terça-feira, 16 de maio de 2017

1977-05-16 - CARDIA É O RESPONSÁVEL! - UEC

CARDIA É O RESPONSÁVEL!

O MEIC É O RESPONSÁVEL!
Cabe ao Ministro Cardia a responsabilidade da grave situação existente em numerosas escolas e do clima de instabilidade que se vive actualmente na Universidade.
Nove meses depois da tomada de posse do actual M.E.I.C. e da sua equipa, estão a vista os resultados da sua política anti-democrática, autoritária e virada para a destruição das principais conquistas estudantis, numa perspectiva de sub missão do ensino aos projectos de recuperação capitalista que o Governo procura concretizar com o apoio e os aplausos da direita reaccionária.
Continuam por resolver os principais problemas que a democratização do ensino coloca no nosso país. No que se refere à Universidade, o I.S.C.S.P. continua encerrado; os estudantes dos Hosp. civis de Lisboa não têm aulas, numerosos cursos ainda não foram homologados 50 problema da contratação de docentes permanece por resolver em muitas faculdades; para milhares e milhares de estudantes as perspectivas para o seu futuro são o desemprego e a impossibilidade de frequentar a Universidade dada a realização de exames nacionais para a aptidão e a generalização do "números clausus".
Acontecimentos recentes como o arbitrário encerramento da Academia de Coimbra e as medidas tomadas contra os estudantes de Psicologia do Porto são o corolário de uma política reaccionária, atentatória do normal funcionamento das escolas, caracterizada por uma pertinaz e sistemático recusa ao diálogo com os estudantes.
A tentativa de aplicação de tal política anti-estudantil usando como recurso, face a massiva oposição dos estudantes medidas administrativas e de carácter repressivo tem sido um factor de agudização de graves situações já existentes.
É da inteira responsabilidade do M.E.I.C. o generalizar de uma situação de instabilidade e de crise na Universidade, situação que só às forças reaccionárias pode aproveitar.

A NOSSA LUTA É JUSTA
A luta que milhares e milhares de estudantes travam em todas as escolas contra o “numerus clausus”, pelo direito ao ensino, contra o autoritarismo e pelo funcionamento democrático das escolas, contra a recuperação reaccionária do conteúdo dos matérias, contra a reintegração de saneados, por uma saída profissional digna, e uma luta justa!
A luta dos estudantes de Coimbra, de Psicologia do Porto, do I.S.C.S.P., dos Hosp. Civis, dos candidatos a Universidade tem o apoio de todos os estudantes progressivos portugueses.
A solução dos graves problemas do nosso ensino, a melhoria das condições pedagógicas e a elevação do nível científico nos faculdades assim como o seu normal funcionamento, só são possíveis com a mobilização e participação activa de estudantes e professores progressistas. Ao ignorar esta realidade o M.E.I.C. e responsável por uma política de educação anti-democrática,que causou já sérios prejuízos aos estudantes e ao país e que merece o repúdio da esmagadora maioria da população universitária portuguesa.
Ao discursar na T.V., na passada 6ª feira, o tom ameaçador, a argumentação demagógica (e, em muitos aspectos semelhantes à usada por Ministros de antes de 25 de Abril e as justificações do Sr.Ministro não conseguiram o seu objectivo? escamotear a justeza da luta que os estudantes portugueses desenvolvem contra a política reaccionário, do M.E.I.C.

COMBATER O PROJECTO DE ACÇÃO ESQUERDISTA: A GREVE NACIONAL ILIMITADA
Do ENDA do ensino superior realizado este fixa de semana em Coimbra, saiu uma proposta que, confirmando apreensões anteriormente manifestadas pelos estudantes comunistas, ameaça conduzir a luta dos estudantes de Coimbra e de todos os estudantes portugueses a um beco sem saída, que apenas aproveitaria aos objectivos do MEIC e as forças da direita reaccionária.
A greve geral ilimitada de toda a Universidade em que estão apostadas forças irresponsáveis e provocatórias de entre as quais se destaca a coligação MES/UDP é uma proposta que, longe de servir a movimentação em curso, espalha perigosas ilusões de que cada luta parcial, como aquelas que travamos neste momento nas escolas, é uma luta de vida ou de morte para a revolução, capaz só por si de fazer recuar o Governo, ou mesmo de o substituir por outro melhor.
Forças políticas irresponsáveis como o MES e a UDP, ao preconizarem, na actual situação, a greve geral ilimitada como forma de luta estão a defender uma proposta anti-estudantil - porque conduz a luta, para um beco sem saída que pode levar ao encerramento das Universidades e à generalização de uma crise nas escolas do ensino superior no fim do ano lectivo, com graves prejuízos para os estudantes - e reaccionária,- porque favorece a acção da direita.

A DIREITA TEM OS SEUS PROJECTOS
É significativo que as direcções associativas afectas ao PPD, ao mesmo tempo que em Lisboa e no Porto avançam onde podem com propostas de apoio a reintegração de saneados e contra qualquer forme, de solidariedade com a luta dos nossos colegas no Porto ou em Coimbra, no Encontro Nacional de Direcções reivindicaram o estatuto de observador.
A direita, põe-se-assim "de fora” do ENDA, aguardando entretanto que a acção combinada do aventureirismo e da provocação e das medidas "democráticas e pluralistas” do MEIC (do que o referendo anunciado para Coimbra é um bom exemplo —“ou a escola abre como eu quero ou não abre") crie o ambiente de divisão o confusão nos estudantes, propício ao seu aparecimento como a grande defensora do funcionamento das aulas, tentando conquistar para as suas propostas muitos estudantes democratas o anti-fascistas que, estando com as forças progressistas veriam com apreensão uma greve prolongada que comprometesse o funcionamento da Universidade, particularmente num período de realização de exames.
Vigilantes em relação às propostos aventureiras que ameaçam conduzir a luta estudantil a um beco sem saída e a universidade ao encerramento, os estudantes de Lisboa saberão exprimir da melhor forma, a sua solidariedade activa com as escolas em luta, particularmente com os estudantes de Coimbra, Psicologia do Porto e ISCSP, contra a política reaccionária do MEIC, contra a degradação do funcionamento das escolas.
A DORL da UEC apela à participação massiva de todos os estudantes na jornada de luta de 17 de Maio, do modo a que fiquem bem evidenciados os sentimentos de luta e solidariedade da Academia de Lisboa para com as escolas em luta. Paralisações, reuniões de massas, aprovação de moções, deverão ser as formas porque se afirmará a disposição de luta da Academia, reforçando a consciência progressista da larga massa dos estudantes.

A Direcção da Organização Regional de Lisboa do Ensino Superior da União dos Estudantes Comunistas
16/5/77

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