sábado, 20 de maio de 2017

1977-05-00 - BOLETIM DE LUTA - ASJ

EM QUE PONTO ESTAMOS?

A jornada nacional de luta de ontem, foi sem dúvida, uma primeira vitória para os estudantes.
Nem as provocações e actuações anti-democráticas da direita, nem as provocações e cargas policiais que de novo se repetiram, nem as calúnias de toda a Imprensa reaccionária, impediram as greves e paralizações de se realizarem.
Em Coimbra, a Assembleia Magna vota a greve geral até a reabertura da Universidade.
"Universidade Aberta, Saneados Não!" e "Política do Cardia não serve a Academia", gritou-se na manifestação que se lhe seguiu. Os 6.000 estudantes e trabalhadores que nela participam, mostraram a disposição para manter firme a greve. E mostraram também que os estudantes ganharam a solidariedade dos trabalhadores e do povo de Coimbra, factor fundamental para que a greve possa vencer.
No Porto, a greve foi total. Só 50% de Medicina não paralisou. E nem as novas provocações e agressões da polícia, que feriu um estudante a tiro, chegaram para desmobilizar a luta e a combatividade dos estudantes.
Em Lisboa, quase todas as principais faculdades paralisaram, e na maior parte, realizaram-se as mais massivas Assembleias Gerais desde há muito tempo.
Não tenhamos dúvidas, camaradas: a jornada de luta de 3ª feira, mostrou que podemos e devemos ir para a frente. Os próximos plenários de Lisboa serão, sem dúvida muito importantes. E a altura de pormos em prática as decisões do ENDA de domingo passado e irmos para a GREVE GERAL!

UMA DECISÃO QUE NÃO SERVIU PARA A LUTA AVANÇAR
Hoje, deveria realizar-se um plenário no Porto. No entanto, e apesar de a greve de ontem ter sido um grande sucesso, pois foi quase totalmente cumprida, a RIA do Porto decidiu adiar o Plenário para a 3ª feira da semana que vem, realizando-se entretanto assembleias, para votar o caderno reivindicativo votado no ENDA de domingo.
A ASJ não pode deixar de discordar desta decisão, e apelamos para que os camaradas a vejam. Ontem durante a greve, um estudante foi ferido a tiro e outro preso por uma coligação entre a polícia e elementos da "juventude hitleriana". O problema de Psicologia não está resolvido. A Universidade de Coimbra está fechada.
A única forma de responder às provocações da polícia, da direita e do MEIC, e com a continuação da luta, é com a greve geral. Esta é também a única forma de impedir que Coimbra fique isolada.
O Porto mostrou que está disposto a lutar. O papel das direcções associativas só pode ser o de avançar com a luta e nunca de a adiar.

QUE FAZER NO PLENÁRIO DE LISBOA?
Na actual situação, o plenário convocado para amanhã para Lisboa, assume uma grande importância. Depois da manifestação e da decisão de manter a greve geral de Coimbra, a luta atinge uma encruzilhada, por onde há que optar: ou decidimos parar a luta, não ir para a greve geral e entregarmos a iniciativa ao Cardia, enquanto que fortalecemos a direita, ou votamos decididamente IR PARA A GREVE GERAL ATE A REABERTURA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA, e nesse caso, fechamos o Cardia e a direita a um canto e ficamos com a vitória a vista. Aqui não há 3ªs vias! Não há que hesitar, camaradas! O ENDA de Domingo indicou o caminho da greve. A jornada de luta de 3ª feira foi uma vitória. Há que continuá-la até arrancarmos a vitória!
A ORGANIZAÇÃO DA GREVE: UM ASPECTO QUE JOGA PARA A VITÓRIA
Os colegas que temem que & greve pode ser vem ter em conta que num impasse cairíamos sim, se cruzássemos agora os braços. Mas estamos de acordo numa coisa, camaradas: não há que ser aventureiros E por isso, é necessário preparar e organizar muito bem a greve. É preciso formar comissões de greve, que informem e mobilizem todos os estudantes e que respondam na devida medida as provocações reaccionárias. Na organização e mobilização dos estudantes na greve, está também um dos aspectos da vitória!

A LUTA CONTINUA, O CARDIA PARA A RUA!
No final de uma assembleia da Faculdade de Direito de Lisboa, os estudantes do PPD e ou­tros reaccionários, ao verem que tinham perdido a votação, gritavam: Cardia, Cardia! — ao que a maioria dos estudantes respondeu com "Cardia para a rua".
Este facto mostra bem o carácter da nossa luta. Não tenhamos ilusões: atrás do Cardia, está toda a direita a que o governo não para de ceder. Com Cardia, que quer esmagar as nossas Conquistas, está o Gonelha que quer dividir o movimento sindical, e está todo o Governo que só cede ao Eanes, PPD e CDS.
Se cedemos agora ao Cardia, é toda a di­reita que ameaça. Se avançamos para a Greve Geral, a nossa vitória terá que significar que não queremos mais porta-vozes do PPD/CDS no Governo, que não queremos o Cardia no MEIC.
"A luta continua, o Cardia para a rua!" gritou a manifestação de Coimbra. Como sempre, Coimbra indicou o caminho. Sigamos-lhe o exemplo!

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