terça-feira, 30 de maio de 2017

1972-05-30 - Servir o Povo Nº 09 - I Série - UEC(ml)

CONTRA O ISOLAMENTO DA VANGUARDA!
PELA LUTA POLÍTICA DE MASSAS! (1)

Reprodução dum comunicado da U.E.C.(m-l)
Nos últimos dias, as lutas dos estudantes evoluíram rapidamente para formas mais avançadas. Essa evolução vinha sendo preparada pelo desmascaramento do carácter de classe do ensino e pelas lutas violentas travadas contra os contínuos-gorilas de Ciências, do Comercial, de Direito e de Económicas.
No dia 11 de Maio, centenas de estudantes e cooperativistas mostraram estar decididos a utilizar a violência revolucionária contra a violência fascista. Dia 16 de Maio a PSP e a polícia de choque invadem o Técnico; na tarde do mesmo dia, quando os estudantes de Económicas se iam reunir para debater a repressão sobre os seus colegas do Técnico, a policia consegue vencer a corajosa resistência dos estudantes é invade o instituto destruindo tudo a sua passagem, espancando estudantes e professores. Dia 23 de Maio, os estudantes de Lisboa reunidos em Plenário declaram-se dispostos a prosseguir na luta, e aprovaram um comunicado que estão a distribuir a população. Dia 24 algumas centenas de estudantes concentraram-se em frente ao Ministério da Educação, apoiando uma delegação que foi apresentar ao ministro as exigências dos estudantes.
Também no Porto e em Coimbra se assiste a um recrudescimento da luta. No Porto no dia 15 de Abril e no dia 1 de Maio verificaram-se recontros entre a policia e o povo que se manifestava contra a política fascista. Em Coimbra no dia 13 de Maio a população e os estudantes destroçaram violentamente as celebrações reaccionárias da "Queima das Fitas".
A extrema rapidez com que as acções legais têm evoluído para ilegais, as sindicais para políticas e as pacíficas para violentas e um sintoma do amadurecimento da crise revolucionaria em Portugal. Largas camadas de estudantes mostram-se dispostas a travar lutas revolucionárias e afastam-se marcadamente do pacifismo revisionista. Apesar de tudo isso nos consideramos que a movimentação estudantil não evoluiu de forma consequentemente revolucionaria nem se projectou devidamente aos vários níveis sobre as diversas camadas de estudantes; e isso porque ainda existe um grande atraso organizativo a nível político e ilegal. Está fora de dúvida que só o enquadramento dos estudantes em estruturas que ultrapassem os limites estreitos da acção sindical possibilitaria a evolução decidida da luta estudantil num sentido revolucionário. Dado o atraso organizativa dos marxistas-leninistas portugueses, o aproveitamento oportunista deste processo por parte dos revisionistas e dos anarco-sindicalistas, contribuiu decisivamente para a dificuldade em que o movimento estudantil se encontra de avançar plenamente como as condições objectivas impõem.
Por um lado, os revisionistas do Partido "Comunista" Português, na sua linha de subordinação da luta revolucionária à burguesia liberal, opõem-se a que o movimento estudantil vã alem de acções reformistas e pretendem entreter pacificamente o sector mais avançado dos estudantes com reivindicações inferiores, e isto precisamente na altura em que eles ardem de desejo de acções violentas. Quando não conseguem desarticular o movimento desta forma, apoiam acções "avançadas” desde que não saiam fora das Associações, e aí se esboroem por não ser esse o local indicado para se realizarem.
Por outro lado os anarco-sindicalistas, para cujo lado vieram a tombar definitivamente os trotskistas do “MRPP”-FE”ML", defendendo os interesses da burguesia radical pretendem servir-se do movimento estudantil como simples força de pressão. Por detrás da sua fraseologia "esquerdista" também ressalta a sua oposição ao desenvolvimento revolucionário e de massas, facilitando desta forma a tarefa da repressão.
Tanto uns como outros, tanto os oportunistas de direita como os de ”esquerda", sabotam a luta revolucionária consequente ao se oporem à correcta articulação dos diversos níveis de acção (2).
Essa correcta conjugação exige em primeiro lugar que se reconheça claramente a deslocação do centro de gravidade da luta para as acções políticas de rua. Opor-se a isto, equivale a desarticular o movimento por retirar aos estudantes de vanguarda as formas de actuação adequadas ao seu nível político. Os anarco-sindicalistas, por pretenderem manter no campo sindical acções de carácter superior, aproveitam-se da combatividade dos elementos de vanguarda para tentar retirar características sindicais ao trabalho associativo e afinal opõem-se a que esses elementos mais avançados saiam do seu controle e evoluam consequentemente numa perspectiva revolucionária.
Em segundo lugar, a correcta articulação dos diversos níveis de luta exige que não se despreze qualquer deles. Aplicando a linha revolucionaria do Partido Comunista de Portugal (marxista-leninista) ao movimento estudantil, a U.E.C.(m-l) agora a luta do Movimento Associativo e opõem-se a que se utilize a radicalização dos elementos de vanguarda para destruir as características de massas do M.A.. E nos chamamos especialmente a atenção para este ponto: ao mesmo tempo que se desenvolve uma luta revolucionária fora do Movimento Associativo, é preciso dar a máxima atenção à luta sindical alargando-a à grande maioria dos estudantes, mas isso não pode ser feito se a esse nível se centrar a actividade em acções que devido à sua radicalização apenas obtenham o apoio da camada mais politizada.
25 de Maio de 1972

notas:
1. Título da redacção de "Servir o Povo"
2. A FE"ML", por exemplo, vai ao ponto de "articular" o plano sindical com o político fazendo a seguinte provocação ao Movimento Associativo: num dos seus recentes papéis, depois de fazer considerações políticas, faz a propaganda de uma concentração que o M.A. tinha convocado para o Técnico.

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