quinta-feira, 18 de maio de 2017

1972-05-18 - BIPE - Movimento Estudantil

AEFEUP
boletim de informação e propaganda de engenharia
BIPE

A UNIDADE do Movimento Associativo, condição indispensável para o reforço do seu trabalho para alcançar novas e importantes vitórias dos estudantes na luta pela defesa dos seus interesses e necessidade imposta pela unidade de interesses das amplas massas estudantis
Os estudantes portugueses têm mantido ao longo dos anos uma árdua luta na defesa dos seus interesses colectivos.
O Movimento Associativo (MA), apesar dos duros condicionalismos em que se tem desenvolvido, tem conseguido ser um influente movimento de massas, impondo-se pela combatividade demonstrada, fortalecendo as rate Organizações (de que as mais importantes são sem duvida as AAEE), alcançando importantes vitórias a começar pela existência e desenvolvimento das Associações. Ao longo dos anos acumulou também o MA uma rica experiência de luta e de organização. E o mais importante ensinamento que a história do MA nos dá é que este só se desenvolve e fortalece, só se torna capaz de fazer face à repressão com que o Governo por todos os meios o pretende sufocar e esmagar, só se torna capaz de travar lutas vitoriosas desenvolvendo um trabalho consequente e determinado quando engloba na acção a grande maioria dos estudantes. E para que isto se verifique necessário se torna que o MA, assente naquilo que é comum à grande maioria e encontre os métodos de trabalho que lhe permitam determinar em cada momento os reais problemas dos estudantes, sejam eles de ordem pedagógica, cultural, de convívio ou de ordem social, bem como encontrar as formas de luta adequadas para cada situação concreta. É condição indispensável para que isto se verifique a existência e fortalecimento de uma efectiva democraticidade de funcionamento das AAEE que consiste no direito e possibilidade de todos os estudantes intervirem directamente em todos os níveis de trabalho, expressando livremente as suas opiniões, debatendo as diversas posições, discutindo colectivamente a melhor forma de orientarem o seu movimento, trabalhando colectivamente para a aplicação das decisões democraticamente tomadas. Trabalhar para que o MA, se torne cada vez mais um movimento de todos os estudantes é uma tarefa central que compete a todos nós. A unidade de interesses dos estudantes, para além de divergências que efectivamente também existem nomeadamente pela sua própria heterogeneidade, é a melhor garantia que temos de que essa tarefa pode ser cumprida, confiantes também de que unidos na luta pelos nossos interesses comuns, com a experiência que através dela vamos adquirindo, com a discussão colectiva e aberta dos problemas que surgem e a procura conjunta de soluções, com o estreitamento das relações de convívio, com a dinamização de actividades culturais, cada vez serão mais os pontos de convergência de interesses de todos os estudantes.
Se o MA esquece esta realidade objectiva e em vez de definir os objectivos concretos de luta e as plataformas de acção que correspondem aos anseios progressistas dos estudantes e de encarar a realidade de uma forma dinâmica e encarar de uma forma estática e imutável (esquecendo que é a luta de massas que faz progredir a consciência colectiva dos estudantes) e fomentar as divergências fazendo sobrepor aos interesses das massas os interesses de pequenos grupos, nunca o MA progredirá} passará a ser, em vez de um movimento de todos, um movimento de alguns que, cada vez mais desligados das massas e apoiando-se na redução ou anulação da democraticidade que começa pela redução da base de apoio do movimento, mais fomentarão a sua divisão. E a unidade do movimento, unidade que não é como alguns pretendem “abstracta”, mas sim uma necessidade imposta pela unidade de interesses das amplas massas estudantis, construída a partir das acções de massas, é condição indispensável para o desenvolvimento da luta dos estudantes.

ABAIXO A REPRESSÃO!
APOIEMOS OS ESTUDANTES DE LISBOA!
LUTEMOS PELA ABERTURA DAS ASSOCIAÇÕES ENCERRADAS!
VIVA, A UNIDADE DOS ESTUDANTES PORTUGUESES!

UNIDADE NA LUTA CONTRA A REPRESSÃO
A organização e o funcionamento democrático das AAEE, o carácter progressista e a amplitude do movimento dos estudantes, as conquistas impostas pela luta têm levado a constantes medidas repressivas por parte do governo, numa tentativa de impedir, por todos os meios, o desenvolvimento da luta estudantil.
Nas condições repressivas em que o MA, se desenvolve é uma constante da própria dinâmica da situação, o confronto diário das AAEE com as autoridades. Estas recorrem quer a formas de repressão mais subtis-como a "reforma" da MP, a "reforma" do ensino, a criação do secretariado para a juventude, etc. Quer a formas de repressão directa como a não legalização de AAEE, encerramento de outras, invasão das escolas pela polícia (como uma vez mais aconteceu em Lisboa, no Técnico e Económicas), etc.
Conjugam-se todas estas medidas na tentativa desesperada do governo para quebrar a base de massas das AAEE, suscitar a passividade dos estudantes face à necessidade destes resolverem colectiva e democraticamente os seus problemas.
Encarando a repressão como uma constante do governo sobre o MA, a qual se pode alargar em determinadas alturas mas que pode, a história demonstra-o, fazer-se recuar vitoriosamente na luta por objectivos concretos.
Mo renegamos, como afirmam alguns, a acção anti-repressiva esclarecida nem a encaramos como um repetir constante de "choradinhos". Antes defendemos que a luta por objectivos concretos, susceptíveis de serem alcançados pela luta das massas, é a única forma consequente de enfrentar a repressão, Só desse modo é possível a tomada de consciência do fenómeno repressivo por parte dos estudantes, permitindo que essa consciência se torne actuante no seio do MA.
Às AAEE, se no duro condicionalismo em que trabalham não querem abdicar da defesa intransigente dos interesses dos estudantes, se não querem abdicar do carácter democrático e progressista de verdadeiras organizações de massas, coloca-se uma importante tarefa: a criação duma frente unida contra a repressão.
Assim na FEUP à ofensiva do CUP contra a Editorial Engenharia (EE) responderam os estudantes com o reforço organizativo da EE, nomeadamente através da criação de grupos de apoio em vários cursos, o que impediu o CUP de atingir os seus propósitos.
À repressão desencadeada contra a manifestação do dia 15 de Abril - contra o aumento do custo de vida - que englobou cerca de 40 000 pessoas, respondeu o MA do Porto não só denunciando brutal repressão com a saída constante de informação e a realização de sessões informativas (Eng. l00 estudantes (Medicina 200), como também encontrando formas de luta massiva, desde as concentrações no Sub-Director de Eng., no Liceu D. Manuel II, até à manifestação de 500 estudantes no Alexandre Herculano, não esquecendo as amplas recolhas de fundos e assinaturas como formas de apoio aos presos da manifestação. Através destas acções, importante salto qualitativo foi dado pelo MA.
O comunicado conjunto das direcções das AAEE do Porto do dia 18 de Abril constitui um exemplo concreto, mas infelizmente único, de acções concertadas de todas as direcções das AAEE do Porto de unidade na luta anti-repressiva. No entanto, e porque sempre defendemos a unidade na acção, temos de criticar a posição daqueles que não levaram à prática as palavras de ordem do comunicado que tinham assinado, concretamente não promovendo a recolha de fundos "como uma das formas de apoio imediatas a todos os presos" (do Comunicado conjunto), como por exemplo a Comissão Coordenadora de Letras e a Direcção Proposta de Economia.
Simultaneamente ao apoio que os estudantes desenvolviam nas Escolas, algumas direcções das AAEE pretextando divergências recusavam-se a assinar mais informações conjuntas dizendo "com vocês não assinamos mais nada" alegando que era preciso "fazer análises profundas"!...
Esses “dirigentes” mais não têm feito senão tentar "interpretar" a repressão, quando o que importa é fazê-la recuar!
O sectarismo tem constituído sempre um entrave ao desenvolvimento do MA, nomeadamente na luta contra a repressão.
Apontámos já alguns exemplos de prática sectária dentro do MA: a recusa constante de alguns “dirigentes” em desenvolver acções concertadas e unitárias, independentemente das divergências que existem sempre, sobretudo num grupo socialmente tão heterogéneo como o estudantil. Ora, além deste há um outro aspecto da prática sectária que lhe está intimamente associado: o fomentar de iniciativas pretensamente associativas desenvolvidas fora das estruturas do MA.
Assim, vemos: "A Luta" autodesignar-se órgão do "Movimento Estudantil do Porto" quando provém de um grupo fechado de pessoas} "Prática” autodesignar-se órgão de "um grupo de colaboradores da AEFEP" quando se trata de um grupo de estudantes que desde as eleições se mantém afastados de todo o trabalho associativo na nossa faculdade.
O que pretendem é sempre o mesmo: construir uma base de apoio da qual possam atacar as AAEE e as suas direcções democraticamente eleitas. A farsa é quase sempre idêntica. Veja-se "A Luta": mascara-se de órgão do Movimento Estudantil do Porto, rotula os outros de reformistas e põe a nu as suas verdadeiras intenções: destruir as AAEE. Textualmente: “O que significa portanto a palavra de ordem de luta pelas AAEE? Em primeiro lugar ela não significa só luta pela direcção das Associações, sendo esse apenas um dos aspectos que assume. Ela significa luta pela destruição das 'AA' dos reformistas. Expulsar os reformistas das direcções onde se instalaram, retirando-lhe o seu campo de actuação oportunista é uma fase necessária para a implantação de uma linha sindical de massas". ("A Luta", Março 72)
SÓ A UNIDADE NA ACÇÃO DOS ESTUDANTES NA DEFESA INTRANSIGENTE DOS SEUS INTERESSES; SÓ O REFORÇO E A DINAMIZAÇÃO DO TRABALHO ASSOCIATIVO SÓ A EXISTÊNCIA DUM SÃO CLIMA DE ENTENDIMENTO E COOPERAÇÃO ENTRE OS DIRIGENTES AJUDARA O MA A ALARGAR A SUA BASE DE MASSAS E A OBTER NOVAS E IMPORTANTES VITÓRIAS!

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