sábado, 6 de maio de 2017

1972-05-00 - TODOS CONTRA OS DESPEDIMENTOS! - MRPP

TODOS CONTRA OS DESPEDIMENTOS!

Aos operários e às operárias da fábrica de papel da ABELHEIRA

Camaradas!
Desemprego, emigração, guerra colonial, fome, doença e miséria - eis o que a burguesia tem para oferecer a quem trabalha, eis o que a camarilha marcelista tem para dar ao povo, eis o que os patrões da nossa fábrica têm para nos compensar dos anos de vida que deixámos agarrados às máquinas, para nos compensar das fortunas que lhes metemos nos bolsos, para nos compensar do sangue que nos sugaram.
Nesta sociedade selvagem em que vivemos, neste sistema de exploração do homem pelo homem, a nossa miséria, a miséria dos que trabalham, é cada dia maior. Mas todos nós podemos ver com os nossos próprios olhos como a riqueza, o luxo e a ostentação de os que nos exploram, dos capitalistas, dos que não trabalham, como a ostentação, o luxo e a riqueza eles se alimentam precisamente do nosso trabalho, da nossa fome e do nosso sofrimento.
A nossa tarefa central, a tarefa principal dos operários do nosso país é a de lutar consciente e organizadamente até destruir pela raia este sistema de exploração capitalista, que rouba, oprime e humilha as amplas massas do nosso povo. Os proletários, homens e mulheres, declararam a guerra ao capital e lutam por uma sociedade nova, a sociedade socialista, uma sociedade sem ricos nem pobres, em que a riqueza produzida pelos trabalhadores aproveita a quem trabalha e não a patrões e demais parasitas vivendo sobre as nossas costas.
Os patrões, os lacaios dos patrões e o governo dos patrões tudo fazem para semear entre nós, operários, a divisão, o conflito, a discórdia, a desconfiança e a desunião. Eles sabem, por uma longa experiência, que, procedendo assim enfraquecem a capacidade de resistência e de combate do proletariado e o tornam numa presa, fácil para os seus apetites sanguinários. Eles sabem que uma classe operária dividida é uma classe operária provisoriamente vencida; eles sabem que um proletariado unido, consciência organizado é um proletariado vencedor, o coveiro do capital.
Camaradas! Uma unidade absolutamente indestrutível - eis uma condição indispensável para a vitória da nossa lutas não só para a vitória final da guerra popular prolongada contra o poder político da burguesia e pela instauração do Estado proletário, mas também para a obtenção da vitória em lutas parcelares, como aquela em que estames empenhados presentemente na nossa fábrica.
Em 1968, ano em que o grupo monopolista Champalimaud absorveu a fábrica de papel da Abelheira, ano em que o lacaio Marcelo Caetano subiu ao poder, trabalhavam aqui 700 operários e operárias. Nesse ano, tanto na fábrica como no governo nós mudámos de patrão, mas não mudámos de ladrão. Hoje, o número de trabalhadores e trabalhadoras está reduzido a 300. Durante quatro anos, a pouco e pouco e quase sem que déssemos por isso, quatro centenas de camaradas nossos foram expulsos, foram lançados no desemprego foram escorraçados das suas casas e acabaram por ir engrossar os bairros de lata de Portugal ou da França.
Nós não lutámos duma forma consequente contra esta cínica táctica patronal dos despedimentos progressivos e escalonados, em grande parte porque não nos apercebemos da manobra e da manha do capital. Mas o que nós compreendemos imediatamente foi que os despedimentos traziam um novo acréscimo de miséria, não só para os camaradas expulsos como para nós que ficávamos. De facto, a nossa exploração e opressão na fábrica veio aumentando sempre, porque foram intensificados os ritmos e as cadências de trabalho, porque a fiscalização e humilhação pelos cães-de-fila tornou-se cada vez mais insolente e provocatória, porque novas exigências e novos regulamentes nos foram impostos.
Durante todo este período, em que o custo de vida aumentou em mais de 40%, os nossos salários permaneceram congelados.  Isto quer dizer que eles não só não subiram, como, de facto, continuaram a diminuir sempre, porque hoje compramos com eles menos coisas que as já poucas que comprávamos em 1968. A combinação da táctica dos despedimentos com os salários congelados apressou a expulsão dos nossos camaradas sempre que exigíamos aumento o director amaçava-nos com o despedimentos e muitos do nós "aceitámos" o despedimento, porque o salário se tornara ao mais baixo dos baixos salários do todas as fábricas da zona.
Conhecendo - e temendo - o estado do descontentamento e de revolta que lavra entre nós, operários e operárias, a direcção da fábrica cozinhou, em segredo com a camari­lha marcelista, um novo golpe-de-mão terrorista contra nós, pelo qual pretende despedir do surpresa, da noite para a manhã, 125 camaradas nossos, a imensa maioria dos quais são mulheres. Um grande clamor de indignação e protesto levantou-se na nossa fábrica, logo que conseguimos descobrir a manobra maquiavélica que se preparava; e a investida e invasão do gabinete do director, reles lacaio de Champalimaud, não é senão o começo do nosso combate.
Camaradas! A nossa tarefa imediata, pelo que respeita a esta situação concreta, é a de organizar, intensificar e alargar a nossa justa luta - uma luta de resistência contra a tirania e contra o agravamento da nossa exploração. Antes de mais, é necessário fixarmos claramente os objectivos da nossa luta e combater firme e consequentemente por eles. Para isso, necessário se torna entender a discussão dos nossos problemas a todos os operários e operárias, a todos os sectores da fábrica e durante as horas de trabalho. TODOS CONTRA OS DESPEDIMENTOS!
A luta contra a expulsão dos 125 camaradas nossos tem de marchar a par da luta per um aumento geral de salários e pela melhoria das condições de trabalho, não só porque são de fome os salários que o patrão nos paga e opressivas as condições em que temos de laborar, como também porque os salários baixos e a repressão constituem um meio de pressão no sentido de forçar os operários a "aceitar" os despedimentos.
A quantidade de operárias que trabalhem na Abelheira é uma parte importante do número total de trabalhadores. Nós podemos ver e sentir bem aqui o grau de exploração a que a burguesia submete não só o proletariado no seu conjunto como o trabalho feminino. Para um trabalho igual ao do homem, as nossas camaradas recebem, em média, um salário de metade. Por isso mesmo, nós devemos exigir claramente, no decurso da nossa actual luta, um SALÁRIO IGUAL para as operárias.
Durante o ultimo mês, a camarilha marcelista, servidora, fiel dos monopólios, despediu em massa para cima de 4.000 operários e operárias. Primeiro, decretou o encerramento de 26 minas, deixando na mais extrema miséria três milhares de mineiros e depois; fechou as fábricas têxteis de Riba D'Ave, lançando no desemprego 700 trabalhadores e trabalhadoras; expulsou da Companhia Industrial Portuguesa, na Póvoa de St. Iria, os seus 150 operários. Agora, é a vez do golpe sobre nós próprios. Em todos os casos o proletariado respondeu ao ataque do capital.
Camaradas! Para o êxito duma luta, qualquer que ela seja, a questão da organização é um factor da máxima importância. Só através da organização adequada poderemos articular devidamente todas as nossas forças, concentrá-las e aplicá-las no lugar e no momento desejados, manobrar de maneira a manter constantemente a iniciativa de como marchar firme e disciplinadamente para a vitória, para a conquista dos nossos objectivos. Devemos constituir um COMITÉ OPERÁRIO na nossa fábrica, no qual estejam representados os camaradas ameaçados de despedimento, as mulheres e os demais trabalhadores. O Comité Operário deve coordenar toda a discussão e concentrar as ideias dos nossos camaradas no que respeita ao prosseguimento da luta. Nós devemo-nos preparar rapidamente para desencadear a GREVE e a OCUPAÇÃO da fábrica até à completa satisfação das nossas reivindicações. Nós devemos fazer propaganda de nossa luta junto do povo da região. Nós devemos conclamar o povo a concentrar-se junto da fábrica, no dia em que decidirmos desencadear a greve e a ocupação dos nossos locais de trabalho.

TODOS CONTRA OS DESPEDIMENTOS!   
A FABRICA É NOSSA! OCUPEMOS A FABRICA!
CONTRA A TRAIÇÃO REVISIONISTA!    
VIVA A REVOLUÇÃO POPULAR!         
VIVA A DITADURA DO PROLETARIADO!
AUMENTO DE SALÁRIOS! GREVE !
CONTRA A EXPLORAÇÃO CAPITALISTA!
CONTRA A GUERRA COLONIAL-IMPERIALISTA!
VIVA O MARXISMO-LENINISMO-MAOISMO!
VIVA O M.R.P.P.!

Comité Soeiro Pereira Gomes da Zona Estaline do M.R.P.P.

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