sexta-feira, 19 de maio de 2017

1977-05-19 - Unidade Popular Nº 119 - PCP(ml)

A África pertence aos africanos

A diminuição da influência americana no continente africano tem sido aproveitada pela superpotência rival — a URSS - para aí se infiltrar, tirando partido de numerosas dificuldades que se põem aos países africanos. Faz se passar por «aliada» dos países em luta pela libertação nacional ou pela consolidação da sua independência e tenta, assim, por intermédio de uma pretensa «ajuda militar» e «económica», infiltrar-se, criar bases militares, semear a discórdia entre diversos países e ir progredindo nas suas actividades subversivas de Norte a Sul. Os sociais-imperialistas russos seguem uma táctica de envolvimento externo do continente e, ao mesmo tempo a do «cavalo de Tróia»: as suas frotas de guerra navegam pelo Oceano Indico, no Mediterrâneo e nas imediações do mar Vermelho. No Atlântico Sul já possuem bases costeiras a Norte e a Sul. Por outro lado, cresce a infiltração russa no interior africano para onde enviaram grande número de mercenários e efectivos militares sofisticados estacionados em vários países. Move-os uma dupla intenção: expulsar os seus rivais americanos deste continente e ao mesmo tempo controlar os países em luta pela independência ou pela sua consolidação. Em qualquer dos casos a sua estratégia é evidente: dominar o continente política, económica e militarmente e fazer dele uma grande base de apoio à sua estratégia de cerco militar e económico à Europa Ocidental - ponto-chave da sua rivalidade com a superpotência americana. Hoje em dia torna-se cada vez mais claro que os novos czares representam a maior ameaça para os povos africanos. Depois da agressão em Angola, seguiu-se a agressão ao Zaire. E isto para além das tentativas de golpes de Estado em países vizinhos do mar Vermelho e do Mediterrâneo. Ultimamente fazem uma grande ofensiva na região oriental africana, conhecida como o corno de África, mobilizando todos os seus esforços para apoiar o regime de Adis Abeba, na Etiópia. A recente viagem do chefe da junta militar etíope. Mengistu. a Moscovo, enquanto os seus soldados reprimiam barbaramente os estudantes descontentes com a viragem no regime e provocavam centenas de mortos nas ruas, bem como as declarações conjuntas proferidas no Kremlin, vieram reafirmar os receios de que os novos czares pretendem implantar-se solidamente na estratégica entrada do mar Vermelho. Na Somália têm uma forte base de apoio. E a próxima independência prevista para 27 de Junho, da colónia francesa dos Agars e Issas, pequeno país situado mesmo à entrada do mar Vermelho, corre o perigo de se ver compro metida pela intervenção etíope, atiçada de Moscovo.
Mas há que confiar na determinação dos povos africanos. Eles, que resistiram durante séculos à opressão colonialista ou imperialista será agora que se irão deixar subjugar pelo colonialismo social-imperialista? A experiência das manobras e actividades agressivas de Moscovo nos últimos tempos constitui uma rica experiência que elevou o nível de vigilância dos países africanos.
A via que têm que percorrer à longa e sinuosa, pois a perfídia dos novos czares e enorme, a sua demagogia de «amizade» e «aliança natural» são obstáculos duros de ultrapassar. O futuro pertence, contudo, aos países e povos africanos em luta contra o imperialismo e o hegemonismo. E ele abre-lhes as perspectivas mais radiosas. No fundo, tal como acontece noutros continentes em luta contra o hegemonismo e o social-imperialismo, também o continente africano pertence e pertencerá aos povos e países africanos.

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