domingo, 7 de maio de 2017

1977-05-00 - Boletim Cineclube Vilafranquense Nº 10

EDITORIAL

A publicação periódica de um boletim deste tipo não e isenta de dificuldades. Antes pelo contrário, ela representa um esforço continuado e intenso na procura de soluções que melhor consigam dinamizar o boletim, mês para mês por forma a conquistar maior audição junto do público a que se destina. E, à medida que a prática contínua produz uma dinâmica determinada nesta publicação, surgem problemas novos, levantam-se novas questões para as quais nem sempre se encontram as respostas mais adequadas.
Vêm isto a propósito da não saída do boletim no mês passado, facto que está ligado por sua vez à reformulação das actividades que a direcção eleita para este ano está a pretender realizar,
O início deste novo ano de actividade e a tomada de posse de uma nova equipa de corpos gerentes, não poderam deixar de implicar uma reflexão profunda sobre a actividade do Cineclube, reflexão que, como é óbvio, abrangeu todas as secções actualmente em funcionamento no C.C. bem assim como as que, embora paradas, constam dos projectos anunciados no programa apresenta do pela lista eleita pelos sócios. Esta reflexão e as consequentes medidas que veio a determinar, das quais algumas foram postas em prática, não pode, no entanto, ser realizada simultaneamente para todas as secções, por falta sobretudo, de disponibilidades de uma equipa pequena de colaboradores e também pela morosidade, de algumas discussões que nem sempre decorreram com celeridade desejada.
Apesar disso, a actual Direcção já tem em andamento um projecto que, assentando naturalmente nas bases de uma experiência rica, acumulada ao longo de quase 3 anos de actividade aponta para inovações e aperfeiçoamento global de toda a actividade, cineclubista, tentando finalmente colmatar la­cunas que, ao longo dos anos anteriores puderam ser coerentemente resolvidas.
Assim, e concretamente no campo das sessões em 35m/m foram já aprovadas pelos sócios, em assembleia geral, as linhas gerais duma nova orientação a dar aos ciclos de cinema, bem assim como o aumento para 3 sessões mensais e um consequente aumento de quota mensal para 20$00.
Neste campo das sessões em formato reduzido, já foram estabelecidas as bases que irão permitir, a curto prazo, contactos com a maioria das colectividades, organizações de vontade popular e outras instituições da freguesia de Vila Franca, com vista à realização periódica de sessões de cinema em, formato reduzido nessas localidades, sessões que se pretenderão plataformas amplas de discussão e crítica criadoras em relação aos problemas culturais-políticos, económicos e sociais da sociedade portuguesa e do povo português.
Um outro sector de actividade que irá merecer da actual Direcção a maior atenção e interesse, é o que se refere às actividades infantis, no âmbito das quais se estuda a hipótese de realizações periódicas de sessões para crianças, com filmes e espectáculos de fantoches, bem assim como dar apoia às escolas e outras instituições na obtenção de filmes para serem mostrados às crianças, ilustrando temáticas gerais de interesse educativo e cultural.
Estes projectos, que serão concretizados a curto ou a médio prazo, fomentarão, certamente, um maior interesse pela actividade cineclubista e trarão até nós um crescente número de pessoas interessadas era colaborar activamente neste trabalho.
A par destas actividades, e estabelecendo o elo de ligação entre elas que é afinal a orientação teórica, ideológica e política actual deste Cineclube, o Boletim Mensal tem uma função fundamental que nem sempre tem sido compreendida e devidamente aproveitada.
Temos consciência do facto de que, com os poucos recursos de que dispomos, nos será difícil conseguir manter uma publicação que, além do aspecto informativo, contém uma dimensão de intervenção e crítica culturais, para as quais é necessário um certo apetrechamento teórico e uma actualidade atenta e interveniente, só assim podendo garantir-lhe um interesse e capacidade de impacto suficientes para a tornar receptiva tanto à maioria dos sócios como ao conjunto do público a quem se destina, fundamentalmente às cama das populares, às massas trabalhadoras. Até agora, confessamo-lo, pouca tem sido a receptividade geral ao nosso Boletim, sendo apenas um pequeno número de sócios que o adquire e lê periodicamente. Sendo o Boletim Mensal o núcleo teórico do Cineclube, a sua falta de impacto representa uma grave lacuna no conjunto da actividade do mesmo e cuja solução se apresenta difícil e problemática.
Não é, por certo, nossa intenção) acabar com o Boletim. Poderá, no entanto, acontecer que a sua publicação se interrompa de quando em quando, representando isso uma tentativa de encontrar novos métodos e meios que o possam tornar num instrumento capaz de corresponder às elevadas responsabilidades que a importância do trabalho cineclubista lhe comete. E aqui, mais uma vez, e sempre, que fique bem claro que as coisas só avançam se, entretanto, os sócios decidirem fornecer ao Cineclube a energia que a sua intervenção comporta.

Crítica
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O “BOLETIM”

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