sexta-feira, 26 de maio de 2017

1977-05-26 - Unidade Popular Nº 120 - PCP(ml)

O dia da resistência clandestina

O golpe de Estado de 28 de Maio de 1926, dirigido por Gomes da Costa, abriu o caminho a uma das mais longas ditaduras fascistas que a Europa conheceu: a ditadura de Salazar e Caetano. Durante mais de 40 anos, a repressão fascista abateu-se sobre o povo português, sobre os opositores e resistentes que, perfilhando embora ideologias diferentes, lutavam contra o fascismo e pela instauração das liberdades democráticas.
Os comunistas portugueses destacaram-se na resistência ao fascismo. Mas a sua luta não foi sem vicissitudes, sem dificuldades.
No começo dos anos 20, já o Partido Comunista Português apelava à unidade das forças democráticas para, conjurar o perigo crescente da ameaça fascista que então grassava pela Europa. Os seus apelos não foram levados à prática. E em 1933 o regime salazarista estava consolidado.
As forças comunistas tinham sido praticamente desbaratadas. Mas em 1929 o Partido prepara-se para enfrentar o fascismo, reorganiza-se, envereda decisivamente na resistência clandestina. E a resistência clandestina vingou os seus objectivos: o Partido Comunista crescia, robustecia-se, organizava e dirigia as massas populares. Muitos foram os que suportaram a prisão e a tortura. Nos subterrâneos da liberdade forjava-se a vitória do futuro.
A traição revisionista de 1956, concretizada pelo grupo de Cunhal, foi porventura o golpe mais duro na classe operária portuguesa desde o advento do regime de Salazar. Os sociais-fascistas revisionistas apoderaram-se do aparelho clandestino do Partido, do seu nome, esmagaram momentaneamente a justa direcção da resistência.
Os verdadeiros comunistas, porém, que resistiam ao fascismo, não se deixaram vencer por essa derrota temporária. Em 1964 surge o Comité Marxista-Leninista Português que, seis anos depois, reergue o partido da classe operária, o PCP(m-l). Herdeiro das tradições do Partido Comunista Português e do CM-LP, o PCP(m-l), dirigindo a luta anti-revisionista e antifascista, continua a resistência clandestina.
O golpe militar de 25 de Abril de 1974 derrubou finalmente o caduco regime colonial-fascista de Salazar e Caetano. As liberdades democráticas foram instauradas. Mas o perigo de o povo português ser de novo assediado por um novo regime fascista não passou. O partido social-fascista de Cunhal tornou-se a principal ameaça às liberdades democráticas. A quinta-coluna do social-imperialismo russo no nosso País já por diversas vezes pôs Portugal - e continua a pôr ininterruptamente - à beira da ditadura social-fascista.
Na sua voracidade de conquistar a Europa e o mundo, os sociais-imperialistas russos colocam o mundo face ao perigo iminente de uma nova guerra mundial: é uma outra ameaça à integridade nacional do nosso País e as liberdades democráticas.
Nestas circunstâncias, em que a ameaça social-imperialista e social-fascista são uma realidade, os comunistas portugueses devem estar preparados para enfrentá-la. E não apenas os comunistas mas também as forças democráticas burguesas igualmente visadas na ofensiva dos novos czares
Para melhor poder enfrentar a ameaça social-imperialista, o PCP(m-l) decidiu fazer do dia 28 de Maio o dia da resistência clandestina. Nessa data, os comunistas portugueses estudarão a larga experiência adquirida nesse campo ao longo de décadas de resistência.
Preparando-se hoje, os comunistas estarão amanhã em melhores condições para dirigir a resistência clandestina.

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