sexta-feira, 19 de maio de 2017

1977-05-19 - AOS TRABALHADORES DA PRIMOBELA - PCTP/MRPP

AOS TRABALHADORES DA PRIMOBELA
NÃO AOS DESPEDIMENTOS!
A LUTA CONTINUA!

O Comité Local da Amadora do PCTP/MRPP deseja através deste comunica, expressar aos operários, às operárias e restantes trabalhadores da Pri­mobela o seu apoio firme e decidido na justa luta que travam contra as manobras da administração capitalista que visam despedir uma trabalhadora delegada sindical que assumiu a posição de divulgar os aumentos dos homens de mão da administração numa fase em que a mesma afirmava Não ter a fábrica viabilidade de aumentar, fosse quem fosse. Esta posição representa a defesa dos interesses dos operários e demais trabalhadores uma posição que deita por terra as manobras da administração capitalista, uma posição que os trabalhadores da Primobela devem continuar a apoiar como um só homem e impedir com todas as suas forças o despedimento da delegada sindical impondo na prática a revogação desta medida reaccionária.
Lutar por este objectivo significa lutar pela defesa dos reais interesses de todas as operárias, operários e demais trabalhadores. Mas para que a luta que se está a travar possa ser conduzida à vitória é necessário que todos os trabalhadores procedam a um balanço das acções reaccionárias tomadas pela administração para dessa forma poderem conhecer o jogo do inimigo e prepararem-se para a dura luta que decerto irá ser travada.
Todos os trabalhadores devem pensar com a sua própria cabeça e analisar o verdadeiro significado das manobras da administração. Esta afirma que o despedimento da trabalhadora delegada sindical é com justa causa; pergunta-se: será justa causa divulgar os aumentos dos homens de mão da administração e portanto, divulgar um assunto que diz respeito a todos os trabalhadores?
Nós, PCTP/MRPP dizemos e todos os trabalhadores da Primobela também dizem e estão a afirmá-lo na prática que ao contrário do que diz a administração reaccionária, a luta que se está a travar é uma causa justa pela defesa dos reais interesses daqueles que vendem a sua força de trabalho e à custa dos quais os capitalistas enchem os bolsos.
Julga a administração poder, iludir os trabalhadores quando diz que a trabalhadora atingida nos seus direitos deverá recorrer aos tribunais.
A esta questão a resposta dada e que decerto continuará a ser dada é clara: os tribunais de que esses senhores falam são os seus tribunais, os tribunais da burguesia. A justiça dos operários é uma justiça que não pactua com os interesses de quem os explora e assenta na força da sua classe, é esta a única justiça que os trabalhadores reconhecem e aplicam.
A administração tem recorrido e decerto irá recorrer a todos os estratagemas para intimidar os trabalhadores e tentar a sua divisão. É bem a prova deste facto o ponto 6 alínea a) do comunicado da administração. A esta medida inteiramente reaccionária que não fica nada a dever aos tempos de Salazar e Caetano ou aos tempos de Vasco Gonçalves ou Mário Soares a resposta deve ser única: continuar a luta, forjar uma cada vez mais sólida unidade, não consentindo que seja tocado sequer num só cabelo qualquer trabalhador da Primobela.
É timbre dos operários e das operárias não dobrar a cerviz perante as ameaças dos seus inimigos, e se pensa a administração que consegue fazer vergar os operários com as polícias ao serviço dos capitalistas decerto que irão bater com a cabeça na parede. Esta é a conclusão, que se deverá tirar do ponto 6 alínea b) do comunicado da administração.
Outra das manobras da administração consiste, na deliberação” do presidente do conselho da administração, o reaccionário Filinto António d’Eça Lima, de se retirar das suas funções de parasita. Pensam estes exploradores fazer vergar desta maneira os operários mas decerto que não o conseguirão.
Diz a administração que a possível perda de clientes e contratos de fabrico em negociação será da responsabilidade dos trabalhadores. Com esta patacoada do "inteligente" Filinto a quem julgam eles enganar? Então será que o Filinto parasita quando se retira das suas funções não é isso mesmo que pretende, boicotar a actividade produtiva da empresa e deitar a culpa para cima dos trabalhadores?
Olha lá, ó Filinto reaccionário, a quem julgas tu enganar, decerto que não enganas os comunistas e os operários e demais trabalhadores da Primobela!
QUAIS AS CONCLUSÕES QUE TODOS OS TRABALHADORES DEVEM TIRAR PARA CON­TINUAR A LUTA?
1 - Os trabalhadores devem ter consciência que ceder na luta tem como consequência o despedimento por parte da administração, em primeiro lugar, dos mais combativos nesta luta e em seguida de todos aqueles que se levantarem contra as medidas reaccionárias da administração.
2 - Não vergar perante a demagogia da administração e manter a unidade férrea até aqui demonstrada.
3 - Que     o que decide a luta que estão a travar é a força que os trabalhadores tiverem para impor os seus interesses. Por isso torna-se necessário que os trabalhadores compreendam que o que se passa na Primobela não é uma luta isolada mas uma luta que se integra na luta geral que em várias fábricas, empresas e outros locais de trabalho, os operários e demais trabalhadores travam contra a tentativa da burguesia de fazer pagar a quem trabalha a crise económica que o nosso país atravessa e que foi e é provocada pelo sistema dos capitalistas.
4 - É  portanto necessário que os operários, as operárias e demais trabalhadores da Primobela divulguem a sua luta, façam com que a mesma salte os muros da sua fábrica, o que aliás já aconteceu, mas é preciso alargar a sua divulgação no sentido de obterem a solidariedade dos trabalhadores doutras fábricas e empresas, o que decerto conseguirão e seguindo esta via a força dos operários, das operárias e demais trabalhadores da Primobela aumentará, o que decerto fará recuar a administração nos seus intentes reaccionários e conduzirá os trabalhadores da Primobela à vitória.
VIVA A JUSTA LUTA DOS TRABALHADORES DA PRIMOBELA!
FOGO SOBRE AS MANOBRAS DA ADMINISTRAÇÃO REACCIONÁRIA;
NÄO AOS DESPEDIMENTOS! A LUTA CONTINUA!

19.5.77
COMITÉ LOCAL DA AMADORA DO PCTP/MRPP

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