terça-feira, 23 de maio de 2017

1977-05-23 - CONTRA A POLÍTICA DE BASTONADA DO M.E.I.C - UCRP(ml)

CONTRA A POLÍTICA DE BASTONADA DO M.E.I.C

OS ESTUDANTES SABERÃO ERGUER-SE EM LUTA AO LADO DO POVO!

Empenhando-se na aplicação duma política marcadamente anti-operária e anti-popular, o governo de Mário Soares tem estendido também esta sua política ao Ensino.
O ministro Cardia que tolera um número importante de social-fascistas irredutíveis em sectores chave do ensino, tem-se dado ao trabalho de reintegrar fascistas e agora pretende reintegrar professores fascistas saneados em Coimbra.
O ministro Cardia resolvem reinstaurar o sistema de exames nacionais para a selecção dos estudantes para um melhor rendimento das escolas, do ponto de vista dos interesses capitalistas.
O ministro Cardia manda a polícia de choque carregar sobre os estudantes e encerra escolas procurando na política da bastonada a solução da crise permanente do ensino, crise que o capitalismo engendrou crise de que o capitalismo é o único responsável.
A POLÍTICA DO MEIC NAS ESCOLAS
SERVIR O DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA CAPITALISTA
Herdando do fascismo e do gonçalvismo escolas reduzidas à anarquia, como resultado da política de ensino seguida desde sempre no nosso país própria dos sistemas capitalistas e com a agravante da profunda crise do poder burguês que abalou o país depois do 25 de Abril, o governo P"S” viu-se perante uma situação em que a produção de técnicos e quadros que garantissem o andamento da máquina capitalista de exploração e opressão d0 povo trabalhador deixava "muito a desejar".
Por estas razões, o ministro Cardia não tem deixado de declarar as suas intenções de instalar a "ordem" e a "disciplina" no ensino que diz servirem os interesses nacionais e terem por objectivo salvar a economia portuguesa.
Contudo a política de ensino do governo, do mesmo modo que a política que segue nos outros sectores.
- dos interesses nacionais, fica-se pela defesa dos interesses dos capitalistas, organizando-a intensificação da exploração das massas trabalhadoras a quem quer fazer carregar com o fardo da crise capitalista;
- ao contrário de salvar a economia portuguesa apoia-se numa solução baseada no crescimento em flecha dos lucros capitalistas e na aceleração desordenada da produção, acumulando de dia para dia os índices de uma nova crise mais grave ainda do que a anterior.
Interpretando os interesses dos capitalistas "privados e burocráticos" e procurando ultrapassar a depressão económica, o governo P”S”, ao mesmo tempo que desencadeou um aumento desenfreado dos preços e a intensificação da exploração dos trabalhadores, tem necessidade, de modernizar as técnicas das empresas existentes e criar novas empresas, instalar novas máquinas, renovar o capital fixo dos capitalistas e incentivar a concorrência e garantir o bom funcionamento dos diversos sectores da sociedade capitalista.
São estas as razões da política do ministro Cardia no ensino e dos seus esforços quanto à formação de técnicos e quadros à altura de responderão às necessidades do desenvolvimento do capitalismo.
- Quando o ministro Cardia tolera social-fascistas em importantes sectores do ensino e quer reintegrar fascistas saneados, não pretende outra coisa senão "melhorar" o quadro dos professores no sentido de garantir uma melhor formação dos técnicos e quadros do capitalismo;
- Quando o ministro Cardia instaura o sistema de exames nacionais não pretende outra coisa senão garantir selecção dos estudantes e a formação de técnicos e quadros "competentes" e politicamente "domesticados" para melhor servirem o capitalismo.
- Quando o ministro Cardia manda, a polícia de choque carregar sobre os estudantes e quando encerra as escolas, o seu objectivo não é outro senão o de intimidar os estudantes tentando impor-lhes à força da bastonada o espírito de obediência e do servilismo face à disciplina do capital e a um ensino que o sirva.
Enfrentando a recuperação das conquistas democráticas alcançadas, depois do 25 de Abril, enfrentando uma política de selecção que atirará milhares dentre eles para o desemprego, enfrentando a repressão das hordas embrutecidas da polícia de choque, vítimas de uma situação de que não são responsáveis, os estudantes revoltam-se. Uma tal revolta é tão justa como inevitável, pese esta verdade à demagogia social-democrata.

ALERTA CONTRA AS MANOBRAS DO SOCIAL-FASCISMO
A U.C.R.P.(m-l) apoia a justa luta dos estudantes contra, a reintegração dos professores fascistas saneados, contra a selecção e o desemprego que dela advirá, contra a repressão policial e o encerramento das escolas, contra a política do cacete ao serviço do grande capital, burocrático e privado.
Mas nós dizemos-lhes que a solução para os problemas do ensino só pode alcançar-se coisa instauração da Ditadura do Proletariado. A solução está na unidade da luta dos estudantes com a luta das amplas massas do povo explorado e oprimido, contra a exploração capitalista, contra o social-fascismo e o fascismo e contra os imperialistas, em particular os Russos e Americanos, que mais ameaçam a independência de Portugal.
Por estas razões, alertamos os estudantes em luta para as manobras dos UEDPs e trotsquistas que pretendem canalizar a luta Apenas contra a reintegração de fascistas no ensino, pretendem abafar a luta contra os social-fascistas, que permanecem nas escolas, nas secretarias e serviços do MEIC e mais do que os fascistas, espreitam o momento oportuno para voltarem a tomar de assalto, não só o sector do ensino, mas todos os outros sectores em que perderam posições, esmagarem a luta popular estudantil repetindo as façanhas do gonçalvismo.
A EU”C" social-fascista tem-se mantida "à distância" na luta dos estudantes embora dizendo que se "solidariza". Não se trata de mero acaso. Como não foi por acaso que na altura da manifestação em Coimbra, a União Sindical local não se integrou na manifestação.
Tais posições não são "reformismo" como pretende fazer crer a UEDP. O social-fascismo está tão interessado numa escola capita lista como o ministro Cardia, conquanto garantam as posições que já detiveram e que negoceiam agora com o governo, nas costas dos estudantes, dos trabalhadores, concertamento em torno do "plano a médio prazo", na perspectiva de alcançarem o que dizem ser a sua "alternativa democrática" mas que é de facto meio caminho andado para uma ditadura terrorista social-fascista do grande capital burocrático monopolista no nosso país.                       
A "solidariedade" social-fascista é na verdade uma "solidariedade" de ocasião que se transformará no momento oportuno no que já fizeram no tempo do "companheiro Vasco” quando foram corridos à pedrada de várias escolas.
Os estudantes devem manter bem vivos os ensinamentos adquiridos nas lutas desenvolvidas depois do 25 de Abril, rejeitar a direcção da UEDP e trotsquistas que os querem desviar dos objectivos correctos e devem preservar na luta em defesa dos seus interesses e dos interesses da grande maioria do povo português contra a ofensiva das forças do grande capital contra, o social-fascismo, e o fascismo e contra o social-imperialismo, o imperialismo ameaça de guerra imperialista.
- CONTRA A POLÍTICA ANTI-ESTUDANTIL DO M.E.I.C.!
- SOCIAL-FASCISTAS E FASCISTAS FORA DAS ESCOLAS!
- OS ESTUDANTES AO LADO DO POVO!

Lisboa, 23 de Maio/77
O Secretariado do Comité Central da UNIÃO COMUNISTA PARA A RECONSTITUIÇÃO DO PARTIDO (MARXISTA-LENINISTA)

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