domingo, 14 de maio de 2017

1977-05-14 - ESTUDANTES DO SUPERIOR E DO SECUNDÁRIO UNIDOS CONTRA O CARDIA! - LCI

ESTUDANTES DO SUPERIOR E DO SECUNDÁRIO UNIDOS CONTRA O CARDIA!

1 - Face à necessidade de massificar a luta contra os exames nacionais, o a no propedêutico, o exame de aptidão e o numerus clausus em todas as escolas do país, de modo a podermos lançar uma real movimentação de massas de todos os estudantes do secundário (única garantia da vitória) há que definir perspectivas concretas de intervenção.
É nesse sentido que achamos que, neste momento, trata-se de realizar, em todas as escolas, plenários estudantis onde se discutam e recusem os decretos selectivos do MEIC e onde se elejam Comissões de Luta que tenham por funções propagandear ao máximo a luta e fazer assumi-las por camadas cada vez mais vastas de estudantes. Sem que este trabalho prévio de mobilizado e agitação frutifique ao nível de cada escola, pensam que serão prematuras quaisquer acções centrais como greves ou manifestações.
Não basta, no entanto, fazer agitação e propaganda para trazer o conjunte dos estudantes liceais para o campo da luta. Assim, propomos como perspectiva central para a intervenção das Comissões de Luta, a realização de referendos em todas as escolas sobre os decretos do MEIC em causa, organizados conjuntamente pela Comissão de Luta e pelo C. Directivo (enquanto representantes do MEIC na Escola) e precedidos de total liberdade de expressão e propaganda. Estes referendos permitirão que os estudantes demonstrem inequivocamente a sua opinião, a qual foi pura e simplesmente desprezada pelo MEIC aquando da promulgação dos decretos, que será, estamos confiantes, de recusa integral das medidas do Cardia.
Será na base da mobilização que se poderá criar em torno do resultado dos referendos e do trabalho realizado pelas C. Luta que poderemos partir para manifestações e outras acções de massa, desde que o seu carácter massivo esteja, à partida, assegurado. Não nos interessa demonstrações de fraqueza perante o MEIC, mas sim demonstrações de forca.

2 - É na sequência do que ficou dito que concordamos com a realização de uma Jornada de Luta no dia 18 que se materialize através da realização de meetings e de idas de piquetes às turmas para discutir com os estudantes. Porém, a nossa posição em relação à Paralização e à Manifestação convocadas para o mesmo dia, só pode ser de crítica.
De crítica porque sabemos que, ao não estarem alicerçadas numa real mobilização, tanto a Paralização como a Manifestação vão ter pouca adesão ao nível de massas, o que não vai contribuir para o desenvolvimento da mobilização, antes pelo contrário (temos, aliás, o exemplo do Porto em que uma manifestação convocada nos mesmos moldes teve cerca de 200 estudantes).
De crítica porque, estando os camaradas do Ensino Superior em luta com a realização na 3ª feira duma greve geral e convocando dentro de uma semana uma manifestação nacional frente ao MEIC, será muito mais produtivo do ponto de vis ta do Movimento Liceal, como do Movimento Estudantil no seu conjunto, a integração dum cortejo autónomo do Secundário, com palavras de ordem próprias nas manifestações académicas.
De crítica, enfim, porque estando ao corrente destes dois factores essenciais, a Comissão Nacional de Luta persistiu em manter a convocação das Paralizações e Manifestações para dia 18, recusando-se tanto a dinamizar primeiro a mobilização ao nível de cada escola, como a coordenar-se com as estruturas dos Cívicos e do Superior para a realização duma grande manifestação nacional de todos os sectores do Movimento Estudantil em luta, Sendo assim, esta comissão será a responsável pelo isolamento e desmoralização que poderão afectar a luta do Secundário, podendo, inclusivamente, levá-lo à derrota.
Não querendo, no entanto, dividir as já de si fracas forças do Movimento Liceal, participaremos nas concentrações e apelamos, a todos os estudantes que façam o mesmo caso elas tenham sido aprovadas em reuniões de Estruturas, ou de Escolas. Porem, não nos comprometemos politicamente com essas formas de luta.
3 - É também na base da necessidade de unificar todas as lutas do Mov. Estudantil que pensamos que deve ser dada a mais larga divulgação e apoio nos Liceus à luta das Academias.
Assim, achamos que se devem formar departamentos nas AEs onde as haja, do apoio e divulgação à luta das Universidades e onde as não haja? Comissões Unitárias com o mesmo fim, propagandear ao máximo a luta das Academias e trazer para o apoio a ela, os estudantes do Ensino Secundário.

- NÃO AOS EXAMES NACIONAIS; EXAMES POR ESCOLA COM MEDIA DE DISPENSA DE 10!
- NÃO AO ANO PROPEDÊUTICO, EXAME DE APTIDÃO E NUMERUS. CLAUSUS!
- PELA UNIFICAÇÃO DE TODAS AS LUTAS DO M.E. NUMA ÚNICA FRENTE DE COMBATE QUE IMPONHA A DEMISSÃO DO CARDIA!

Resolução aprovada pela Comissão Nacional da Juventude da LCI, reunida em 14 e 15 de Maio de 1977

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