terça-feira, 23 de maio de 2017

1977-05-23 - Improp Nº 03 - III Série - Movimento Estudantil

PROSSEGUIR NA LUTA

Exigimos a resolução dos nossos problemas, exigimos a abertura ao diálogo por parte do MEIC e estamos dispostos a lutar caso as nossas reivindicações não sejam atendidas.
Estas foram, em síntese, as conclusões do último Plenário da Academia de Lisboa.
Queremos a escola a funcionar integralmente, e repudiamos aqueles que querem atropelar o seu funcionamento, democrático, Recusamos firmemente que se queira silenciar os estudantes e outros habitantes da escola, recusamo-nos a participar num diálogo que é um monólogo, recusamos a atitude do Cardia de "Quero, Posso e Mando", e opomo-nos a que vão fechando e dissolvendo pouco a pouco todas as escolas do País e que em sua substituição os estudantes passem a ter a sua actividade escolar nas instalações da Policia.
Cada vez mais se apresenta como evidente que a origem dos problemas que afectam o normal funcionamento das várias escolas, é o mesmo que reside na política anti-democrática ao ministério de Cardia. Aqueles que ainda hoje se encontram hesitantes com uma certa esperança que o MEIC resolva alguns destes problemas, lembramos que para além das muitas promessas de tudo resolver, o MEIC nada fez e a situação tem-se agravado. Na Biologia, também o MEIC tinha prometido tudo, que as aulas se iniciassem e logo apareceria dinheiro para pagar aos professores bem como para contratar os que fossem precisos, mas a triste verdade é que nem os assistentes foram contratados, nem os ordenados pagos, nem a mínima atenção foi prestada.
Nos Hospitais Civis os estudantes ainda não tiveram aulas apesar de já há meses o MEIC vir dizendo que estas se vão iniciar para breve. O ISCSP fechado no início do ano lectivo para, segundo o MEIC, ser reestruturado, vê agora a "reestruturação” terminar com a dissolução desta escola. Os estudantes de Psicologia vêem o seu curso encerrado e mais um ano lectivo perdido parece ser o destino lhes reserva. E muitos outros exemplos poderiam ser dados.
Enquanto isto o ministro Cardia insulta os estudantes e professores e utiliza a RTP como meio de divulgação da sua demagogia, tentando dar a ideia a população portuguesa que os estudantes são "uns malandros que não querem trabalhar e o que querem é gastar dinheiro". Muito esquecido devo andar o Sr. Cardia do tempo em que ele também era estudante e das posições que nessa altura tomava.
Mas, o repúdio a esta política tem aumentando e outros sectores apresentam e a sua discordância. Assim, grande parte dos professores de Coimbra protestam contra o encerramento da Academia, o que obrigou o Cardia a abrir esta para os docentes e trabalhadores, mas o pro testo continua porque a Academia só tem sentido quando em funcionamento com os três corpos, e amanhã os professores de Coimbra vão-se reunir para tomar uma posição sobre esta "semi-abertura".
Também na nossa escola, o Conselho Cientifico toma uma atitude de protesto pela reintegração dos professores e funcionários saneados, de protesto "’ela recusa de diálogo que o MEIC apresenta, e pelos métodos do "eu decido, tu escutas".
Os reflexos que a luta estudantil tem tido colocam-na como um assunto de importância nacional, e o apoio de muitos milhares de trabalhadores expressam, nomeadamente integrando -se nas grandes manifestações que em Coimbra e Porto decorreram, demonstram um enorme apoio e solidariedade que a nossa luta tem vindo a despertar.
E, sem dúvida, que a próxima manifestação    de 5ª feira, 26, em S. Bento será uma prova clara de unidade e força da luta estudantil, e do apoio e simpatia que esta recebe das largas camadas da população.
A grande mobilização que se tem verificado de solidariedade com os estudantes do Porto e Coimbra é hoje um garante seguro da justeza da nossa luta, mas muito mais colegas, que, ainda se apresentam duvidosos, têm que ser esclarecidos e chamados para o nosso lado. Para isso uma grande campanha de esclarecimento tem de ser feita, e todos os nossos colegas têm de ser abrangidos de maneira a que a falsa informação de certa imprensa diária ou a demagogia reaccionária, não possam fomentar a divisão ou derrota, com as inevitáveis consequências para todos nós.
É por isso que o extremamente correcto o apelo do último Plenário de Lisboa, para se desenvolver campanha de informação dentro e fora da escola, de esclarecimento dos objectivos actuais da luta estudantil e esta é uma tarefa que todos nós temos de pegar em mãos, pois se o fizermos correctamente conseguiremos de certeza que a resposta que exigimos do MEIC não seja a repressão policial e o encerramento de escolas.
Na próxima 4ª feira, pelas 15 horas vai-se realizar novo Plenário da Academia de Lisboa, nele os estudantes de Lisboa irão decidir qual o prosseguimento para a sua luta, que caso persista a recusa ao diálogo será a entrada em greve decidindo-se nesse Plenário a sua duração e carácter.
É, pois, evidente a importância deste próximo Plenário, e a necessidade de uma grande convocação e mobilização, de nodo a que a demagogia das "minorias golpistas" seja claramente refutada pela presença de milhares de estudantes, de modo que este Plenário seja mais uma demonstração de unidade e de vontade resolução dos problemas do ensino de acordo com os interesses democráticos dos estudantes.
TODOS AO PLENÁRIO.

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