quinta-feira, 25 de maio de 2017

1977-05-25 - Bandeira Vermelha Nº 071 - PCP(R)

EDITORIAL
O FASCISMO NÃO PASSARÁ

1. Perfazem no próximo sábado, dia 28, 51 anos sobre o tenebroso golpe fascista que em 1926 abriu uma página negra na História da pátria lusitana. Em nome da ordem e da autoridade, os militares ensanguentaram o país, espezinharam as liberdades, perseguiram o Progresso, destruíram a nação.
Foram 48 anos de obscurantismo e miséria. Os chefetes da reacção, sob a batuta dos bandidos Salazar e Caetano, deixaram atrás de si um cortejo de horrores: centenas de milhar de mortos e estropiados numa guerra injusta, uma economia arruinada sob as garras dos monopólios vorazes, um país dividido entre um punhado de parasitas exploradores e milhões de pobres e sacrificados.
Hoje, 51 anos percorridos sobre essa trágica data, 3 anos decorridos após o 25 de Abril, a ameaça fascista continua ensombrando o futuro de Portugal. A política antipopular do Governo social-democrata, a recuperação monopolista e agrária que vem impulsionando, são factores que alimentam a arrogância e a agressividade da besta fascista.
Precisamente a três dias dessa data sombria, a 25 de Maio de 1977, vai realizar-se uma cimeira entre os dois maiores partidos do grande capital e do fascismo. Os bandoleiros que dirigem o PPD e o CDS puseram-se de acordo em concertar forças para exigirem maiores viragens à direita na vida nacional. Encobrem-se com falas democráticas, candidatam-se a campeões dos direitos do homem. Mas não podem ocultar a sua catadura de financeiros assassinos e de parasitas sem escrúpulos. O ódio que nutrem à classe operária e à liberdade — mal disfarçado nos discursos parlamentares — ficou à vista nas acções terroristas promovidas nos, Açores com a protecção do governo regional. É o poder que ambicionam. A sua moral é a opressão, a sua razão é a finança.
2. Um aviso solene, uma ameaça muito séria, dirigimos aos saudosos do passado: não cantem vitória. Não tomem os desejos pela realidade, porque racharão os dentes. Os comunistas, a classe operária, os pobres das cidades e dos campos estão de pé e vigilantes. Mais uma vez dispostos a todos os sacrifícios para defender a liberdade, a cultura, o bem-estar dos seus e um futuro livre e feliz para a sua pátria. Que uma certeza fique gravada na mente retrógrada dos ideólogos fascistas — NÃO PASSARÃO!
Os ideais antifascistas estão bem vivos no coração dos trabalhadores portugueses. A repulsa e a indignação alastram como o fogo face a libertação dos pides, à absolvição dos bombistas e assassinos, ao odioso encarceramento do jovem antifascista Rui Gomes. Nos últimos dias animou-se o movimento a favor de um tribunal que julgue a Pide com justiça e seriedade. O alargamento desta exigência nacional, a sua fusão com o movimento operário e popular, são tarefas essenciais do momento presente. A sua concretização diz respeito a todos os cidadãos democratas, a todos quantos desejam preservar a liberdade e defender a democracia.
3. Indissociável da luta pelas liberdades contra o fascismo, factor determinante da vitória desse combate, é a luta da classe operária e dos trabalhadores contra a carestia e o agravamento das condições de vida, por melhores salários e regalias sociais. Nas suas bandeiras estão inscritos os ideais antifascistas porque a classe operária é o primeiro alvo da barbárie fascista, porque o fascismo é o mais terrível regime da escravidão assalariada.
São as grandes movimentações operárias que não cessam de multiplicar-se, que espalham o pavor e a instabilidade no campo inimigo, alargam as liberdades que o capital quer cercear, socavam o poderio da alta finança que alimenta o fascismo e a reacção. É nas grandes movimentações de massas contra o fascismo e a miséria, em defesa das conquistas alcançadas, que se encontra a chave do triunfo sobre as forças do passado e da opressão.
Por isso não pode atenuar-se a luta da classe operária. Por isso não podem os metalúrgicos vergar-se às chantagens das portarias, das greves intermitentes, da paz social. Por isso o exemplo do pequeno mas corajoso Sindicato das Carnes deve frutificar entre os operários que são dignos da sua classe. Ele mostra que a força pertence aos trabalhadores, porque a razão assiste ao Trabalho e não ao Capital.
Os que dizem opor-se ao fascismo mas pregam a cobardia e a rendição aos projectos do capital e do imperialismo, os que utilizam abusivamente o nome de comunistas e não passam de vendidos revisionistas, esses serão julgados pela História como lacaios e renegados.
4. Seria um erro que pagaríamos caro não ver os factores favoráveis da situação actual. Os manejos dos fascistas, os arranjos de bastidores, não podem ocultar a realidade do movimento de massas. Permanecem os factores de crise no seio da burguesia e não lhes será fácil ultrapassá-los.
Intensificar as acções combativas, unificar o movimento estudantil democrático ao movimento operário, fundir a luta antifascista com a acção reivindicativa, é o caminho a seguir. Não há que temer a radicalização quando os objectivos são justos e amplamente sentidos, pois ela depressa conduzirá à ampliação dos combates.
A acção de massas paralisará a iniciativa da burguesia, alargará o campo popular antifascista e abrirá a saída segura contra a política reaccionária do governo, afastando para longe o espectro da ameaça fascista.

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