terça-feira, 23 de maio de 2017

1977-05-23 - COMUNICADO - JSD

COMUNICADO

Certos problemas que o MEIC não vinha resolvendo com a rapidez necessária foram alguns dos pretextos que permitiram a agitação e propaganda de certas estruturas políticas (UEC, UDP e também MRPP) desenvolver, logo a seguir aos "primeiros dias de Maio”, uma forte campanha de desestabilização do funcionamento do ensino, com especial atenção para a Universidade.
Se algumas situações existiam e existem que justificam legítimos anseios por parte dos Estudantes Portugueses, o que não se compreende é o arsenal de meios e interesses postos ao dispor da mais bem estruturada campanha de "contestação” desenvolvida no campo do ensino desde o 25 de Abril, a não ser que o que se pretenda alcançar ultrapasse largamente o sector estudantil.
Difícil de explicar é, também, o facto de algumas das questões agora empoladas não terem merecido, anteriormente, sequer a mínima das atenções por parte dos que se autoproclamam "únicos” defensores dos estudantes.
Não pensa a JSD que formas de luta como as que recentemente foram usadas (16 dias de greve em Coimbra, certas manifestações de rua e jornadas de paralisação gerais) sejam a forma de dialogar, em clima de serenidade é do mais elementar bom senso, com o MEIC ou com quaisquer outras estruturas universitárias, sobretudo no período final do ano lectivo.
Nem sempre, igualmente, tem havido da parte governamental a clareza de soluções consagradoras dos princípios mais justos, como o desejariam os estudantes portugueses.
A partir de um ENDA em que algumas associações de estudantes do ensino superior, numa atitude conscientemente divisionista do Movimento Associativo - que parece vaguear ao sabor dos sentidos de oportunidade de organizações claramente anti-estudantis - decidiram iniciar uma prolongada campanha de crescente paralisação das escolas.
Sucederam-se choques entre os interesses dos estudantes e os dos que pensam que os fins justificam os meios; no Porto e em Lisboa foram criadas situações de confronto entre os que pretendera ver chegar a bom termo o seu ano lectivo e os que, parecendo não ter preocupações deste tipo, não hesitaram em contrariar os interesses da maioria dos estudantes portugueses. Lamentavelmente, estas situações prometem repetir-se brevemente no ensino superior, se até lá os estudantes não repudiarem claramente (como já o fizeram em muitas escolas) a actividade de grupos que tentam servir-se do Movimento Associativo como mera correia de transmissão de decisões partidárias, à boa moda estalinista-leninista da Intersindical. Exemplo mais flagrante é o do "caderno reivindicativo dos estudantes portugueses" que, não tendo sido por estes discutido e muito menos aprovado, não é sequer fruto do trabalho de qualquer estrutura nacional representativa dos estudantes, a tão polémica UNEP (União Nacional dos Estudantes Portugueses), cujo congresso de fundação os responsáveis pelo ”caderno” tentaram e tentam, por todos os meios possíveis, adiar.
Saudosistas, de experiências falhadas como o Maio de 68 em França, caíram na ratoeira que o PCP lhes lançou. Prova de que mais do que isso não era, foi a rapidez com que a UEC deles se veio a demarcar, acusando-os publicamente de "esquerdistas", quando na realidade foi nos gabinetes do PCP que todo o plano foi elaborado.
No campo particular do ensino secundário, o envolvimento da UEC foi mais claro, não tendo, no entanto, conseguido aliciar número significativo de estudantes, recuando rapidamente frente à solução ministerial, quanto aos exames nacionais.
De tudo isto se conclui que, mais uma vez, organizações incapacitadas para práticas democráticas nas escolas empolaram algumas questões reais, aproveitando fraquezas governamentais, tentando manipular muitos estudantes para conseguirem, fielmente cumprir com os desígnios dos seus “mestres"; desestabilizar, como forma, presentemente possível, de combater a Democracia - realidade a que não parecem conseguir adaptar-se.

Lisboa, 23 de Maio de 1977
A COMISSÃO POLÍTICA NACIONAL DA JSD

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