condições de classe que estão criadas, se os operários não reforçam a sua organização e a ligação ao seu aliado, se os operários não conquistam definitivamente para o seu campo, através duma política justa, do programa de luta do nosso Partido, se não conquista para o seu campo esse aliado, as condições materiais de classe existentes são tais, que a possibilidade de surgir um Bonaparte seja do presidente da republica ou de outro qualquer, existe e não podem ser subestimadas.
Desde que vivemos num País em que a classe operária tem força e tem querer, em que a classe operária se contrapõe a uma burguesia monopolista de estado e privada que tem uma grande experiência da luta de classes, tem o seu próprio aparelho de classe e de Estado que e o Estado novo e tem uma experiência de organização muito grande, em que essas duas classes fundamentais da sociedade, não apenas se vigiam, mas se combatem continuamente e que entre essas duas classes amortecendo o choque entre interesses opostos, existe uma outra camada de classe, a pequena burguesia que e quanto ao numero maioritária, maioritária porque na pequena burguesia se deve incluir também os sectores aristocratas do proletariado, os sectores que pela sua situação, pela sua maneira de viver integram essa classe e são um campo extremamente permeável às ilusões pequeno burguesas, em que dizia eu, entre essas duas classes se ergue uma classe numericamente maioritária em relação a qualquer das duas classes antagónicas e que alimenta toda a espécie de ilusões na burguesia, no seu estado, na sua constituição e nas suas leis. Num tal, momento assim, é perfeitamente previsível que as forças armadas da burguesia venham resolver um problema que os partidos burgueses não conseguem resolver. Aparecem em cena para afastar os partidos, sob o pretexto que os partidos são ineficazes, incapazes e incompetentes para resolver a crise e os problemas que se apresentam e fá-lo tal como o MFA o fez no seu tempo, fá-lo sempre em defesa em nome e em defesa do que eles chamam os interesses do povo e dos trabalhadores. Alias, esse mal do bonapartismo caracteriza.se por um paternalismo em relação aos trabalhadores, cuja consciência política consideram eles inexistente e cuja idade política consideram também diminuta, consideram também de menor idade. Dizer que nas condições concretas do nosso país o bonapartismo seja ele o do senhor Vasco Gonçalves ou do senhor Varela Gomes ou do senhor Ramalho Eanes ou de qualquer outro oficial da burguesia, que este bonapartismo é inevitável, só significa que a contra-revolução portuguesa não tem só o rosto do fascismo, como todos os oportunistas querem provar e que tem muitos rostos. O social-fascismo é um deles, o bonapartismo é outro, tal como a situação política que vivemos, que poderemos considerar de parlamentarismo burguês, de democracia burguesa, e também uma forma da contra-revolução burguesa.
Temos que entender as diversas formas que assume a contra-revolução burguesa, e a forma que assume em cada momento concreto, para poder definir a táctica do proletariado revolucionário. Não podemos combater contra o inimigo cuja cabeça não vemos, não podemos combater as cegas temos que combater contra um inimigo concreto, na forma concreta como ele se apresenta.
Sendo isto assim a situação agravou-se após o discurso do presidente da república em 25 de Abril, não porque o discurso seja a causa do agravamento, mas porque o discurso é o reflexo do agravamento. Os camponeses dizem que não é porque o galo canta que a manhã se levanta e não é pelo que os políticos falara que a revolução avança ou a contra-revolução recua. Eles falam para exprimir o estado em que se encontra a correlação de forças de classe e porque as duas classes os obrigam a falar desta ou daquela maneira e não de outra maneira qualquer. Não se deve atribuir à palavra nenhum poder mágico, porque a palavra não tem esse poder. O único poder da palavra está em que ela pode reflectir com correcção a realidade. E para a burguesia a palavra 25 de Abril reflectiu a sua realidade. Ou bem que a crise é ultrapassada, ou bem que a crise nos come. É completamente errado ver as coisas como vê o Presidente da República, que diz ou vencemos a crise ou a crise nos vence. Nós operários dizemos, ou vencemos a crise ou a crise nos come.
Nestas circunstancias a manobra política realizada pelos dois partidos PPD e CDS, é em muitos aspectos semelhante, a manobra que o partido do Dr. Sá Carneiro ensaiou no IV governo provisório. Estarão certamente recordados que nessa altura o partido do Dr. Sá Carneiro, que representa a burguesia liberal monopolista privada (dos monopólios priva dos), afastou-se do governo arrastando consigo a solidariedade da pequena burguesia através do partido socialista e esse afastamento do governo era um convite das forças armadas para entrarem em cena e resolverem o assunto. Naquela altura as forças armadas mo estavam em condições de resolver a questão nos termos em que propõe o Dr. Sá Carneiro, mas também não estava em condições de resolver a questão nos termos em que a propõe o Dr. Álvaro. Cunhal. O V governo provisório foi a constatação disso. Teve então que optar-se, dada a correlação de forças existente, por uma nova forma, um governo provisório, transitório, parasitário, inactuante incapaz, um governo que não fizesse ondas e que tivesse um chefe de governo que o guiasse. Foi o VI governo provisório. O chefe do governo calava e os partidos que o constituíam calavam-se e foram assim aguentando a situação, até que os traidores revisionistas julgando que aquela situação de impasse se resolvia por aventuras do tipo das aventuras conhecidas do senhor Varela Gomes, tentaram arrastar a classe operária para resolver um assunto relativamente ao qual a classe operária não reconhecia nem a autoridade de dirigir aos revisionistas, nem reconhecia como sua a forma golpista de estado proposta pelos revisionistas. Em consequência, tudo ficou como antes, mas os operários sofreram porque os revisionistas não só não foram liquidados, não só não foram destruídos enquanto organização, como no dia 26 de Novembro ou para sermos mais precisos no próprio dia 25, aliaram-se às forças que neutralizaram o seu próprio golpe, para passar a atacar os operários.
Esta situação do hotel Tivoli pronuncia a manobra semelhante executada pelo partido do Dr. Sá Carneiro no IV governo provisório, mas não é igual, sendo semelhante não é igual. Agora abre-se para a burguesia que é quem está no poder, convém nunca esquecer este facto, a burguesia nunca deixou de estar no poder neste pais, do dia 24 de Abril de 1974 ate hoje, a burguesia que é quem esta no poder tem duas alternativas: primeira alternativa mais provável, a crise não vai ser ultrapassada e isso levará a uma modificação necessária ao nível das forças dentro do aparelho do Estado e das instituições parlamentares para o que é preciso recorrer a novas eleições. As novas eleições legislativas serão portanto a forma pelo qual e procurará impor o novo acordo entre as facções da burguesia e os seus partidos.
Esta forma que e perfeitamente constitucional, esta forma trará para o governo não já o partido socialista, mas certamente um outro tipo de coligação provavelmente, se as coisas evoluírem segundo esta primeira hipótese, provavelmente um governo PPD, CDS e PS.
Se esta solução não puder ser seguida, então não tenhamos dúvidas que a solução que a burguesia vai adoptar é afastar os partidos e tomar, ela própria conta do poder através dos militares.
Significa isto, um bonapartismo a Pinochet? Na nossa maneira de ver não será, pelo menos nos primeiros tempos, mas não tenhamos dúvidas, todos os bonapartes tem as mesmas origens e todos os bonapartes usam as mesmas armas.
Sendo que esta evolução é possível e provável, como é que a classe operária deve actuar? Deve assustar-se? Deve cruzar os braços? Deve propor uma outra alternativa consubstanciada por exemplo na maioria de esquerda, aonde se envolveriam todos os partidos à esquerda do partido socialista, incluindo o partido socialista?
Esta solução não pode existir no nosso país a não ser pela força das armas. Não há hipótese nenhuma da maioria de esquerda vir a governar, sem que no dia seguinte e se não for no dia seguinte, isto e uma forma de dizer, alguns dias depois, ela seja apeada pela força das armas. Razão porque, tendo isto em vista o partido revisionista já abandonou relativamente essa formula e vem agora a outra, a da maioria constitucional.
Isto de falar na constituição, lembra falar no barco para quem quer embarcar. É porque sabe perfeitamente que a outra formula não, não é possível e é perigosa. Mas a maioria constitucional implica uma aliança, já não entre o P"C"P e o P”S", mas também com o PPD essa aliança pode vir a constituir-se, não é de todo imprevisível, e vira a constituir-se se a força dos operários que é grande, for açambarcada pelos revisionistas poderem falar em nome da classe operaria e impor à classe operária a sua táctica certamente que este seu governo ressurgirá.
Nos estamos convencidos que os revisionistas não poderão fazer isso. Os revisionistas — porque não estão no governo, ainda que estejam no aparelho de estado a todos os níveis — os revisionistas aproveitaram-se da política e do partido socialista, que e efectivamente anti-operária e anti-popular, para afivelarem uma máscara de esquerda que já há muito tinham abandonado. O partido revisionista, não é um partido de esquerda é um partido da ultra direita, é um partido fascista e não pode ser considerado como um partido de esquerda, no entanto alguns trabalhadores têm ainda ilusões a respeito deste facto indesmentível. O partido revisionista afivelou essa máscara de esquerda, mas o partido revisionista tem uma outra cara: ao mesmo tempo que finge estar contra as medidas anti-operárias e anti-populares,aprova todas as medidas anti-operárias e anti-populares. Não é verdade que o partido revisionista aprovou os 49 decretos da fome e o cabaz da fome, limitando-se apenas a dizer que os operários não tinham todavia sido consultados? Não é verdade que as leis que foram aprovadas na assembleia da república, tiveram todas o apoio do partido revisionista à excepção do código dos investimentos privados? Isso é uma verdade absolutamente indesmentível. O partido revisionista não está contra essas leis o partido revisionista está apenas contra o facto de estar fora do poleiro, onde se efectuam e elaboram essas leis.
A classe operária, tem-se apercebido particularmente nesta última semana qual é o verdadeiro objectivo do partido revisionista apontar às suas costas, chegar ao governo, bancar-se à mesa do orçamento e dividir com os seus comparsas o produto da exploração dos operários, tal é o objectivo do partido de Barreirinhas Cunhal. A classe operária apercebe-se disto, porque o pacto social não é apenas uma palavra vã, proposta pelo partido socialista é também todo o programa que o II congresso da Intersindical, Congresso da traição aprovou e que é um programa da traição. O pacto social existe, não é uma coisa para o futuro, é uma coisa que vem do passado e que existe no presente. O pacto social é precisamente a política de fingir aos operários que se quer um contrato colectivo de trabalho e depois dizer ao governo aprove imediatamente a portaria! O pacto social é a política de fingir marcar concentrações, paralisações e greves para no dia seguinte ou ainda na véspera dessas concentrações, paralisações e greves suspendê-las por tempo indeterminado. O pacto social é a política oportunista consistente em fazer, pressão da esquerda para apoiar a pressão que da direita fazem sobre o partido conciliador que esta neste momento no governo. Essa política e um suicídio. Se a classe operária pensa fazer pressão de esquerda sobre o partido da pequena burguês ia, pois está a permitir que o partido da pequena burguesia cavalgue sobre, as suas costas e mais, está a permitir que os bonapartes e o bonapartismo venham a assentar-se sobre as suas próprias costas. A classe operaria deve defender um programa que mantenha sob a sua direcção o aliado. É inevitável, e absolutamente necessário, sem isso a revolução não pode avançar, mas a classe operária não vende os seus interesses fundamentais para satisfazer o aliado ou manter com ele qualquer tipo de aliança. Os interesses fundamentais do proletariado revolucionário na fase actual da Revolução estão em consonância com os da fase futura, os da Revolução Socialista. A classe operária não pode fazer com o seu aliado nenhuma aliança que não permita conquistar o poder político e avançar a Revolução Democrática Popular para a Revolução Socialista. Todas as alianças que prejudiquem esta táctica do proletariado revolucionário devem ser inteiramente recusadas.
Até aqui, desde que apoiámos a candidatura e o programa democrático e patriótico do General Ramalho Eanes, temos sido sempre acusados pelos oportunistas, revisionistas de todos os matizes, de ter feito o jogo da reacção e de termo-nos transformado nos batedores dos monopólios privados.
Os factos estão a demonstrar e demonstrarão cada vez mais, que essa política madura do nosso Partido consistindo em não deixar-se isolar e em não deixar isolar a classe operária foi a única que correspondeu nos seus interesses fundamentais e agora, quando o programa democrático e patriótico que apoiamos não está a ser aplicado, é precisamente quando os oportunistas passam a apoiar as figuras que não aplicaram nem cumprem o seu programa. Vê-se portanto que isto de aliar-se a este ou aquele partido, não é uma questão moral, e uma questão de força política de classe, e uma questão de relações sociais de classe é uma questão de correlação de forças de classe, não tem nada que ver, com a moral, não tem nada que ver com o moralismo ou cortesia, tem que ver com os interesses materiais, políticos, económicos da nossa classe e do povo a quem esta situação política abre excelentes perspectivas para a classe operaria. A partir de agora uma nova "convergência" democrática saída do hotel Tivoli, vai acontecer na assembleia da república um dos dois fenómenos ou os dois simultaneamente: primeiro fenómeno — não se pode aprovar lei nenhuma e adia-se para as calendas gregas. A assembleia da república reúne todos os dias, discute o expediente, envia telegramas de felicitações ou de pesar pelos que fizeram o seu aniversário ou morreram e adia para o dia seguinte e depois para o dia posterior e assim sucessivamente, a discussão de todas as leis. Isto vai acontecer com a maior parte das leis.
Segundo fenómeno — o partido socialista, que conta com o apoio do P"C"P nesta emergência na assembleia da república, vai apresentar leis, mas essas leis só podem ser as que respeitem os interesses de classe que defende o partido social democrata. Se as leis não contiverem e não satisfizerem os interesses de classe desse partido, é evidente que mesmo que sejam aprovadas pela maioria legal P”S”/P”C”P não podem ser aplicadas.
Também e verdade que se essas leis forem aprovadas e forem aplicadas é porque satisfazem no essencial os interesses de classe que defende o PSD, quer dizer que vamos assistir a esta coisa bizarra, o P”C"P e o P"S" a aprovar leis na assembleia que pertencem a outro partido. Isto é a imposição da correlação de forças de classe, não se trata evidentemente de nenhuma manifestação da estupidez dos partidos que lá estão, eles são estúpidos, mas não e por aí que vão morrer. Eles defendem interesses de classe reaccionários e estão colocados numa encruzilhada de que não poderá fazer outra coisa.
Para a classe operaria isso e uma coisa magnífica. É magnífico que o P”C"P e o P”S", tendo a maioria, tenham que adiar a aprovação das leis e é magnífico quando não adiem terem que aprovar as leis do PPD. Então a tal máscara democrática e a tal máscara de esquerda que desde Agosto até há poucas semanas conseguiu manter, vai esboroar-se se o nosso trabalho for bom e correcto.
Isto levanta outra vez o problema da táctica no desmascaramento do revisionismo.
Nós devemos desmascarar o revisionismo a partir dos factos concretos e das lutas concretas. É estando no seio da luta pelas 40 Horas, que podemos desmascarar os revisionistas.
É estando à cabeça da luta contra os despedimentos, que podemos desmascarar os revisionistas. É estando à cabeça do protesto popular contra o desemprego, que podemos desmascarar os revisionistas. É estando na luta contra os novos horários, o aumento da jornada de trabalho que podemos desmascarar os revisionistas. É estando no seio da luta a cabeça da luta popular contra a carestia, que podemos desmascarar os revisionistas.
A nossa política consiste em dizer claramente aos trabalhadores: o partido socialista não presta, o partido socialista não é um partido que satisfaça os interesses dos operários e do povo, o partido socialista é um partido de burlões, mas atenção está lá porque há outros burlões piores do que ele, que é o partido revisionista. É apoiado por outros burlões pior do que ele, que é o partido revisionista, e mais do que isso o partido revisionista finge condenar essas leis não escondendo que está a atraiçoar-vos. O partido revisionista que finge querer leis populares e operárias, na verdade, o que defendeu e defendeu em todas as campanhas eleitorais anteriores, nomeadamente na para a presidência da republica e na da assembleia legislativa que é preciso sacrifícios para o povo" e ele começa já a pôr em prática esse "slogan" é preciso sacrifícios para o povo". O que é que isto significa do ponto de vista da ideologia, da luta ideológica? Significa que se está a preparar as condições políticas e ideológicas, para amanhã os operários cruzarem os braços e aceitarem os sacrifícios.
Mas quem tem feito sacrifícios desde que o capitalismo existe e desde que os operários existem? Quem tem feito sacrifícios senão os operários? Quem tem feito sacrifícios nestes últimos anos, os quatro últimos anos senão os operários? E porque é que devem ser os operários a continuar a fazer sacrifícios? Na nossa maneira de ver os operários não devem fazer mais sacrifícios. Quem deve fazer todos os sacrifícios são os grandes capitalistas, os grandes monopólios. Mas nós não caímos no ponto de vista oportunista de dizer "os ricos que façam sacrifícios", nós sabemos perfeitamente que a nossa sociedade é uma sociedade que se caracteriza pelo facto de ter cada vez mais pobres e os pobres serem cada vez mais pobres. Cada vez se forma na nossa sociedade um bloco social que é constituído por mais pobreza e por maior número de pobres, por outro lado cada vez são mais ricos os ricos e cada vez é menor o número dos ricos. Dizer "os ricos que paguem a crise" é a mesma coisa que dizer que os ricos devem continuar a existir e que os pobres também e que os ricos devem pagar a crise; Que não sabemos em que significará para o povo pobre dos nossos campos e das nossas cidades, se não a continuação da pobreza. Política "os ricos que paguem a crise", política que o partido socialista está de resto a por em prática. Quando o partido socialista pede ao imperialismo ianque e aos outros imperialismos o empréstimo de um bilião e meio de dólares, não é uma forma de os ricos pagarem a crise?
Acontece porém que esse bilião e meio de dólares, que aliás não vem, porque o governo socialista não é suficientemente competente e eficaz para gerir uma soma tão fabulosa. Quando esse bilião e meio de dólares que já está neste mormente reduzido à terça parte, ou seja 500 milhões de dólares vier, se vier e quando vier, quando esse bilião e meio de dólares vier, um bilião é para cobrir e financiar a nossa dívida externa, que e de 40 milhões de contos e o outro meio milhão é para pagar as dívidas, isto é, é para pagar os juros do empréstimo de um bilião e meio de dólares. Isso significa que nos próximos 4 anos, se vier o empréstimo de um bilião e meio de dólares, a nossa dívida externa vai passar a ultrapassar nos próximos 4 anos a cifra dos 80 milhões de contos. É conveniente citar estes números, porque como nós temos sempre razão, nós, o nosso Partido, e como estes números depois vão passar a ser citados e como vão passar um dia destes a falar-se neles, como se a burguesia tivesse descoberto a pólvora, é bom que a gente os fixe, porque é essa a situação que se vai verificar.
Os operários aprenderam muito e aprenderam principalmente a conhecer os partidos burgueses. Mas nós temos que pôr toda a nossa experiência em acção. Temos que pôr a render toda a nossa grande experiência, a experiência do Partido e temos que pô-la a render aplicando a política do Partido, compreendendo a situação política e explicando-a aos operários. Se nós conduzimos as lutas apenas numa perspectiva imediatista, numa perspectiva imediatista, os operários não nos seguem. Actualmente, no nosso país, os operários só seguem os partidos que põem à frente de tudo a política. Se não puserem a política em primeiro lugar, se não propuserem planos de acção largos e vastos, ligados às massas que o proletariado entenda os objectivos e os fins, o Partido, se não fizer isso, não pode ter o apoio dos operários. É certo que as lutas económicas e pelas reivindicações imediatas fazem trazer connosco, a grande massa intermédia e recuada, mas não e suficiente essa política. No momento que corre o que é essencial para o nosso Partido, é que ele seja capaz de explicar qual é a situação política e qual é a táctica que o proletariado deve seguir.
É alias extremamente curioso que um dos camaradas que aqui falou, o camarada António da Efacec, que sempre o tenho ouvido defender em todas as reuniões do Partido, um ponto de vista extremamente justo, que é que se deve dar atenção à política, tenha vindo aqui hoje, agora que a situação exige mais política do que nada, mais política do que pão, dizer que não se deve esquecer a luta contra os despedimentos, contra O desemprego e outro tipo de lutas económicas imediatas. Quer dizer, o camarada fez um excelente papel ao chamar a atenção, nas reuniões da Região, a que pelo menos assisti, para a necessidade da política e agora parece não estar a reconhecer essa necessidade, dando-me a impressão que é pelo menos necessário que ele a corrija na sua cabeça, no caso de estar errado, e que colmate essa brecha, no caso de ter sido por lapso.
A luta política impõe-nos também um arrumar da casa, e é isso que estamos a fazer com esta Conferencia. Mas esta Conferência não pode arrumar a nossa casa se não ultrapassar uma insuficiência que aqui já se manifestou, a luta contra o oportunismo, contra o liquidacionismo, contra o revisionismo, contra o capitulacionismo nas nossas fileiras, é uma luta extremamente importante.
Os capituladores representam dentro do nosso Partido o ponto de vista impotente da pequena burguesia. Não acreditam na Revolução. A Revolução aliás, eles temem-na.
Não acreditam que os marxistas-leninistas são capasses de unir a si a imensa maioria da população portuguesa, mais de 90% da população portuguesa. E como a Revolução não vai ao ritmo que eles entendem, eles já abandonam a Revolução, duvida, dela e passam a confiar na burguesia, no grande capital, no estado dos monopólios, na sua constituição. O reflexo desse ponto de visita que existe na sociedade e no nosso Partido, é a corrente dos capituladores e dos liquidadores.
Nas actuais condições de vida do Partido, posteriormente à sua Fundação, o aspecto principal não é a corrente liquidadora, o aspecto principal e a corrente da Ofensiva do Partido, mas o outro aspecto também existe, embora seja enfim um especto secundado e que merece ser combatido com toda a firmeza. Este aspecto secundário; em qualquer momento, em época de bonapartismo, em qualquer momento, pode passar para primário, pode passar para principal e mudar o nosso Partido de cor. Temos portanto, no interior das nossas fileiras, que combater este inimigo com punhos e dentes cerrados. Esta é a forma que assume o revisionismo nas nossas fileiras no momento presente. A corrente dos capituladores e dos liquidadores que entronca na grande luta para escorraçar o traidor e renegado Sanches do nosso Partido, a corrente dos capituladores e dos liquidadores que entronca nesse renegado, tem uma formulação mais recente, no renegado e traidor Crespo expulso das nossas fileiras vai para um ano.
E a nossa Conferencia, não só deu pouca importância a este aspecto como tentou desviar o alvo dos nossos ataques para um alvo de cariz secundário, como e o da oportunista Teresa. A oportunista Teresa, é apenas uma coletaria do traidor e renegado. Crespo, e como ele uma traidora e renegada, mas a oportunista Teresa não representa uma nova formulação da mesma corrente dentro do nosso Partido. Representa a aplicação, as manobras da mesma corrente, agora depois da Fundação do Partido, mas não tem nada de novo, em relação ao renegado e traidor Crespo e às ideias que ele defendia. Sendo necessário atacar essa oportunista, essa arrivista, com todas as letras e com todas as palavras, porque é a pratica mais concreta de desvio e de traição a linha do Partido que os conferencistas conhecem, sendo necessário pôr a valer os ensinamentos negativos dessa traidora, não devemos no entanto perder o alvo e saber qual é a corrente que estamos a combater. Se nos equivocámos a este propósito, o nosso Partido divide-se porque as forças vão aplicar-se em dois alvos ao mesmo tempo, como se eles fossem diversos, quando na verdade só há um alvo e continuamos ainda a combater as consequências da linha do oportunista Crespo e do golpe que ele procurou desferir contra o Partido em Agosto do ano passado. Questão extremamente importante. Se for mal colocada o Partido sofrerá graves reveses. Esta questão pode ser mal colocada de duas maneiras:
1ª — não existe a oportunista Teresa;
2ª — a oportunista Teresa é tudo e suplantou a corrente do oportunista Crespo;
Tais são os dois desvios que é necessário isolar, que e necessário combater, para que se possa travar uma justa luta ideológica, luta de ideias, luta entre linhas no seio da nossa Conferência, para que todo o Partido possa efectivamente avançar.
Os nossos camaradas da TAP leram pela voz do seu secretário um documento político de uma grande importância, que não ao mereceu o apoio da nossa Conferencia, como é necessário também rever alguns aspectos desse documento.
Primeiro, não devemos abandonar as reivindicações imediatas dos trabalhadores mas devemos conferir-lhes o enquadramento político justo, apontando-lhes os objectivos políticos porque eles se devem efectivamente bater.
Segundo aspecto, quando actuamos num plenário, numa reunião, num comício, a nossa acção não se limita a essa reunião, esse comício, a esse plenário, a nossa acção continua para alem destas formas de luta ou desses locais de luta. Devemos ter sempre em vista que os documentos que apresentamos para serem discutidos não se destinam a obter uma maioria parlamentar, não se destinam a obter uma qualquer maioria transitória. Os nossos documentos destinam-se a defender a verdade, a mostrar o caminho que os operários devem seguir, a servir de bandeira para a agitação, de bandeira de agitação política e de propaganda do nosso Partido.
O documento dos trabalhadores da TAP é a esse respeito um documento, que deve me­recer apoio e que deve ser exemplo a seguir e a desenvolver e a aprofundar e a não ficar-se pelo mesmo mas a ir ainda mais além. Se assim fizermos todos os operários se educarão pela acção dos nossos camaradas, pela política no nosso Partido, porque se esta afazer das questões do programa, a base essencial a partir da qual se pode dirigir efectivamente os operários e as massas.
O 28 de Maio decorreu há dois anos. Em dois anos amadurecemos muito, alargamos muito, reforçamos muito e estamos dispostos a avançar mais, melhor e mais depressa. O 28 de Maio, o ataque que foi desferido contra nós nessa data, não deixou abalados alguns capituladores dentro do nosso Partido? Certamente que deixou. Nessa altura eles não viam que a corrente principal era a do avanço da Revolução e que a corrente principal era da Ofensiva do Partido. Nessa altura eles julgavam que a corrente principal era a contra-revolução e que a corrente principal não era a Ofensiva, mas era o cruzar de braços, a impotência, a capitulação e o revisionismo. Mas bastaram dois meses de luta conjugada sob uma firme direcção do nosso Partido para que a situação se invertesse.
Estamos, não direi nas vésperas do 28 de Maio, como a pequena burguesia ao ver-se escorraçada do governo agora grita a torto e a direito, mas estamos em vias de comemorar esta data, pensando que a situação e hoje melhor do que antes, é hoje melhor do que nunca. O que se exige é, o estudo da nossa teoria e da nossa ideologia, o estudo para aplica-la, para transformar o mundo. O que se exige é o aprofundamento da linha política geral do Partido, o domínio da linha fundamental do Partido, o domínio da justa política do Partido, para a aplicar e para levar as massas a faze-la sua. O que se reforço da nossa organização, o reforço da nossa unidade, mas na base da luta. Nós não defendemos que possa haver unidade de ferro nas nossas fileiras sem luta. Nós somos contra aqueles que pensam que se deve defender a unidade a todo o custo. Nós sabemos que para defender a unidade e preciso lutar, que é preciso lutar contra as ideias erradas, que é preciso desmascarar, as ideias erradas, que e preciso combatê-las, para salvar o homem, para dar sempre uma oportunidade aos que cometeram, erros, de se corrigir, querendo. E nós devemos, em relação aos que cometeram erros, tomar uma atitude activa, não devemos deixá-los corrigir os erros por si mesmos. Devemos ajudá-los a corrigir os erros, devemos puxá-los, devemos dar-lhe a mão, devemos empurrá-los, devemos dar-lhe uma palmada no ombro e se possível mesmo um puxão de orelhas. Isso é necessário, é necessário para que se avance para que se mantenha uma correcta unidade do Partido, porque sem luta não pode haver unidade e a unidade soçobrará.
Se esta Conferencia actuar de acordo com esses parâmetros, reforçará a unidade do nosso Partido, não apenas na Organização Regional de Lisboa, como em todo o nosso Partido, em toda a organização nacional do nosso Partido, que é aquilo que sempre devemos ter em vista: a unidade do Partido, através de uma luta dura contra todas as ideias incorrectas. E isto para que possamos ANDAR MAIS, MELHOR E MAIS DEPRESSA!

INTERVENÇÃO ACERCA DA QUESTÃO DOS SINDICATOS
Queridos Camaradas,
Gostaria de abordar alguns pontos referentes a questão sindical que nos ocupa.

1ª Questão: A CONFERÊNCIA
A Conferência, convém lembrar e é urgente lembrar agora, e ao nível do Distrito um dos seus máximos órgãos de direcção. A Conferência não é aqui um lugar para trocamos ideias vagas. É um sitio onde se reúnem os delegados da Organização Regional do Partido para decidir sobre a política que vai orientar a Região no, futuro. Contando que essa política não seja desaprovada pelo Comité Central, essa política é a política que a Região deve seguir.
Se não temos cuidado nas nossas intervenções, desviamo-nos dos objectivos, a nossa Conferência não será um órgão de direcção, será um órgão de palração e o Partido não avança nem mais, nem melhor nem mais depressa pelo contrário, vai fazer marcha, atrás com essas características todas.

2ª Questão: O RELATÓRIO
O Relatório apresentado sobre o trabalho sindical, sobre o trabalho nos 35 Sindicatos, mostrou que o nosso Partido na Região de Lisboa andou mais, melhor e mais depressa, nos cinco meses que decorreram depois da Fundação do Partido. Eu penso que essa aspiração do nosso Relatório é justa e que ele merece a aprovação. No entanto, gostaria de fixar que na minha opinião apenas começamos a andar melhor, começamos a andar mais e começamos a andar mais depressa.
Sem fixar o ponto em que nos encontramos, sem ter uma ideia exacta do caminho que ainda nos falta percorrer, os relatórios podem iludir-nos. Nesse aspecto, eu julgo que a insuficiência do Relatório está em não mostrar de uma força inteiramente clara, precisa, que apenas começámos a andar, é certo, que a Organização Regional de Lisboa no conjunto das Organizações Territoriais do Partido, é a que fez um melhor trabalho, um trabalho mais desenvolvido, um trabalho de longo alcance, mas nem por isso se pode pensar que agora falta que os outros Sectores do Partido avancem e que Lisboa pode descansar.
A questão de fixar o momento em que nos encontramos e o trabalho que falta percorrer, é duma grande importância, porque se o fixarmos de forma justa, todos os nossos camaradas trabalhando nos Sindicatos e todos os nossos órgãos dirigentes Regionais hão-de compreender que mesmo para andar é preciso parar, que para trabalhar é preciso dormir e que para avançar é preciso consolidar e que a tarefa política básica, que se deveria propor ao nosso trabalho sindical na Região, era a questão da consolidação.
Isto é um assunto com o qual naturalmente estarei em divergência com grande parte da Conferência, mas não posso deixar de me levantar porque é o destino do nosso trabalho sindical que esta em causa. Se não se fixar, se não se consolidar o trabalho já realizado, perde-se a acção desenvolvida e que foi excelente no Sindicato dos trabalhadores do Comércio, como se perderá a acção desenvolvida na maior parte dos outros Sindicatos. É, porque o nosso trabalho tem fixado a sua acção nas eleições sindicais, no fundamental, tem fixado a sua acção nas eleições sindicais. Ora isto é um trabalho mais aparente do que real. Este é um trabalho de fogacho é um trabalho que mobiliza as energias por um curto período e tem exactamente o perigo de desmobilizar as energias por um longo período. Razão porque, a fixação de que nos encontramos no momento em que apenas começámos, em que portanto se trata de consolidar, de avançar noutros sectores e de consolidar nos sectores em que avançamos, e quanto a mim uma questão de vida ou de morte para podermos triunfar nesta acção.

3ª Questão: O CENTRO DE GRAVIDADE
O Trabalho Sindical constitui o centro de gravidade do nosso trabalho entre as massas. Mas o que muitos dos nossos camaradas não compreendem, é que não se disseque o centro de gravidade do trabalho do Partido era o trabalho sindical. O nosso Partido é um Partido Comunista, que faz um trabalho Comunista entre as massas, educa do ponto de vista do proletariado, da sua ciência, da sua política a do proletariado revolucionário as massas. Se se reduz toda a acção dum Partido Comunista ao trabalho sindical se se quer dizer que o centro de gravidade do trabalho dum Partido Comunista é o trabalho sindical, isso não consta das Resoluções do I Plenum. O que consta das Resoluções do I Plenum é que a Ofensiva do Partido é uma Ofensiva por dirigir as massas, organizá-las, influenciar as suas lutas e dirigi-las a que dentro do trabalho de massas o centro de gravidade é o trabalho sindical, dadas as particularidades em que nos encontramos, mas não só diz, nem se deturpa a envergadura do trabalho político dos Comunistas. Não compreender este assunto é transformar o nosso Partido num partido revisionista. O Relatório também não aborda com suficiente profundidade este aspecto, a despeito que é um Relatório justo, um Relatório que é avançado para o conjunto do trabalho que temos feito até agora.
Os Sindicatos, dentro deste ponto do Centro de Gravidade, dirigem lutas económicas e um conjunto de outras lutas pelas reivindicações imediatas das massas, mas não são para nós um fim. Para os Comunistas as conquistas dos Sindicatos é a conquista de um meio de guerra, de um meio de luta, de um meio de organização das massas, mas não é um fim da nossa actividade política. O nosso fim, o nosso objectivo, é a tomada do Poder Político e os Sindicatos servem, são instrumentos, são meios, são facas, são armas para tomar o Poder Político, não são o fim da nossa actividade.

4ª Questão: OS DELEGADOS SINDICAIS E AS DIRECÇÕES SINDICAIS
Existe uma relação estreita entre estes dais problemas que a nossa camarada dos electricistas, da AUTOMÁTICA, levantou. Essa relação dos delegados sindicais e as direcções sindicais pode pôr-se da seguinte maneira: sem lutar por eleger delega dos sindical, não há eleição de direcções sindicais nossas. As direcções sindicais nossas não se mantêm se não tiverem delegados sindicais. Penso que isso resume a essência do problema.

5ª Questão: O PROGRAMA
O Programa das nossas listas, o programa das nossas lutas, o programa que definirmos para levar até ao fim uma luta como a contratação colectiva, é essencial, é ponta fundamental em que devemos apoiar-nos para progredir. Se não concentrarmos forças, na definição clara, precisa e justa dum programa político, dum programa para uma direcção sindical, dum programa para uma luta sindical, o nosso trabalho esvai-se é como deitar água dentro de um cesto. Por isso, devemos dar uma maior atenção e uma redobrada atenção à elaboração dos programas, tanto para as direcções sindicais, como para as lutas concretas que tivermos de influenciar e dirigir.
Deixar o programa para a última hora, ou pensar que o programa e uma questão secundária, é a mesma coisa que dizer que o movimento é tudo e o objectivo final não é nada, é a mesma coisa que dizer que o que devemos é nadar, mas sem sabermos qual é o porto e ainda por cima sem saber sequer qual é o estilo de natação que devemos aplicar.

6a Questão: AS ELEIÇÕES E AS LUTAS SINDICAIS
Também, tanto o camarada João Machado, com o Relatório que acabamos de ouvir e que estamos a discutir e mesmo o Relatório sobre as 100 Grandes Fabricas, abordaram este assunto. Sem saber onde é que se vai fixar a alavanca para levantar um peso, nós não temos força para levantar nenhum peso. Dum ponto de vista abstracto, nós podemos levantar qualquer corpo, incluindo os corpos celestes, desde que saibamos onde é que fixamos a alavanca. Se soubermos, o ponto onde fixar a alavanca podemos levantar a Terra e o Sol e até a nossa galáxia. Por conseguinte, a questão de saber o ponto onde vamos fixar a alavanca é uma questão da táctica, a táctica para conquistar as direcções sindicais.
Este assunto, mostra que o ponto exacto onde devemos fixar a nossa alavanca, à direcção das lutas concretas das massas. Se não dirigirmos, não influenciamos não nos pusermos à frente da Contratação Colectiva, nunca ganharemos uma direcção sindical e se ganhamos é por acaso, e se ganharmos estaremos lá pouco tempo. Todas as lutas dos trabalhadores, dum dado ramo ou sector, tem de ser dirigidas pelos nossos camaradas e assim eles conquistarão a legitimidade para serem eleitos para as direcções sindicais. Só assim, eles conquistarão junto das massas aquele apoio e aquela confiança sem a qual não se pode ser dirigente das massas. É por isso que nós não temos dado suficiente atenção no nosso trabalho, no conjunto do Partido, ainda que, na Região de Lisboa, tenhamos dado mais que em todo o resto do Partido, não temos dado suficiente atenção a este aspecto da nossa táctica sindical.
Concentrar forças na direcção das lutas das massas e isso abrirá o terreno, o caminho que tomará fácil a conquista das direcções sindicais. Se não concentrarmos as forças neste ponto de apoio, isto é, se não fixamos aí a nossa alavanca, e claro que faremos grandes esforços, aplicar-nos-emos com aquela persistência dos buldogues, a levantar as direcções sindicais, mas, elas não se levantam porque nós não sabemos aplicar as nossas forças.

7ª Questão: O PROBLEMA DA REESTRUTURAÇÃO E DA VERTICALIZAÇÃO SINDICAL
A estrutura sindical que nós temos é a estruturados fascistas, dos sindicatos fascistas que os social-fascistas ficaram com ela em mão e usaram, porque são exactamente irmãos e nem sequer são já primos, são irmãos. Ora bem, esta estrutura sindical serve à classe operária? É manifesto que não serve. O que os fascistas fizeram e os social-fascistas fizeram, em matéria de organização sindical, não serve o proletariado Pode servir a burguesia, é ate pode servir a certos sectores da burguesia, como a pequena burguesia, mas não serve a classe operária. É manifesto que é necessário desencadear uma guerra pela reestruturação sindicai. Ou nós dirigimos essa guerra ou o inimigo a dirige. E aqui não há qualquer espécie de filosofia, nem palavras de ordem. "Aqui há palavras de ordem como as que se têm gritado nesta Conferência, aqui há que abordar o problema de frente e agarrar o touro pelos cornos vamos reestruturar nós ou vai reestruturar o inimigo? Neste sentido da reestruturação aparece o problema da verticalização sindical, não da contratação vertical, mas dos sindicatos, da verticalização sindical.
A verticalização sindical para os operários é uma arma poderosa. Os operários devem defender e verticalização, isto é: a organização dos operários pelos grandes sectores, de actividade. Isso é um progresso, não é um retrocesso, isso é fazer da arma dos sindicatos uma arma que corta em qualquer sentido, um verdadeiro florete, uma arma poderosa, uma arma que fura e não como temos agora, uma arma que arromba e que é como se fosse um losango, uma faca que não corta. Devemos portanto dar uma grande atenção a um estudo da reestruturação sindical, propor o plano da reestruturação sindical, mobilizar as nossas forças, mobilizar os operários e impor esse plano de reestruturação sindical.
Não podemos dizer só, que tudo o que o inimigo faz esta mal. É preciso dizer o que é que os nossos camaradas, o que é que a nossa classe deve fazer, porque isso é que é bem feito.
O problema da reestruturação sindical e da verticalização, prende-se coo lo que certos camaradas aqui têm levantado coso sendo uma coisa má, que e o problema da divisão de certos sectores, separação de certos sectores dos sindicatos existentes, caso da Previdência. Eu estou em desacordo com o ponto de vista dominante no nosso Partido, que a Previdência não deve constituir um sindicato procrio. A Previdência são 33.000 trabalhadores em todo o país, têm as suas reivindicações próprias, diferentes das do resto dos sectores onde se encontram integrados, que normalmente são os escritórios e eu julgo que ela se devia autonomizar e que um sindicato desses, em que aliás temos uma grande força organizativa, o nosso Partido tem uma quantidade enorme de delegados sindicais, dirigentes sindicais ao nível da Previdência em todo o País, eu julgo que nós devíamos defender essa verticalização, a constituição deste sindicato. É claro que a maioria não pensa assim, mas a maioria vai ver que eu tenho razão, nem que seja daqui por muito tempo.
Se o nosso Partido não compreender isto, ainda por cima esta a fazer uma asneira grossa, que é a asneira de não fazer ele, de opor-se ele a esta coisa e um dia destes o inimigo vai fazê-lo, não pelas razões porque nós o devemos fazer, mas por outras razões.
Isto levanta-me ainda outro problema, que é o problema dos novos sindicatos. Claro que cada partido, que representa os interesses de cada classe, tem o seu plano de reestruturação e dentro deste plano de reestruturação nós usamos o plano para a unidade sindical, para estabelecer a unidade ao nível de uma direcção sindical única e o inimigo usa este plano para dividir os trabalhadores, criar a sua sindical própria, uma sindical para cada partido, para cada classe ou para cada camada de classe.
Dentro destes planos do inimigo vão surgir novos sindicatos. Qual é a atitude que devemos adoptar neste caso? Devemos adoptar a atitude flexível, mas firme nos princípios. Nós também queremos a reestruturação, mas a nossa reestruturação é diferente da deles, devemos logo começar por opor ao plano de reestruturação do inimigo ou até dos nossos aliados o nosso próprio plano de reestruturação. Os trabalhadores compreendem logo, estes homens têm um objectivo. Resta saber se nós estamos desacordo com esses objectivos ou não. Eles comparam os diversos planos de reestruturação e dizem: o que serve é o do MRPP, é o do PCTP. Se não tivermos esse plano, eles não compreendem a nossa táctica. A classe operaria não percebe os nossos objectivos e portanto abandona-nos. Por outro lado, se é necessário ter um plano, devemos também tomar posição concreta a respeito de cada assunto que vai surgir. Quando o inimigo quer propor um novo sindicato nós vemos se esse sindicato está dentro do nosso plano ou não. Não esta, nos combatemo-lo. Nós combatamos explicando porquê e contrapomos aos planos do inimigo os nossos próprios planos.
Todavia é provável que a nossa oposição seja nas actuais contrições pregar no deserto. Ora os Comunistas devem pregar no deserto, no sentido de que não devem temer ser, a minoria, mas os Comunistas não devem deixar de comprar água, quando estão no deserto, porque senão pregam e morrem. É preciso continuar a pregar a ser a minoria, a ousar ser a minoria até, virmos a ser a maioria um dia, a obtermos o apoio da maioria um dia, mas mesmo assim é preciso beber a água para não morrer à sede e uma vez que o inimigo pode vencer e impor a constituição de novos sindicatos como ele quer, nós não devemos deixar de lutar nesses novos sindicatos, nós não devemos de deixar de apresentar as nossas listas a esses novos sindicatos. Este é um problema que vai surgir e já está aliás a surgir, como nos Administrativos da Marinha Mercante, que estão confrontados com uma tentativa de criação de um sindicato nacional que vai retirar uma parte da base de apoio, que o sindicato dos Administrativos da Marinha Mercante organiza, embora uma base pequena. Os nossos camaradas estão a combater esta cisão e muito bem aliás. É justo combater essa cisão, mas não devem deixar-se iludir, devem preparar a lista para esse sindicato e uns novos estatutos para esse novo sindicato, porque eles se vencerem não precisam da lista nem dos novos estatutos e se não vencerem têm que atacar lá dentro, não tem outra alternativa, de contrário os revisionistas criam os seus sindicatos, o grande capital cria os seus próprios sindicatos, a outra partido grande capital, a pequena burguesia cria os seus sindicatos e o MRPP continua a gritar contra a cisão sindical e nas suas próprias conferências.
Ora, a cisão sindical existe, é isto que esta Conferencia tem de compreender.
A cisão sindical não é um problema do futuro. É um problema do passado e do presente.
Se estamos perante uma cisão sindical, qual é o significado que tem de gritar contra a cisão sindical? Não é isso significado de meter a cabeça debaixo da areia?
Na minha opinião e fazer como a avestruz: não quer ver que a cisão existe. A cisão existe. O que nós devemos é combater essa cisão, de acordo com um plano. Como é que se combate a cisão? É preciso evidentemente, perceber, que para construir a unidade, tem de haver divisão. Que a unidade por sua vez se divide, como o um se divide em dois e que isto há-de ser assim até ao fim do mundo, no caso de alguma vez existir o fim do mundo, como é previsível que exista também, pelo menos este tem que desaparecer, tem que vir outro em lugar deste, mesmo do ponto de vista físico.
Por conseguinte, estamos perante uma cisão, teremos que criar os instrumentos para uma nova unidade, mas a nova unidade tem que ter por base, a cisão que existe. Devemos agora lutar para educar o proletariado e todos os trabalhadores a virem a constituirá sua Central Sindical, a Central Sindical dos Trabalhadores Portugueses. Mesmo assim, não julguem que isto é um problema que está resolvido nos próximos dez anos, ou nos próximos 50, isso é um problema que leva muito tempo a resolver.
Enquanto não for tomado o poder político pelo proletariado, não há hipótese nenhuma de resolver este problema, antes da tomada do poder político, não há, por­que a situação tem que se encontra o Movimento Sindical actualmente no nosso País e aliás, no nundo capitalista, é o resultado de que o inimigo de classe, também aprendeu com a acção do proletariado, tirou as suas próprias lições e hoje é difícil, senão impossível, defender da forma retórica, como temos estado a defender, a unidade sindical. Isso é uma unidade sem princípios, será a unidade sindical dos revisionistas, ou então, não será unidade sindical nenhuma
Para construir a unidade sindical isso e uma luta prolongada, uma vez que a cisão está estabelecida. Nós temos que lutar por estabelecer novos sindicatos, por contactar, as direcções sindicais e só quando nós tivermos imposto a nossa política num grande de número de sindicatos e junto da classe operária, ao nível político e não apenas ao nível sindical, é que poderemos então agrupar, à nossa volta e à volta do nosso programa, a imensa maioria dos trabalhadores portugueses. Nessa altura, as outras centrais sindicais, dos outros partidos, das outras classes, não terão apoio junto da massa e estarão isoladas. Mas não se pode fazer uma política senão no sentido de isolar essas centrais sindicais oportunistas.
O problema das eleições sindicais, confronta-se com todo o instrumental repressivo, fascista e social-fascista, tendente a impedir que o nosso Partido apresente sequer listas e programas sindicais. E é assim que se exige uma grande quantidade de assinaturas, como é o caso dos Trabalhadores do Comércio, 3.000 assinaturas, para impedir que aquilo que eles chamam, os pequenos partidos, e que se querem referir no caso ao nosso, mas nós não somos um pequeno partido, somos um grande partido, porque temos a verdade, porque temos a política justa, porque o proletariado nos há-de seguir e porque nós havemos de nos ligar ao proletariado. Eles é que são os pequenos partidos, são os partidos balofos, são os partidos de gordura, mas eles não chegam ao poder como nós queremos, como a classe operária quer.
Ora, querem eles que os pequenos Partidos não possam concorrer, sequer as eleições sindicais. Nos temos de travar um combate de vida ou de morte para furar esta estrutura, este colete de forças fascista, que existe nos sindicatos e temos de saber travar esse combate, particularmente na nossa Organização Regional de Lisboa. Não temos temido dirigir-nos às massas, pedir-lhes o apoio, e temos obtido um apoio inequívoco. Isto mostra que uma medida tomada pelo inimigo contra nos e contra as massas, acaba por virar-se contra ele. O nosso Partido pode não obter 3.400 votos no Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, mas obteve o apoio de 3.400 trabalhadores para poder apresentar-se e poder defender o seu Programa. Isto é, os trabalhadores dizem que o nosso programa é indispensável, ainda que não compreendam que ele é necessário.
Uma vez qüe estamos à intensificar o nosso Movimento de Adesão ao Partido, porque tem um conjunto de grandes novas adesões, não podemos organizar uma parte substancial das massas, nem podemos criar o terreno propício e a escola onde vamos educar um grande número de novos militantes; uma vez que o Movimento de Adesão tem que ser intensificado, e têm que ser criadas condições para que ele possa progredir impetuosamente, devemos ter presente a ligação que existe entre o nosso Movimento de Adesão e a procura de assinaturas para apresentar as nossas candidaturas sindicais. Devemos articular os dois movimentos: a luta por, obter apoio, as assinaturas para os nossos programas e as nossas listas; e à luta por obter um grande número de adesões.
Se essas duas acções, não forem prosseguidas articuladamente, também se está a dividir a acção conjunta do Partido, está-se a aproveitar insuficientemente, as grandes possibilidades que tem esta recolha de assinaturas. Ainda quanto a recolha de assinaturas defendo o ponto de vista que se deve entregar imediatamente as listas, logo que temos o número exacto de assinaturas. Não porque eu esteja convencido que as técnicas de Markting tem alguma influência junto da classe operária em termos políticos, mas porque eu estou convencido que é importante as nossas listas serem das primeiras a serem apresentadas. Isso mostra que o nosso Partido não entregou as listas à rasquinha. Mostra que o nosso Partido organizou a vida, organizou a luta, que o nosso Partido é um Partido organizado, que é um Partido dirigido, é isso dá uma grande confiança à massa.
Não é pelo problema de ser a lista A, B, isto é, as primeiras listas, como se a 1ª letra do alfabeto, (tivesse algum poder escatológico que nos levasse a vencer só por causa da letra do alfabeto. Não é esse o problema, não é escatologia. O que está aqui em causa, é que isso revela para a classe uma capacidade de organização e de direcção que nos escondemos quando somos os últimos a entregar as listas. Mesmo assim, entregando imediatamente as listas, nos devemos continuar a recolha de assinaturas, porque essa recolha de assinaturas e uma excelente propaganda do Programa da lista, é uma excelente propaganda do programa do Partido, não pode ser abandonado nunca senão no último minuto, no último momento em que fechou o prazo para, a entrega das listas.
Devemos também assentar de imediato, a nossa propaganda neste conjunto básico de pessoas que apoiam a apresentação das nossas listas. Nos temos 70.000 trabalhadores no Sindicato do Comércio. É claro que não poderemos de imediata, nas actuais condições, encontrar uma forma rápida de chegar a esses 70.000 trabalhadores. A imprensa burguesa boicota a apreciação dos nossos programas e a propaganda da nossa agitação.
Os nossos meios, dado que somos um Partido pobre, como é bom que seja sempre, não podem rapidamente chegar a toda a classe, e portanto nós temos que escolher uma táctica para poder fazer que as nossas ideias sejam conhecidas pelos 70.000 trabalhadores do Comércio, do Sindicato do Comercio, e por todos os trabalhadores do Sindicato. Então, nós temos que assentar o conjunto da nossa acção, de imediato, naquele grupo que apoia e assina as nossas listas. Eles serão os grandes propagandistas e agitadores da nossa lista se nós soubermos dirigi-los. Além disso é preciso que essas listas devam ser entregues no Departamento de Organização do Partido isto é, devemos tirar fotocópias dessas listas, e entregá-las no Departamento de Organização do Partido, porque o Partido tem um trabalho legal de grande amplitude a desenvolver, nomeadamente eleições e outras coisas parecidas, eleições legislativas e outras e se tivermos essas listas, nós temos logo um meio rápido, de fazer a nossa propaganda não apenas ao nível dos Sindicatos, mas a nível político mais geral.

8a Questão: UM OUTRO ASPECTO DA NOSSA TÁCTICA É A PREPARAÇÃO MINUCIOSA DOS NOSSOS PLANOS DE ACÇÃO
Não é admissível, uma vez que temos fracções sindicais num grande número de Sindicatos já, que as nossas fracções sindicais actuem desarticuladamente e em direcção. Isto é no fundo, um problema de direcção do Partido sobre a fracção sindical. É difícil dirigir uma fracção sindical. Muitas vezes porque a fracção sindical não é só militantes do Partido, Eu costumo fazer uma distinção entre o Comité do Partido para o Sindicato e a fracção sindical. Enquanto o Comité do Partido para o Sindicato será a organização do Partido naquele Sindicato, a fracção sindical, tem a política do Partido e à sua volta um conjunto de aderentes e de pessoas que votam sistematicamente na nossa linha sindical, mas que não são militantes do nosso Partido. Dirigir uma fracção sindical destas é extremamente difícil, exige uma grande clarividência, um conhecimento da política do Partido, uma grande dedicação ao trabalho, mas e preciso dirigi-la.
A fracção sindical deve saber qual é o plano de acção do Partido numa manifestação deve saber qual é o plano de acção do Partido numa Assembleia, qual é o plano de acção numa simples Conferência, deve saber tudo. E o nosso Partido deve fazer chegar à fracção sindical, instruções precisas, planos claros, para que ela se mobilize. Aqui, muitos dos nossos camaradas se queixaram que nem todos vão às Assembleias Sindicais Mas não vão porque? Porque não são dirigidos, não é por outra razão. Não porque eles sejam calaceiros, não é porque eles sejam abúlicos, não e por nada disso. E porque não são dirigidos. Um pequeno número desses que não vão, não cumprem os seus deveres sindicais, digamos assim, um pequeno número desses, e claro que nunca mudará, mas é um pequeno número, que se contam pelos dedos de uma mão ou das duas mãos. A grande maioria dos que ainda não participam activamente na actividade sindical, fazem-no porque a nossa direcção é insuficiente, porque a direcção da fracção sindical é insuficiente, porque a direcção do Comité do Partido é insuficiente. Se o Comité do Partido traçar planos, tiver uma acção programada e a fizer chegar a fracção, podem ter a certeza que mais de 95% dos nossos apoiantes e aderentes da nossa fracção, vai comparecer em todas as realizações para que o Partido mande comparecer. O que não se pode e pedir que a fracção venha como vem o rebanho. Nos não somos pastores, pastores são os padres. Nos não somos pastores. Nos o que elevamos é a consciência das massas. Nós explicamos o porquê das coisas, a razão da sua acção, a importância do seu comportamento e eles vão. Se nos não dissermos nada disso e assobiamos, tocamos o bilro e esperamos que o rebanho apareça, concerteza que o rebanho não aparece, porque não há rebanho, entre as massas não há rebanho.

9a Questão: É O DA PARTICIPAÇÃO DO NOSSO PARTIDO NAS MANIFESTAÇÕES CONVOCADAS PELOS REVISIONISTAS
Em princípio o nosso Partido, na minha opinião, não deve participar em manifestações convocadas pelos revisionistas. Em princípio, porque a direcção é do revisionismo, porque a nossa participação em direcções revisionistas vai contribuir para desunir as massas e nós não o devemos fazer. Isto é um problema táctico de princípio, não é uma questão que fica ao sabor das ondas e do momento, é um problema de princípio. Como e que se aplicam os princípios? Agora tem que se ter em atenção as circunstancias. Num certo número de casos será correcto e creio que maioria, não participar, e noutro número de casos teremos que participar. Quando é que devemos participar? Quando a nossa presença seja absolutamente indispensável, para desmascarar os revisionistas, seja absolutamente indispensável para combater as ilusões das massas, seja absolutamente indispensável para prosseguir o nosso plano. Vamos ver isto por miúdos. A nossa presença é indispensável para prosseguir o nosso plano, porque senão estivermos lá, os trabalhadores não acreditam no passo seguinte que vamos dar. Os trabalhadores muitas vezes dizem, sigamos o caso dos camponeses que é onde isto e mais flagrante, os camponeses alentejanos se não virem os nossos camaradas numa manifestação por vezes convocada pelos sindicatos, que são revisionistas, dirão: "mas vocês não estiveram na ocupação, mas vocês não estiveram no dia em que a GNR esteve, mas vocês não nos deram um conselho na altura em que tínhamos errado" e nestas alturas nós não podemos continuar a falar com os camponeses. É a razão porque temos que lá estar, para combater o inimigo e podermos ganhar a autoridade junto das massas, para a nossa direcção, para a nossa influência. Isto também acontece entre os camponeses e acontece também entre os operários e evidente e entre outros sectores do povo.
Ora bem, participar, porque é o passo necessário à aplicação de um plano que temos. Se não temos plano e participamos, isso é um erro. Temos que ter um plano de acção. Por exemplo, participamos nas manifestações dos Metalúrgicos. Qual é o nosso plano de acção para os Metalúrgicos? Enquanto não me responderem a esta questão, estou em desacordo com a nossa participação na Manifestação dos Metalúrgicos.
Então nessa altura poderei vir a estar de acordo. Mas como não sei qual é o plano de acção para os Metalúrgicos, como não o vejo de uma forma concreta e definida, estou em desacordo com a participação. Devemos participar para lutar contra as palavras de ordem dos oportunistas, portanto contra as ilusões do oportunismo, as ilusões do revisionismo, mas quando participam é para lutar. Isto é, examinámos o problema e dissemos: Há condições mínimas, para gritar as nossas palavras de ordem e para obter o apoio de uma parte das massas; há condições mínimas para impor o nosso Partido na manifestação? Havendo condições mínimas, nos devemos fazê-lo, porque o simples facto de participar numa manifestação daquelas, pode ter utilidade para fixar a linha do nosso Partido, a imagem do nosso Partido, mas não o fazermos senão houver o mínimo de condições. Eu creio que esse mínimo de condições existiriam nesta manifestação dos Metalúrgicos. Não estou bem ciente disso, mas estou convencido, estou persuadido, em parte, de que haveria esse mínimo de condições. Devemos participar para desmascarar o inimigo, porque se nós participamos e não desmascaramos o inimigo, não devemos participar, isso é seguidismo, isso é ir atrás, é ir a reboque. Se nós participamos só porque o primeiro sindicalista acha que devemos participar, não estou de acordo. Podemos ou não podemos desmascarar o, inimigo? Podemos ou não podemos desmascarar que o inimigo faz um pacto social? Que o inimigo levou o Contrato para a Portaria? Que o inimigo agora colocou mal a questão, porque quer lutar entre a portaria que o Governo publicou e a Portaria que ele acordou com o Governo? Ora, o problema da classe operária não está em escolher entre duas portarias. Está em rejeitar as portarias e lutar pela contratação, pela imposição do seu próprio contrato, o seu contrato autónomo de classe, em luta contra o patronato e contra o Governo do patronato.
O Governo não é uma entidade política colocada acima das duas classes da sociedade. O Governo faz parte de uma dessas classes, faz parte da burguesia, é o órgão de gestão do capital. Nós não podemos considerar o Governo como uma entidade superior às classes, relativamente ao qual nos ajoelhamos e esperamos que ele diga, como é que vão ser resolvidos os nossos negócios. Mas se na Manifestação em que participámos não é possível desmascarar esse ponto de vista, então nós não devemos participar, porque podemos fazê-lo mais eficazmente, de fora. Alem disso, nós devemos saber actuar com os dois braços, isto é, devemos dar da esquerda e da direita, com um murro da direita e com um murro da esquerda. Devemos ir lá dentro, caso estejam criadas essas condições mínimas, ai então é que estamos a actuar com um murro da direita e devemos actuar de fora, manter uma propaganda junto das massas, intensa, explicando o porquê da nossa actuação, porque as massas perguntam porque é que nós participamos, as massas querem saber qual é a táctica, querem saber qual é o nosso objectivo e se nós não explicarmos isso às massas, as massas também não sabem.
Se nós dissermos às massas: "Nós vamos à manifestação para desmascarar os revisionistas, para desmascarar a direcção sindical, para lutar contra a portaria e porque a direcção sindical é uma direcção traidora, uma direcção de pacto social, uma direcção oportunista, então as massas já sabem: eu vou procurar a bandeira do MRPP, onde é que está? Não esta está acolá atrás! e vai para trás. Mas põe-se lá, é ali que as massas se organizam, se nós não fizermos assim nós estamos a aplicar uma política seguidista e não uma política de Partido.
Quer dizer que eu ataco a participação do Partido na manifestação dos Metalúrgicos, quer dizer que eu não compreendo até agora a razão de ser dessa manifestação, mas reservo a minha opinião quanto à questão de saber se devo atacá-la ou não. Quando compreender o assunto, quando tiver investigado o suficientemente sobre o assunto, então manifestar-me-ei em definitivo. Se levanto aqui este problema é para mostrar que a nossa acção tem de ser uma acção política baseada nos princípios, baseada na unidade e na direcção das massas. Não podemos fazer uma acção que não tenha presente estes objectivos, os objectivos que devem nortear os comunistas e como isto vai acontecer concerteza em muitas outras ocasiões, é preciso discutir muito bem, é preciso mostrar à nossa fracção sindical dos metalúrgicos, qual é o plano, é preciso mostrar o porque das coisas, é preciso mobiliza-la, é preciso prepara-la para a luta. É preciso saber que indo a uma manifestação daquelas, terá de lutar. É verdade, que os metalúrgicos, e apareceram na rua - mais até no Porto que em Lisboa - que os metalúrgicos apareceram na rua, porque isso corresponderá a uma vaga de fundo da sociedade que obriga operários à luta, mas os metalúrgicos ainda não sabem qual é a verdadeira natureza reaccionária da direcção que tem. Portanto, nós devemos saber que este movimento das massas e um movimento espontâneo, um movimento que pressagia lutas importantes, mas os comunistas, não vão atrás das massas. O nosso objectivo estratégico final, e ligar a nossa política e a nossa teoria ao movimento espontâneo das massas. Mas devo explicar aqui aos camaradas que a ligação entre o marxismo e a nossa política revolucionária das massas, não se fez pela retaguarda, faz-se pela frente.

ALOCUÇÃO NA SESSÃO DE ENCERRAMENTO
Queridos camaradas,
Dirijo uma saudação muito fraternal e calorosa à Conferência da Organização Regional de Lisboa do nosso Partido, aos camaradas delegados, aos nossos convidados, ao novo Comité Regional eleito, a quem desejo os maiores êxitos na sua actividade e no cumprimento das suas tarefas e responsabilidades, ao Secretario do Comité Regional de Lisboa do Partido, o camarada João Machado, ao nosso Comité Central e aos operários e ao povo, que quiseram vir ajudar a Organização Regional de Lisboa, participando na Sessão de Encerramento desta actividade interna do Partido.
A Conferência da Organização Regional de Lisboa é aparentemente uma paragem no nosso movimento, uma paragem no nosso avanço, uma passagem necessária e oportuna, que tem por objectivo efectuar um balanço da acção de uma das Organizações Regionais do Partido nos cinco meses que decorreram depois do Congresso da Fundação.
Não se pode avançar sem descansar, não se pode trabalhar sem dormir, e ninguém pode dormir sem se ter que levantar para trabalhar. Assim também este aparente interregno, imposto pelas necessidades de um balanço, não é também um repouso absoluto, é um movimento ainda, de outra natureza, tendente a traçar com mais clareza os objectivos imediatos e os mais longínquos e a escolher os caminhos que devemos seguir para realizar com êxito todas as nossas tarefas.
A Conferência da Organização Regional de Lisboa contou, como os delegados já sabem, com 428 representantes da Organização Regional do Partido, 428 delegados, dos quais 187, uma percentagem de 44%, são operários; 172 uma percentagem de 40%, são outros trabalhadores; teve a presença de um único camponês, 0,2% do total dos delegados; contou com a participação de 48 estudantes, no total de 11%; nela participaram 28 intelectuais, constituindo 4,8% dos delegados; e as nossas camaradas mulheres tiveram uma participação em termos quantitativos, mas também não só quantitativos, das mais agradáveis de referir no conjunto das realizações que o nosso Partido tem feito: 103 mulheres, 24% do total dos delegados. A média de idades é de 26 anos.
A Conferência da Organização Regional de Lisboa estudou, examinou e aprovou na base de um conjunto de relatórios, as orientações específicas para o seu trabalho. Dentro dos relatórios é justo salientar pela sua importância, pela sua clarividência, pela justeza e correcção da análise e pela objectividade dos caminhos que traça, o Relatório do Secretário da Região, o Camarada João Machado.
Ouvimos e escutámos um grande conjunto de intervenções e aprendemos sempre alguma coisa com todas elas e com cada uma delas, ainda quando discordássemos, aprendíamos. Escutar um tão grande número de relatórios e de intervenções implica elaborar uma síntese acerca do essencial do que ouvimos e que devemos reter, sem prejuízo de que é necessário aprofundar continuamente, estudando e aplicando os Documentos e os ensinamentos que retirámos da nossa Conferência.
A nossa Conferência quis subordinar a sua orientação geral a uma das expressões saídas de uma das minhas intervenções e é necessário que eu me debruce um pouco sobre ela.
Andar mais, tem um significado concreto, significa percorrer um maior espaço, um maior comprimento do caminho que nos separa dos objectivos da etapa actual da Revolução e dos nossos objectivos finais. Andar melhor, tem também um conteúdo concreto, significa marchar com as duas pernas, significa não dar passos sem saber para onde, mas também não ficar no imobilismo, significa consolidar a nossa organização, antes de tudo sobretudo, para além de tudo, no campo da ideologia e no campo da política. Andar melhor, porque a Organização Regional do nosso Partido é felizmente bastante jovem. Cerca de um terço dos delegados à Conferencia, numa apreciação um pouco breve e não muito profunda, representará organizações do Partido nascidas no Distrito de Lisboa após o Congresso da Fundação. O Partido é jovem, não apenas na idade, como no prazo da formação. Um tão grande número de células e de Comités novos representam uma certeza da vitória, de desenvolvimento, de êxito na Ofensiva do Partido, representa uma demonstração inequívoca das energias, das capacidades que encerra o nosso Partido e o seu programa, mas traz alguns problemas que não devemos subestimar.
A diferença que há entre um jovem e um velho é sempre beneficiadora para o jovem é para o Partido. Os jovens se assimilam as ideias justas, revelam uma grande capacidade de as pôr imediatamente em prática, enquanto os velhos podendo dispor de uma maior experiência, são mais lentos a manobrar. Os novos são como os escoltadores oceânicos, enquanto os velhos são como os petroleiros: antes que a proa mexa, a popa já andou muito. Mas os problemas que levanta uma Organização tão jovem é que se ela não for consolidada nos planos ideológico, político e organizativo, não consegue sobreviver e é neste ponto da consolidação, consolidação dos organismos jovens recentemente constituídos, que os delegados devem fazer força para que o nosso Partido possa crescer mais e mais depressa. É preciso melhorar activamente, rapidamente, o nível ideológico e político dos quadros e particularmente dessas Organizações jovens. Não, porque claro, não tenham que aprender, de melhorar o seu nível ideológico e político os quadros mais velhos e as organizações mais velhas, eles também têm, mas a sua experiência compensa um pouco erros de perspectiva de linha política ideológica que possam cometer, enquanto que as organizações jovens, não estando ainda temperadas pelos grandes combates e pelas grandes tempestades, podem também mais facilmente soçobrar. Questão extremamente importante porque uma parte grande dos nossos delegados, assim que começou a Sessão de Encerramento, foi encher de ideologia não a cabeça mas o estômago e eles nunca se perguntaram, o que é que tinha no estômago o camarada Alexandrino de Sousa quando as 5H da manhã foi assassinado pelo inimigo. Nem se tinha comido nesse dia, o nosso Querido Camarada Ribeiro Santos quando a Pide o abateu a cabeça das massas. Esta para já não dizer que eles não se lembraram de que tínhamos que receber os nossos convidados como anfitriões operários. E uma demonstração destas deve envergonhá-los a eles, mas deve-nos fazer reflectir sobre o avanço, a consolidação e o avanço que é preciso efectuar no domínio do reforço ideológico, político e organizativo de toda a estrutura do nosso Partido. É claro que com a barriga cheia raciocina-se mal, mas em contrapartida arrota-se bem, e não me pode passar despercebido, no dia em que nos reunimos para fazer um balanço da actividade e traçar com clareza os caminhos que se deparam, um gesto desta natureza.
É preciso andar mais, melhor e mais depressa! Mais depressa também tem um conteúdo concreto. Mais depressa, porque há a classe operária que o exige no seu avanço. Mais depressa porque há a crise que o impõe no seu impasse. Mais depressa porque é necessário dar um conteúdo concreto ao nosso avanço, o de percorrer o espaço do caminho que nos falta, um comprimento desse caminho, em passos mais acelerados. Todos os Relatórios que ouvimos são justos? No essencial 90% dos relatórios são justos. Mas ainda entre os relatórios justos há um ou outro pequeno pormenor, um ou outro aspecto que mereceria ser discutido em mais profundidade e que mereceria talvez desenvolvimento, e quiçá certas correcções. Mas numa Conferencia devemos abordar os problemas fundamentais, os problemas de fundo, os essenciais e não devemos desviar-nos para os problemas secundários. Devemos canalizar a nossa acção, o nosso trabalho na Conferência, para conduzir um único rio ao seu destino, à sua foz e não podemos dispersar as atenções na água que fica empoçada em certos pontos da margem.
Nomeadamente o relatório sobre o Trabalho Sindical, que é no essencial justo que é um instrumento poderoso para o avanço do trabalho da nossa Organização, merece grandes reflexões. É necessário compreender acima de tudo que o trabalho sindical não é o fim mas um meio, um instrumento da actividade dos comunistas e que o trabalho sindical só atinge os seus objectivos se ajuda a classe operária a preparar as condições e a tomar o poder político, de contrário é contra os operários.
É necessário ainda que no trabalho sindical, particularmente numa Região com as responsabilidades do Distrito de Lisboa, que tem sido pioneira nesta actividade política do Partido e que tem desenvolvido mais do que qualquer outra Região a nossa acção neste campo, é particularmente importante que não nos deixemos iludir por facilidades aparentes, que não nos deixemos iludir pelos êxitos alcançados e que não criemos em nos próprios as ideias erradas de auto-satisfação. É preciso trabalhar mais, melhor e mais depressa neste campo, porque se me permitem, ainda estamos no começo, apesar deste começo, quanto ao Distrito de Lisboa ser o melhor do Partido. Se estamos no começo devemos afiar todos os instrumentos para avançar e devemos avançar com segurança, com confiança e com cautela.
O Trabalho Sindical do Partido não pode ser reduzido a uma parte da actividade que consiste em apresentar listas sindicais. É necessário apresentar listas sindicais em todos os Sindicatos e desde já naqueles que constam do plano da nossa Organização Regional de Lisboa, mas é necessário completar essa actividade com outra actividade, mais importante ainda, que é a de dirigir as lutas dos operários pelas suas exigências e reivindicações imediatas, designadamente a Contratação Colectiva. E é preciso ainda imprimir ao trabalho sindical a natureza e o carácter político do trabalho dos comunistas. Assentando na definição de programas justos, correctos, avançados, susceptíveis de empurrar a classe para a frente e não de empurrá-la para trás, é preciso concentrar nesses programas uma maior atenção do que aquela que lhes temos dedicado.
A nossa Conferência examinou os problemas concernentes à nossa actividade no campo e fez um balanço justo mostrando que aí o que ainda é principal e predomina é o nosso atraso relativo e que os nossos avanços sendo poucos, são importantes e permitem, à luz das directivas definidas, ganhar um grande tempo que foi perdido, e perdido não por via da Organização Regional de Lisboa, mas de outra organização do Partido de onde os concelhos do norte até agora tem estado dependentes.
Examinou a nossa Conferência o trabalho que a Organização Regional do Partido tem dedicado a educação, à elevação da consciência e organização da mulher trabalhadora. Um trabalho que urge desenvolver ainda mais, melhor e mais depressa. Deu-se grandes passos particularmente nos últimos 5 meses no desenvolvimento da nossa actividade neste campo, passos que estão desde já materializados na delegação das mulheres à nossa Conferencia, no papel activo que elas tomaram, a ponto de a primeira inscrição para debater os problemas em exame ter pertencido a uma camarada mulher.
A nossa Conferência debruçou-se sobre um Relatório que não mereceu a aprovação unânime, mas que deve ser aplicado com firmeza porque esse é o querer da Conferência. Podemos ter opiniões divergentes, opiniões diferentes e até opiniões opostas, mas uma vez que a Organização do Partido decide e decide bem o nosso dever e aplicar essa linha, lutar por aplicar o que foi definido, afim de que depois os resultados práticos venham mostrar onde residia a verdade e onde residia o erro. Dentro de um Partido Comunista não conheço outra disciplina nem conheço outra filosofia política que sirva ao proletariado revolucionário.
Trata-se, não de um aspecto essencial da actividade do Partido, dos que foram aqui discutidos, mas de um aspecto secundário e é o que diz respeito ao aparelho legal do Partido. Em minha maneira de ver, não se pode falar do aparelho legal do Partido, sem pormos claramente à frente; de que Partido se trata. Se se trata de um Partido eleitoralista, de um partido parlamentar e para lamentar, ou se trata de um Partido Comunista que jamais chegará ao poder pelos meios legais. Se se examina o problema do trabalho legal do Partido e do aparelho legal do Partido fora deste enquadramento estamos a defender uma concepção de partido que não é a concepção dos comunistas e por outro lado o nosso Partido tem uma linha quanto à actividade a desenvolver nas sedes, mas o trabalho legal do Partido não é só o trabalho das delegações, o nosso trabalho legal assenta sobre varias pernas, uma das pernas em que assenta o trabalho legal e o aparelho legal do Partido. É efectivamente as delegações.
Tratar do aparelho legal do Partido cingindo-o às delegações, significa abrir a porta para que os oportunistas se instalem nas secretárias e o Partido perca de vista as massas.
A revista teórica do Partido deve melhorar o seu trabalho, O seu trabalho não é ainda bom, pelo menos não é ainda o que o Partido exige, mas tem melhorado através de um esforço que pode ser notado por todos os quadros. A Revista teórica do Partido deve ser apoiada, é uma tarefa de todo o Partido apoia-la, e não pode ser posta de parte. No entanto, é sem dúvida no Órgão Central, o Luta Popular, que devemos concentrar os nossos esforços, dada a ameaça que pesa sobre ele.
Na organização do estudo nas células, na direcção do trabalho ideológico e político devemos saber combinar a Revista teórica do Partido com o Órgão central do Partido, sendo que o que é decisivo, o que é fundamental, o que é essencial, é efectivamente o nosso Órgão Central.
A nossa Conferência examinou os novos aspectos que reveste a luta de classes nos quartéis, e bases dá aviação e da marinha e traçou um caminho bastante claro, preciso, muito justo, para avançar no nosso trabalho. O trabalho nas forças armadas da burguesia, agora que elas estão em reestruturação, é um trabalho absolutamente essencial, porque o inimigo pretende estruturar umas forças armadas para resolver a crise através da força e impor aos operários, aos camponeses e ao povo trabalhador uma solução inteiramente anti-operária e anti-popular.
Natural é que um Partido Comunista como o nosso, que nunca vendeu, nem venderá a sua classe, se dedique à tarefa árdua, mas preciosa, de organizar os filhos dos operários e dos camponeses que estão na tropa, temos receio de o dizer, somos aliás o único Partido que diz que é preciso fazer trabalho político nas forças armadas, e acrescenta entre os soldados e os marinheiros e outros militares anti-fascistas e anti-social-fascistas. Os outros Partidos não o dizem e negam-no, mas não tenhamos ilusões, eles fazem a sua moda o trabalho político que lhes convém, nós fazemos o que convém ao proletariado, trabalho que é muito duro, que é muito árduo, porque é um trabalho, dado que é um trabalho comunista, que tem que ser prosseguido na mais restrita das clandestinidades.
A ideia prática de que os operários não devem sair dos quartéis, é uma ideia que está contida no Relatório aprovado e que me cumpre chamar a atenção para ela. Não sair dos quartéis quando as tropas são lançadas contra o povo, é uma das formas de luta a adoptar, mas não é a única. Por vezes é necessário sair deles e por vezes é preciso dirigir a actuação dessas tropas de dentro delas quando vêm actuar cá fora.
É necessário que este aspecto da táctica, que referi ser a espinha dorsal da actividade do nosso Partido, também não seja abastardada, com facilidades. O Partido tem uma cabeça que é a teoria, a sua ideologia, a teoria marxista, a ideologia do proletariado revolucionário é a política fundamental do Partido, é a luz que orienta a revolução, é o farol para a classe operária, mas tem uma espinha sem a qual o nosso corpo quebra na aplicação prática dessa luz, dessa ideologia, dessa teoria. E a espinha dorsal onde nos devemos apoiar, sem a qual não podemos desenvolver o nosso trabalho, é precisamente a táctica e a táctica não foi dos aspectos mais discutidos na nossa Conferência da Organização Regional de Lisboa. Há uma fuga dos operários do nosso Partido à discussão da política e da táctica. Fuga que não podemos atribuir a culpas próprias deles, mas que temos de atribuir a nós próprios, aumentando, intensificando-a nossa acção neste campo particular. Se o operário não discute a táctica, não é um mestre da táctica, não é um professor também para as massas, nos aspectos da táctica, ele não pode dirigir coisa nenhuma, actuará partido em dois, tudo o que faz com os pés não se comunica à cabeça e o que faz com a cabeça não se comunica aos pés. E a táctica não foi discutida nem a propósito da manifestação dos metalúrgicos, nem a propósito das acções políticas imediatas, nem sequer a propósito de um assunto importante que é saber que medidas práticas vamos tomar, para unir sob uma direcção única todo o caudal do levantamento espontâneo das massas, todo o caudal de lutas e de protestos que despertam aqui e acolá. Se não resolvemos o problema táctico é difícil poder, avançar mais, melhor e mais depressa.
Por outro lado para a actividade das nossas delegações também há uma linha e essa linha é já antiga, foi objecto de uma grande luta, essa linha é o que predomina no nosso Partido, mesmo na Organização Regional de Lisboa, e nestas condições é natural que não pudesse haver unanimidade quanto ao trabalho legal do Partido e ao aparelho legal do Partido. Mas todavia, é a política que foi definida pela Conferência que deve ser firmemente aplicada.
A nossa Conferência deu importância aos aspectos relacionados com a Imprensa do Partido, mas não deu muita atenção a uma parte da Imprensa do Partido que é a nossa revista teórica, razão porque as críticas que foram formuladas me parecem justas. É preciso combater os pontos de vista obreiristas, anarco-sindicalistas, que o revisionismo retomou e ampliou, que julgam que os operários não precisam da teoria e que o que é preciso acima de tudo é a prática. É claro, a prática e o critério supremo da verdade e é de falta de prática que podem ser acusadas muitas das nossas organizações, mas não se pode fazer nada senão à luz de uma ciência e de uma teoria, que é o Marxismo. Se se despreza a teoria ficamos cegos e entregamo-nos nas mãos do nosso inimigo de classe.
No entanto há elementos, ainda que um pouco dispersos, nos relatórios e nas intervenções da nossa Conferência, que permitem solucionar, a contento do Partido e dos operários, este assunto.
A nossa Conferência tratou da nossa acção nas 100 Grandes Fábricas, acção elevada, acção de grande desenvolvimento, a ponto de que, depois do Congresso da Fundação duplicou o número de células de fábrica do Partido.
O nosso Partido organiza hoje, cinco meses após o Congresso que aqui nos reuniu no dia 28 de Dezembro, organiza hoje na área do distrito de Lisboa o dobro das células que organizava naquela data gloriosa da Fundação, das células só nas 100 Grandes Fábricas.
O trabalho nas 100 Grandes Fabricas tem merecido um grande carinho e apoio, do Comité Regional de Lisboa e é por isso que ele tem dado grandes passos. Isto mostra que a acção a desenvolver nos outros campos, onde porventura não tenha havido tempo nem possibilidade de dar uma atenção e um carinho igual ao que se deu as 100 Grandes Fábricas, isto mostra que a atenção e o carinho a dar nesses outros sectores é uma necessidade, para poder marchar com as duas pernas e harmoniosamente no distrito.
A nossa Conferência examinou o movimento dos estudantes, o movimento democrático, revolucionário, contra as reformas da burguesia, pela qual pretende criar um núcleo dirigente de cães de fila, de lacaios dos exploradores para dirigirem a exploração dos nossos operários, dos nossos camponeses e de todo o nosso Povo trabalhador, e tomou uma posição justa quando pretendeu que essa movimentação dos estudantes se deve unir a movimentação dos operários e de todo o Povo.
A nossa Conferência, não por último, abordou também a situação política actual, uma situação que é de preparação acelerada de uma nova crise política, imposta pela crise económica aprofundada e cavada que existe e para a qual os partidos da burguesia não encontram nenhuma solução, a não ser a que seja imposta pela força, contra as massas.
Ao examinar a situação política, a Conferência e os conferencistas chamaram a atenção para que essa situação é excelente para a Revolução e é pior do que nunca para a contra-revolução. Chamaram a atenção para que o carácter das movimentações de massas, espontâneos ainda, devem ser apoiadas e dirigidas, sem hesitações, pelo nosso jovem Partido; que esse carácter demonstra que no seio dos operários, dos camponeses e do Povo trabalhador também é a Ofensiva a corrente principal e não é a defensiva, o capitulacionismo nem a liquidação.
Mostrou que nas vésperas de uma nova crise, a classe operária tem de dar provas de uma grande firmeza política e de uma grande clarividência política, que não deve deixar-se isolar, que não deve deixar afastar de si o aliado de que ela necessita, o campesinato pobre e a pequena burguesia urbana e rural. Que a política do Partido e a sua táctica devem assentar no estudo e na aplicação das formas e dos meios para reforçar esta aliança absolutamente indispensável para resistir eficazmente aos golpes do inimigo e desferir sobre ele golpes cada vez mais demolidores.
A nossa Conferencia chamou a atenção para que as diversas manobras dos partidos do capital encerram preparativos contra a classe operária, mas que a alternativa que se abre aos operários não é de modo algum escolher entre a maioria presidencial e a maioria de esquerda, entre a maioria constitucional e qualquer outra maioria; que todas essas maiorias são tentativas de coligar sob a hegemonia dos revisionistas, sob a hegemonia do capital monopolista de estado ou do capital privado monopolista; de arregimentar os diversos sectores que têm força para reforçar o estado, reforçar as polícias, reforçar os exércitos e reforçar a repressão; que o proletariado deve prosseguir e hoje mais do que nunca, com a sua política autónoma de classe, a sua via própria, a via da Revolução Democrática e Popular e da Revolução Socialista e que não se deve iludir por manobras de falsos amigos.
Os partidos do grande capital manobram preparando as condições que os levem a superar a crise económica a seu contento. Não é possível a grande burguesia, pelos processos democráticos parlamentares, superar essa crise. O empréstimo a que recorre de um bilião e meio de dólares que está a ser negociado pelo governo conciliador e traidor, "socialista", esse empréstimo é grande, mas é uma grande dívida. Esse empréstimo destina-se a financiar uma dívida já existente, no valor de 40 milhões de contos, que e o total da nossa dívida externa. Esse empréstimo de 60 milhões de contos, um bilião e meio de dólares, financia em dois terços a nossa dívida externa e no outro terço, 500 milhões de dólares, 20 milhões de contos, destina-se a no prazo de 10 anos pagarmos juros dos préstimos.
Dentro de 4 anos, se as coisas não sofrerem alterações políticas mais radicais, ó que e impossível, a nossa dívida externa será não como agora de 40 milhões, de contos, mas superior a 80 milhões de contos e dos vossos bolsos terá que sair tudo para pagar essas dívidas.
Nos primeiros quatro meses do ano, o custo da vida aumentou em cerca de 40%, 36,4%, segundo os dados do inimigo, dados que não englobam algumas das mercadorias básicas para a manutenção dos operários e das suas famílias.
Nós tínhamos dito, tanto no Comité Central, onde o assunto foi discutido logo no dia 27, de Fevereiro ou 28 de Fevereiro, como no Comício de 25 de Março e em outras realizações de massas do Partido, que imediatamente após a entrada em vigor do pacote dos 49 decretos da fome e do cabaz da fome, a vida subiria em média 40%, ainda que a burguesia dissesse que os efeitos daquelas medidas só se sentiam para o ano em que vamos entrar no mercado comum, que deve ser talvez no próximo século.
Nos demonstramos na base da nossa ciência e dos factos, que isso era absolutamente impossível, e demonstrámos também que uma nova desvalorização do escudo era inevitável, com todas as consequências que traz para a vida das massas. Actualmente, ou seja quase mais de dois meses depois de o referirmos, a burguesia começa já através de alguns sectores, a falar da necessidade de uma nova desvalorização e o partido do governo seguindo a cantilena anterior também nos diz que não haverá mais desvalorização.
Bom! Nesse caso, será que não será feita por este governo, mas pelo outro que o há-de substituir e demais não nos devemos deixar iludir, porque o Ministro das Finanças o Sr. Medina Carreira, 17 dias antes da desvalorização do escudo, veio à televisão, e muitos o terão ouvido e visto, mostrar como era absolutamente impossível proceder a qualquer desvalorização. Desta vez, não poderiam mandar o charlatão desmentir o que eles chamam boatos de desvalorização e então mandaram um outro elemento, o director do Banco de Portugal, e que aliás convém dizer, vem já da administração financeira do governo marcelista, fazendo parte da equipa do sr. Dias Rosa.
No nosso País nenhuma medida prática, daquelas que são extremamente simples de tomar, mesmo com o governo que lá está, nenhuma medida prática para solucionar a crise e tomada.
Medidas extremamente simples, como evitar que 50 toneladas de sardinha e carapau tenham sido lançados ao mar no dia 25 de Maio em Peniche, porque o preço dada a abundância da faina, desceu colocando sardinha e o carapau a 5$00 por quilo. Uma medida tão simples como esta, medida que nem sequer exigia frigoríficos, que não exigia sequer uma especial rede de frio para resolver, ainda que essa rede seja evidentemente necessária, um problema tão simples como seria entregar o peixe as conservas onde as mulheres não tem trabalho, um problema tão simples de resolver como seria, já que o peixe voltou ao mar, distribui-lo pelos 500.000 desempregados, cuja boca não tem que comer, pelas mulheres e crianças desses homens que esta noite não sabem como vão matar a fome, medidas tão simples, vá lá, já que não se pode esperar que essa gente mate a fome aos operários como seria transformar, ao menos isto, em adubo para as nossas culturas. Nenhuma destas medidas práticas inteiramente de reforma, que não exigem a tomada do poder político pelo proletariado revolucionário, nenhuma destas medidas práticas pode ser tomada pelo governo que existe. E no entanto, o governo que existe não se esqueceu de ao passar por Peniche outro dia, de prometer tal como para os pescadores da Nazaré, um novo porto de mar para Peniche, só se for para não chegar sequer a descarregar a sardinha quando houver abundância.
Um governo que fala muito, que aliás fala de mais, que não sabe fazer outra coisa senão falar, mas que não é capaz de tomar uma medida para mobilizar ao serviço da economia portuguesa, passo a expressão, ao serviço dos que trabalham, não é capaz de mobilizar a quase dezena de milhões de contos inactivos que tem na própria Caixa Geral de Depósitos, que não é capaz de impor uma medida tão simples como seja, pois se os capitalistas têm ali este dinheiro o governo não os expropria, até lhes paga o juro, o juro da lei se quiserem, não faz mal porque o juro é baixo, mas pega nesse dinheiro e usa-o para financiar novos empregos.
Isto são medidas que não resolvem o fundo das contradições desta sociedade, mas são medidas de reforma, qualquer governo, desde que não esteja atado de pés e patas, qualquer governo que não esteja incapacitado de fazer seja o que for, qualquer governo que não falisse, poderia efectivamente tomar.
E de resto, porque é que os próprios bancários não reúnem o seu congresso para eles próprios apresentarem as medidas para a gestão desse dinheiro? Porque é que os bancários temem levantar-se para propor soluções? Porque é que os bancários estão à espera que os revisionistas façam isso e proponham soluções que são contra os bancários e são contra os trabalhadores? Porque é que a nossa organização de bancários particularmente a de Lisboa, não é capaz de meter ombros a uma tarefa como esta? Porque é que a nossa organização dos Seguros não é capaz de mobilizar a sua classe, não só para o Contrato Colectivo, não só para as questões da Previdência, mas para por de pé um congresso dos trabalhadores dos Seguros, onde os capitais, possam ser examinados, controlados, e pelo menos apresentem uma solução que sirva os operários e os trabalhadores? Porque essa solução é um poderoso impulso para a movimentação dos operários. Aos operários abrem-se perspectivas. Aos operários mostra-se-lhes caminhos. Eles ganham confiança no seu andar. Não e só candidatar-se as eleições sindicais? Também tratar da prática, e tratar da política, é propor soluções, e avançar com programas e isso temos nos que fazer. Não precisamos de estar à espera que os sinos toquem, devemos também nesses campos andar mais, melhor e mais depressa. E devemos ousar fazer porque no dia em que os nossos bancários ousarem fazer, as massas apoiam, porque no dia em que os nossos trabalhadores de seguros ousarem fazer, as massas apoiam, porque nos dias em que os nossos camaradas das empresas intervencionadas se reunirem numa sala para aplicar a directiva em 10 pontos saída da reunião das 100 Grandes Fábricas, eles concerteza que vão tomar a hegemonia, a direcção, a liderança do processo de luta contra as desintervenções e contra as próprias desnacionalizações que começam já a estabelecer-se. Há várias maneiras de matar pulgas e há várias maneiras de desnacionalizar. Podemos desnacionalizar todo o que está nacionalizado sem desnacionalizar nada. É uma maneira muito simples. Quando o código de investimentos privados permite que um banqueiro, nomeadamente português, crie um banco no estrangeiro, operando em Portugal não é preciso mais nada para desna­cionalizar os bancos, o único que sobreviverá é o Banco de Portugal e mesmo assim não é seguro, portanto há muitas formas de matar pulgas.
Mas se os nossos camaradas se reúnem, discutem na base da política, por favor deixem-se dessas histórias, de contar histórias que não têm nada que ver com a política, contem as histórias que são a síntese da política contem as experiências concretas que tem quando elas permitem avançar, mas não contem histórias que não nos servem para avançar, façam um esforço, eduquem-se, as historias, o método de contar histórias é um método extremamente educativo, mas quando as histórias educam, quando as histórias deseducam e o método próprio do Sottomayor Cardia.
Os nossos camaradas das desintervenções devem preparar-se rapidamente. Essa política se tiver pela frente uma firme resistência dos operários, uma unidade que passa pela destituição do secretariado revisionista existente para as empresas intervencionadas, se ousarem lutar, vão obter o apoio da maioria, porque a maioria dos trabalhadores não quer as desintervenções, quer as nacionalizações, porque a maioria dos trabalhadores não quer o pacto social, quer a luta de classes, porque a maioria dos trabalhadores vai compreender que nós temos razão. A maioria dos trabalhadores compreende hoje que a nossa política para as nacionalizações era certa, ainda que nós não fossemos capazes de dirigir a massa na aplicação daquela política. A maioria dos trabalhadores compreende hoje que quando nós defendemos as comissões de trabalhadores temos razão, ainda que não fossemos capazes com a nossa juventude, com a nossa inexperiência de aplicar e dirigir a massa à aplicação daquela política e portanto a maioria dos trabalhadores vai compreender que nós temos razão também.
Um camarada nosso, convidado à nossa Conferência, portanto não é militante do nosso Partido, mas trabalha melhor que muitos militantes, enviou-me uma lista das empresas que vão ser desintervencionadas, lista que é claro não se trata de ser discutida no conselho de ministros mas apenas no estado maior das polícias, essas são: Grupo da Prainha no Algarve, a Grão Para, a Nova Hotel, o Grupo Turim Club, a empresa Mármores do Algarve, a Lusalite e a Maiombe, são portanto as que se seguem. Bom! Devemos ter camaradas talvez na totalidade destas empresas, pelo menos simpatizantes. Porque é que nós não nos reunimos? Não será que os trabalhadores do Grupo da Prainha e os do Turim Club quando souberem que os da Maiombe, os da Nova Hotel estão a aplicar a mesma política que eles, resistem efectivamente a tudo? Nós estamos convencidos que sim. Trata-se portanto de aplicar uma política que é a política do Partido, de fazer da táctica a espinha dorsal do nosso Partido e isso foi o que aprendemos aqui, nesta Conferência. Uma Conferência de uma grande importância.
Nos próximos dias novos desenvolvimentos da crise se vão verificar. É preciso que a Conferencia preste atenção e prestou, que não devemos deixar embarcar nos barcos do inimigo. Temos o nosso próprio barco, o nosso próprio rumo, o nosso próprio norte e os nossos próprios comandantes. É nesses, e e nesses que confiamos e é esses que seguimos.
A burguesia escondeu que houvesse uma crise e quase que era enforcado de acordo com o código da Marinha Mercante, o primeiro que se levantasse a dizer que havia crise e de um momento para o outro os partidos do grande capital começam todos a falar em crise. Bom, como nós dizemos no nosso editorial do nosso Luta Popular, não foi porque eles aprendessem e concordassem com os pontos de vista do PCTP, mas é porque, eles pretendem agora queimar o terreno à preparação dos operários, pretendem fingir que a crise é já isto, quando a crise política não é ainda isto. É uma agudização das crise mas falta ainda dar novos passos. Não dizia o nosso editorial que as próximas semanas, quiçá os próximos dias, vão assistir à repercussão da crise ao nível militar e às grandes manobras militares e não é exactamente isso que aconteceu? É. E é o que vai continuar a acontecer.
A burguesia pode chegar a um acordo, porque lhe não é conveniente ainda e de certa maneira não lhe é conveniente ainda afastar o governo socialista, mas o dia do enterro do governo socialista já soou. O dobre de finados por esse governo já tocou. É agora uma questão de esperar que o sacristão deixe de tocar e nessa altura desce à cova o governo que tem a mania que é independente e que pode governar como quiser.
A burguesia vai propor ainda novas soluções, uma solução possível se a crise permanece como vai permanecer efectivamente e vai desenvolver-se e aprofundar-se a crise económica, uma nova solução será as eleições gerais. O proletariado começa a aparecer na rua como na manifestação dos metalúrgicos, a manifestação dos metalúrgicos junta-se a um outro tipo de manifestações, pode ser a manifestação dos trabalhadores das empresas intervencionadas, pode ser do sector da construção civil, pode ser com mais probabilidade a dos têxteis cujas empresas foram mandadas deixar cair e como no sector dos têxteis 90% das empresas são pequenas e médias empresas, significa isso que mais de 50% do proletariado dessas empresas vai ficar sem emprego, é natural que eles lutem e pode ser que o sector imediatamente a seguir a travar lutas, mais radicais, no sentido que vão a raiz das coisas seja precisamente o sector têxtil, ou o sector da electricidade, ou o sector das empresas estrangeiras, que é o sector que está a explodir e que não explodiu ainda de acordo com uma orientação justa para os operários, porque o nosso Partido ainda não conseguiu mas já esta a fazer um trabalho bom, particularmente no Distrito de Lisboa nesse campo. Pois esses sectores todos vão concerteza pôr-se em luta e a experiência mostra-nos que essa luta mesmo espontaneamente se junta. Qual é a experiência que nos mostra isso? É a de Maio de 74. É a do Verão de 75. Enfim é toda a experiência principalmente destes últimos 4 anos.
Nessa altura o inimigo pode tentar tal manobra das eleições gerais antecipadas para quê? Porque sabe que a pequena burguesia se vai afastar com esse aparecimento dos operários em cena e que perguntando ao pequeno burguês apavorado, sem saída, qual é o teu voto, ele diz logo: "PPD, CDS, o que quiserem, tudo menos o proletariado". Pois bem! É preciso trabalhar, não para o voto, mas para que a pequena burguesia no seu conjunto não tenha que dizer isto do proletariado e isso depende da acção dos comunistas, mostrar à pequena burguesia que ela não tem saída fora da direcção e da aliança do proletariado, mostrar isso aos camponeses pobres, mostrar isso à pequena burguesia rural e à pequena burguesia urbana. É importante mostrar isso, o que nenhum camarada ignorará, que para obter o voto da pequena burguesia urbana nas actuais circunstancias basta —  principalmente a pequena burguesia urbana — basta dizer-lhes que se eles não dão o voto no dia seguinte não têm gaz em casa, assim como ele não resiste a 6 Horas dentro do nosso próprio Partido sem refeição, naturalmente não resistirá 6 dias sem banho e sem manteiga.
Para essa manobra temos que estar preparados e não só preparados para competir legalmente nas eleições se o Partido o decidir fazer, mas fundamentalmente preparados para dirigir a nossa classe nesses combates e mostrar que os marxistas-leninistas são os únicos que nos momentos em que a classe operária quer avançar avançam com ela e que nunca a trai. Uma outra medida das que o inimigo pode tomar é o governo bonapartista militar, apoiando-se precisamente nas hesitações nesses medos e nesse pânico da pequena burguesia, ele afasta os partidos ou seja, seja riscando-os do mapa como os pinochets e todos os bonapartes, seja deixando-os no mapa mas sem poderem actuar. Em qualquer dos casos o governo dos técnicos, das prepotências, dos militares o apoio das forças armadas e sob a direcção do bonaparte que pode ser qualquer indivíduo, do mais inteligente ao mais servil, sob a direcção do bonaparte imporá então, a verdadeira face da ditadura que já existe ainda que agora se apresente como um poder democrático parlamentar, quer dizer a contra-revolução burguesa têm várias caras, varias máscaras, a fascista, a social-fascista, a liberal democrática burguesa parlamentar e ainda a bonapartista e o proletariado deve saber identificar como esta Conferência estudou qual é a etapa, a face a máscara que o inimigo afivela em cada momento para o desmascarar e o combater com eficácia, o combater de uma forma correcta. — A situação é boa para os operários, contando que o combate e a luta contra o nosso inimigo principal, o revisionismo, o revisionismo no seio dos operários, o revisionismo no próprio seio do Partido do proletariado, porque ele existe, contando que esse com bate seja aprofundado, seja aperfeiçoado e seja travado sem tréguas um combate de morte. É a luta para conquistar os operários, por persuadi-los, por pertinaz e tenazmente chama-los a compreender a política, chamá-los a compreender e a aplicar a sua ciência, é essa luta que nos temos que saber travar. Não há razão nesta luta por levantar falsos problemas, como o de saber se devemos organizar primeiro as fábricas ou primeiro os bairros um problema inteiramente falso. Ainda há pouco dizia aos nossos camaradas quando conversava informalmente com eles, que o homem se olha para um lago, o lago funciona como um espelho, contanto que seja de dia, é claro, ou haja lua. E que o espelho reflecte as árvores, o lago reflecte as árvores. E que se no lago houver peixes, nós vemos os peixes a andar nas árvores. Mas é claro que os peixes não andam nas árvores, assim também é falsa a questão de saber se devemos organizar primeiro as fábricas ou os bairros, o que é mais importante, se são os bairros se são as fábricas. Devemos concentrar a nossa acção nas 100 grandes fábricas, no plano, ou de acordo com o plano, o número que o plano indica que são as 100 grandes fábricas, creio eu. Devemos preservar a nossa acção nessas fábricas, mas não podemos abandonar o trabalho no resto dos sectores, o trabalho tem de prosseguir, mais, melhor e mais depressa, em todos os sectores, quando se diz que se deve concentrar forças, que se deve içar a bandeira nas 100 grandes fábricas, o que isso quer dizer é que toda a nossa acção em bairros, em sindicatos, seja onde for, tem que concentrar forças ali, mas não quer dizer que os bairros, não são importantes para o Partido, particularmente os grandes bairros operários, como são: Marvila, Beato, Amadora, Queluz e uma série de bairros existentes onde vive o grosso do proletariado concentrado; porque os bairros exercem — especialmente os grandes bairros operários e a isso que me refiro — exercem uma função importantíssima na organização do Partido.
Os bairros permitem, permitem-me e permitem a qualquer de vos, numa só noite, em poucas horas, encher um carro com a propaganda central do Partido ou Jornal e ir distribuir a um bairro, isto é, ir distribuir a todas as fábricas cujos trabalhadores vivem naquele bairro. Se no dia seguinte tivesse que ir distribuir o Jornal à fábrica, já eu sozinho não podia e tinha que arranjar mais 50 camaradas para distribuir em 50 fábricas, tinha que arranjar mais 50 automóveis para distribuir nessas fábricas, e é claro que o meu trabalho, trabalho de Partido, dispersava-se por entre as nossas próprias mãos. Eis a função que exerce o bairro. É ainda para servir a fábrica que o bairro deve ser organizado e a fábrica por sua vez serve o bairro, na medida em que sem fábrica não pode existir bairros organizados, é por isso que eu dizia, que contrariamente aqueles que pensam que há uma contradição absoluta entre o bairro e a fábrica e que a questão de saber qual é o mais importante funcionam como o desprevenido que olha o lago, e diz que os peixes andam nas árvores. Não andam, é exactamente ao contrário, e as ligações entre estes dois problemas são extremamente simples de resolver, quando a perspectiva que temos é uma perspectiva de Partido, uma perspectiva política e aplicamos efectivamente a táctica do Partido.
Os nossos convidados desculpar-me-ão e os camaradas que vieram assistir a nossa Conferência, que eu não tenha usado da palavra para fazer um outro tipo de intervenção, mas era absolutamente impossível cumprir o meu dever para convosco, para com os próprios convidados, se me afastasse do tema da Conferencia. Isto mostra que não tenho outro remédio senão dar à Conferência da Organização Regional de Lisboa uma grande importância, porque ela tem uma grande importância para todo o nosso Partido e que quando se diz que é preciso que ele ande mais, melhor e mais depressa não é só a Organização Regional de Lisboa, é todo o nosso Partido que precisa, ANDAR MAIS, MELHOR E MAIS DEPRESSA.

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