sábado, 27 de maio de 2017

1977-05-00 - LEIA! - PCP

Maio de 1977

LEIA!
informação democrática

QUEM PODE CONCORDAR?
Portugal deve hoje mais de 120 milhões de contos. 15 contos por cada português. Viajar e pedir: esta é a mais intensa actividade do Governo. Os países capitalistas prometiam mundos e fundos, desde que o Governo atacasse as conquistas da Revolução. Mas a realidade é que cada vez apertam mais e mais o torniquete das condições económicas e políticas. Há quem diga que são os empréstimos que sustentam o País. O pior é que o sustentam da mesma maneira que a corda sustenta o enforcado. Criam perigosas ilusões. Atrasam o verdadeiro ataque aos problemas reais. Adiam o grande esforço nacional que é necessário. Não criam riqueza. Tapam buracos. De empréstimo em empréstimo, não tardaria muito que em Portugal e nos portugueses mandassem os credores internacionais. Haverá algum democrata e patriota que esteja de acordo?
AS (BOAS) «ACÇÕES» DO SR. CARNEIRO!
Conforme foi publicamente referido, o secretário-geral do PPD, Sá Carneiro, tinha depositado no Banco Espírito Santo, em 12 de Fevereiro de 1976, acções dos bancos da Agricultura • Alentejo . Pinto de Magalhães • Borges e Irmão • Fonsecas & Burnay • Fernandes de Magalhães • Intercontinental Português e Totta & Açores; da Cinorte. Cimentos Tejo o Diamantes de Angola da Companhia de Moçambique, SARL. Companhia de Produtos de Conservas Alimentares; das companhias de seguros Confiança • Douro • Metrópole e Tranquilidade; da Cimentos de Leiria • da Setenave • da Grão-Pará . da Siderurgia Nacional • da Sacor . da Sociedade Portuguesa Petroquímica.

QUE GRANDES CABEÇAS!!!
Em 12.2.77, o Banco de Portugal contraiu um empréstimo de cerca de 10 milhões de contos com o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Logo 15 dias depois, o Governo decidiu desvalorizar o escudo em 15 por cento. Resultado: assumiu-se uma dívida de 10 milhões e 15 dias depois já se estava a dever 11 milhões e 600 mil contos. A brincar a brincar, de um momento para o outro, o País perdeu mais de 1 milhão e meio de contos. E depois destas e doutras, é preciso descaramento para dizer que a culpa é do “gonçalvismo”. Está-se mesmo a ver.

«EDUCAÇÃO» À MODA DO CARDIA
Vai uma grande actividade pelo MEIC. O ministro Cardia não pára. Fecha Faculdades, encerra Universidades, acaba com cursos. Ameaça chumbar todos os que não se submeterem às suas arbitrariedades, manda a Polícia contra os estudantes, a qual pratica graves violências. Tem contra si estudantes e professores. Põe em causa os órgãos democráticos das escolas. Apenas uma pergunta: alguém acredita que isto tudo tenha alguma coisa a ver com a educação?

TODA A ATENÇÃO É POUCA
A Assembleia da República vai discutir brevemente propostas de lei sobre o direito à greve, o controlo de gestão pelos trabalhadores, os direitos e organização das comissões de trabalhadores. Agravamento das condições de vida e limitação dos direitos dos trabalhadores e das liberdades, isto anda tudo ligado. A recuperação capitalista precisa de reduzir as liberdades para ter o caminho livre. E os trabalhadores precisam de defender as liberdades para poderem lutar contra o desemprego, os despedimentos, o aumento do custo de vida, pela melhoria dos seus salários. Atenção, muita atenção. É preciso que a unidade e a força dos trabalhadores impeçam uma nova e vergonhosa aliança do PS com o PPD e o CDS, contra os interesses dos trabalhadores e as conquistas da Revolução.

AH! ESTES VALENTES «PATRIOTAS»...
Os senhores do PPD e do CDS falam muito de “Portugal” e da “Pátria”. Estão sempre dispostos a acusar os outros — e acima de tudo as forças de esquerda — de maus patriotas, como se o patriotismo fosse mais um monopólio deles. Entretanto, que acontece?
Correm por este mundo fora a pedir a interferência do imperialismo nas nossas questões internas!
Em Ponta Delgada, nos Açores, governados e dominados pelo PPD, chegaram ao ponto de ultrajar a bandeira nacional, hasteando a bandeira separatista! Tudo isto, com a cobertura da Câmara Municipal (PPD) e a “compreensão" do Governo Regional (PPD)!
No Continente, são democratas de fachada. Nos Açores e Madeira limitam as liberdades, instalam um clima de ódio e intolerância, violência e terrorismo, aceitam manifestações e propaganda do separatismo e ataques à integridade do território nacional!
Onde são eles a mandar e a governar é assim. E é para isto que gostavam de mandar em todo o País. Bem nos avisam. Ficamos prevenidos.

AÍ JUSTIÇA, JUSTIÇA...
Depois de pides e bombistas, temos agora traficantes de armas em liberdade. O célebre juiz Barata acabou de mandar em paz e em liberdade o Centeio Maria, apanhado pela Polícia Judiciária com a boca na botija, a vender G-3. Disseram os jornais que o Centeio é ex-chefe de segurança do PS. Ninguém desmentiu. O escândalo de uma justiça tolerante com as violações da legalidade democrática continua. Este foi mais um insulto à democracia. Até quando?
Não se pense no entanto que a justiça em Portugal é mole. Não senhor. Há dias os jornais contavam que um indivíduo que passou dois cheques sem cobertura, no valor total de 10 contos, apanhou cinco anos de prisão maior. Parece que este condenado já disse que, quando cumprir a pena, vai passar antes a vender G-3!

BARREIRO: O POVO SAIU À RUA
É muito grave a ofensiva contra as conquistas da Revolução e os interesses dos trabalhadores. Mas é também cada vez mais forte a corrente unitária que reclama uma política que seja fiel ao 25 de Abril e respeite a Constituição. Com serenidade mas também com firmeza, com indignação mas também com organização, por todo o País os trabalhadores unem-se, lutam, resistem. E cresce a solidariedade entre os trabalhadores dos mais diversos sectores. Sabem que a sua luta é a mesma e que a derrota de uns pode trazer a derrota de todos. No passado dia 1º de Maio, o Barreiro foi um exemplo entre muitos. 15 000 trabalhadores saíram à rua. Em apoio dos trabalhadores da Auto Reconstrutora do Barreiro. Protestando contra a desintervenção e entrega daquela empresa ao patronato sabotador. Condenando a intervenção policial ocorrida na véspera. Dias antes, uma paralisação geral de 15 minutos do Distrito de Setúbal, constituíra já uma grande demonstração de solidariedade com os trabalhadores da ARB. Unidade e organização: este é o caminho para fazer frente à recuperação capitalista. No Barreiro e em toda a parte.

O GOVERNO CONFESSA...
“Como pode funcionar o sector privado, que se rege pelas regras do lucro, se não houver nele uma certa recuperação que terá de ser capitalista?” Assim falou Mário Soares recentemente numa festa do PS. Afinal a acusação de recuperação capitalista não é uma calúnia, tem razão de ser.

NOTÍCIAS DA CONTRA-REFORMA AGRÁRIA FALAM OS ESCÂNDALOS!
Eis algumas das herdades tiradas pelo MAP às Unidades Colectivas de Produção e entregues aos agrários e que não foram semeadas: Herdade dos Currais, (Évora); Herdade do Silvai (185 hectares), (Arraiolos); Herdade dos Matraques (250 hectares), (Portei); Herdade do Alto da Ferradura, (Serpa); Herdade da Lobata; Herdade da Ribeira (Cuba).
Onde os agrários põem a mão, volta o abandono, a desolação, a sabotagem da produção. Trabalhar não é com eles. O que lhes interessa é liquidar a Reforma Agrária e recuperar os privilégios. O ministro da Agricultura ajuda.

OS LATIFUNDIÁRIOS:
DEVEM PAGAR O QUE DEVEM!
A reacção está sempre a falar dos prejuízos do sector nacionalizado, mas esquece — e o Governo também, o que é mais grave — que os antigos latifundiários da zona da Reforma Agrária só à CUF devem 90000 contos! E quanto devem à Banca? Porque não cobra o Governo estas dívidas e ainda por cima promete indemnizações?

É JÁ NOS DIAS 4 E 5 DE JUNHO...
Camponeses e mineiros. Metalúrgicos e empregados de escritório. Economistas e trabalhadores rurais. Bancários e pedreiros. Rendeiros e tipógrafos. Ferroviários e funcionários públicos. Pescadores e químicos. Trabalhadores das mais diversas profissões. Técnicos e especialistas. Do Alentejo da Reforma Agrária e dos campos do Centro e do Norte. Das cinturas industriais de Lisboa e de Setúbal. Das Beiras e do Litoral. Do Continente e das Ilhas. Na maior iniciativa de sempre para a discussão dos problemas económicos nacionais, milhares e milhares de trabalhadores estudam a situação das empresas e sectores onde trabalham. São comunistas, trabalhadores sem partido e de outros partidos. Juntos, debatem a forma de aumentar a produção, de substituir e reduzir importações, de poupar recursos. Com espírito aberto e numa atitude construtiva. Querem fazer o País sair da crise, defender a democracia, garantir a defesa das conquistas da Revolução. Analisam a situação económica e financeira do País. Vão propor medidas para que, com os trabalhadores e um grande esforço nacional, se encontre o caminho para sair das dificuldades actuais. Preparam a Conferência Nacional do PCP. É já nos próximos dias 4 e 5 de Junho. Em Lisboa.

SIP do Partido Comunista Português

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