sábado, 27 de maio de 2017

1977-05-27 - Violenta repressão em Mora - PCP

Violenta repressão em Mora

TRABALHADORES! POVO ALENTEJANO!
No dia 25 de Maio muitas dezenas de trabalhadores, homens, mulheres e jovens, de Mora, foram brutalmente espancados pela GNR.
Por volta das 7 horas, mais de 300 GNRs, de viseira e bastão, com cavalos e cães polícias, com 25 jeeps e «berliets», cercaram a Herdade do Paço de Cima, da UCP «A Luta é de Todos», Justificação: entregar a herdade, como reserva, ao proprietário José Cabral Nunes Barata.
Logo de manhã, 1600 trabalhadores concentraram-se na herdade. A GNR, comandada por 3 tenentes, deu 5 minutos para os trabalhadores se afastarem. Estes afastaram-se para a extrema. Um GNR provoca um incidente, tentando prender um trabalhador. Aí começa a brutalidade da Guarda batendo sem olhar como e a quem. Homens, mulheres, rapazes e raparigas fogem, outros caem, levando com bastões. Lançaram os cães. Uma mulher foi mordida. Há mulheres que fogem para casa de pessoas conhecidas, mas a GNR entra, puxa-as para a rua e bate-lhes, como, por exemplo: uma menina de 7 anos foi empurrada para dentro de uma valeta. Uma jovem de Pavia, Georgina, está de cama, paralisada da cintura para baixo. Firmino M. Relvas, das Brotas, foi internado no Hospital de Évora. Ao todo, cerca de 70 feridos, dos quais 40 tiveram de receber tratamento hospitalar.
QUEM SÃO OS RESPONSÁVEIS!
É o Governo, é o MAP, o Ministro Barreto, o Secretário Portas. É o próprio Governador Civil e o CRRA. São eles que mobilizam as forças militarizadas e mandam bater em homens, mulheres e crianças indefesas que apenas desejam trabalhar. São eles que estão a entregar a terra aos agrários, a violarem a lei e a Constituição, a destruir a Reforma Agrária. Aqui está o significado real do «Socialismo em Liberdade» (ou melhor, do Socialismo de miséria, da fome, com o chicote à mistura!). Aqui está o significado real do projecto lei Barreto, a que ele chama «Bases Gerais», a sua «2.a Reforma Agrária».
Esta é uma política criminosa contra os interesses dos trabalhadores e do povo. Tiram as terras, os gados, as máquinas; cortam o crédito, pro­vocam o desemprego e o aumento do custo de vida; desorganizam a pro­dução, causando grandes estragos à economia do País. Ao mesmo tempo reprimem com violência os trabalhadores!

RESPOSTA DOS TRABALHADORES! SOLIDARIEDADE E DETERMINAÇÃO
Apesar desta violenta repressão, ontem, dia 26, ao apelo do Secretariado das UCPs e Sindicato Agrícola do Distrito de Évora, realizou-se em Mora, às 18 horas, uma grande manifestação de protesto com cerca de 20 000 trabalhadores de Mora e de outros concelhos vizinhos. Os trabalhadores de outras localidades, numa magnífica prova de unidade e combatividade levaram aos seus camaradas de Mora o calor da sua solidariedade activa e a confiança na vitória.
Milhares de trabalhadores gritaram com vigor pelas ruas: «Abaixo a reacção!», «A luta continua, Barreto e Portas para a rua!», «Avante com a Reforma Agrária!», «Unidos Venceremos!», etc. Foi aprovada uma moção em que se exige, entre outras coisas, fim da ofensiva, um inquérito aos responsáveis desta repressão, devolução das terras tiradas às UCPs.
Os derrotados serão os inimigos da Reforma Agrária. Os trabalha­dores, unidos e organizados vencerão!

27 de Maio de 1977.
A Direcção da Organização Regional do Alentejo do Partido Comunista Português

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